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October 12, 2012
August 13, 2012
July 2, 2012
Quando a regra de fé é a própria Prática...
“A Bíblia é nossa única regra de
fé e prática” – qualquer crente com certo tempo de igreja já ouviu esta frase,
pelo menos uma vez. Mas, é triste observar que a frase não tem passado de um mero aforismo. Para a maioria dos evangélicos a Prática (e não a
Palavra) é a verdadeira regra de fé. Explico:
Quando um líder de igreja está
prestes a formular uma lei ou a responder a uma consulta de concílio inferior
e, ao invés de perguntar “O que diz a Bíblia?”, pergunta “Qual tem sido a
prática da igreja?” ele acaba de mostrar onde está a base de sua fé.
Da mesma forma, quando o membro
de igreja elogia um pastor chamando-o de “equilibrado”, ou refere-se a uma
igreja como sendo “equilibrada” ele revela, sem saber, o quanto a Prática tem
prevalecido sobre a Palavra em sua mente.
Esta forma de pensar tem mais a
ver com a dialética de Hegel do que com a Palavra de Deus. Para Hegel a
história é um movimento de confronto entre tese (afirmação) e antítese (oposição
da tese) gerando assim a síntese.
Desta forma, o que é um pastor “equilibrado”?
É um pastor que não fica nos denominados “extremos”. Mas, e se a verdade estiver exatamente
no extremo? Por exemplo, um pastor crê que dinheiro é prova de fé e ensina que crente
tem de ser rico. O outro pastor, no outro extremo, crê que o amor ao dinheiro é
raiz de todos os males e que cobiça é pecado e não virtude. Onde fica o equilíbrio?
No meio do caminho entre o certo e o errado? O meio certo é o alvo a ser
alcançado?
E quando o assunto é culto? Onde
estará a vontade de Deus: na síntese entre um culto certo e um culto errado ou
no que a Palavra aponta como sendo o culto certo?
Portanto, de volta ao início, a
Bíblia é a nossa única regra de fé e de prática. A sociedade é dialética. Faz
sínteses entre o certo e o errado, gerando mais conceitos errados. Nós, crentes, temos nas
mãos a Palavra de Deus, poderosa para “destruir fortalezas, anulando sofismas”
(2Co 10.4) Cabe a nós não sermos seguidores de Hegel, mas de Cristo. Levando a
ele, cativo, todo pensamento à sua obediência.
June 20, 2012
Ceia Acridoce - Objeções
"Pois
os sacramentos são visíveis sinais e selos de uma realidade interna e
invisível. Através deles, Deus opera em nós, pelo poder do Espírito Santo. Por
isso, os sinais não são vãos nem vazios para nos enganar, porque Jesus Cristo é
a verdade deles e, sem Ele, nada seriam..." Confissão Belga, Artigo 33
"... o apóstolo nos ensina que há uma relação íntima entre o símbolo (pão e vinho) e a coisa significada (Cristo) ao ponto de que, se profanarmos os símbolos, pecamos contra o que é simbolizado, isto é, o corpo e o sangue de Cristo." Augustus Nicodemus, Paulo e os Espirituais.
"... o apóstolo nos ensina que há uma relação íntima entre o símbolo (pão e vinho) e a coisa significada (Cristo) ao ponto de que, se profanarmos os símbolos, pecamos contra o que é simbolizado, isto é, o corpo e o sangue de Cristo." Augustus Nicodemus, Paulo e os Espirituais.
De 07 a
09 de Junho aconteceu em Belo Horizonte a Consulta Nacional da Fraternidade
Teológica Latino Americana, Setor
Brasil. Em um dos cultos da Consulta foi realizada uma ceia incomum. Fotos
postadas no Facebook mostravam duas bandejas, uma com pedaços de limão e outra
com cubos de doce de leite. A explicação dada por um dos participantes, no
Facebook, foi esta: "Compartilhamos o doce e o amargo da vida simbolizados
pelo limão e doce de leite. Vida e comunhão é muito mais que elementos e
rituais".
