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July 1, 2010

A Universal e o prêmio para quem arrecada mais...




O vídeo acima ilustra a matéria que o Jornal Folha de São Paulo publicou no dia 20/06/10 com denúncias sobre a Igreja Universal do Reino de Deus. O vídeo faz parte de uma série de orientações internas aos pastores da igreja que vazaram pelas mãos de um ex-pastor que agora está movendo uma ação contra a igreja por danos morais. 

A Igreja Universal se defendeu das acusações com a seguinte nota:

"A viagem para Israel não é considerada uma premiação e sim uma missão religiosa almejada por cristãos evangélicos de todo o mundo. Entre os 15 mil pastores da Igreja Universal do Reino de Deus que atuam no Brasil, isso não é diferente. A missão religiosa na Iurd, entre outras peregrinações, consiste em levar pedidos de oração dos fiéis a lugares sagrados, como o Monte Carmelo, a Muralha de Jerusalém e o alto do Monte Sinai, por exemplo, uma árdua e esgotante escalada de mais de dois mil metros a pé."

Eu gostaria de comentar esta resposta:

1. A viagem para Israel não é considerada uma premiação e sim uma missão religiosa almejada por cristãos evangélicos de todo o mundo.

Ok. Se eles tivessem falado uma "viagem almejada pelos cristãos", faria todo o sentido. Mas "uma missão religiosa almejada por cristãos do mundo todo" pareceu Islamismo com peregrinação à Meca, não?. Se você, meu irmão, pode fazer uma viagem a Israel, dê graças a Deus pelas condições financeiras privilegiadas. Mas, se não fizer, nem por isso perde algo para sua fé. Aliás, a Bíblia é bem clara sobre a questão da inclusão dos gentios na nova aliança. Os judeus não tem mais privilégios do que os outros povos. Com Cristo forma-se o Israel espiritual em que todas as nações estão incluídas. Isto está bem claro na carta de Paulo aos Romanos e no Apocalipse.

2. "A missão religiosa na Iurd, entre outras peregrinações, consiste em levar pedidos de oração dos fiéis a lugares sagrados, como o Monte Carmelo, a Muralha de Jerusalém e o alto do Monte Sinai.

É estranho eles falarem em "peregrinações". Isto foi próprio da Idade Média e nada tinha a ver com o Evangelho genuíno de Cristo. Eles também falam em "lugares sagrados como o monte Carmelo, Muralha de Jerusalém, Monte Sinai, etc..." Há aqui um claro desconhecimento da Bíblia. Em João 4, por exemplo, a mulher samaritana expressa sua dúvida com relação ao local verdadeiro de adoração. "Nossos pais adoravam neste monte, vocês dizem que em Jerusalém é o lugar onde se deve adorar." E a resposta de Jesus: "Mulher, vem a hora em que nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vem a hora e já chegou em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade." Note que Jesus tira da mulher qualquer idéia de lugares sagrados. Nem o monte Gerizim nem Jerusalém eram lugares sagrados para adoração agora, porque, em Cristo, a adoração deixou de ser algo localizado em um templo, como era no Antigo Testamento. Com Cristo os crentes tornaram-se o templo, nós somos os tijolos, as pedras vidas, conforme Pedro (1Pe 2.5)

 3. Sobre o todo dos vídeos, isto é, a teologia da prosperidade, a igreja se defendeu dizendo que há fundamento bíblico para suas práticas. Será que eles estão certos? Será que Teologia da Prosperidade é bíblica? Vejamos alguns versículos:

"Duas coisas te peço; não mas negues, antes que eu morra: afasta de mim a falsidade e a mentira; não me dês nem a pobreza nem a riqueza; dá-me o pão que me for necessário; para não suceder que, estando eu farto, te negue e diga: Quem é o SENHOR? Ou que, empobrecido, venha a furtar e profane o nome de Deus." (Pv 30.7-9)

"Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco, e nos currais não haja gado, todavia, eu me alegro no SENHOR, exulto no Deus da minha salvação. O SENHOR Deus é a minha fortaleza, e faz os meus pés como os da corça, e me faz andar altaneiramente." (Hc 3.17-19)

"Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam; porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração." (Mt 6.19,20)

"De fato, grande fonte de lucro é a piedade com o contentamento. Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele. Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes. Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores. Tu, porém, ó homem de Deus, foge destas coisas; antes, segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão." (1Tm 6.6-11)

Como sabemos que a Bíblia é inspirada por Deus e, portanto, livre de erros, errada estão estas igrejas que adotam a Teologia da Prosperidade. Ela nada mais é que idolatria.

