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October 5, 2010

PT, Dilma e o aborto



Jornal Folha de São Paulo
05/10/2010 - 07h45


PT estuda tirar aborto de programa para estancar queda de Dilma entre religiosos


Acuado pela perda de votos de evangélicos na reta final do primeiro turno, o PT ensaia deixar de lado a defesa programática da descriminalização do aborto e já planeja retirar a proposta do programa do partido, aprovado em congresso.

A medida deve ser discutida em reunião da Executiva do PT, como forma de responder aos rumores contra a candidata à Presidência, Dilma Rousseff, apontados como o principal motivo para o crescimento de Marina Silva (PV), contrária à legalização do aborto, e a consequente ida da disputa presidencial ao segundo turno.

O primeiro contra-ataque partiu do secretário de Comunicação do PT, André Vargas. "O Brasil verdadeiramente cristão não votará em quem introduziu a pílula do dia seguinte, que na prática estimula milhões de abortos: Serra", disse em seu Twitter.

A pílula do dia seguinte é um dos métodos contraceptivos criticado pela Igreja Católica e distribuída pelo Ministério de Saúde. Diferentemente do que Vargas sugere, sua adoção foi decidida antes de o tucano José Serra, rival de Dilma no segundo turno, ser titular da pasta.
O secretário de Comunicação do PT defende ainda o isolamento da ala do partido pró-legalização. "Agora é hora de envolver mais dirigentes na campanha. Foi um erro ser pautado internamente por algumas feministas. Eu e outros fomos contra".

Um dos coordenadores da campanha de Dilma, José Eduardo Cardozo, reconhece que a resolução do PT, pró-descriminalização do aborto, não é unânime no partido e não é a posição de Dilma.

Antes de ser candidata, Dilma defendia abertamente a descriminalização da prática --o fez, por exemplo, em sabatina na Folha em 2007 e em entrevista em 2009 à revista "Marie Claire".
Depois, ao longo da campanha, disse que pessoalmente era contra a proposta. Hoje, diz que repassará a discussão ao Congresso.

O tema se tornou tão incômodo que ontem, ao "Jornal Nacional", Dilma o citou mesmo sem ter sido questionada (ela teve um minuto e meio para "dar uma mensagem aos eleitores").
"Eu tenho uma proposta de valores. Um princípio nosso de valorizar a vida em todas as suas dimensões".

A senadora eleita Gleisi Hoffmann (PT-PR) afirmou que a defesa da descriminalização do aborto pode até ser defendida por algumas alas do partido, mas pode "custar a Presidência da República".

Já o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), puxador de votos evangélicos, disse que chegou a perder votos porque defendia Dilma, que "erroneamente" era associada a afirmações anticristãs.

Além do PT, o PMDB também defende uma ação para combater a associação de Dilma ao tema aborto, que virou onda de e-mails e comentários em meios religiosos.

Os peemedebistas querem que a candidata divulgue, enfim, um programa de governo deixando claro ser contra a legalização.

Ontem, Dilma reconheceu que a campanha percebeu muito tarde a onda associando seu nome ao tema do aborto e a uma fala, que ela não disse, de que nem Jesus Cristo tiraria dela a vitória.

Sobre a presença do presidente Lula na campanha, Dilma não precisou seu papel. "O presidente Lula a gente não pode falar em dose, ele não é o remédio é solução", disse.

September 30, 2010

A candidata Dilma está mentindo...


Preocupada com sua recente queda nas pesquisas, ontem a candidata Dilma reuniu padres e pastores para "negar já ter defendido a interrupção da gravidez". A candidata disse as seguintes palavras: "Eu, pessoalmente, sou contra o aborto e considero a questão como de saúde pública". Posição diferente da que declarou à revista Marie Claire, em Abril de 2009, quando não era candidata à presidência da República. Veja abaixo: 

http://revistamarieclaire.globo.com/Marieclaire/0,6993,EML1697826-1739-3,00.html

September 6, 2010

Carta aos meus amigos

Caros amigos,

As linhas que escrevo agora são fruto de muita reflexão e oração. Há semanas venho ensaiando escrever isto e o mero desejo de meu coração tornou-se uma necessidade de minha consciência. Muitos de nós têm acompanhado de perto o desenvolvimento de questões ligadas à vida e à família em nossa nação. Sem dúvida alguma, nestas questões a sociedade brasileira tem trilhado no caminho da impiedade por conta de um governo que, além de permitir a iniqüidade, em muitos casos a apóia.

Antes de continuar, deixe-me dizer que, como a Bíblia instrui, oro pelo presidente da República e por seu governo. Mais do que orar, durante muito tempo nutri admiração pelo nosso presidente. Sua história de pobreza no sertão nordestino e sua ascensão ao cargo mais alto da nação era algo que me fascinava. No passado, votei no Lula. Sendo eu filho de um bravo nordestino, metalúrgico e ligado ao sindicato, então, logo simpatizei com a figura do nosso presidente. Todavia, meus olhos se abriram. Como pastor presbiteriano, não posso me calar diante das iniqüidades que seu governo tem cometido e que ainda pretende cometer em nossa nação. Exponho a partir de agora quais são estas iniqüidades:

1. Erotização de nossas crianças

O Governo Federal, através dos Ministérios da Saúde e da Educação, tem produzido material com imoralidade para ser distribuído aos nossos filhos sob o pretexto de educação sexual. Veja por si mesmo nos links abaixo:



O Governo Federal, que deveria ser o guardião da educação de nossos filhos é hoje quem mais os encaminha para a imoralidade sexual.