Muitas críticas
pertinentes foram escritas sobre o acontecimento (clique nos nomes para acessar
os textos): Norma Braga, Renato
Vargens e Allen Porto
O que pretendo aqui não é
escrever mais sobre o assunto, mas abordar as costumeiras objeções que são
levantadas sempre que surge esta discussão.
1ª Objeção - A presença de outros elementos na ceia de Corinto não abre
espaço para elementos adicionais ao pão e ao vinho?
Tanto na instituição da
Ceia, por nosso Senhor Jesus Cristo (Mt 26.26-30) quanto nas instruções de
Paulo aos Coríntios (1Co 11.17-34) encontramos mais elementos que apenas pão e
vinho nas mesas. Em Mateus 26, temos a instituição da Ceia em uma Páscoa. E
sabemos quais eram os alimentos consumidos na Páscoa Judaica: carne assada de
cordeiro ou de cabrito, pães asmos e ervas amargas (Ex 12.1-28, Nm 9.1-14). Em
Corinto, os crentes se reuniam para comerem juntos uma refeição e também para
participarem da Santa Ceia. Esta prática tornou-se comum na Igreja Primitiva
(At 2.46). Sendo assim, nas refeições comuns, certamente havia mais alimentos
do que apenas o pão e o vinho.
Todavia, na instituição da
Ceia, não obstante estarem ali a carne assada e as ervas amargas, é o pão que
Jesus toma, abençoa, parte e distribui aos discípulos dizendo: "Tomai,
comei; isto é o meu corpo." Da mesma forma, ele pega o cálice, dá graças,
passa-o aos discípulos e diz: "Bebei dele todos; porque isto é o meu
sangue, o sangue da nova aliança, derramado em favor de muitos, para remissão
de pecados..." Apenas os dois elementos são instituídos.
Na ceia de Corinto, embora
houvesse mais alimentos na mesa, o apóstolo Paulo restringe-se ao que foi
instituído: "Porque eu recebi do Senhor o que também vos
entreguei..." e segue repetindo as palavras da instituição, mencionando
apenas o pão e o cálice.
Aliás, a expressão
"eu recebi do Senhor o que também vos entreguei" é digna de nota.
Mostra o compromisso fiel de Paulo em entregar aos Corintios exatamente o que
recebeu de Cristo. Mais adiante na carta, falando sobre a ressurreição, ele
repete a fórmula: "Antes de tudo, vos entreguei o que também recebi: que
Cristo morreu pelos nossos pecados..." (1Co 15.3). Isto é, o que Paulo estava
ministrando ali na Ceia era a expressão exata do que havia recebido de Cristo,
sem acréscimos, substituições ou omissões. Assim sendo, a resposta a esta
objeção é não. Apenas o pão e o vinho foram alvos da instituição.
2ª Objeção
– Se não se pode alterar os elementos instituídos por Cristo, com que
autoridade a maioria das igrejas usa pão fermentado ao invés do pão asmo e suco
de uva no lugar do vinho?
Se
formos seguir este argumento de modo rigoroso, a Ceia não poderá repetir-se
jamais. Teremos que produzir pão asmo (ou ázimo) com o mesmo trigo daquela
época e o vinho com a exata fermentação daquela região, sem qualquer adição de
componentes químicos, tão comuns nos vinhos de hoje. Certamente Jesus, ao
instituir um sacramento que duraria séculos e que chegaria até aos confins do
mundo, não foi específico desta forma. Ele instituiu simplesmente pão e vinho.