June 24, 2010

A Pílula do Homem - Augustus Nicodemus



De acordo com o site Science Daily, as pesquisas para a produção de uma pílula anticoncepcional masculina estão cada vez mais avançadas. Com a autorização do Rev. Augustus, reproduzo abaixo interessante artigo escrito por ele sobre o assunto.
_____

O primeiro contraceptivo oral masculino está chegando e, com ele, algumas indagações de cristãos sobre a legalidade Bíblica de um homem crente usar a "pílula" para não ter filhos.

A questão interessa a muitos cristãos. Muitos jovens casais têm evitado filhos nos dias de hoje. As razões geralmente apresentadas são a explosão demográfica das grandes cidades onde vivem, a depravação e corrupção cada vez maiores do ambiente onde seus filhos haveriam de crescer, tal como o uso de drogas e a delinqüência infantil e juvenil. Alega-se ainda a falta de segurança que sentem em relação a filhos: saberei dar respostas? Será que serei capaz de viver uma vida exemplar? E, por fim, o argumento mais forte, o alto custo financeiro hoje de se criar filhos. Para os que pensam assim, filhos atrapalhariam os planos financeiros de se ter uma vida financeira mais tranqüila.

Por outro lado, há algumas boas razões para se enfrentar as dificuldades mencionadas acima.

1) Filhos são fonte de grande alegria, isto a Bíblia deixa muito claro, mas especifica que especialmente os filhos que andam nos caminhos do Senhor (ler Pv 28.7; 29.3,17). Filhos que crescem sem disciplina vão para o mundo, desobedecendo a Deus, e dão grande dor a seus pais (Pv 17.21,25; 28.7; 29-3,15). "Grandemente se regozijará o pai do justo, e quem gerar um filho sábio nele se alegrará" (Pv 23.24). Filhos sábios não crescem em árvores: são fruto de toda uma vida de disciplina, instrução, companheirismo, amor, e orientação nos caminhos de Deus. Mas o resultado vale a pena.

2) Filhos são bênção do Senhor. Os Salmos 127 e 128 comemoram a felicidade do justo em ter muitos filhos, como bênção de Deus. Muitos jovens casais cristãos, ao contrário do ensino bíblico, vêem os filhos como sendo um tropeço, um estorvo às suas carteiras profissionais, aos planos de divertir-se, conhecer o mundo... quem pode fazer isto com filhos pendurados nas calças?

É possível que estes cristãos mudem de idéia, quando já for muito tarde, quando estiverem aposentados, doentes, velhos e sozinhos largados num asilo de idosos, sem ninguém que venha visitá-los, conversar com eles, e alegrá-los.

3) Filhos fazem parte da estratégia de Deus em transformar o mundo. Filhos criados em famílias cristãs sólidas são via de regra os melhores crentes e, portanto, os mais aptos a cumprir o que Jesus ensinou, que a corrupção da sociedade poderá ser neutralizada por homens e mulheres santos (Mt 5.13-16), agindo como sal e luz deste mundo. É em lares cristãos fortes que jovens, que serão o sal e a luz deste mundo, são devidamente equipados. Deus deseja que o mundo ouça o Evangelho (Mt 18.18-20). Nossos filhos podem ser os instrumentos necessários para isso, como disse B. Ray: "O propósito de Deus em nos dar filhos é que conquistemos o mundo para ele".

Na minha opinião, à luz do ensino bíblico sobre o plano de Deus para a família e os filhos, constitui-se uma transgressão do propósito divino o evitar filhos por motivos egoístas quer seja com contraceptivos masculinos ou femininos. Gente que não quer o trabalho de criar crianças e casam pelo sexo e companhia se esquecem que tiveram um pai e uma mãe que pensaram diferente. O sexo e o companheirismo trazidos pelo casamento não são a sua única finalidade. Criar filhos é bem menos complicado e difícil do que se pensa, quando o casal o faz na dependência de Deus.