A Bíblia diz: "Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele". (Provérbios 22.6). Deus vai cobrar do atual governo o que ele tem feito na educação de nossas crianças.

2. Incentivo ao homossexualismo

No dia 14/05/2009 o Governo Federal lançou o Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais). O plano é formado por 51 diretrizes que têm o objetivo de influenciar todos os segmentos da sociedade com a filosofia homossexual. O Governo Federal é o maior patrocinador do movimento homossexual no Brasil. Veja os links abaixo:




Em paralelo a estas ações de expansão de incentivo ao homossexualismo, o Governo também trabalha na aprovação do Projeto de Lei 122/2006, apelidado de "lei da mordaça", que pretende criminalizar a discordância ao Homossexualismo. Se aprovado, o projeto atentará contra a liberdade de expressão prevista em nossa constituição e permitirá ao Estado punir qualquer indivíduo que demonstrar discordância quanto à prática homossexual.

A Bíblia diz: "Se também um homem se deitar com outro homem, como se fosse mulher, ambos praticaram coisa abominável" (Levítico 20.13). "Deus entregou tais homens à imundícia, pelas concupiscências de seu próprio coração, para desonrarem o seu corpo entre si; pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a criatura em lugar do Criador, o qual é bendito eternamente. Amém! Por causa disso, os entregou Deus a paixões infames; porque até as mulheres mudaram o modo natural de suas relações íntimas por outro, contrário à natureza; semelhantemente, os homens também, deixando o contacto natural da mulher, se inflamaram mutuamente em sua sensualidade, cometendo torpeza, homens com homens, e recebendo, em si mesmos, a merecida punição do seu erro." (Romanos 1.24-27)

3. Defesa do aborto

Em Setembro de 2007 o PT aprovou seu apoio à legalização do aborto:


Em 2008 a Fiocruz, instituição vinculada ao Ministério da Saúde, liberou R$ 80 mil para a filmagem do vídeo "O fim do silêncio", que mostra depoimentos de mulheres que abortaram seus filhos e defendem a descriminalização da prática. A diretora Thereza Jessouroun diz, na reportagem, ter idealizado o roteiro ao ouvir declarações do ministro da Saúde, José Gomes Temporão, a favor da descriminalização do aborto. De acordo com ela, o projeto se materializou após a abertura do edital da Fiocruz, cuja direção é nomeada pelo ministro. Veja notícia do Jornal O Globo abaixo:


Por ser o PT oficialmente favorável ao aborto, em Setembro de 2009 ele puniu dois deputados federais por serem contrários à posição abortista: Veja a matéria abaixo:


Além disso, o novo Programa Nacional de Direitos Humanos, assinado pelo presidente em Dezembro/2009, defende a legalização do aborto, o que gerou manifestações de grupos contrários ao aborto em todo o país:


Diante destes fatos que atentam contra a família, a vida e contra nossas crianças, torno pública minha intenção de voto: Votarei pela não continuidade deste governo.

Quem me conhece sabe que nunca misturei política com ministério, todavia, creio que o momento é grave e necessita de um posicionamento dos líderes religiosos. Todo cristão deve atentar para o que está acontecendo e manifestar o repúdio às iniqüidades deste governo por meio do seu voto. Não podemos deixar que as iniqüidades continuem.

Conclamo você, meu amigo, a continuar orando pelas nossas autoridades, a orar pelas eleições que se aproximam e a votar conscientemente, não escolhendo aqueles que praticam a impiedade. Termino com alguns versículos:

“Ai daqueles que, no seu leito, imaginam a iniqüidade e maquinam o mal! À luz da alva, o praticam, porque o poder está em suas mãos.” Miquéias 2.1

“Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal; que fazem da escuridade luz e da luz, escuridade; põem o amargo por doce e o doce, por amargo!” Isaías 5.20

“... se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e me buscar, e se converter dos seus maus caminhos, então, eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra”. 2 Crônicas 7.14



Rev. Ageu Cirilo de Magalhães Jr.

Pastor Presbiteriano

Post-Scriptum de 2014
- Os militantes do PT dirão que o PSDB também apoia tudo isso. Pode ser. Mas eu não julgo com base em possibilidades, mas com base na realidade dos fatos acima. Ou, em outras palavras, o PT fez tudo isso e merece ser parado imediatamente. Quanto ao PSDB, só Deus conhece o futuro.

August 16, 2010

Igreja contextualizada ou secularmente conformada?