Mas e
quanto ao suco de uva? Não deveria ser apenas vinho? Ora vinho e suco de uva
não são, ambos, fruto da videira? Na instituição da Ceia, Cristo disse:
"... porque isto é o meu sangue, o sangue da nova aliança, derramado em
favor de muitos, para remissão de pecados. E digo-vos que, desta hora em
diante, não beberei deste fruto da videira..." Mt 26.28,29
O erro,
portanto, não está em utilizar-se de variações dentro da mesma categoria, mas
em trocar o elemento instituído. Em outras palavras, o pão pode ser fermentado,
ázimo, artesanal, de forma, integral, etc, desde que não desconfigure o sentido
de pão que temos ao ler as Escrituras (pão asmo). O fruto da videira pode ser
fermentado ou não, desde que seja fruto da videira.
3ª Objeção - Um missionário famoso trocou os elementos da Ceia,
então, podemos fazer o mesmo.
Missionários
são servos do Senhor a quem devemos todo o respeito. Eles enfrentam
dificuldades nos campos que, normalmente, não enfrentamos nas cidades. Todavia,
eles não são infalíveis. Eles também podem errar. Um dos famosos lemas da
Reforma Protestante foi o Sola
Scriptura. Este lema nos ensina que as Escrituras, e só elas, são nossa
regra de fé e de prática. Desta forma, mesmo que um fiel servo de Deus faça
algo que não tem base bíblica, nós devemos ficar com a Bíblia e não com o
homem. Os crentes de Beréia foram elogiados por Paulo por examinarem
constantemente as Escrituras confirmando se o que ouviam estava correto (At
17.11). Escrevendo aos Gálatas, Paulo os orientou a duvidarem até dele
mesmo se um dia aparecesse pregando um evangelho diferente daquele que, até aquele
dia, pregara: "Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue
evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema." (Gl 1.8).
Sendo assim, o ato de uma pessoa, por mais respeitada que seja, não invalida o
que está na Palavra.
4ª Objeção
- Em contexto missionário, os elementos da ceia podem ser substituídos.
Tenho
visto o argumento da dificuldade do missionário em certas regiões do país,
ser usado bastante. Na minha percepção, ou entendemos que os elementos da ceia
são aqueles mesmos e que não pode haver flexibilização, ou o céu é o limite
para as contextualizações...
Creio que o que nos ajuda nesta questão é a flexibilização não dos elementos, mas da ministração da ceia. Nada nos obriga a ministrar a ceia dominicalmente, ou mensalmente. Até João Calvino, em Genebra, cedeu nesta questão. Se em uma região missionária os elementos só chegarão em 3 meses, aguarde-se a chegada deles para que o sacramento seja feito com fidelidade. Repito, nada obriga a celebração do sacramento se não há os elementos próprios à mão.
Neste sentido, uma experiência particular. Minha família, no interior do Ceará, passou algumas décadas contando com a presença de um pastor, por vezes, de 6 em 6 meses. E a ceia só era recebida quando o pastor chegava. Certamente, não é situação ideal, mas é melhor que distorcer o instituído no sacramento.
Fico pensando se algum dos que gostam de flexibilizar o sacramento da Ceia teria coragem de, na falta de água para o batismo, ministrá-lo com álcool, suco de laranja ou gasolina...
Concluo com a desconfiança de que outras objeções virão, todavia, tenho plena certeza de que não precisamos de qualquer outro elemento neste sacramento e nem de significados adicionais ao rito. A ceia é uma refeição espiritual completa. Nas palavras de João Calvino, nela "nos são oferecidos todos os dulçores do Evangelho" (As Institutas, 1541, IV.12)
Creio que o que nos ajuda nesta questão é a flexibilização não dos elementos, mas da ministração da ceia. Nada nos obriga a ministrar a ceia dominicalmente, ou mensalmente. Até João Calvino, em Genebra, cedeu nesta questão. Se em uma região missionária os elementos só chegarão em 3 meses, aguarde-se a chegada deles para que o sacramento seja feito com fidelidade. Repito, nada obriga a celebração do sacramento se não há os elementos próprios à mão.
