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July 15, 2013
July 5, 2013
July 3, 2013
A biologia e o sexo anal
Atenção, se você é menor de 10 anos, clique aqui.
A palestra a seguir aconteceu no Seminário: Sexualidade (2ª parte) com a Dra. Anete Guimarães (Rio de Janeiro/RJ) no 18º EMERJ em Jales/SP. Para não parecer que isso é algum tipo de "homofobia evangélica", informo que a Dra. Anete é espírita. Informo também que um experiente cardiologista amigo meu, presbítero, assistiu este vídeo e atestou a veracidade das informações.
Veja abaixo a opinião do Rev. Hernandes Dias Lopes sobre este assunto:
Existem limites para a intimidade sexual dentro do casamento?
Rev. Hernandes Dias Lopes: O casamento implica em intimidade. Ele legitima e santifica a intimidade. Do ponto de vista da sexualidade, eu entendo à luz da Bíblia que o corpo é santo. Não existe uma parte do corpo mais santa ou menos santa. Todo o corpo é santo. Então Deus santificou o nosso corpo e ele é habitação de Deus, foi comprado por Deus e deve glorificar a Deus. Essa liberdade pode ir até o limite da legitimidade O que penso eu, ser ilegítimo e inconveniente é quando nós tentamos alterar o projeto da criação. Por exemplo: Deus fez as nossas narinas para baixo. Se fossem feitas para cima, nós morreríamos afogados. Então, por exemplo, a questão do sexo anal, que está se tornando comum dentro da propagação da pornografia é uma agressão à mulher, é um sexo que não é limpo - porque o ânus não foi feito para receber a penetração, é um órgão criado por Deus para a excreção - de tal forma que quando a pessoa entra por esse caminho está agredindo o cônjuge ele está promovendo um sexo que não tem a característica da pureza e ele se torna viciante e degradante. E mais: a pessoa tem a tendência de não se satisfazer mais com aquilo que é natural. Então é uma degradação e tudo aquilo que degrada o ser humano, ofende ao criador, se choca contra o projeto de Deus e é nocivo.
Fonte: Guia-me
June 23, 2013
O engano da "cura gay"
A Comissão de Direitos Humanos da Câmara aprovou nesta terça-feira, dia 18/06, o projeto de lei, de autoria do deputado João Campos (PSDB) que anula o trecho do Artigo 3º e todo o Artigo 4º da Resolução 1/99 do Conselho Federal de Psicologia. O projeto foi apelidado maliciosamente de "cura gay".
A questão legal
Em 23 de Março de 1999 o Conselho Federal de Psicologia aprovou o seguinte documento:
"RESOLUÇÃO CFP Nº 1/99 DE 23 DE MARÇO DE 1999
"Estabelece normas de atuação para os psicólogos em relação à questão da orientação sexual"
O Conselho Federal de Psicologia no uso de suas atribuições legais e regimentais,
Considerando que o psicólogo é um profissional da Saúde;
Considerando que na prática profissional, independentemente da área em que esteja atuando, o psicólogo é freqüentemente interpelado por questões ligadas à sexualidade;
Considerando que a forma como cada um vive sua sexualidade faz parte da identidade do sujeito, a qual deve ser compreendida na sua totalidade;
Considerando que a homossexualidade não constitui doença, nem distúrbio e nem perversão;
Considerando que há uma inquietação na sociedade em torno de práticas sexuais desviantes da norma estabelecida socioculturalmente;
Considerando que a Psicologia pode e deve contribuir com seu conhecimento para o esclarecimento das questões da sexualidade, permitindo a superação de preconceitos e discriminações.
Resolve:
Art. 1º - Os psicólogos atuarão segundo os princípios éticos da profissão, notadamente aqueles que disciplinam a não discriminação e a promoção do bem-estar das pessoas e da humanidade.
Art. 2º - Os psicólogos deverão contribuir, com seu conhecimento, para uma reflexão sobre o preconceito e o desaparecimento de discriminações e estigmatizações contra aqueles que apresentam comportamentos ou práticas homoeróticas.
Art. 3º - Os psicólogos não exercerão qualquer ação que favoreçam patologização de comportamentos ou práticas homoeróticas, nem adotarão ação coercitiva tendente a orientar homossexuais para tratamentos não solicitados.
Parágrafo único - Os psicólogos não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e cura das homossexualidades.
Art. 4º - Os psicólogos não se pronunciarão e nem participarão de pronunciamentos públicos nos meios de comunicação de massa de modo a reforçar os preconceitos sociais existentes em relação aos homossexuais como portadores de qualquer desordem psíquica.
Art. 5º - Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 6º - Revogam-se todas as disposições em contrário.
