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May 9, 2011

Estado Laico, pressupostos e homossexualismo



No último dia 05 de maio, o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu, por unanimidade, a união de casais homossexuais como entidade familiar.


Vi muitos meios de comunicação comemorando o fato por ser ele uma "vitória do Estado Laico". Há tempos que percebo um equívoco neste argumento. Vou tentar expressá-lo abaixo:

1º Estado Laico não é Estado Ateu

O Artigo 19 da Constituição de nosso país diz que...

"Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
I - estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público;"

É estabelecida aqui a separação entre Estado e Igreja. O Estado não deve estabelecer, subvencionar, depender ou pactuar com cultos religiosos ou igrejas. Todavia, o Estado não deve embaraçar o funcionamento de qualquer culto ou se omitir em colaborar com eles, quando houver interesse público.

No artigo 5º da Constituição vemos que o Estado não é ateu de modo mais evidente:

"Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
(...)
VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;
VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva;
VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;"
(...)

Note-se que em um Estado Laico, se por um lado não há vinculação com uma religião, por outro, há liberdade para expressão de todas as crenças religiosas. Chegamos no nosso ponto: Qualquer tentativa de calar as manifestações religiosas sobre assuntos de interesse público configura-se desvirtuamento dos princípios da laicidade e aproximação dos princípios de um Estado ateu, onde a liberdade de crença é tolhida e a religião perseguida. Veja o que diz o jurista Ives Gandra sobre este assunto:

"Quando se sustenta que o Estado deve ser surdo à religiosidade de seus cidadãos, na verdade se reveste esse mesmo Estado de características pagãs e ateístas que não são e nunca foram albergadas pelas Constituições brasileiras. A democracia nasce e se desenvolve a partir da pluralidade de idéias e opiniões, e não da ausência delas. É direito e garantia fundamental a livre expressão do pensamento, inclusive para a adequada formação das políticas públicas. Pretender calar os vários segmentos religiosos do país não apenas é antidemocrático e inconstitucional mas traduz comportamento revestido de profunda intolerância e prejudica gravemente a saudável convivência harmônica do todo social brasileiro."

2º Leis também carregam pressupostos

Leis não são neutras. Elas trazem consigo pressupostos filosóficos, religiosos e interesses (puros ou não) de seus legisladores. Desta forma, países cristãos têm conjuntos de leis que refletem seus valores cristãos, tais como o valor da vida, proteção à família, liberdade de expressão, direito à propriedade, etc. Países muçulmanos também têm leis que espelham seus valores, bem como, países pós-cristãos terão leis revelando seus valores secularistas, materialistas, etc. O ponto é: não existem leis sem pressupostos.

A Bíblia mostra que leis podem ser injustas: "Ai dos que decretam leis injustas, dos que escrevem leis de opressão..." (Is 10.1) Os amigos de Daniel tiveram que desobedecer à lei de Nabucodonosor obrigando os súditos a adoração de uma imagem (Dn 3). A mesma atitude teve Daniel com relação à lei estabelecida por Dario proibindo o povo de fazer pedido a qualquer deus ou homem que não ao próprio rei Dario (Dn 6).

No Novo Testamento, Pedro e os apóstolos desobedeceram a proibição de pregarem o Evangelho, dada pelo Sinédrio, e declararam em alto e bom som àquelas autoridades: "Antes, importa obedecer a Deus do que aos homens." (At 5.29)

Deste modo, é ingenuidade cristãos acreditarem que o Estado deve criar leis regulando comportamentos pecaminosos e que a Igreja deve ficar quieta nestas questões. Se nossas leis ainda refletem os valores de um país de maioria cristã, o ataque a estes valores deve ser combatido.

O argumento de que as relações homossexuais já são uma realidade no país e que, por isso, o Estado deve regular estas relações, traz em si graves implicações. Seguindo a lógica, o mesmo argumento pode dizer que, sendo o uso de crack uma realidade no país, o Estado deve regular este comportamento criando leis que assegurem a prática. Qualquer outra prática que atente contra valores caros ao Cristianismo, como vida, infância e família, receberá guarida neste esquema.

Cabe, portanto, aos cristãos, a responsabilidade de denunciar os pecados da nação, assim como os profetas fizeram no passado, não se calarem face às ameaças de um mundo cada vez mais inclinado ao pecado e, se Deus permitir, aguentar com firmeza as perseguições que possam vir, sabendo que somos bem-aventurados quando perseguidos por causa do Evangelho (Mt 5.10-12).

Uma palavra final: "Vivei, acima de tudo, por modo digno do evangelho de Cristo, para que, ou indo ver-vos ou estando ausente, ouça, no tocante a vós outros, que estais firmes em um só espírito, como uma só alma, lutando juntos pela fé evangélica; e que em nada estais intimidados pelos adversários. Pois o que é para eles prova evidente de perdição é, para vós outros, de salvação, e isto da parte de Deus. Porque vos foi concedida a graça de padecerdes por Cristo e não somente de crerdes nele, pois tendes o mesmo combate que vistes em mim e, ainda agora, ouvis que é o meu." (Fp 1.27-30).

March 12, 2011

Uma vez salvo, salvo para sempre?


Depois de participar de um debate sobre este tema no Programa Vejam Só, da RIT-TV, transmitido nesta semana (dia 11/03) resolvi escrever este pequeno artigo com alguns argumentos que usei no debate e outros que não foram utilizados pela limitação de tempo do programa.