Neste sentido, uma experiência particular. Minha família, no interior do Ceará, passou algumas décadas contando com a presença de um pastor, por vezes, de 6 em 6 meses. E a ceia só era recebida quando o pastor chegava. Certamente, não é situação ideal, mas é melhor que distorcer o instituído no sacramento.
Fico pensando se algum dos que gostam de flexibilizar o sacramento da Ceia teria coragem de, na falta de água para o batismo, ministrá-lo com álcool, suco de laranja ou gasolina...
Concluo com a desconfiança de que outras objeções virão, todavia, tenho plena certeza de que não precisamos de qualquer outro elemento neste sacramento e nem de significados adicionais ao rito. A ceia é uma refeição espiritual completa. Nas palavras de João Calvino, nela "nos são oferecidos todos os dulçores do Evangelho" (As Institutas, 1541, IV.12)
June 15, 2012
May 31, 2012
Seja justo com os liberais...
Seja Justo com os Liberais
Como a visão de mundo afeta a comunhão
Por David Mills*
Como a visão de mundo afeta a comunhão
Por David Mills*
Depois de alguns anos de
combate eclesiástico (na trincheira Episcopal), eu acho que sei por que muitos
cristãos conservadores não respondem ao liberalismo com tanta força quanto era
de se esperar. Eles acham que os liberais estão apenas fazendo de conta. Que
eles sabem das regras mas que, como crianças mimadas e voluntariosas decidiram
jogar com as regras que melhor conhecem. Por estarem apenas fingido tudo de que
precisam e ser exprobrados por seu comportamento, e se isso não funcionar, os
conservadores podem tentar modificar as regras e as estruturas das suas igrejas
para impedir que os liberais continuem a violar às regras.
Um amigo evangélico
disse-me recentemente o que desejaria dizer ao bispo John Spong e seus aliados:
“OK, tudo bem. Creia no que quiser, mas não se chame de cristão. Você não pode
ser membro do clube sem ter que pagar algumas obrigações, e a obrigação básica
é crer. Entre logo, ou caia fora, mas deixe de enlamear a água”. Registra-se
que Fabian Bruskewitz, o bispo de Lincoln, em Nebraska, disse que a “diferença
entre um católico dissidente e um protestante, é que o protestante possui
integridade”.
Na verdade isso não seria
justo para com a maioria dos liberais. Admito que seja irritante quando alguém
que tem vivido da igreja numa boa declara a sua rejeição por mais uma das suas
doutrinas, e louva a si mesmo por sua coragem profética diante do aplauso de
repórteres irreligiosos e de editores que espalham aos seus pés contratos para
a edição de livros. Ainda mais repugnante é quando teólogos bem de vida e
paus-d’água escarnecem do Papa por sua suposta compreensão simplista dos
problemas da sociedade moderna ou quando (como tem ocorrido na Igreja
Episcopal) feministas vitalícias vêm a público tachar como “maligno” um bispo
que em bases bíblicas hesita ordenar mulheres.
Nada obstante, temos que
ser justos com os liberais e tentar ver as coisas do seu ponto de vista, não
apenas como uma cortesia devida a qualquer oponente, mas para saber o que fazer
com eles. A maioria dos liberais não está brincado. Eles estão jogando dentro
das regras e jogando honestamente. Eles estão agindo com integridade. Isso é o
problema.
O que crêem os liberais
Deixe-me explicar. Os liberais
(a denominação usual, mas com certeza insatisfatória, para a obscuro coletânea
de céticos, relativistas, ideólogos e sentimentalistas ajuntados principalmente
por se oporem às mesmas coisas) crêem que a verdade evolui, cresce e muda, ou
que, pelo menos, a nossa compreensão da verdade evolui de modo tão radical que
as certezas anteriores podem ser substituídas por novas e contraditórias
verdades. Crêem que o que tem sido, mesmo o consolidado, pode não ser mais, ou
que não se sustentará por muito tempo.