Ana Mercês Bahia Bock
Conselheira-Presidente"
A aprovação deste documento em 1999 tolheu a atividade de psicólogos com pacientes homossexuais, desejosos de abandonar a prática. O projeto de lei apelidado pelo movimento homossexual de "cura gay" nada mais faz que anular a extrapolação da lei contida no parágrafo único do Artigo 3º e no Artigo 4º, a saber:
"Parágrafo único - Os psicólogos não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e cura das homossexualidades.
Art. 4º - Os psicólogos não se pronunciarão e nem participarão de pronunciamentos públicos nos meios de comunicação de massa de modo a reforçar os preconceitos sociais existentes em relação aos homossexuais como portadores de qualquer desordem psíquica."
Desta forma, restaura-se o direito de qualquer indivíduo procurar ajuda psicológica caso esteja insatisfeito com sua condição de homossexualidade.
Se um heterossexual tem o direito de buscar ajuda caso esteja descontente com sua sexualidade, por que um homossexual não pode ter o mesmo direito? É claro que o movimento homossexual condena isso porque não admite que um homossexual "traia a causa" tornando-se heterossexual.
A questão bíblica
Não existe "cura gay". A Bíblia não considera o homossexualismo como doença. A Bíblia mostra que homossexualismo é comportamento pecaminoso. Como já foi demonstrado no artigo Daniela Mercury, obrigado... ninguém nasce homossexual. Homossexualismo é comportamento aprendido. Todavia, todos nascemos pecadores. Todos nós temos potencial para qualquer tipo de pecado, seja homossexualismo, adultério ou assassinato.
O homossexualismo é uma relação condenada por Deus como nos mostram os seguintes registros:
"Mas, antes que se deitassem, os homens daquela cidade cercaram a casa, os homens de Sodoma, tanto os moços como os velhos, sim, todo o povo de todos os lados; e chamaram por Ló e lhe disseram: Onde estão os homens que, à noitinha, entraram em tua casa? Traze-os fora a nós para que abusemos deles. Gênesis 19.4,5
"Com homem não te deitarás, como se fosse mulher; é abominação." Levítico 18.22
"Se também um homem se deitar com outro homem, como se fosse mulher, ambos praticaram coisa abominável; serão mortos; o seu sangue cairá sobre eles." Levítico 20.13
"Por causa disso, os entregou Deus a paixões infames; porque até as mulheres mudaram o modo natural de suas relações íntimas por outro, contrário à natureza; semelhantemente, os homens também, deixando o contato natural da mulher, se inflamaram mutuamente em sua sensualidade, cometendo torpeza, homens com homens, e recebendo, em si mesmos, a merecida punição do seu erro." Romanos 1.26,27
Existe salvação para homossexuais?
O homossexualismo é uma relação condenada por Deus como nos mostram os seguintes registros:
"Mas, antes que se deitassem, os homens daquela cidade cercaram a casa, os homens de Sodoma, tanto os moços como os velhos, sim, todo o povo de todos os lados; e chamaram por Ló e lhe disseram: Onde estão os homens que, à noitinha, entraram em tua casa? Traze-os fora a nós para que abusemos deles. Gênesis 19.4,5
"Com homem não te deitarás, como se fosse mulher; é abominação." Levítico 18.22
"Se também um homem se deitar com outro homem, como se fosse mulher, ambos praticaram coisa abominável; serão mortos; o seu sangue cairá sobre eles." Levítico 20.13
"Por causa disso, os entregou Deus a paixões infames; porque até as mulheres mudaram o modo natural de suas relações íntimas por outro, contrário à natureza; semelhantemente, os homens também, deixando o contato natural da mulher, se inflamaram mutuamente em sua sensualidade, cometendo torpeza, homens com homens, e recebendo, em si mesmos, a merecida punição do seu erro." Romanos 1.26,27
“Ou não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus?
Não vos enganeis: nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados,
nem sodomitas, nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes, nem
roubadores herdarão o reino de Deus.” 1 Coríntios 6.9,10
Existe salvação para homossexuais?
A Bíblia mostra que sim. Escrevendo aos Coríntios, Paulo alista os tipos de pecados que não herdariam o reino de Deus (acima) e continua: "Tais fostes alguns de vós; mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados em o nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus." 1 Coríntios 6.11
Há probabilidade de alguns coríntios terem abandonado a prática homossexual para se tornarem cristãos. Da mesma forma, provavelmente alguns coríntios abandonaram a idolatria, a vida adúltera, o roubo, etc, para seguirem a Cristo.