O vídeo abaixo é uma bela crítica à nova tendência que começa a chegar no Brasil. Trata-se de um movimento que, sob o pretexto de contextualização cultural, tem deformado alguns pontos importantes de nossa tradição bíblico-reformada. Para estas igrejas o importante é a mensagem cultural, não a mensagem bíblica. Algumas marcas são comuns a este movimento:

1. As igrejas não se chamam igrejas, mas "comunidades", pois, na visão do movimento, "igreja" é uma palavra que mais assusta do que atrai;
2. Não há púlpito. No lugar dele, uma mesinha com laptop e um banquinho para o pregador apoiar-se;
3. Os pregadores usam sempre roupa informal, nunca terno e gravata;
4. A decoração do salão de cultos é repleta de imagens, banners, ou cartazes com frases de efeito;
5. O sermão nunca é chamado desta forma, mas de "palestra" ou "conversa";
6. No Brasil, músicas seculares de compositores como Vinícius de Morais, Toquinho, etc, são usadas dentro do culto.



No livro "Com Vergonha do Evangelho", John F. MacArthur Jr. descreve bem este tipo de igreja:

"Quando Charles Spurgeon nos advertiu a respeito daqueles que 'gostariam de unir igreja e palco, baralho e oração, danças e ordenanças', foi menosprezado como um alarmista. Mas a profecia de Spurgeon se cumpriu diante de nossos olhos. As igrejas modernas são construídas assemelhando-se a teatros ('casas de divertimento', Spurgeon as chamou). Em lugar do púlpito, o enfoque está no palco. As igrejas estão contratando, em regime de tempo integral, especialistas em mídia, consultores de programação, diretores de cenas, professores de teatro, peritos em efeitos especiais e coreógrafos.

Tudo isso não passa da extensão natural de uma filosofia norteada por marketing seguida pelas igrejas. Se a igreja funciona apenas com o objetivo  de promover um produto, é bom mesmo que seus líderes prestem atenção aos métodos da Avenida Madison. Afinal, a maior competição para a igreja é um mundo repleto de diversões seculares e uma gama de bens e serviços mundanos. Portanto, dizem os especialistas de marketing, jamais conquistaremos as pessoas até que desenvolvamos formas alternativas de entretenimento a fim de ganhar-lhes a atenção e a lealdade, desviando-as das ofertas do mundo. Desta forma, esse alvo estipula a natureza da campanha de marketing.


E o que há de errado nisso? Por um lado, a igreja não deveria mercadejar seu ministério, como sendo uma alternativa aos divertimentos seculares (1 Ts 3.2-6). Isto acaba corrompendo e barateando a verdadeira missão da igreja. Não somos apresentadores de carnaval, ou vendedores de carros usados, ou camelôs. Somos embaixadores de Cristo (2 Co 5.20). Conhecendo o temor do Senhor (v.11), motivados pelo amor a Cristo (v. 14), tendo sido completamente transformados por Ele (v. 17), imploramos aos pecadores que se reconciliem com Deus (v. 20).


Também, em lugar de confrontar o mundo com a verdade de Cristo, as mega igrejas norteadas por marketing estão promovendo com entusiasmo as piores técnicas da cultura secular. Alimentar o apetite das pessoas por entretenimento apenas agrava o problema das emoções insensatas, da apatia e do materialismo. Com toda franqueza, é difícil conceber uma filosofia de ministério mais contrária ao padrão que o Senhor nos confiou.


Proclamar e expor a Palavra, visando o amadurecimento e a santidade dos crentes deveria ser âmago do ministério de toda igreja. Se o mundo olha para a igreja e vê ali um centro de entretenimento, estamos transmitindo a mensagem errada. Se os cristãos enxergam a igreja como um salão de diversões, a igreja morrerá. Uma senhora, inconformada com sua igreja, que tinha abraçado todas essas excentricidades modernas, queixou-se recentemente: “Quando é que a igreja vai parar de tentar entreter os bodes e voltar a alimentar as ovelhas?”


Nas Escrituras, nada indica que a igreja deveria atrair as pessoas a virem a Cristo através do apresentar o Cristianismo como uma opção atrativa. Quanto ao evangelho, nada é opcional: “E não há salvação em nenhum outro; porque debaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos” (At 4.12). Tampouco o evangelho tem o objetivo de ser atraente, no sentido do marketing moderno. Conforme já salientamos, freqüentemente a mensagem do evangelho é uma “pedra de tropeço e rocha de escândalo” (Rm 9.33; 1 Pe 2.8). O evangelho é perturbador, chocante, transtornador, confrontador, produz convicção de pecado e é ofensivo ao orgulho humano. Não há como “fazer marketing” do evangelho bíblico. Aqueles que procuram remover a ofensa, ao torná-lo entretenedor, inevitavelmente corrompem e obscurecem os pontos cruciais da mensagem. A igreja precisa reconhecer que sua missão nunca foi a de relações públicas ou de vendas; fomos chamados a um viver santo, a declarar a inadulterada verdade de Deus – de forma amorosa, mas sem comprometê-la – a um mundo que não crê." John MacArthur Jr, Com Vergonha do Evangelho: Quando a Igreja se torna como o mundo, Editora Fiel, p. 78.