A maneira de explicarem
essa evolução difere. Alguns crêem que estão resgatando as verdades da tradição
cristã (a igualdade entre homens e mulheres, por exemplo) dos seus erros (a
primazia dos homens). Alguns acreditam que estão resgatando as verdades existentes
na tradição cristã dos erros que lhe foram impostos (aplica-se o mesmo
exemplo). Outros crêem que a Bíblia e a tradição foram tentativas
historicamente limitadas de falar das realidades religiosas fundamentais e
desejam expressar essas realidades fundamentais de uma forma mais moderna e
relevante. Outros crêem que não existe nenhuma verdade na ou sob a tradição
cristã e que temos, portanto, de reinventar a Igreja na medida em que
cooperamos com ou a serviço dos ideais e desejos que temos, quaisquer que sejam
eles.
Há ainda os que acreditam
ter recuperado a própria fé original, a religião do Jesus amoroso, inclusivo,
que não julgava ninguém e aceitava todo mundo (com a exceção dos
protocapitalistas e dos religiosos tradicionalistas da época), cuja mensagem de
tolerância foi distorcida pelo farisaico Paulo e cuja história foi reescrita
por líderes eclesiásticos misóginos, racistas e homofóbicos posteriores, de
sorte que pudessem continuar a oprimir a mulheres, negros e homossexuais.
Não importa como expliquem
a evolução, os liberais têm sempre que chegar à conclusão de que a tradição
cristão tem pouca autoridade formativa e nenhuma autoridade para ser obedecida,
e que as novas verdades que vislumbram têm de substituir aquelas ainda
asseveradas pelos cristãos ortodoxos. A ortodoxia, na melhor das hipóteses,
está fora de moda — mas é perigosa e não tão divertida. Não é pitoresca: é uma
inimiga do bem, de Deus e da liberdade e liberação humanas.
Se estiverem certos,
aqueles que não podem ou não querem explorar áreas anteriormente proibidas nem
arriscar a perda de todas as certezas, que não se abrem aos novos movimentos do
Espírito Santo, que querem se apegar ao sentido pleno de textos antigos, e que
se estribam na tradição da igreja para que lhes diga o que disser, não têm o
direito de definir a doutrina e a disciplina da igreja. Não se pode permitir
aos que laboram em erro que limitem a crença aceitável àquilo que em dias menos
complicados era chamado de “ortodoxia”. Certamente não se pode lhes permitir que
expulsem os liberais nem mesmo que os restrinja ou iniba.
Conservadores confusos
Os conservadores cristão às
vezes ficam confusos porque todos os cinco tipos de liberais tendem a manter as
formas tradicionais (verbais e estruturais) da religião. Os liberais estão
sendo perfeitamente razoáveis ao utilizá-las no mesmo instante em que rejeitam
o conteúdo que anteriormente possuíam.
O povo gosta de liturgia e
sente a necessidade de elevar orações a algo que esteja acima de si; uma
hierarquia é um bom modo de se administrar uma igreja, especialmente se você
chegou no topo; aquelas velhas doutrinas são metáforas úteis; as histórias
bíblicas dão boas ilustrações; doutrina e história fazem parte da herança e
portanto confortam os anciãos; os edifícios são belos, e é financeiramente
compensador. Tal deferência para com a tradição, claro, é algumas vezes
conveniente. Por exemplo, quando bispos que não dão a mínima para o que os pais
da igreja disseram sobre a ordenação ou a moralidade defendem o intrometimento
na vida de seus paroquianos ao apelarem para o conhecimento patrístico do bispo
(ou àquilo que pensam ser o conhecimento patrístico).
