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March 14, 2012
March 13, 2012
March 12, 2012
March 7, 2012
Conversão é mais que dizer "sim"
Em 20 de Setembro de 2008 o atual prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, na época em plena campanha à reeleição, sofreu o constrangimento de ser induzido à "se converter". Veja abaixo o vídeo que registrou o episódio e, na seqüência, o relato do Pr. Paul Washer de uma conversão verdadeira, baseada não em um simples e superficial "sim", mas em conhecimento, fé e arrependimento.
March 5, 2012
É correto afastar um disciplinado da Ceia do Senhor?
Este blog é acessado por irmãos de várias denominações e escrito com estes leitores em mente. Todavia, eu gostaria de pedir licença a você que não é da Igreja Presbiteriana do Brasil para tratar de um tema que tem surgido em nosso meio. É possível que, mesmo não sendo da IPB, você possa aproveitar a discussão.
Vamos a ela: É correto o Conselho de uma igreja impedir que a Ceia do Senhor seja ministrada a um membro que está sob disciplina eclesiástica? A resposta é afirmativa.
Na IPB, os pastores ordenados devem aceitar integralmente os Símbolos de Fé da Igreja. Além disso, o artigo 33 da Constituição diz que "o novo ministro, por ocasião da cerimônia de ordenação, reafirmará sua crença nas Escrituras Sagradas como a Palavra de Deus, bem como a sua lealdade à Confissão de Fé, aos Catecismos e à Constituição da Igreja Presbiteriana do Brasil. Prometerá também cumprir com zelo e fidelidade o seu ofício, manter e promover a paz, unidade, edificação e pureza da Igreja."
Assim sendo, o ministro presbiteriano, comprometido com a Constituição da sua denominação e com os Símbolos de Fé da Igreja, afastará da Ceia do Senhor aqueles que estão sob disciplina eclesiástica. E ele procederá assim em obediência aos seguintes artigos:
Constituição da IPB
Art. 13 - Somente os membros comungantes gozam de todos os privilégios e direitos da Igreja.
(...)
§ 3º - Somente membros de igreja evangélica, em plena comunhão, poderão tomar parte na Santa Ceia do Senhor e apresentar ao batismo seus filhos, bem como os menores sob sua guarda.
Código de Disciplina
Art. 9º - Os Concílios só podem aplicar a pena de:
(...)
b) Afastamento, que em referência aos membros da Igreja, consiste em serem impedidos de comunhão; em referência, porém, aos oficiais, consiste em serem impedidos do exercício do seu ofício e, se for o caso, da comunhão da Igreja. O afastamento deve dar-se quando o crédito da religião, a honra de Cristo e o bem do faltoso o exigem, mesmo depois de ter dado satisfação ao tribunal. Aplica-se por tempo indeterminado, até o faltoso dar prova do seu arrependimento, ou até que a sua conduta mostre a necessidade de lhe ser imposta outra pena mais severa;
Princípios de Liturgia da IPB
Art. 14 - O Conselho deve cuidar de que os membros professos da Igreja não se ausentem da Mesa do Senhor e velar para que não participem dela os que se encontrarem sob disciplina.
Art. 16 - Poderão ser convidados a participar da Ceia do Senhor os membros, em plena comunhão, de quaisquer igrejas evangélicas.
Confissão de Fé
CAPÍTULO XXX - DAS CENSURAS ECLESIÁSTICAS
(...)
IV. Para a melhor obtenção destes fins, os oficiais da Igreja devem proceder dentro da seguinte ordem, segundo a natureza do crime e demérito da pessoa: repreensão, suspensão do sacramento da Ceia do Senhor por algum tempo e exclusão da Igreja.
Breve Catecismo
Pergunta 97. Que se exige para participar dignamente da Ceia do Senhor?
Resposta: Exige-se daqueles que desejam participar dignamente da Ceia do Senhor que se examinem sobre o seu conhecimento em discernir o corpo do Senhor, sobre a sua fé para se alimentarem dele, sobre o seu arrependimento, amor e nova obediência, para não suceder que, vindo indignamente, comam e bebam para si a condenação. (grifo meu)
Catecismo Maior
Pergunta 168. O que é a Ceia do Senhor?
Resposta: A Ceia do Senhor é o sacramento do Novo Testamento no qual, dando-se e recebendo-se pão e vinho, conforme a instituição de Cristo, é anunciada a sua morte; e os que dignamente participam dele, alimentam-se do corpo e do sangue de Cristo para sua nutrição espiritual e crescimento na graça; têm a sua união e comunhão com ele confirmadas; testemunham e renovam a sua gratidão e consagração a Deus e o seu mútuo amor uns com os outros, como membros do mesmo corpo místico. (grifo meu)
Pergunta 173. Pode alguém que professa a fé e deseja participar da Ceia do Senhor ser excluído dela?
Resposta: Os que forem achados ignorantes ou cometerem escândalos, não obstante a sua profissão de fé e o desejo de participar da Ceia do Senhor, podem e devem ser excluídos desse sacramento, pelo poder que Cristo deixou à sua Igreja, até que recebam instrução ou tenham melhor procedimento.