A Palavra de Deus afirma que "... se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas." 2 Coríntios 5.17
Da mesma forma que alguém acostumado a ter relações heterossexuais passará a vida vigiando seu coração contra tentações nesta área, alguém que foi iniciado na prática homossexual sofrerá tentações desta espécie.
Todavia, tentação não é sinônimo de pecado. Jesus foi tentado e não pecou. Ele mesmo nos ensinou a orar a Deus pedindo que, quando estivéssemos em tentação, não caíssemos (Mt 6.13) e Paulo nos mostra que não há tentação que não seja humana, mas Deus é fiel e não permite que sejamos tentados além das nossas forças, pelo contrário, com a tentação ele nos dá livramento para que a possamos suportar (1Co 10.13).
Assim, é plenamente possível a homossexuais o abandono da prática pecaminosa e a vitória sobre as tentações, trilhando um caminho de santidade perante o Senhor. Nossas igrejas têm sido testemunhas de casos assim e devem continuar agindo sem discriminação. O Evangelho é o poder de Deus para salvação e quando ele alcança alguém transforma, de fato. Sejamos, portanto, instrumentos de Deus na transformação destas vidas. Amém.
(Para aprofundamento no tema Tentação x Pecado, leia o post do Rev. Augustus Nicodemus Carta a um ex-gay tentado a voltar atrás)
Há probabilidade de alguns coríntios terem abandonado a prática homossexual para se tornarem cristãos. Da mesma forma, provavelmente alguns coríntios abandonaram a idolatria, a vida adúltera, o roubo, etc, para seguirem a Cristo.
A Palavra de Deus afirma que "... se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas." 2 Coríntios 5.17
Da mesma forma que alguém acostumado a ter relações heterossexuais passará a vida vigiando seu coração contra tentações nesta área, alguém que foi iniciado na prática homossexual sofrerá tentações desta espécie.
Todavia, tentação não é sinônimo de pecado. Jesus foi tentado e não pecou. Ele mesmo nos ensinou a orar a Deus pedindo que, quando estivéssemos em tentação, não caíssemos (Mt 6.13) e Paulo nos mostra que não há tentação que não seja humana, mas Deus é fiel e não permite que sejamos tentados além das nossas forças, pelo contrário, com a tentação ele nos dá livramento para que a possamos suportar (1Co 10.13).
Assim, é plenamente possível a homossexuais o abandono da prática pecaminosa e a vitória sobre as tentações, trilhando um caminho de santidade perante o Senhor. Nossas igrejas têm sido testemunhas de casos assim e devem continuar agindo sem discriminação. O Evangelho é o poder de Deus para salvação e quando ele alcança alguém transforma, de fato. Sejamos, portanto, instrumentos de Deus na transformação destas vidas. Amém.
(Para aprofundamento no tema Tentação x Pecado, leia o post do Rev. Augustus Nicodemus Carta a um ex-gay tentado a voltar atrás)
June 11, 2013
Um esclarecimento necessário
Nos últimos meses muitos crentes de nossas igrejas têm nos questionado sobre as posições do Rev. Marcos Amaral na mídia e sobre a posição oficial da IPB sobre estes temas. Como presidente do Sínodo de Piratininga, concílio histórico da IPB, escrevo as linhas abaixo com o objetivo de prestar algum esclarecimento:
1. A Igreja Presbiteriana do Brasil não aprova o ecumenismo.
Já em 1966 o Supremo Concílio da IPB declarou que "... embora respeitando o foro íntimo de cada indivíduo, a IPB não entende que a liberdade de exame implique na abertura de suas portas a toda a sorte de dúvidas e heresias; 3) Determinar que os professores dos seminários da IPB se dediquem ao preparo intelectual e espiritual de seus alunos e se abstenham de propaganda e práticas ecumenistas e ideológico-políticas" (SC-66-091)
Em 1980 a Comissão Executiva do SC-IPB tratou de uma denúncia de ecumenismo e instruiu o Presbitério a tomar "conhecimento da denúncia no que tange à prática de ecumenismo por obreiros e igrejas sob sua jurisdição, verifique a procedência das acusações e processe a quem de direito" (CE-80-097)
Mais recentemente, em 2006 a Igreja Presbiteriana do Brasil decidiu desfiliar-se da Aliança Mundial de Igrejas Reformadas (AMIR) por constatar ecumenismo e outros problemas teológicos naquela Aliança. Dentre outras medidas, a IPB resolveu: "... 3º) repudiar as recomendações da AMIR às suas igrejas-membros, decorrentes das decisões tomadas na reunião de Accra - 2004, quanto à Bíblia, às missões, ao ecumenismo, ao aborto, ao feminismo e à sexualidade; 4º) protestar, de forma veemente, na qualidade de membro fundador da AMIR, contra a visita da diretoria da AMIR ao Vaticano com vistas ao ecumenismo com a Igreja Católica Apostólica Romana; 5º) retirar-se da filiação da Aliança Mundial das Igrejas Reformadas (AMIR), e lamentar estas recentes decisões que ferem nossos padrões de fé e princípios éticos; 6º) determinar a publicação desta decisão no órgão oficial de divulgação da IPB, com destaque em primeira página; 7º) dar conhecimento desta decisão à diretoria da Aliança Mundial das Igrejas Reformadas (AMIR) e às igrejas parceiras." (SC-2006- Doc. 11)