Os liberais atuam
geralmente a partir de um tipo de conservadorismo. Ao perceberem que a tradição
é portadora da nossa memória comum e que assegura a nossa identidade como
comunidade, eles acham que os cristãos modernos podem manter a liturgia
patrística e a ordem hierárquica e até mesmo as afirmações doutrinais do Credo
Niceno, ao mesmo tempo em que crêem que Jesus é apenas um caminho para o deus
percebido vaga e incompletamente por todas as religiões, inclusive a nossa, ou
enquanto ignoram o ensinamento moral específico da Bíblia em favor de um
mandado generalizado para amar, ou rejeitam o ensinamento paulino da primazia
pela leitura equivocada de Gálatas 3:23.
O liberal seria tolo se
abrisse mão das grandes vantagens de ser membro de uma antiga, rica e
respeitada denominação só porque ele sabe mais que os outros membros da sua
igreja os quais, segundo a sua natureza, são normalmente complacentes,
ignorantes ou reacionários. Afinal de contas a igreja é deles tanto quanto
dele.
Para os cristãos liberais,
a sua igreja é a instituição terrena que leva adiante esse processo de
descoberta, evolução e crescimento, e que, portanto, devem permanecer nela com
uma clara consciência. Do seu ponto de vista não precisam deixar a igreja só
porque “seguem na frente” de uma compreensão mitológica da realidade codificada
no seu passado, conhecida agora, como inadequada ou equivocada, por uma vanguarda
iluminada de seus membros (eles mesmos). Na verdade, se estiverem certos, devem
permanecer na igreja para usarem o seu status, riqueza e autoridade para
trazerem mais membros à iluminação. Ao ajudarem a igreja a ver novas verdades
crêem que estão ajudando-na a limpar as águas, não a enlameá-las. Ao aceitarem
novas verdades, mesmo ao custo da perda de velhas certezas, eles estão agindo
com integridade.
Isso agora faz sentido. É
lógico e se encaixa nos fatos. Pode-se crer nisso. Aceite a premissa de que a
verdade evolui e cresce e você poderá inovar e rejeitar o tanto que quiser sem
a necessidade de modificar as suas lealdades institucionais. Você pode ser um
Episcopal, Presbiteriano ou Católico-romano leal mesmo rejeitando parcial ou
totalmente aquilo que os seus predecessores sustentaram, pois você tem um
melhor conhecimento que o deles, ou vive em uma era diferente da que eles
viveram. Os liberais estão sendo perfeitamente lógicos e agindo com completa
integridade ao recusarem deixar as suas igrejas somente porque não aceitam
alguns ou todos os seus ensinamentos tradicionais.
O problema
O liberalismo cético tem,
portanto, uma integridade toda sua. Os liberais não estão fazendo de conta,
estão pelejando por uma visão de mundo alternativa com as armas que têm à mão.
É uma posição embasada num princípio. O problema — que muitos conservadores não
vêem ou não querem ver — é que esse liberalismo de princípio existe dentro das
mesmas igrejas onde igualmente existe uma ortodoxia de princípio diferente, e
as igrejas não são meras coleções de pessoas diferentes, mas a comunhão de
certas regras, deveres e objetivos comuns que não permitem diferenças tais e
tão profundas entre regras, deveres e objetivos.
Uma igreja não é um clube
no qual um barão ladravaz e um comunista podem conversar genialmente sobre
baseball ou sobre o clima, tampouco um grande prado onde ovelhas e bodes pastam
juntos sem perturbar um ao outro. Na figura liberal da igreja, que tantos
conservadores têm aceito, a comunidade é mais essencial do que a doutrina. A
igreja se parece mais com um time que precisa vestir o mesmo uniforme,
participar dos mesmos jogos e encestar na mesma cesta. Pode ser um time muito
ruim, cujos jogadores quase sempre se esquecem das jogadas e detestam passar a
bola, mas ela tem que ser um time.
Isso está expresso na
imagem que o Novo Testamento faz da igreja como o Corpo de Cristo. Uma igreja é
um corpo, não um monte de braços, pernas, tórax e cabeças espalhados pela sala.