1. Os decretos de Deus. A Bíblia nos mostra que, antes da fundação do mundo, Deus já havia determinado tudo o que aconteceria. Eis alguns textos que nos mostram isto:

“O conselho do SENHOR dura para sempre; os desígnios do seu coração, por todas as gerações.” Salmo 33.11

Os teus olhos me viram a substância ainda informe, e no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles havia ainda." Salmo 139.16

“Jurou o SENHOR dos Exércitos, dizendo: Como pensei, assim sucederá, e, como determinei, assim se efetuará”. Isaías 14.24

"Lembrai-vos das coisas passadas desde a antiguidade; que eu sou Deus, e na há outro Deus, não há outro semelhante a mim. Que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam; que digo: O meu conselho será firme, e farei toda a minha vontade". Isaías 46.9-10.

“... então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo.” Mateus 25.34

"Herodes, Pilatos, os gentios, e o povo de Israel se ajuntaram para fazerem tudo o que a tua mão e o teu conselho tinham anteriormente determinado que se havia de fazer". Atos 4.27,28.

“... diz o Senhor, que faz estas coisas conhecidas desde séculos”. Atos 15.18

“As­sim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo” Efésios 1.4

“... que nos salvou e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos” 2 Timóteo 1.9

“... segundo o eterno propósito que estabeleceu em Cristo Jesus, nosso Senhor” Efésios 3.11

A questão, portanto, é a seguinte: Se Deus determinou todas as coisas que acontecerão, teria ele deixado em aberto o destino eterno dos homens? Isto é, se um homem quer ou não ser salvo, isto independe dos planos de Deus? Deus não interfere?


2. Nossa filiação em Cristo. A Bíblia diz que apenas aqueles que crêem em Jesus Cristo são filhos de Deus: "Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome" João 1.12. A questão aqui é: um filho pode deixar de ser filho? Será que Deus nos dá o direito (exousia, no grego) de sermos filhos e depois, por causa de um pecado, cancela este direito? Não há qualquer registro na Bíblia de Deus cancelando a filiação de algum filho.

3. O Espírito Santo em nós. A Bíblia diz que o filho de Deus torna-se morada, habitação do Espírito. Em João 14.16 nós lemos: "E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco". No mesmo capítulo, versículo 23 lemos: "Respondeu Jesus: Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada." A questão aqui é: se é verdade que o crente perde a salvação, para onde vai o Espírito Santo? Vai embora? No versículo 16 não diz que ele estará para sempre conosco?

4. O Livro da Vida. A Bíblia diz que os nomes dos filhos de Deus estão escritos no Livro da Vida (Fp 4.3; Ap 3.5; 13.8; 17.8; 20.12,15; 21.27). Se é verdade que o crente perde a salvação, como funciona o registro neste livro? Deus escreve quando a pessoa se converte e apaga quando peca? Se se arrepende, Deus volta a escrever o nome? Esse "escreve e apaga" combina com Deus soberano e imutável? 

5. Por que pessoas se arrependem? Imaginemos que uma pessoa foi batizada na igreja e, depois de um tempo, afastou-se dos caminhos do Senhor. Se é verdade que o crente perde a salvação, esta pessoa perdeu. E se perdeu a salvação, o que esta pessoa poderá fazer para voltar a obtê-la? Ora, ele precisará se arrepender? Mas é possível se arrepender sem a ajuda de Deus? Alguém que está na carne pode voltar para Deus, sem que Este toque seu coração? Mortos espiritualmente não querem voltar para Deus. Veja o que Paulo diz em Romanos 3.10-12: "...como está escrito: Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer." Sendo assim, este desviado nunca terá forças para voltar-se para Deus e obter de novo a sua salvação. Porém, se você crê que Deus pode tocar no coração dele para fazê-lo voltar, você, então, acredita que a salvação não é uma decisão meramente humana, mas que ela pertence a Deus (Jonas 2.9) e que é somente Deus "quem efetua em nós tanto o querer como o realizar" (Filipenses 2.13). Se Deus toca no coração de alguém para que este se converta dos seus maus caminhos, é porque Deus tem planos para esta vida. E se Deus tem planos para esta vida (a ponto de tocar no seu coração) quando será que Ele concebeu estes planos? Não teria sido na eternidade?

Encerro com a compilação de alguns textos que nos mostram a segurança que podemos ter com relação a nossa salvação:

"... porque o SENHOR, vosso Deus, é misericordioso e compassivo e não desviará de vós o rosto, se vos converterdes a ele" 2 Crônicas 30.9

"Pois o SENHOR ama a justiça e não desampara os seus santos; serão preservados para sempre, mas a descendência dos ímpios será exterminada." Salmo 37.28

Os teus olhos me viram a substância ainda informe, e no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles havia ainda." Salmo 139.16

"E a vontade de quem me enviou é esta: que nenhum eu perca de todos os que me deu; pelo contrário, eu o ressuscitarei no último dia." João 6.39

"As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão. Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar." João 10.27-29

"Pai, a minha vontade é que onde eu estou, estejam também comigo os que me deste, para que vejam a minha glória que me conferiste, porque me amaste antes da fundação do mundo." João 17.24

"Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor." Romanos 8.37-39

"Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus." Filipenses 1.6

"... porque sei em quem tenho crido e estou certo de que ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele Dia." 2 Timóteo 1.12

"Eles saíram de nosso meio; entretanto, não eram dos nossos; porque, se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco; todavia, eles se foram para que ficasse manifesto que nenhum deles é dos nossos." 1 João 2.19

March 1, 2011

Vamos falar sobre tamanho





"Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, e a lua e as estrelas que estabeleceste, que é o homem, que dele te lembres E o filho do homem, que o visites?" Salmo 8.3

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