Leia também:
A simplicidade do evangelho e a sofisticação da Igreja
Qual o problema com as Comunidades Presbiterianas?
IPB e a ética dos Juízes
Sproul e Mohler sobre a "igreja amigável"
O Palhaço e o Profeta
Plantão Médico e o Evangelho Açucarado
Não desperdice o seu Púlpito - John Piper
Na era do entretenimento até funeral vira show



August 9, 2010

Ives Gandra sobre o Divórcio Relâmpago


A emenda constitucional, que aprovada pelo Congresso, objetiva facilitar a obtenção do divórcio, suprimindo requisito relativo ao lapso temporal -de um ano contado da separação judicial e dois anos da separação de fato- , denominada de a “PEC do divórcio relâmpago”, a meu ver, fragiliza ainda mais a família, alicerce da sociedade, nos termos do artigo 226 “caput” da Constituição Federal.

Na medida em que os mais fúteis motivos puderem ser utilizados para que a dissolução conjugal chegue a termo, sem qualquer entrave burocrático, possivelmente, não possibilitando nem o aconselhamento de magistrados e nem o de terceiros para a tentativa de salvar o casamento, o divórcio realmente será relâmpago.

Não poucas vezes, casais que estão dispostos a separar-se, não percebendo o impacto que a separação pode causar nos filhos gerados, quando aconselhados e depois de uma reflexão mais tranquila e não emocional, terminam por se conciliar.

Conheço inúmeros exemplos nos quais o ímpeto inicial foi contido por uma meditação mais abrangente sobre a família, os filhos e a vida conjugal, não chegando às vias do divórcio pela prudência do legislador ao impor prazos para concedê-lo e pela tramitação que permite , inclusive , a magistrados aconselharem o casal em conflito.

A Emenda mencionada autoriza que, no auge de uma crise conjugal, a dissolução do casamento se dê, sem prazos ou entraves cautelares burocráticos. Facilita, assim, a tomada de decisões emotivas e impensadas, dificultando, portanto, uma solução de preservação da família, que foi o objetivo maior do constituinte ao colocar no artigo 226 , que o Estado prestará especial proteção à família.

Entendo que a "PEC do divórcio relâmpago" gera insegurança familiar, em que os maiores prejudicados serão sempre, em qualquer separação, os filhos , que não contribuíram para as desavenças matrimoniais, mas que viverão a turbulência da divisão dos lares de seus pais, não podendo mais ter o aconchego e o carinho, a que teriam direito -por terem sido por eles gerados ou adotados- de com eles viverem sob o mesmo teto.

Como educador há mais de 50 anos, tenho convivido com os impactos negativos que qualquer separação causa nos filhos, que levam este trauma, muitas vezes, por toda a vida.

Por isto, sou favorável à maior prudência, como determinou o constituinte de 88, no § 6º do artigo 226 da Lei Maior. Tenho para mim, inclusive, que o capítulo da Família na Carta Magna de 88, por ser a família a espinha dorsal da sociedade, deveria ser considerado cláusula pétrea.

Ives Gandra da Silva Martins
Advogado. Doutor em Direito. Professor Emérito das Universidades Mackenzie, UNIFMU e da Escola de Comando e Estado Maior do Exército. Presidente do Conselho de Estudos Jurídicos da Federação do Comércio do Estado de São Paulo e do Centro de Extensão Universitária.

Pensador inglês critica o Ateísmo




Crítico inglês vê impasse entre o excesso e a falta de fé no mundo


MAURICIO STYCER
Crítico do UOL
Em Paraty (RJ)

O mundo está preso num impasse “entre a falta de crença e o excesso de crença”. Esta é a opinião do britânico Terry Eagleton, um dos mais influentes críticos em atividade, que defendeu ideias originais e distribuiu bordoadas a granel na manhã deste sábado (7) na Festa Literária de Paraty.

Apresentado como um “velho marxista católico e punk” por Silio Boccanera, Eagleton reagiu com um misto de irritação e ironia. “Essa introdução sensacionalista me faz parecer mais como um lutador peso-pesado do que um intelectual”.

Mas o fato é que Eagleton não mede palavras no combate de ideias. Seu livro mais recente, “Reason, Faith, and Revolution: Reflections on The God Debate”, questiona diretamente as teses do evolucionista Richard Dawkins, defendidas em “Deus, um Delírio”.


“Minha objeção a Dawkins não é que ele não acredita em Deus, como muita gente, é que ele não tem a menor ideia do que significa acreditar em Deus. A doutrina da criação não tem nada a ver com como o mundo começou, como Dawkins erroneamente acredita”, disse Eagleton.


“A maioria dos ateus compra o ateísmo de forma barata”, diz. “Eles nem foram confrontados com o catolicismo de forma a rejeitá-lo. Você precisa lutar por isso, rejeitar alguma coisa sólida. É um sacrifício”, defendeu o crítico.


“Por que todo mundo está falando de Deus? Quer dizer, Leonardo di Caprio não está falando de Deus, mas Madonna está falando...”, começou, fazendo piada. “Quando Deus parecia ter se aposentado do debate público, ele está de volta. Deixe eu sugerir uma resposta: 11 de setembro.”


Islamismo x Ocidente

O duelo entre os islamismo radical e as sociedades ocidentais, na visão de Eagleton, transformou-se numa luta da fé contra a incapacidade de acreditar. “Cada parte empurra a outra para um extremo ainda maior. Quanto mais sem fé se tornar a civilização, mais a outra parte vai reagir. Estamos presos neste impasse”.