Isto posto, não vemos a possibilidade de um ministro presbiteriano ou de um Conselho de Igreja franquear a um membro disciplinado a participação da Ceia. Agir assim seria incorrer em desobediência clara às leis da Igreja e aos seus Símbolos de Fé.
Todavia, surge outra questão: Estariam as leis atuais da IPB, bem como seus Símbolos de Fé, corretos neste assunto? Ora, tanto as leis como os Símbolos de Fé não são inspirados, nem inerrantes, logo, podem estar equivocados a este respeito.
De fato, os concílios podem errar, e erram. Todavia, no que diz respeito a este tema eu não creio que os Divines de Westminster tenham se equivocado. Alguns textos bíblicos apontam a necessidade de disciplina de afastamento àqueles que não estão demonstrando comunhão sincera com o Senhor e estão causando escândalo no meio da Igreja. Senão vejamos:
Mt 18.17: E, se ele não atender, dize-o a Igreja; e, se recusar ouvir também a Igreja, considera-o como gentio e publicano.
2Ts 3.6,14,15: Nós vos ordenamos, irmãos, em nome do Senhor Jesus Cristo, que vos aparteis de todo irmão que ande desordenadamente, e não segundo a tradição que de nós recebestes. Caso alguém não preste obediência à nossa palavra, dada por esta epístola, notai-o; nem vos associeis com ele, para que fique envergonhado. Todavia, não o considereis por inimigo, mas adverti-o como irmão. (grifos meus)
1Co 11.29: Pois quem come e bebe, sem discernir o corpo, come e bebe juízo para si.
1Co 5.11: Mas agora vos escrevo para que não vos associeis com alguém que, dizendo-se irmão, for impuro, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com esse tal nem ainda comais. (grifos meus)
Especialmente o texto de 2 Tessalonicenses 3 e o de 1 Coríntios 5 mostram que devem sofrer afastamento da mesa do Senhor aqueles que estão vivendo na prática do pecado. Não se deve manter comunhão com ele (aparteis) e muito menos sentar-se à mesma mesa (nem ainda comais). Isso é necessário para que o disciplinado sinta o peso da disciplina e se arrependa dos seus pecados. Conforme Hebreus 12, "Toda disciplina, com efeito, no momento não parece ser motivo de alegria, mas de tristeza; ao depois, entretanto, produz fruto pacífico aos que têm sido por ela exercitados, fruto de justiça."
Na IPB, o afastamento da comunhão dura apenas até o disciplinado arrepender-se dos seus pecados. Feito isso, ele é imediatamente restaurado à comunhão e admitido a todos os privilégios da Igreja.
January 10, 2012
Doutora em Desenvolvimento Infantil e Relações Humanas
Uma mulher chamada Anne foi renovar a sua carteira de motorista. Pediram-lhe para informar qual era a sua profissão. Ela hesitou, sem saber bem como se classificar.
"O que eu pergunto é se tem um trabalho", insistiu o funcionário.
"Claro que tenho um trabalho", exclamou Anne. "Sou mãe."
"Nós não consideramos 'mãe' um trabalho. Vou colocar Dona de casa", disse o funcionário friamente.
Não voltei a lembrar-me desta história até o dia em que me encontrei em situação idêntica. A pessoa que me atendeu era obviamente uma funcionária de carreira, segura, eficiente, dona de um título sonante.
"Qual é a sua ocupação?" perguntou.
Não sei o que me fez dizer isto; as palavras simplesmente saltaram-me da boca para fora:
"Sou Doutora em Desenvolvimento Infantil e em Relações Humanas." A funcionária fez uma pausa, a caneta de tinta permanente a apontar para o ar, e olhou-me como quem diz que não ouviu bem.
Eu repeti pausadamente, enfatizando as palavras mais significativas. Então reparei, maravilhada, como ela ia escrevendo, com tinta preta, no questionário oficial. "Posso perguntar", disse-me ela com novo interesse, "o que faz exatamente?"
Calmamente, sem qualquer traço de agitação na voz, ouvi-me responder:
"Desenvolvo um programa a longo prazo (qualquer mãe faz isso), em laboratório e no campo experimental (normalmente eu teria dito dentro e fora de casa). Sou responsável por uma equipe (minha família), e já recebi quatro projetos (todas meninas). Trabalho em regime de dedicação exclusiva (alguma mulher discorda???), o grau de exigência é a nível de 14 horas por dia (para não dizer 24...).
Houve um crescente tom de respeito na voz da funcionária que acabou de preencher o formulário, se levantou, e pessoalmente me abriu a porta.
Quando cheguei em casa, com o título da minha carreira erguido, fui recebida pela minha equipe - uma com 13 anos, outra com 7 e outra com 3. Do andar de cima, pude ouvir o meu novo experimento (uma bebê de seis meses), testando uma nova tonalidade de voz. Senti-me triunfante!
Maternidade... que carreira gloriosa! Assim, toda avó deveria ser chamada "Doutora-Sênior em Desenvolvimento Infantil e em Relações Humanas", toda bisavó: "Doutora-Executiva-Sênior" e toda tia: "Doutora-Assistente".