2. A Igreja Presbiteriana do Brasil não tem qualquer comunhão com as religiões do ramo espírita.
Tendo a Bíblia como única regra de fé e prática, a IPB condena a necromancia e a salvação pelas obras. Nesta pequena devocional o Rev. Hernandes Dias Lopes, ministro presbiteriano, condensa a posição da IPB:
"Os mortos não se comunicam com os vivos? Isaías 8:19 - A favor dos vivos se consultarão os mortos? Há muitas pessoas aflitas que ao perderem um ente querido recorrem aos médiuns para, pretensamente, se comunicarem com os seus mortos? A Bíblia diz que não. Deus considera essa prática uma abominação. A palavra de Deus pergunta: Em favor dos vivos se consultarão os mortos? A lei e aos profetas, se eles não falarem assim, jamais verão a alva. O rico que desprezou Lázaro em sua porta e morreu, foi para o inferno. No tormento das chamas, rogou ao pai Abraão que enviasse Lázaro, já no paraíso, a casa de seus pais. Jesus lhe disse, ele tem seus pais e seus profetas, ouçam-nos. Ele redarguiu, não senhor se alguém levantar dentre os mortos, eles ouvirão. Jesus respondeu: Ainda que alguém ressuscite e venham falar-lhes, eles não crerão, se não tiverem dado crédito aos profetas. Não devemos consultar os mortos nem mesmo recorrer a Deus em favor dos mortos. A Bíblia diz que ao homem está ordenado morrer uma só vez, vindo depois disso o juízo." (Gotas de Esperança para Alma)
3. A IPB é representada pela CE e pelo presidente do SC.
O brasileiro tem alma episcopal. Mesmo presbiterianos, acostumados ao regime representativo, em que as decisões são tomadas por concílios e não por indivíduos, por vezes se confundem nesta questão. O fato é que a Igreja Presbiteriana do Brasil não é representada pelo pastor A ou B que possa aparecer na mídia. Ela é representada por sua Comissão Executiva (Art. 1º, CI-IPB) e pelo presidente do SC (Art. 5º, RI-CE-SC).
4. O Evangelho não é inclusivista, mas exclusivista.
No século pluralista e inclusivista em que vivemos, ninguém gosta de exclusivistas, ou donos da verdade. Todavia, o próprio Jesus foi um exclusivista. Ele disse: "Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim" (Jo 14.6) e "Quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus" (Jo 3.18)
Pode se dizer que o Evangelho é inclusivista no sentido de raças, idades, classes sociais, como nos ensina a Palavra de Deus: "Dessarte, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus." (Gl 3.28)
Todavia, no Evangelho, inclusão religiosa não existe. João Batista quando viu os religiosos fariseus e saduceus vindo para o batismo, os excluiu dizendo: "Raça de víboras, quem vos induziu a fugir da ira vindoura?" (Mt 3.7)
Os que praticam as obras da carne, pela Palavra de Deus, estão excluídos: "Ora, as obras da carne são conhecidas e são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam." (Gl 5.19-21)
Outra lista de exclusão: "Ou não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas, nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes, nem roubadores herdarão o reino de Deus." (1Co 6.9,10)
Jesus, no julgamento final, excluirá a muitos dizendo: "... nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade." (Mt 7.23)
E no paraíso, nossa habitação final, apenas os que lavaram suas vidas com o sangue de Cristo entrarão na cidade de Deus. Os demais serão excluídos: "Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestiduras [no sangue do Cordeiro], para que lhes assista o direito à árvore da vida, e entrem na cidade pelas portas. Fora ficam os cães, os feiticeiros, os impuros, os assassinos, os idólatras e todo aquele que ama e pratica a mentira." (Ap 22.13-15)
5. O Evangelho exige confrontação
As boas novas do Evangelho só fazem sentido quando entendemos quais são as más notícias. E as más notícias nos informam que o ser humano está totalmente morto espiritualmente, caminhando para o inferno. Sendo assim, impossível será pregarmos as boas novas de salvação se o receptor da mensagem não souber que está em perigo. Impossível será também qualquer arrependimento se os pecados daqueles que estão perdidos não forem reconhecidos e confrontados.
