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January 22, 2016

Igreja em Células: Esse É Mesmo o Ideal Bíblico? - Rev. Marcos Granconato

De tempos em tempos, o meio evangélico é presenteado com “novas descobertas” acerca do ideal de Deus para a sua igreja. Geralmente, essas “novas descobertas” apresentam um método eficaz para o crescimento e o amadurecimento do povo de Deus, dizendo ousadamente que o tal método não é novo, mas era usado pelos apóstolos, podendo ser encontrado no Novo Testamento. Então, os “descobridores” apresentam seus “textos-prova” e aí começa o festival de piruetas hermenêuticas.
Em anos recentes, a moda tem sido a proposta de igrejas em células — um modelo em que a comunidade local se divide em pequenos núcleos que se reúnem geralmente nos lares, sob a liderança de alguém, tentando reproduzir ali a vida integral da igreja. Em algumas dessas células, a vida integral da igreja tenta ser reproduzida a tal ponto que seus componentes desfrutam de plena autonomia para determinar rumos, tomar decisões, receber novos membros, realizar batismos — tudo como numa igreja independente e formalmente constituída. Em células assim, os líderes geralmente chegam a desempenhar papéis de verdadeiros pastores, mesmo sem passar pelo processo de chamado (1Tm 3.1), análise de requisitos (1Tm 3.2-7), eleição (At 14.23) e investidura (1Tm 4.14) ensinado no NT.
Tudo isso é feito sob a repisada alegação de que a igreja dos tempos do NT era uma igreja que se reunia em pequenos grupos nos lares. Segundo parece, para os proponentes desse modelo, o fato de as igrejas do século 1 se reunir nas casas é evidência cabal de que eram igrejas divididas em células. Porém, será que essa conclusão está correta? Tenho cá comigo algumas dúvidas.
Antes, contudo, de mostrar que as igrejas do NT não eram igrejas em células, quero destacar aqui que não há nada de errado na iniciativa de fazer cultos nas casas. Eu mesmo já participei de vários e sempre gostei muito (especialmente da hora do chá com bolo). O que é errado é supor que um modelo eclesiástico é dominante doNT quando não é. Mais errado ainda é tentar fazer esse modelo se encaixar nos textos bíblicos, fazendo uso, para isso, de uma exegese artificial e forçada — o tipo de exegese que tenta a todo custo provar o que não existe ou criar ênfases que os escritores bíblicos nunca demonstraram.
Dito isso, vamos agora avaliar se as igrejas do NT eram mesmo igrejas em células. De antemão, quero repetir: eu duvido muito disso e não vejo sinal nenhum desse modelo na Bíblia. Observem comigo: o fato de os crentes do século 1 se reunir em casas não indica que as igrejas eram pequenas células separadas. Essa noção parte do pressuposto de que as casas em que os crentes se reuniam eram bem pequenas, cabendo somente meia-dúzia de pessoas dentro delas. No entanto, nada está mais longe da verdade.
De fato, o livro de Atos mostra várias vezes que as reuniões das igrejas da época ocorriam em salas enormes, capazes de abrigar muita gente. Esses salões eram geralmente espaços construídos em andares superiores e nós os conhecemos como cenáculos (Gr. hyperōon [ou anágaion], lit. cômodo no andar de cima). Vejam, por exemplo, o ajuntamento de discípulos de que fala o texto de Atos 1.13-15. Essa passagem diz que eles se reuniam num cenáculo em Jerusalém e que o grupo era composto por quase 120 pessoas. Outro exemplo se encontra em Atos 20.6-9 em que toda a igreja de Trôade é retratada reunida para ouvir Paulo num cenáculo situado no 3º andar de um edifício. Esses exemplos mostram que igrejas inteiras podiam se reunir numa só casa, não tendo necessariamente que se dividir em pequenos grupos.
Aliás, o livro de Atos mostra que, mesmo quando o número de crentes em Jerusalém cresceu, chegando a milhares, o padrão dominante de subsistência eclesiástica não foi a divisão em pequenos grupos ou células. Em vez disso, Lucas narra que, mesmo havendo milhares de cristãos na cidade, ainda assim eles se reuniam formando grandes multidões e participavam juntos, num mesmo lugar, das orações (At 4.31), da comunhão indivisa (At 4.32), do ensino e das decisões ligadas à vida da igreja (At 6.1-2,5). Em Atos 2.46 e 5.12 fica claro que, uma vez que estavam em Jerusalém, os crentes faziam essas grandes reuniões muitas vezes nos amplos pátios e átrios do templo judaico, onde cabia muita gente.
Que essas reuniões da igreja toda eram dominantes no século 1 (e não o modelo fragmentado de células) é também visto com especial clareza em Atos 15, o capítulo que narra os detalhes do primeiro concílio eclesiástico reunido em Jerusalém. Esse concílio contou com a presença dos apóstolos, de vários presbíteros e (notem) de toda a igreja (At 15.22). O episódio de Atos 15 mostra de forma cabal que a igreja primitiva se reunia sim em ajuntamentos maiores, abrangendo a totalidade de seus membros (At 15.12), funcionando em seu dia a dia de forma bem diferente do modelo que vê nas células o padrão eclesiástico dominante e necessário.
Resumindo:
1) A igreja primitiva se reunia em casas (At 2.46; Rm 16.5; Cl 4.15; Fm 1.2), mas isso não significa que estava dividida em células, pois seus locais de reunião eram geralmente amplos (os cenáculos);
2) Mesmo no caso de Jerusalém, que teve milhares de cristãos, a igreja inteira se reunia para os atos da vida eclesiástica, sendo os encontros nos lares apenas um aspecto de sua vida que, em momento algum, é apresentado como dominante ou de maior importância;
3) Logo, não há base alguma para a afirmação de que o modelo da igreja em células é o ideal proposto no NT, posto que nenhuma sugestão disso é feita pelos escritores bíblicos;
4) Na verdade, o que se percebe na leitura de Atos é que o padrão que reinava na igreja apostólica era o ajuntamento de todos os crentes para o desfrute do intenso convívio eclesiástico, com suas responsabilidades e privilégios (At 4.32-35).
Pr. Marcos Granconato
Força e Fé
Soli Deo gloria