November 27, 2011
November 16, 2011
Blog sobre Evangelismo
Acaba de nascer um blog muito útil para quem deseja começar a evangelizar ou aperfeiçoar sua forma de evangelismo. O blog reúne vídeos de abordagens evangelísticas, testemunhos e temas teológicos relacionados à evangelização.
O endereço é http://evangelize-agora.blogspot.com/
Visite agora, seja edificado e... evangelize!
November 9, 2011
Família aguarda nascimento do 20º filho
O casal Jim Bob e Michelle Duggar, famoso nos Estados Unidos por sua numerosa família no programa de TV "19 Kids and Counting" ("19 Filhos e Contando"), anunciou nesta terça-feira (8) que aguarda o nascimento de mais um filho.
Michelle, de 45 anos, confirmou sua gravidez com uma mensagem no site oficial da família, e disse que dará à luz em 2012. "Depois do nascimento de Josie (a filha número 19), não sabíamos se poderíamos ter mais", disse ela, que correu risco de vida, assim como sua filha, que nasceu prematura em um quadro de pré-eclâmpsia.
A mulher fez menção ao ocorrido dizendo que "aquela experiência foi uma das mais aterrorizantes" pela qual ela e sua família passaram, mas dá graças a Deus por esse "milagre". 'Há muitos anos, Jim Bob e eu decidimos entregar a Deus este aspecto de nossas vidas, e cada um de nossos filhos está agradecido por estar aqui. Nosso objetivo é ensiná-los a amar Deus e servir ao próximo', disse.
O casal, que vive no estado de Arkansas e teve há dois anos seu primeiro neto, garante jamais ter utilizado métodos anticoncepcionais. Autodenominados "cristãos conservadores", Jim Bob e Michelle têm filhos em idades compreendidas entre 23 e 2 anos, todos com nomes iniciados pela letra "J".
O casal explicou em seu site que a Bíblia os guia diariamente, e que o livro sagrado dos cristãos "contém todas as respostas para as perguntas sobre a vida", como, por exemplo, a procriação.
"Confiamos que o público sabe que somos pessoas normais, com nossas fragilidades e imperfeições individuais, mas servimos a um Deus extraordinário que se compadece ao demonstrar seu poder", disseram os Duggar.
November 7, 2011
Como eu posso abençoar o meu pastor - John Piper
John Piper
Conduza alguém a Cristo. Viva uma vida santa. Não perca a sua fé quando você adquirir um câncer. Leve seu filhos a amar a Cristo. Faça algo radical para as Missões.
O ponto comum em tudo isto é você provar com a sua vida que a minha não foi em vão.
Não me dê um Rolls-Royce quando eu fizer 60 anos. Minha vida teria sido em vão se você pensasse que me abençoaria dando-me um grande presente material quando eu fizesse 60 anos. Eu quero ver que a sua vida mudou. Eu quero ver sua vida derramada em favor dos outros. E eu tenho certeza de que é isto que você está me perguntando.
Eu vou a reuniões de oração e ouço minhas ovelhas orarem e eu digo: "É para isto que eu vivo". Eles estão se segurando em Jesus. A vida deles está caindo aos pedaços por aqui, mas eles não abandonam o Senhor. Eles se alegram Nele. Ouço um homem contar como ele tem compartilhado a Cristo no seu trabalho...
São estas as coisas que fazem um pastor suportar qualquer coisa.
O ponto comum em tudo isto é você provar com a sua vida que a minha não foi em vão.
Não me dê um Rolls-Royce quando eu fizer 60 anos. Minha vida teria sido em vão se você pensasse que me abençoaria dando-me um grande presente material quando eu fizesse 60 anos. Eu quero ver que a sua vida mudou. Eu quero ver sua vida derramada em favor dos outros. E eu tenho certeza de que é isto que você está me perguntando.
Eu vou a reuniões de oração e ouço minhas ovelhas orarem e eu digo: "É para isto que eu vivo". Eles estão se segurando em Jesus. A vida deles está caindo aos pedaços por aqui, mas eles não abandonam o Senhor. Eles se alegram Nele. Ouço um homem contar como ele tem compartilhado a Cristo no seu trabalho...
São estas as coisas que fazem um pastor suportar qualquer coisa.