O radicalismo islâmico levou a uma distorção no debate sobre fé, acredita Eagleton. Intelectuais autodenominados liberais entendem que o problema da civilização, hoje, é a religião. “Eles acreditam que se tirássemos a religião da nossa frente poderíamos caminhar para um novo iluminismo. Não consigo pensar em uma coisa mais preconceituosa do que isso."


Eagleton cita especificamente os escritores Christopher Hitchens e Martins Amis como defensores desta “visão preconceituosa”. Também menciona, com menos ênfase, o escritor Salman Rushdie, que na noite de sexta-feira se mostrou ofendido com as 
menções do crítico à sua posição e o chamou de “desonesto”.


Provocado por Boccanera a explicar melhor sua divergência com Rushdie, Eagleton falou: “As pessoas que fizeram críticas mais fortes sobre o islamismo, como Hitchens, Amis, Ian McEwan, Salman Rushdie, pessoas que rotulam genericamente os muçulmanos como terroristas, se proclamam intelectuais liberais. Supostamente são as pessoas que deveriam falar em nome da tolerância. Islamismo radical é um fenômeno feio. Não há como defender isso. Mas os que exageram são os liberais literários da Inglaterra”.


Em seguida, Eagleton minimizou a sua crítica a Rushdie. “Obviamente há diferenças individuais no grupo que acabei de mencionar. Estamos falando de islamofobia. A linha foi cruzada muitas vezes por Amis e Hitchens. Eles odeiam o islamismo porque odeiam toda a religião. Mas não têm o direito de confundir uma minoria com todos os muçulmanos.”


O crítico arrancou aplausos ao dizer que “a civilização ocidental é permeada de formas de fundamentalismo evangélicos”. E acrescentou: “Talvez porque a União Soviética não exista mais, as pessoas precisam de um novo bicho papão. Gostaria de ouvir Rushdie e Amis falarem isso de forma mais alta. Como se os bárbaros fossem só os outros.”


Na visão de Eagleton “barbárie e civilização” caminham juntas. “A crença liberal ilustrada por Dawkins é que houve barbárie e depois civilização e que sempre podemos voltar para trás. Os marxistas sempre defenderam que barbárie e civilização são sincrônicos.”


http://entretenimento.uol.com.br/flip/ultimas-noticias/2010/08/07/critico-ingles-ve-impasse-entre-o-excesso-e-a-falta-de-fe-no-mundo.jhtm



August 5, 2010

Mulheres priorizando suas famílias


A revista Veja, em sua edição de 14 de Julho passado, publicou uma matéria sobre mulheres que estão saindo dos seus empregos por amor às suas famílias. É interessante observarmos a satisfação destas mulheres em priorizarem a educação dos seus filhos e percebermos que, do ponto de vista bíblico, este é o melhor caminho mesmo. Confira abaixo a reportagem completa. (clique na imagem para ampliação)




July 24, 2010

Em viagem


Prezado leitor, estamos em uma viagem missionária no Rio Grande do Sul, um dos estados menos evangelizados do país. Ore por nós e acompanhe notícias do trabalho no seguinte link:

http://www.projetodespertandovocacoes.blogspot.com/

July 9, 2010

Plantão Médico e o Evangelho Açucarado


Os roteiristas do seriado norte-americano ER (Plantão Médico) tiveram um momento de grande lucidez ao criarem uma cena em que um médico à beira da morte é aconselhado por uma capelã "evangélica" pós-moderna. Assista agora: 

July 1, 2010

Muito além do futebol, em Gana...


Não desperdice o seu Púlpito - John Piper

Piper sobre a Teologia da Prosperidade


A Universal e o prêmio para quem arrecada mais...




O vídeo acima ilustra a matéria que o Jornal Folha de São Paulo publicou no dia 20/06/10 com denúncias sobre a Igreja Universal do Reino de Deus. O vídeo faz parte de uma série de orientações internas aos pastores da igreja que vazaram pelas mãos de um ex-pastor que agora está movendo uma ação contra a igreja por danos morais. 

A Igreja Universal se defendeu das acusações com a seguinte nota:

"A viagem para Israel não é considerada uma premiação e sim uma missão religiosa almejada por cristãos evangélicos de todo o mundo. Entre os 15 mil pastores da Igreja Universal do Reino de Deus que atuam no Brasil, isso não é diferente. A missão religiosa na Iurd, entre outras peregrinações, consiste em levar pedidos de oração dos fiéis a lugares sagrados, como o Monte Carmelo, a Muralha de Jerusalém e o alto do Monte Sinai, por exemplo, uma árdua e esgotante escalada de mais de dois mil metros a pé."

Eu gostaria de comentar esta resposta:

1. A viagem para Israel não é considerada uma premiação e sim uma missão religiosa almejada por cristãos evangélicos de todo o mundo.

Ok. Se eles tivessem falado uma "viagem almejada pelos cristãos", faria todo o sentido. Mas "uma missão religiosa almejada por cristãos do mundo todo" pareceu Islamismo com peregrinação à Meca, não?. Se você, meu irmão, pode fazer uma viagem a Israel, dê graças a Deus pelas condições financeiras privilegiadas. Mas, se não fizer, nem por isso perde algo para sua fé. Aliás, a Bíblia é bem clara sobre a questão da inclusão dos gentios na nova aliança. Os judeus não tem mais privilégios do que os outros povos. Com Cristo forma-se o Israel espiritual em que todas as nações estão incluídas. Isto está bem claro na carta de Paulo aos Romanos e no Apocalipse.