É um corpo projetado para se mover, e movimento exige que haja unidade e
coordenação das partes. Tem de haver uma Cabeça a quem todos os membros
obedecem em coordenação uns com os outros. A crença de que a igreja é uma
coleção de pessoas que obedecem apenas a si mesmas assume que cada joelho pode
fazer o que quiser, e o pé pode fazer o que quiser, e o corpo ainda assim
caminha.
O sentido para os cristãos
ortodoxos
A integridade do
liberalismo significa que ao passo que os cristãos ortodoxos devem respeitar
alguns liberais mais do que respeitavam antes, devem também apartar-se deles
muito mais profundamente. Ou, mais exatamente, devem reconhecer a divisão que
as suas diferenças de princípio criam. Eclesiásticos liberais não estão
fingindo para poderem ser constrangidos em público e ignorados até que se
arrependam, assim como crianças de maus modos. Antes, são soldados de um
exército antagônico com ordens de tomar o terreno que nos foi dado junto com a
ordem para que o defendamos.
É por isso que os cristãos
ortodoxos têm de compreender a natureza da comunhão e saber aquilo que eles
estão dizendo e fazendo ao permanecerem em comunhão com os que são tão
fundamentalmente contrários à revelação cristã. Falando claro: como podem se
assentar à mesa do Senhor com os que não crêem no Senhor, ou que dizem crer
nEle mas que não crêem naquilo que Ele ou Seus porta-vozes autorizados dizem?
Quebrar a comunhão é simplesmente conceder aos cristãos liberais a grande
gentileza de os levar a sério e de acreditar que o que intentam é mesmo aquilo
que afirmam. (É uma gentileza que alguns deles, é claro, podem não desejar).
Os
liberais não estão confusos, não são ignorantes, não estão enganados nem fazem
de conta: estão comprometidos com o entendimento coerente e completo daquilo
que significa ser um cristão. Tal fé não é ortodoxa. O problema não é que os
liberais tiram conclusões equivocadas dos postulados e princípios que partilham
com os que se mantêm fiéis à tradição cristã; o problema é que mantêm
postulados e princípios diferentes e incompatíveis e agem e falam de acordo com
isso.
Em sendo assim, os cristãos
ortodoxos não podem simplesmente declarar que os liberais devem somente ser
honestos sobre o seu ceticismo e deixar a igreja, e então (quando não a deixam)
continuam a levar as suas vidas jungidas perversamente à deles na intimidade da
comunhão. A única coisa a fazer com os liberais é respeitá-los por suas
convicções, e, por essas mesmas convicções, excomungá-los.
* Diretor de publicação da Trinity Episcopal School for
Ministry e editor da revista
acadêmica Mission &
Ministry do seminário. Editou uma coletânea de ensaios dobre C. S. Lewis, The Pilgrim’s Guide: C. S. Lewis
and the Art of Witness (Eerdmasn,
1998) e está trabalhando num volume da série titulado Woth Doing Badly: G. K. Chesterton
and the Art of Witness. É também o editor chefe da Touchstone e o correspondente americano da
revista inglesa New Directions.
“Seja justo com os liberais” (Be Fair to the Liberals) apareceu na edição de
dezembro de 1988 da revista Chronicles:
A Magazine of American Culture. Artigo traduzido por Marcos Vasconcelos.
May 29, 2012
Pastores Batistas reagem...
No último dia 26 de Maio um grupo de pastores batistas, cansados de ver sua denominação ser atacada pelo erro, decidiram se unir para elaborar um manifesto público e formar a Ordem dos Pastores Batistas Clássicos do Brasil. A notícia vem em boa hora e esperamos em Deus que o grupo ganhe muitas adesões. Segue abaixo um trecho do manifesto:
"Nós protestamos.
Protestamos contra a dança e a coreografia no culto que prestamos a Deus e em nossas igrejas batistas. O culto que agrada a Deus não é estético, é espiritual; não é profano, é sacro; não é fundamentado na sociologia e na antropologia, mas na teologia.