November 2, 2011
O Palhaço e o Profeta
Hermisten M.P. Costa
Certa vez, um circo se instalou próximo de uma cidadezinha dinamarquesa. Este circo pegou fogo. O proprietário do circo vendo o perigo do fogo se alastrar e atingir a cidade mandou o palhaço, que já estava vestido a caráter, pedir ajuda naquela cidade a fim de apagar o fogo, falando do perigo iminente. Mas, inútil foi todo o esforço do palhaço para convencer os seus ouvintes. Os aldeões riam e aplaudiam o palhaço entendendo ser esta uma brilhante estratégia para fazê-los participar do espetáculo... Quanto mais o palhaço falava, gritava e chorava, insistindo em seu apelo, mais o povo ria e aplaudia... O fogo se propagou pelo campo seco, atingiu a cidade e esta foi destruída. (1)
De forma semelhante, temos nós muitas vezes apresentado uma mensagem incompreensível aos nossos ouvintes, talvez porque ela também seja incompreensível a nós. As pessoas se acostumaram a nos ouvir brincar tanto com as coisas sagradas, que não conseguem descobrir o sagrado em nossas brincadeiras. Alguns de nós pregam como se estivessem no picadeiro. Por outro lado, nossos ouvintes, por não perceberem a diferença entre o palhaço e profeta, reforçam este comportamento mutante através de um aplauso até mesmo literal. Deste modo, a profecia (pregação) torna-se motivo de simples gostar ou não gostar e o circo perde um de seus talentosos componentes. Assim, sem nos darmos conta, estamos compactuando com a indiferença de nossos ouvintes, que, de certa forma, estão “cansados” da palavra “Evangelho”, sem que na realidade, nunca tenham sido ensinados a respeito do Evangelho de Cristo. A avaliação da mensagem pregada fica restrita ao gostar ou não do ouvinte. Se gostei foi boa, se não, é ruim. Criamos uma categoria arbitrária do que de fato é verdadeiro ou não a partir do gosto, como se este também não fosse afetado pelas consequências do pecado. Na realidade, o gostar ou não deve estar subordinado ao exame das Escrituras (At 17.11). Procedendo assim, descobriremos, para surpresa nossa, o quão o nosso gosto pode ser pecaminoso e inconsequente.
O Evangelho é uma mensagem acerca de Deus – da Sua Glória e de Seus atos salvadores –, acerca do homem – do seu pecado e miséria –, acerca da salvação e da condenação condicionada à submissão ou não a Cristo como Senhor de sua vida. Esta mensagem que envolve uma decisão na História, ultrapassa a História, visto ter valor eterno. Portanto, não podemos brincar com ela, não podemos fazer testes: estamos falando de vida e morte eternas (Jo 3.16-18).
Parece-me correto o comentário de Vincent quando diz que “A demanda gera o suprimento. Os ouvintes convidam e moldam os seus próprios pregadores. Se as pessoas desejam um bezerro para adorar, o ministro que fabrica bezerros logo é encontrado.” (2) É preciso atenção redobrada para não cairmos nesta armadilha já que não é difícil confundir os efeitos de uma mensagem com o conteúdo do que anunciamos: a pregação deve ser avaliada pelo seu conteúdo; não pelos seus supostos resultados. Esse assunto está ligado à vertente relacionada ao crescimento de igreja. Iain Murray está correto ao afirmar: “O crescimento espiritual na graça de Cristo vem em primeiro lugar. Onde esse crescimento é menosprezado em troca da busca de resultados, pode haver sucesso, mas será de pouca duração e, no final, diminuirá a eficácia genuína da Igreja. A dependência de número de membros ou a preocupação com números frequentemente tem se confirmado como uma armadilha para a igreja.” (3)
Devemos nos lembrar de que o pregador não “compartilha” opiniões nem dá suas “opiniões” sobre o texto bíblico, nem faz uma paráfrase irreverente do texto, antes, ele prega a Palavra. O seu objetivo é expressar o que Deus disse através de Seus servos. Pregar é explicar e aplicar a Palavra aos nossos ouvintes. O aval de Deus não é sobre nossas teorias e escolhas, muito menos sobre a “graça” de nossas piadas, mas sobre a Sua Palavra. Portanto, o pregador prega o texto, de onde provém a verdade de Deus para o Seu povo.
O púlpito não é o lugar para se exercitar as opiniões pessoais e subjetivas, mas sim, para pregar a Palavra, anunciando todo o desígnio de Deus, sob a iluminação do Espírito. Alexander R. Vinet (1797-1847) definiu bem a pregação, ao dizer ser ela “a explicação da Palavra de Deus, a exposição das verdades cristãs, e a aplicação dessas verdades ao nosso rebanho.” (4) Sem a Palavra, o púlpito torna-se um lugar que no máximo serve como terapia para aliviar as tensões de um auditório cansado e ansioso em busca de alívio para as suas necessidades mais imediatamente percebidas. Ele pode conseguir o alívio do sintoma, mas não a cura para as suas reais necessidades.
Albert Martin apresenta uma crítica pertinente; ele diz: “O esforço desnatural de certos pregadores para serem ‘contadores de piadas’, entre a nossa gente, constitui uma tendência que precisa acabar. A transição de um palhaço para um profeta é uma metamorfose extremamente difícil.” (5)
(...)
Imaginem um jovem entre centenas de outros, ansiosamente procurando seu nome nas listas afixadas nas paredes na universidade a fim de saber se foi aprovado ou não no vestibular. De repente surge um amigo com um sorriso largo e com os braços abertos, dizendo: “parabéns, você foi aprovado”. O jovem dá-lhe um abraço apertado, pula, grita, ri, chora, comemora... Depois de alguns minutos de euforia, aquele “amigo” diz: “É brincadeira; seu nome não consta entre os aprovados”. Se você fosse aquele vestibulando, como reagiria? Pense nisto: Se você corretamente não admite brincadeiras com coisas sérias, o Evangelho, que envolve vida e morte eternas seria passível de brincadeiras, de gracejos? A pregação é assunto para profetas, não para palhaços. Pensemos nisso.
Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa é professor de Teologia Sistemática e Teologia Contemporânea do Seminário Teológico Presbiteriano Rev. José Manoel da Conceição e integra a equipe de pastores da Igreja Presbiteriana de São Bernardo do Campo.
Notas:
(1) Esta parábola é contada por Kierkegaard (1813-1855) e aplicada nas obras de Harvey Cox, (A Cidade do Homem, 2ª ed. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1971, p. 270) e J. Ratzinger (Introdução ao Cristianismo, São Paulo, Herder, 1970, p. 7-8). Todavia a aplicação que ambos fazem é divergente entre si. E a que faço é diferente da de ambos.
(2) Marvin R. Vincent, Word Studies in the New Testament, Peabody, MA., Hendrickson Publishers, [s.d.], Vol. 4, (2Tm 4.3), p. 321.
(3) Iain Murray, A Igreja: Crescimento e Sucesso: In: Fé para Hoje, São José dos Campos, SP., Fiel, nº 6, 2000, p. 27.
(4) A.R. Vinet, Pastoral Theology: or, The Theory of the Evangelical Ministry,2ª ed. New York, Ivison, Blakeman, Taylor & Co. 1874, p. 189.
(5) Albert N. Martin, O Que há de Errado com a Pregação de Hoje?, São Paulo, Fiel, (s.d.), p. 23.
September 3, 2011
Diálogo fictício, mas baseado em fatos bem reais!
Um homem e uma mulher, que não se conhecem, em uma clínica de pediatria, aguardando para passarem seus filhos em consulta. A mulher puxa assunto com o homem, perguntando sobre seu filho e o homem retribui a gentileza, perguntando:
− E ele... é o seu primeiro filho?
− Primeiro e único, diz a mãe resolutamente e com um tom de alívio.
− Ah, que triste... Você não pode ter mais filhos..., supõe o homem.
− O quê? indignada responde a mulher, é claro que eu posso! É que eu não quero ter mesmo!
− Mas não quer? Por que não?
− Ah... filho dá muito trabalho, desabafa a mulher enquanto cruza os braços e se ajeita no banco.
− Mas o seu filho só tem um ano e já deu tudo isso de trabalho? questiona o homem, curioso.
− Não, veja bem... meu filho é muito bonzinho, mas filho dá trabalho, sabe como é... E ter filho é muito caro.
− Ah, entendo, diz o homem, vocês são muito pobres...
− O quê? Que absurdo? Quem você pensa que é para me dizer isso? vocifera a mulher, ajeitando-se de novo no banco.
− Desculpe, é que eu pensei que vocês fossem muito pobres, abaixo da linha da pobreza. Meu pais também eram pobres, mas criaram 3 filhos.
− Ah... mas os tempos são outros, meu senhor! Quem é que consegue bancar escola, roupas, e tudo o que um filho precisa hoje? questiona a mulher, indignada.
− Ora, depende do nível que você quer, responde o homem.
− Como assim, nível?
− Por exemplo: você. Na sua época, você estudou em escola particular?
− Não, responde a mulher. Estudei no Estado.
− Seus pais vestiam você com roupas caras?
− Não.
− Na sua casa seus pais compravam coisas luxuosas? Por exemplo, o último lançamento de uma TV ou de uma geladeira?
− Não. Meus pais eram pessoas bem simples.
− E você foi filha única?
− Não. Eu tive dois irmãos.
− Então, por que é tão difícil ter mais filhos hoje?
− Ah, não sei. Acho que tudo está mais caro hoje..., responde a mulher olhando para o nada em busca de uma resposta.
− Mas hoje não há mais variedade de produtos e serviços do que em nossa época, aumentando a concorrência e diminuindo, por conseqüência, os preços? Será que a causa real de as pessoas não quererem ter mais filhos não estaria em um almejado conforto a todo o custo, que os pais desta geração querem dar a seus filhos?
− Como assim? Eu não entendi, diz a mulher.
− Deixa eu ser mais claro. Tem pais hoje optando em ter apenas um filho para cercá-lo do bom e do melhor: o melhor colégio, as melhores roupas, as novidades da tecnologia, o melhor carro na garagem... Como se tudo isso trouxesse felicidade. E assim, com este nível de vida, fica difícil mesmo ter outro filho. Não seria o caso de abaixarmos um pouco o nosso padrão de conforto, ao nível dos nossos pais, por exemplo?
− É faz sentido, pensativa a mulher, mas não é fácil...
− Mas, agora deixa eu perguntar, se anima novamente a mulher.
− E você? Você quer ter quantos filhos?
− Muitos. Se Deus permitir, é claro. Talvez, quatro.
− Quatro!! Você é maluco mesmo! Ah... o que que é isso?! Por quê?