2. "A missão religiosa na Iurd, entre outras peregrinações, consiste em levar pedidos de oração dos fiéis a lugares sagrados, como o Monte Carmelo, a Muralha de Jerusalém e o alto do Monte Sinai.

É estranho eles falarem em "peregrinações". Isto foi próprio da Idade Média e nada tinha a ver com o Evangelho genuíno de Cristo. Eles também falam em "lugares sagrados como o monte Carmelo, Muralha de Jerusalém, Monte Sinai, etc..." Há aqui um claro desconhecimento da Bíblia. Em João 4, por exemplo, a mulher samaritana expressa sua dúvida com relação ao local verdadeiro de adoração. "Nossos pais adoravam neste monte, vocês dizem que em Jerusalém é o lugar onde se deve adorar." E a resposta de Jesus: "Mulher, vem a hora em que nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vem a hora e já chegou em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade." Note que Jesus tira da mulher qualquer idéia de lugares sagrados. Nem o monte Gerizim nem Jerusalém eram lugares sagrados para adoração agora, porque, em Cristo, a adoração deixou de ser algo localizado em um templo, como era no Antigo Testamento. Com Cristo os crentes tornaram-se o templo, nós somos os tijolos, as pedras vidas, conforme Pedro (1Pe 2.5)

 3. Sobre o todo dos vídeos, isto é, a teologia da prosperidade, a igreja se defendeu dizendo que há fundamento bíblico para suas práticas. Será que eles estão certos? Será que Teologia da Prosperidade é bíblica? Vejamos alguns versículos:

"Duas coisas te peço; não mas negues, antes que eu morra: afasta de mim a falsidade e a mentira; não me dês nem a pobreza nem a riqueza; dá-me o pão que me for necessário; para não suceder que, estando eu farto, te negue e diga: Quem é o SENHOR? Ou que, empobrecido, venha a furtar e profane o nome de Deus." (Pv 30.7-9)

"Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco, e nos currais não haja gado, todavia, eu me alegro no SENHOR, exulto no Deus da minha salvação. O SENHOR Deus é a minha fortaleza, e faz os meus pés como os da corça, e me faz andar altaneiramente." (Hc 3.17-19)

"Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam; porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração." (Mt 6.19,20)

"De fato, grande fonte de lucro é a piedade com o contentamento. Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele. Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes. Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores. Tu, porém, ó homem de Deus, foge destas coisas; antes, segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão." (1Tm 6.6-11)

Como sabemos que a Bíblia é inspirada por Deus e, portanto, livre de erros, errada estão estas igrejas que adotam a Teologia da Prosperidade. Ela nada mais é que idolatria.

June 24, 2010

A Pílula do Homem - Augustus Nicodemus



De acordo com o site Science Daily, as pesquisas para a produção de uma pílula anticoncepcional masculina estão cada vez mais avançadas. Com a autorização do Rev. Augustus, reproduzo abaixo interessante artigo escrito por ele sobre o assunto.
_____

O primeiro contraceptivo oral masculino está chegando e, com ele, algumas indagações de cristãos sobre a legalidade Bíblica de um homem crente usar a "pílula" para não ter filhos.

A questão interessa a muitos cristãos. Muitos jovens casais têm evitado filhos nos dias de hoje. As razões geralmente apresentadas são a explosão demográfica das grandes cidades onde vivem, a depravação e corrupção cada vez maiores do ambiente onde seus filhos haveriam de crescer, tal como o uso de drogas e a delinqüência infantil e juvenil. Alega-se ainda a falta de segurança que sentem em relação a filhos: saberei dar respostas? Será que serei capaz de viver uma vida exemplar? E, por fim, o argumento mais forte, o alto custo financeiro hoje de se criar filhos. Para os que pensam assim, filhos atrapalhariam os planos financeiros de se ter uma vida financeira mais tranqüila.

Por outro lado, há algumas boas razões para se enfrentar as dificuldades mencionadas acima.

1) Filhos são fonte de grande alegria, isto a Bíblia deixa muito claro, mas especifica que especialmente os filhos que andam nos caminhos do Senhor (ler Pv 28.7; 29.3,17). Filhos que crescem sem disciplina vão para o mundo, desobedecendo a Deus, e dão grande dor a seus pais (Pv 17.21,25; 28.7; 29-3,15). "Grandemente se regozijará o pai do justo, e quem gerar um filho sábio nele se alegrará" (Pv 23.24). Filhos sábios não crescem em árvores: são fruto de toda uma vida de disciplina, instrução, companheirismo, amor, e orientação nos caminhos de Deus. Mas o resultado vale a pena.

2) Filhos são bênção do Senhor. Os Salmos 127 e 128 comemoram a felicidade do justo em ter muitos filhos, como bênção de Deus. Muitos jovens casais cristãos, ao contrário do ensino bíblico, vêem os filhos como sendo um tropeço, um estorvo às suas carteiras profissionais, aos planos de divertir-se, conhecer o mundo... quem pode fazer isto com filhos pendurados nas calças?