Por outro lado, creio que não vai contra o propósito de Deus o casal controlar o número de filhos, e mesmo chegar a uma época em que decida evitá-los. Minha esposa e eu temos quatro filhos. Na realidade queríamos ter cinco, mas por problemas de saúde dela, tivemos de parar nos quatro. Creio que já demos nossa contribuição para encher o mundo e dominá-lo! E não nos sentimos constrangidos em evitar que ela engravide mais uma vez.

Assim, creio que nada há contrário ao uso da pílula masculina por um cristão, desde que pelos motivos corretos. Sobre o fato de ser "masculina", não, vejo nada nas Escrituras que condenem a pílula por isto. A pílula masculina ainda tem a vantagem sobre alguns contraceptivos femininos de evitar uma outra questão ética relacionada com o controle da natalidade, que é a do uso de métodos que são abortivos.

June 23, 2010

Saudade é coisa que dói


Peço licença aos leitores do blog para escrever algo fora de sua "linha editorial". Se você precisa de uma justificativa, talvez seja este um escrito de "resistência à tristeza".

Faz pouco mais de um mês que nossa mãe partiu para estar com o Senhor. Se, do ponto de vista espiritual, sua passagem foi abençoada, como a de Estevão (At 7.54-59), na ótica de quem ficou foi abrupta, misteriosa e violenta (o laudo da autópsia ainda não saiu, mas há fortes evidências de assassinato). Seja como for, há dias sinto a necessidade de registrar algumas palavras sobre a minha mãe, numa espécie de tributo a ela, grande devedor que sou. Escrever é mais fácil que falar e nossos pais espirituais já usavam deste expediente no passado (2Co 2.4).

Minha mãe foi uma mulher muito crente, para mim, um exemplo de piedade. Na sua mocidade ela orava a Deus pedindo um filho, para que fosse pastor. Devoção rara em nossos dias. Durante a sua vida, leu a Bíblia inteira 9 vezes, muito embora, por ter vindo do sertão do Ceará, tivesse apenas o primário completo. Foi superintendente de Escola Dominical, professora e conselheira dos adolescentes por muitos anos. Era apaixonada por leitura. Desde que me lembro, sempre houve a Bíblia e um livro em seu criado mudo. Não dormia sem antes ler os dois. Foi com ela que criei gosto pela leitura. Foram dela os primeiros livros que li e que me despertaram para o ministério. Foi com ela que aprendi a amar a Deus sobre todas as coisas.

Criou três filhos nos caminhos do Senhor, eu e minhas queridas irmãs. Lembro-me da minha infância e adolescência quando chegávamos da igreja, no domingo à noite, e ela proibia a mim e a minha irmã de ligarmos a televisão, para que o ensino do sermão que acabáramos de ouvir não saísse rápido de nossas mentes. Alguns princípios de vida que sigo há anos vieram dela. Por exemplo, o de não recusar trabalhos que Deus nos dá e de ser um homem, no sentido mais completo da palavra, responsável e ativo, nunca omisso, nas lutas para o bem da Igreja.

Hoje, há poucas semanas de sua partida a dor da saudade aperta o meu peito. Sua lembrança está em todas as partes. Na comida que o restaurante oferece e que, me lembro, ela fazia muito melhor (mandioca frita, baião de dois, bolinho de chuva, doce de leite com alguns cravos); no sorriso dos meus pequenos filhos quando penso que ela também passou por esta fase e nos criou com o mesmo carinho que tentamos criar agora os nossos; no rosto e temperamento de minhas tias, irmãs e sobrinhas que refletem fisica e emocionalmente traços próprios seus e no meu próprio espelho quando vejo ali, expresso em minha estrutura, semblante e gestos, o corpo de meu pai, homem que ela amou a vida inteira e que foi chamado para a glória 6 anos antes de sua partida.

Como "não há mal que não traga um bem" frase originária de minha avó e tantas vezes usada por minha mãe, eco de "todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus" (Rm 8.28), a vida segue. Segue na certeza de que Deus faz tudo perfeito e a seu tempo. Segue na confiança de que o Consolador está conosco, a cada dia. Segue na esperança de que um dia reencontraremos nosso pai e nossa mãe (1Ts 4.13,14) não mais com as marcas de sofrimentos que passaram por aqui, mas radiantes e com a alegria indizível (1Pe 1.8) própria de quem está com nosso amado Senhor e Salvador Jesus Cristo.