− Bem, filhos são bênçãos de Deus. E... digamos... é bom ir contra o sistema...
September 1, 2011
Batalha de cosmovisões no corredor do hipermercado
Hoje minha esposa foi fazer compras em um hipermercado e, de repente, se viu em uma batalha de cosmovisões diferentes.
Em um dos corredores ela parou para comprar sabão líquido e uma promotora de vendas a abordou:
− Este sabão líquido está em promoção. Se você levar a partir de três unidades você paga 7,99 cada um. Só que, lá na frente, tem um estande com outra promoção em que o mesmo sabão vem com amaciante junto. E mesmo levando três frascos de sabão, você ganha três amaciantes.
− Quer dizer que levando três frascos eu levo três amaciantes junto?
− Sim, isso mesmo.
A promotora saiu e voltou com as três embalagens da promoção. Três frascos de sabão e três amaciantes.
− Se eu levar os três eu ainda ganho três amaciantes pelo mesmo preço do sabão sozinho?
− É isso mesmo.
− Puxa. Só é uma pena que vão vir três amaciantes do frasco azul, e eu queria comprar o do frasco laranja. Ah, mas tudo bem, eu levo os três da promoção e levo também um do frasco laranja. Aí eu uso um pouco de um e um pouco do outro.
Neste momento, outra promotora, que estava próxima e ouvia o diálogo, entrou na conversa:
− Ah, se eu fosse você, eu abria estas caixas tirava todos os azuis e colocava os laranjas. Porque é um absurdo... você é a compradora... você tem que levar aquilo que você tem vontade. E eles fazem isso pra forçar a gente a usar um produto que a gente não gosta.
− Não, de jeito nenhum. Eu não vou trocar - respondeu minha esposa − Eu levo o laranja que eu gosto e vou usar o amaciante azul, não tem problema.
− Ah, mas isso é um absurdo. Você não acha que ela tinha que trocar tudo? − perguntou indignada para a primeira promotora, esperando aprovação.
− Não, eu também não trocaria de jeito nenhum − replicou a primeira promotora − Não é do meu feitio fazer uma coisa dessa. Isso está errado. Eu não acho correto trocar assim. Se eles colocaram este produto, a gente não pode alterar. Isso veio de fábrica...
− Eu também penso a mesma coisa − concordou minha esposa − a gente não pode ficar alterando. Isso não está certo. Eu não vou fazer isso...
− Não, mas você é a consumidora − repetiu a promotora insistindo no delito.
− Então, porque nós não vamos ali falar com o diretor do hipermercado, pra ver se ele não deixa trocar o produto − sugeriu a promotora honesta, com um ar de ameaça.
Minha esposa olhou para o diretor apontado e disse à promotora com cautela:
− Olha, se você quer falar com ele, pergunte apenas se isso pode ser feito, se isso é possível.
A promotora foi falar com o diretor e, depois de um breve diálogo, retornou:
− Ele concordou e já fez a troca ali mesmo. Está aqui.
− Está vendo.. quando a gente faz as coisas certas, a gente fica com a consciência tranquila − disse minha esposa à promotora honesta, mas com a outra promotora por ali, ouvindo o desfecho da situação.
− É mesmo. Eu sou assim − respondeu a promotora honesta − Está vendo este carrinho aqui − apontando para um carrinho de compras − se está proibido movê-lo daqui, eu não mexo nele, eu não faço...
− Eu também − completou minha esposa − A minha menina, às vezes abre um pacote de bolacha aqui no mercado e eu não vejo. Abre um iogurte, mas eu não fico largando no mercado. Eu levo para o caixa, mostro para a atendente e pago pelo que foi consumido.
− Deixa eu te perguntar uma coisa − indagou minha esposa, intrigada com a moral da promotora − Você é crente?
− Não. Eu sou Católica Apostólica Romana. Não vou na missa todo domingo, mas não faço estas coisas erradas.
− Puxa.. eu até achei que você fosse crente. É difícil as pessoas terem um comportamento como o seu. Eu sou crente − continuou minha esposa − da Igreja Presbiteriana.
− Ah − com ar de deboche, a outra promotora falou − você não ia fazer isso mesmo porque você é crente...
− É − se defendeu a promotora católica − mas eu sei que há coisas que a gente não deve fazer, porque são erradas.
O clima ficou meio tenso e a promotora desonesta mudou de assunto, oferecendo à minha esposa os produtos que estava expondo. Minha esposa saiu e se despediu das duas, levando os produtos para o caixa.
Interessante como, mesmo em assuntos aparentemente corriqueiros nossa cosmovisão e nossos valores vêm à tona. As três jovens ali, naquele corredor de hipermercado, revelaram seus princípios e valores. Uma, com princípios cristãos bem claros, solidificados em anos de estudo da Palavra e comunhão com o Senhor. Outra, com princípios cristãos, mas, ao que parece, resultantes de uma tradição recebida, sem muito embasamento ou raízes mais profundas. E a outra, com os princípios hedonistas e relativistas deste século. A ideia de se obter benefício pessoal sem se importar com certo e errado. Bem o espírito de nossa época.