É possível que estes cristãos mudem de idéia, quando já for muito tarde, quando estiverem aposentados, doentes, velhos e sozinhos largados num asilo de idosos, sem ninguém que venha visitá-los, conversar com eles, e alegrá-los.

3) Filhos fazem parte da estratégia de Deus em transformar o mundo. Filhos criados em famílias cristãs sólidas são via de regra os melhores crentes e, portanto, os mais aptos a cumprir o que Jesus ensinou, que a corrupção da sociedade poderá ser neutralizada por homens e mulheres santos (Mt 5.13-16), agindo como sal e luz deste mundo. É em lares cristãos fortes que jovens, que serão o sal e a luz deste mundo, são devidamente equipados. Deus deseja que o mundo ouça o Evangelho (Mt 18.18-20). Nossos filhos podem ser os instrumentos necessários para isso, como disse B. Ray: "O propósito de Deus em nos dar filhos é que conquistemos o mundo para ele".

Na minha opinião, à luz do ensino bíblico sobre o plano de Deus para a família e os filhos, constitui-se uma transgressão do propósito divino o evitar filhos por motivos egoístas quer seja com contraceptivos masculinos ou femininos. Gente que não quer o trabalho de criar crianças e casam pelo sexo e companhia se esquecem que tiveram um pai e uma mãe que pensaram diferente. O sexo e o companheirismo trazidos pelo casamento não são a sua única finalidade. Criar filhos é bem menos complicado e difícil do que se pensa, quando o casal o faz na dependência de Deus.

Por outro lado, creio que não vai contra o propósito de Deus o casal controlar o número de filhos, e mesmo chegar a uma época em que decida evitá-los. Minha esposa e eu temos quatro filhos. Na realidade queríamos ter cinco, mas por problemas de saúde dela, tivemos de parar nos quatro. Creio que já demos nossa contribuição para encher o mundo e dominá-lo! E não nos sentimos constrangidos em evitar que ela engravide mais uma vez.

Assim, creio que nada há contrário ao uso da pílula masculina por um cristão, desde que pelos motivos corretos. Sobre o fato de ser "masculina", não, vejo nada nas Escrituras que condenem a pílula por isto. A pílula masculina ainda tem a vantagem sobre alguns contraceptivos femininos de evitar uma outra questão ética relacionada com o controle da natalidade, que é a do uso de métodos que são abortivos.

June 23, 2010

Saudade é coisa que dói


Peço licença aos leitores do blog para escrever algo fora de sua "linha editorial". Se você precisa de uma justificativa, talvez seja este um escrito de "resistência à tristeza".

Faz pouco mais de um mês que nossa mãe partiu para estar com o Senhor. Se, do ponto de vista espiritual, sua passagem foi abençoada, como a de Estevão (At 7.54-59), na ótica de quem ficou foi abrupta, misteriosa e violenta (o laudo da autópsia ainda não saiu, mas há fortes evidências de assassinato). Seja como for, há dias sinto a necessidade de registrar algumas palavras sobre a minha mãe, numa espécie de tributo a ela, grande devedor que sou. Escrever é mais fácil que falar e nossos pais espirituais já usavam deste expediente no passado (2Co 2.4).

Minha mãe foi uma mulher muito crente, para mim, um exemplo de piedade. Na sua mocidade ela orava a Deus pedindo um filho, para que fosse pastor. Devoção rara em nossos dias. Durante a sua vida, leu a Bíblia inteira 9 vezes, muito embora, por ter vindo do sertão do Ceará, tivesse apenas o primário completo. Foi superintendente de Escola Dominical, professora e conselheira dos adolescentes por muitos anos. Era apaixonada por leitura. Desde que me lembro, sempre houve a Bíblia e um livro em seu criado mudo. Não dormia sem antes ler os dois. Foi com ela que criei gosto pela leitura. Foram dela os primeiros livros que li e que me despertaram para o ministério. Foi com ela que aprendi a amar a Deus sobre todas as coisas.

Criou três filhos nos caminhos do Senhor, eu e minhas queridas irmãs. Lembro-me da minha infância e adolescência quando chegávamos da igreja, no domingo à noite, e ela proibia a mim e a minha irmã de ligarmos a televisão, para que o ensino do sermão que acabáramos de ouvir não saísse rápido de nossas mentes. Alguns princípios de vida que sigo há anos vieram dela. Por exemplo, o de não recusar trabalhos que Deus nos dá e de ser um homem, no sentido mais completo da palavra, responsável e ativo, nunca omisso, nas lutas para o bem da Igreja.

Hoje, há poucas semanas de sua partida a dor da saudade aperta o meu peito. Sua lembrança está em todas as partes. Na comida que o restaurante oferece e que, me lembro, ela fazia muito melhor (mandioca frita, baião de dois, bolinho de chuva, doce de leite com alguns cravos); no sorriso dos meus pequenos filhos quando penso que ela também passou por esta fase e nos criou com o mesmo carinho que tentamos criar agora os nossos; no rosto e temperamento de minhas tias, irmãs e sobrinhas que refletem fisica e emocionalmente traços próprios seus e no meu próprio espelho quando vejo ali, expresso em minha estrutura, semblante e gestos, o corpo de meu pai, homem que ela amou a vida inteira e que foi chamado para a glória 6 anos antes de sua partida.