4 comments:

Ronaldo e Janete Araújo e Lima Araujo said...

Infelizmente, em minha região alguns pastores com seus respectivos conselhos tem implantado este modelo em suas igrejas. Infelizmente é mais um movimento diabólico que tem deturpada a essência da verdadeira palavras de Deus. São movimentos que visa numericamente o crescimento da igreja e a sua arrecadação. Igrejas cheias de pessoas, mas desprovidas de conteúdo bíblica, sem doutrina bíblica, não conhecem o sistema de governo da IPB. Que Deus tenha misericórdia de nós e de nossas igrejas. Creio que deveria vir do Supremo Concílio uma determinação para que as igrejas voltem e permaneça verdadeiramente nas escrituras com pena de caçassão do pastoreio e da dessorvirção de todos do Conselho.

Joao Pedro said...

Asneira oq esse Ronaldo falou pois cada um tem o seu ponto de vista de determinado assunto

Unknown said...

Depois que participei de uma vigilia na capelania do mackenzie (vigilia monergista, realizada no mês passado pelo rev Carlos Henrique) percebi o quanto a IPB precisava ter mais supervisão de seus pastores. O que houve ali era algo foi algo próximo a um centro espírita, pessoas caindo no chão, rodopiando, pulando, falando palavra ininteligíveis,entre outras anomalias.
Para os céticos, recomendo que compareça na próxima vigilia.
Ps: tudo isso ocorreu com a participação ativa de um pastor presbiteriano, Carlos Henrique.

Eduardo Koscak said...

Depois que participei de uma vigilia na capelania do mackenzie (vigilia monergista, realizada no mês passado pelo rev Carlos Henrique) percebi o quanto a IPB precisava ter mais supervisão de seus pastores. O que houve ali era algo foi algo próximo a um centro espírita, pessoas caindo no chão, rodopiando, pulando, falando palavra ininteligíveis,entre outras anomalias.
Para os céticos, recomendo que compareça na próxima vigilia.
Ps: tudo isso ocorreu com a participação ativa de um pastor presbiteriano, Carlos Henrique.

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