Por alguns minutos, Romanos 12.2 ecoou em um dos corredores daquele hipermercado "... e não vos conformeis com este século...". Que ele continue ecoando, aonde quer que os discípulos de Cristo forem.
August 2, 2011
July 11, 2011
Pastor é detido em SP. Começou...
Texto e vídeo do blog de Zenóbio Fonseca
No dia 28/06/11 por volta das 15h00min um pastor que pregava sobre práticas homossexuais, citando versículos bíblicos etc., foi detido e levado para prestar depoimento na delegacia. Segundo testemunhas um "ouvinte" que passava por ali se sentiu ofendido com as palavras que o pastor dizia, e logo chamou a polícia que tentou amenizar a situação, mas devido ao tumulto um policial usou spray de pimenta para afastar curiosos e ouvintes.
Na Praça da SÉ existem alguns pastores que pregam todos os dias, e cada dia é um pastor diferente.
Não faço nenhum juízo de valor sobre a forma e o modelo de pregação feita naquele local, mas o absurdo é que o pastor que ali estava tem o seu direito constitucional e liberdade de expressar a sua fé e valores, mas mesmo assim foi impedido de continuar a sua fala... Enquanto isso a marcha pela liberdade e maconha, marcha pró-gays e sodomia, marchas das vadias, são livres e recebem apoio estatal e liberdade do judiciário.
Olha que o PLC 122/06 sobre a criminalização da homofobia ainda não foi aprovado no Brasil... Se estivesse em vigor o que seria daquele homem...
O perigo é assistirmos a este fato e continuarmos calado como se não fosse importante ou não termos nada a ver com isso.
July 6, 2011
June 30, 2011
June 28, 2011
June 27, 2011
Em torno da causa gay
Por Ruy Fabiano
Toda a campanha em favor da causa gay, e que orienta a aprovação do projeto de lei 122, em tramitação no Senado, parte de uma mesma premissa: haveria, no Brasil, um surto de homofobia – isto é, hostilidade e ameaça física aos gays.
A premissa não se sustenta estatisticamente. Os números, comparativamente aos casos gerais de homicídios anuais no país – cerca de 50 mil! -, são irrelevantes.
Segundo o Grupo Gay da Bahia, de 1980 a 2009, foram documentados 3.196 homicídios de homossexuais no Brasil, média de 110 por ano.
Mais: não se sabe se essas pessoas foram mortas por essa razão específica ou se o crime se deu entre elas próprias, por razões passionais, ou pelas razões gerais que vitimam os outros 49 mil e tantos infelizes, vítimas do surto de insegurança que abala há décadas o país.
Se a lógica for a dos números, então o que há é o contrário: um surto de heterofobia, já que a quase totalidade dos assassinatos se dá contra pessoas de conduta hetero.
O que se constata é que há duas coisas distintas em pauta, que se confundem propositalmente e geram toda a confusão que envolve o tema.
Uma coisa é o movimento gay, que busca criar espaço político, com suas ONGs e verbas públicas, ocupando áreas de influência, com o objetivo de obter estatuto próprio, como se opção de conduta sexual representasse uma categoria social.
Outra é o homossexualismo propriamente dito, que não acrescenta nem retira direitos de cidadania de ninguém.
Se alguém é agredido ou ameaçado, já há legislação específica para tratar do assunto, independentemente dos motivos alegados pelo agressor. Não seria, pois, necessário criar legislação própria.
Comparar essa questão com o racismo, como tem sido feito, é absolutamente impróprio. Não se escolhe a raça que se tem e ver-se privado de algum direito por essa razão, ou previamente classificado numa categoria humana inferior, é uma barbárie.
Não é o que se dá com o homossexualismo. As condutas sexuais podem, sim, ser objeto de avaliação de ordem moral e existencial, tarefa inerente, por exemplo (mas não apenas), às religiões.
Elas – e segue-as quem quer – avaliam, desde que existem, não apenas condutas sexuais (aí incluída inclusive a dos heterossexuais), mas diversas outras, que envolvem questões como usura, intemperança, promiscuidade, infidelidade, honestidade etc.
E não é um direito apenas delas continuar sua pregação em torno do comportamento moral humano, mas de todos os que, mesmo agnósticos, se ocupam do tema, que é também filosófico, político e existencial.
Assim como o indivíduo, dentro de seu livre arbítrio, tem a liberdade de opções de conduta íntima, há também o direito de que essa prática seja avaliada à luz de outros valores, sem que importe em crime ou discriminação. A filosofia faz isso há milênios.
Crime seria incitar a violência contra aqueles que são objeto dessa crítica. E isso inexiste como fenômeno social no Brasil. Ninguém discute o direito legal de o homossexual exercer sua opção. E a lei lhe garante esse direito, que é exercido amplamente.
O que não é possível é querer dar-lhe dimensão que não tem: de portador de direitos diferenciados, delírio que chega ao extremo de se cogitar da criação de cotas nas empresas, universidades e partidos políticos a quem fez tal opção de vida.