Como "não há mal que não traga um bem" frase originária de minha avó e tantas vezes usada por minha mãe, eco de "todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus" (Rm 8.28), a vida segue. Segue na certeza de que Deus faz tudo perfeito e a seu tempo. Segue na confiança de que o Consolador está conosco, a cada dia. Segue na esperança de que um dia reencontraremos nosso pai e nossa mãe (1Ts 4.13,14) não mais com as marcas de sofrimentos que passaram por aqui, mas radiantes e com a alegria indizível (1Pe 1.8) própria de quem está com nosso amado Senhor e Salvador Jesus Cristo.

Antes deste reencontro acontecer, cabe a nós, os que ficamos, viver vidas dignas dos pais que tivemos. Cumprindo o "honra teu pai e tua mãe" mesmo na ausência física deles, sendo exemplos para nossos filhos, pois isto é agradável ao Senhor. 

Saudade é coisa que dói, mas temos um Deus que é Pai de misericórdia e de toda consolação. "É ele que nos conforta em toda a nossa tribulação, para podermos consolar os que estiverem em qualquer angústia, com a consolação com que nós mesmos somos contemplados por Deus." (2Co 1.3,4). A Ele, doador da vida, nossa gratidão pela salvação (Jo 10.28) e esperança bendita da vida eterna. A Ele toda a glória. Amém.

June 14, 2010

June 11, 2010

Nada Mais Importa!


Essas palavras nos mostram que estamos diante de um acontecimento mais importante que se possa pensar. Alguns poetas já tentaram descrever o momento presente como o mais importante de todos, e ele tem apenas a duração do instante que passa, doce pássaro do agora, que quando se dá por ele, já voou, para nunca mais voltar. (Mário Quintana)

Outros ainda crêem que o melhor ficou para trás e se arriscam a dizer que as coisas findas, muito mais que lindas, essas ficarão. (Carlos Drumond de Andrade)

E há, claro, os que têm esperança que o melhor ainda está por vir nessa vida, por isso, para eles quem sempre vence é o porvir. (Castro Alves)

A frase do título, entretanto, realça o momento pelo qual todos esperam por quatro anos, passam o mês realmente concentrados na realidade de que nada mais importa e, já que daqui a quatro anos o torneio será no Brasil, de fato nada mais importa além da Copa do Mundo de Futebol da FIFA.

Talvez você também esteja imbuído dessa ‘verdade’ e tenha se preparado para fazer aquilo que boa parte do mundo faz: colecionar o álbum de figurinhas, conhecer a escalação completa, torcer, abraçar, chorar e gritar como se cada pessoa que se senta ao seu lado no momento mágico do “gooooool” fosse seu melhor amigo, o mais chegado irmão.

O fato de ser na África do Sul pós-Mandela traz um toque especial ao ideal humanitário do fim da segregação racial, mostrando como o grande deus-futebol tem a solução para a verdadeira promoção da paz e da alegria nesse mundo tão mau.

Tudo parece muito bonito; entretanto, precisamos analisar como crentes, qual deve ser o nosso compromisso com a Copa do Mundo. Também sou brasileiro, gosto muito de futebol, estou tentando completar o álbum de figurinhas com meus filhos e espero que o Brasil jogue com raça e ganhe cada jogo; mas qual é o limite razoável dessas coisas e como devemos agir? Espero que aqui possamos ver algumas questões bem práticas!

Em primeiro lugar, precisamos nos questionar se esse amor à seleção (ou ao futebol) é um patriotismo sadio ou uma idolatria assumida. Vejamos, por exemplo, se não nos preparamos para quebrar o Dia do Senhor desde já construindo no nosso coração idólatra algumas auto-justificativas ou defesas: o jogo não é no horário do culto... é melhor assistir do que não assistir querendo, pois é pecado do mesmo jeito... ah, essa coisa de Dia do Senhor é farisaísmo (ou outro ismo qualquer).

Outro questionamento que devemos fazer diante do espelho é se a irmandade ocasionada pelo futebol não expõe como nossa situação na Igreja é de profunda fragilidade. A camisa amarela nos une mais que o sangue carmesim do Salvador no Calvário, o grito de gol nos emociona mais que o expirar na cruz, o sorriso de Kaká nos é mais caro que o choro de Jesus e isso fica claro quando não temos nem de perto o mesmo tipo de emoção e alegria quando cultuamos a Deus do que quando cultuamos ao time de Dunga.

Quando formos crentes de verdade, poderemos chegar no dia da final de uma copa do mundo entre Brasil e Argentina e, mesmo com o jogo marcado para o horário do culto, podermos nos ajuntar com os verdadeiros irmãos e, levantando nossas mãos em comemoração de reverente adoração, sairmos desse lugar com uma convicção no nosso coração: É culto a Deus, é Dia do Senhor, Nada Mais Importa!

Pr. Samuel Vitalino

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