Antes deste reencontro acontecer, cabe a nós, os que ficamos, viver vidas dignas dos pais que tivemos. Cumprindo o "honra teu pai e tua mãe" mesmo na ausência física deles, sendo exemplos para nossos filhos, pois isto é agradável ao Senhor. 

Saudade é coisa que dói, mas temos um Deus que é Pai de misericórdia e de toda consolação. "É ele que nos conforta em toda a nossa tribulação, para podermos consolar os que estiverem em qualquer angústia, com a consolação com que nós mesmos somos contemplados por Deus." (2Co 1.3,4). A Ele, doador da vida, nossa gratidão pela salvação (Jo 10.28) e esperança bendita da vida eterna. A Ele toda a glória. Amém.

June 14, 2010

June 11, 2010

Nada Mais Importa!


Essas palavras nos mostram que estamos diante de um acontecimento mais importante que se possa pensar. Alguns poetas já tentaram descrever o momento presente como o mais importante de todos, e ele tem apenas a duração do instante que passa, doce pássaro do agora, que quando se dá por ele, já voou, para nunca mais voltar. (Mário Quintana)

Outros ainda crêem que o melhor ficou para trás e se arriscam a dizer que as coisas findas, muito mais que lindas, essas ficarão. (Carlos Drumond de Andrade)

E há, claro, os que têm esperança que o melhor ainda está por vir nessa vida, por isso, para eles quem sempre vence é o porvir. (Castro Alves)

A frase do título, entretanto, realça o momento pelo qual todos esperam por quatro anos, passam o mês realmente concentrados na realidade de que nada mais importa e, já que daqui a quatro anos o torneio será no Brasil, de fato nada mais importa além da Copa do Mundo de Futebol da FIFA.

Talvez você também esteja imbuído dessa ‘verdade’ e tenha se preparado para fazer aquilo que boa parte do mundo faz: colecionar o álbum de figurinhas, conhecer a escalação completa, torcer, abraçar, chorar e gritar como se cada pessoa que se senta ao seu lado no momento mágico do “gooooool” fosse seu melhor amigo, o mais chegado irmão.

O fato de ser na África do Sul pós-Mandela traz um toque especial ao ideal humanitário do fim da segregação racial, mostrando como o grande deus-futebol tem a solução para a verdadeira promoção da paz e da alegria nesse mundo tão mau.

Tudo parece muito bonito; entretanto, precisamos analisar como crentes, qual deve ser o nosso compromisso com a Copa do Mundo. Também sou brasileiro, gosto muito de futebol, estou tentando completar o álbum de figurinhas com meus filhos e espero que o Brasil jogue com raça e ganhe cada jogo; mas qual é o limite razoável dessas coisas e como devemos agir? Espero que aqui possamos ver algumas questões bem práticas!

Em primeiro lugar, precisamos nos questionar se esse amor à seleção (ou ao futebol) é um patriotismo sadio ou uma idolatria assumida. Vejamos, por exemplo, se não nos preparamos para quebrar o Dia do Senhor desde já construindo no nosso coração idólatra algumas auto-justificativas ou defesas: o jogo não é no horário do culto... é melhor assistir do que não assistir querendo, pois é pecado do mesmo jeito... ah, essa coisa de Dia do Senhor é farisaísmo (ou outro ismo qualquer).

Outro questionamento que devemos fazer diante do espelho é se a irmandade ocasionada pelo futebol não expõe como nossa situação na Igreja é de profunda fragilidade. A camisa amarela nos une mais que o sangue carmesim do Salvador no Calvário, o grito de gol nos emociona mais que o expirar na cruz, o sorriso de Kaká nos é mais caro que o choro de Jesus e isso fica claro quando não temos nem de perto o mesmo tipo de emoção e alegria quando cultuamos a Deus do que quando cultuamos ao time de Dunga.

Quando formos crentes de verdade, poderemos chegar no dia da final de uma copa do mundo entre Brasil e Argentina e, mesmo com o jogo marcado para o horário do culto, podermos nos ajuntar com os verdadeiros irmãos e, levantando nossas mãos em comemoração de reverente adoração, sairmos desse lugar com uma convicção no nosso coração: É culto a Deus, é Dia do Senhor, Nada Mais Importa!

Pr. Samuel Vitalino

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