Mesmo a nomenclatura que se pretende estabelecer é falsa. A união de dois homossexuais não cria uma família, entendida esta como uma unidade social estabelecida para gerar descendência e permitir a continuidade da vida humana no planeta.
Casamento é instituição concebida para organizar socialmente, mediante estatuto próprio, com compromissos recíprocos, a geração e criação de filhos.
Como aplicá-lo a outro tipo de união que não possibilita o que está na essência do matrimônio? Que se busque então outro nome, não apenas para evitar confusões conceituais, mas até para que se permita estabelecer uma legislação que garanta direitos e estabeleça deveres específicos às partes.
Há dias, num artigo na Folha de S. Paulo, um líder de uma das muitas ONGs gays do país chegou a afirmar que a heterossexualidade não resultaria da natureza, mas de mero (e, pelo que entendi, nefasto) condicionamento cultural, que começaria já com a criança no ventre materno.
Esqueceu-se de observar que, para que haja uma criança no ventre materno, foi necessária uma relação heterossexual, sem a qual nem ele mesmo, que escrevia o artigo, existiria.
Portanto, a defesa de um direito que não está sendo contestado – a opção pelo homossexualismo – chegou ao paroxismo de questionar a normalidade (e o próprio mérito moral) da relação heterossexual, origem única e insubstituível da vida. Não há dúvida de que está em cena um capítulo psicótico da história.
Ruy Fabiano é jornalistaViram no que deu?
Viram no que deu?
Por Percival Puggina*
Era de se imaginar que maconheiros, traficantes, falsos progressistas, defensores do relativismo moral, partidários da tolerância com o intolerável, turma do politicamente correto, bem como seus assemelhados na esfera política onde todos gravitam, se encantassem com as mais recentes decisões do Supremo. Afinal, o Brasil está ficando como eles querem e o STF levando os descontentes a entender quem é que manda no pedaço.
Viva! A decisão sobre a reserva Raposa Serra do Sol foi um sucesso cívico: conseguiu lançar indígenas e colonos na miséria. Viva! No Brasil já se pode jogar embriões humanos no vaso e puxar a descarga. Viva! Battisti só não terá cidadania brasileira se não quiser, que qualificações não lhe faltam. Viva! Quando a Constituição Federal fala em homem e mulher enuncia apenas um estereótipo, um clichê em desuso, para representar qualquer tipo de encaixe. Viva! A marcha pela maconha é uma festa da cidadania patropi. E deve virar feriado nacional.
Li e reli as atribuições constitucionais do STF. Em nenhum lugar lhe foi outorgada a função de precursoria, de vanguarda social, incumbido de levar a nação, pelo nariz e a contragosto, para onde apontam os narizes e os gostos de seus membros. Já não falo em substituir-se ao Congresso Nacional que esse está nem aí para o que acontece, contanto que não faltem cargos e emendas necessárias à preservação dos mandatos. Raríssimas vozes se ouvem, ali, apontando os devidos limites às vontades da Corte.
Mas o que está acontecendo eram favas contadas. A partir de Fernando Henrique Cardoso, por 16 anos consecutivos, as indicações para o STF são buscadas no mesmo nicho. Embora a esquerda goste de dizer que FHC era neoliberal, o fato é que ele e Lula pertencem à mesma extração esquerdista, com diferenças apenas no nível intelectual. FHC é um Lula de salão nobre, com doutorado, ao passo que Lula é um FHC de piquete grevista e curso primário. Lula defende a cachaça e FHC, no melhor estilo da esquerda dos anos 60, de Woodstock, da contracultura, oitentão modernoso que é, defende a maconha. Aparta-os a política, não as ideias. Os indicados por ambos formam 80% do Supremo e não faz muita diferença o fato de que Lula tenha escolhido boa parte dos seus no partido e no partidão. As cabeças são parecidas. As disputas que por vezes se esboçam entre eles são, essencialmente, de beleza. Temas para espelho mágico. De nada vale, então, aguardar o futuro porque o futuro não nos reserva algo melhor. Os ministros mais antigos e mais próximos da compulsória são os dois Mello – o Celso e o Marco Aurélio. Estão piorando com a idade e com a vaidade. Gravitam no mesmo círculo filosófico dos demais. E só saem, respectivamente, em 2015 e 2018.
Viram no que deu, este país ficar votando compulsivamente na esquerda? A mesma sociedade, majoritariamente conservadora, cristã, consciente da importância dos valores tradicionais, ao votar na esquerda por motivos menores, é obrigada a assistir suas posições maiores – religiosas, filosóficas e morais – serem desrespeitadas e ridicularizadas nos votos e nas decisões dos ministros do Supremo.
Viram no que deu, este país ficar votando compulsivamente na esquerda? A mesma sociedade, majoritariamente conservadora, cristã, consciente da importância dos valores tradicionais, ao votar na esquerda por motivos menores, é obrigada a assistir suas posições maiores – religiosas, filosóficas e morais – serem desrespeitadas e ridicularizadas nos votos e nas decisões dos ministros do Supremo.
* Percival Puggina é titular do blog www.puggina.org, arquiteto, empresário e escritor, articulista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões.
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