Protestamos contra as igrejas batistas que transformaram suas plataformas de púlpito, obreiros e músicos em palcos para a realização de espetáculos! O culto não é show!
Protestamos contra aqueles que defendem os dons de sinais como contemporâneos às igrejas. Protestamos contra os atuais profetas de igreja, contra aqueles que dizem receber revelações extra-bíblicas, contra aqueles que dizem ter "ministrações" em português ou em línguas estranhas.
Protestamos contra a teologia da prosperidade, que invade a nossa teologia e os nossos cultos, escravizando o povo ao mero sucesso financeiro em detrimento da verdadeira riqueza celestial!
Protestamos contra as unções que inventaram para a atualidade! Nós não cremos - e desafiamos quem crê - a mostrar-nos nas Escrituras Sagradas as tais "unção de primogenitura", "unção de conquista", unção apostólica" ou quaisquer outras!
Protestamos contra a existência de apóstolos modernos, pois não houve nem sucessão nem restauração deste ministério. Eles, os bíblicos, foram suficientes e foram escolhidos por Cristo. Nós somos apenas auxiliares do Supremo Pastor, nada mais que isso. Não há mais apóstolos!
Protestamos contra sistemas de crescimento de igreja que tendem a transformá-las em fábrica de adeptos ou postos de venda de grandes indústrias religiosas. Protestamos contra esquemas mirabolantes de ampliação e de modificação de igrejas, à luz de supostos líderes evangélicos que mantém fé dúbia e pouco ortodoxa! Protestamos contra G12, M12, contra Igrejas Com Propósitos ou qualquer outro sistema que queira impor uma eclesiologia diferente a uma igreja batista!
Protestamos contra o pastorado feminino! Mulheres e homens são iguais perante Deus; mulheres e homens têm livre acesso ao Senhor. Mas mulheres têm funções diferentes das dos homens e nas páginas da bíblia não foi confiado às mulheres o ministério pastoral. Isto não as desmerece diante dos homens. Deus nos criou com ministérios diferentes e nós ainda cremos na Bíblia sem precisar mudá-la, ampliá-la ou adaptá-la! Não reconhecemos o ministério pastoral feminino batista!
Cremos na Bíblia como única Palavra de Deus, inerrante, verdadeira, fiel, isenta de manchas ou erros. Nós cremos na Bíblia e só na Bíblia. Não precisamos de novos intérpretes, novas versões ou traduções contemporâneas para compreender qual é a Palavra de Deus revelada. Protestamos contra as versões modernas e adulteradoras da Palavra e não aceitamos a chamada re-leitura das Escrituras!
Protestamos contra o culto antropocêntrico, que faz do homem e de suas necessidades a razão de ser das atividades eclesiásticas e religiosas. Protestamos também contra todo culto que não seja direcionado a Deus! Protestamos contra o culto que exalta o homem e que busca a glória humana!
Rejeitamos o ecumenismo e não admitimos uma fé misturada com paganismos, tradições, modismos e com opiniões meramente humanas. Protestamos contra igrejas batistas que perderam os seus distintivos, os seus princípios, as suas raízes e se tornaram meras agremiações liberais religiosas!
Protestamos contra as organizações eclesiásticas dominadoras, que querem transformar as igrejas em entidades dirigidas por uma convenção ou associação. Nós ainda cremos na autonomia das igrejas locais e na independência das igrejas! Cremos na cooperação dos batistas, mas não na intromissão das entidades na administração local. Protestamos contra a tendência atual de bispado e de sedes eclesiásticas para batistas!
Protestamos contra o modernismo religioso, contra o liberalismo teológico, contra o evolucionismo e neopentecostalismo que já encontramos em nossas literaturas batistas e em nossos seminários infiéis.
Sim. Somos protestantes."
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