Muitos crentes hoje entendem ser invasiva a confrontação dos pecados do próximo, todavia, não é isso o que nos mostra a Palavra de Deus. Vejamos alguns exemplos:
- Natã confrontou o Rei Davi em seu pecado de adultério e assassinato (2Sm 12.1-15)
- Elias confrontou os pecados do Rei Acabe (1Re 18.18) e o povo em geral (1Re 18.21)
- João Batista confrontou fariseus e saduceus (Mt 3.8-10), o povo (Lc 3.7-14) e o próprio Rei Herodes (Mt 14.1.12). Aliás, porque confrontou o adultério de Herodes, foi decapitado...
- Pedro confrontou Simão, o mágico, pelo pecado de querer comprar o dom de Deus (At 8.20)
- Paulo confrontou Elimas, outro mágico, por tentar impedir a pregação do Evangelho (At 13.8-12)
- Em Atenas, capital do saber antigo, Paulo confrontou o pecado de idolatria dos atenienses (At 17.16-34).
- Por fim, nosso Senhor Jesus, nosso mestre a quem devemos imitar, passou seu ministério confrontando pecadores, especialmente os religiosos. Certa ocasião, tratando com fariseus, disse: “Examinais as Escrituras, porque julgais ter nela a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim. Contudo, não quereis vir a mim para terdes vida” (Jo 5.39,40).
John MacArthur, no livro "O Caminho da Felicidade", Editora Cultura Cristã, faz uma importante constatação sobre este assunto:
"Jesus veio ao mundo e expôs o pecado do povo. Eles foram confrontados com a realidade do pecado. Se Jesus não tivesse vindo, poderiam tê-lo encoberto. Estavam se saindo muito bem acalmando as próprias consciências. Sua religião tinha literalmente fechado os olhos para a verdade e, em sua cegueira, estavam marchando para o inferno. Cristo rasgou o véu e disse: "Olhem para si mesmos!" Então viram seus pecados e odiaram-no pelo que fez. Na verdade, não nos odeiam. Odeiam a justiça. Odeiam a Cristo. Apenas tenha uma vida justa, ser sal da terra e aguarde para ver o que acontecerá. Você já colocou sal em uma ferida?Arde. Apenas seja reto em uma sociedade corrupta e verá qual será a reação." (p. 190)
6. A igreja não deve se imiscuir em assuntos do Estado.
A Igreja Presbiteriana do Brasil é uma igreja confessional, isto é, adota uma das confissões históricas como sistema expositivo de doutrina. A confissão de fé adotada pela IPB é a de Westminster. Pastores, presbíteros e diáconos de nossa denominação afirmam sua crença e compromisso com a Palavra de Deus e lealdade para com a Confissão de Fé e os Catecismos.
No capítulo XXXI da Confissão de Fé, dos Sínodos e Concílios, encontramos a seguinte prescrição:
"IV.Os sínodos e concílios
não devem discutir nem determinar coisa alguma que não seja eclesiástica; não
devem imiscuir-se nos negócios civis do Estado, a não ser por humilde petição
em casos extraordinários, ou por conselhos, em satisfação de consciência, se o
magistrado civil os convidar a fazê-lo."
Reafirma-se aqui a histórica separação entre Igreja e Estado, tão cara aos reformados. Este ponto não foi invenção dos reformadores, mas um resgate da verdade bíblica. Veja os textos prova:
Lc 12.13,14: Nesse ponto, um homem, que estava no meio
da multidão lhe falou: Mestre, ordena a meu irmão que reparta comigo a herança.
Mas Jesus lhe respondeu: Homem, quem me constituiu juiz ou partidor entre vós?
Jo 18.36: Respondeu
Jesus: O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus
ministros se empenhariam por mim, para que não fosse eu entregue aos judeus;
mas agora o meu reino não é daqui.
Mt 22.21: Responderam: De
César. Então lhes disse: Daí, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é
de Deus.
Isto posto, ministros do Evangelho não devem misturar assuntos de Igreja com assuntos de cunho civil. Ministros presbiterianos, especialmente, devem tomar muito cuidado neste sentido, pois levam a imagem da igreja, automaticamente. Isso não quer dizer que os crentes devam ser omissos como cidadãos. Cada crente tem o dever e a responsabilidade de amar ao próximo como a si mesmo, denunciar as injustiças da sociedade e lutar por um mundo melhor. Todavia, deve fazê-lo como indivíduo, como crente. A Igreja, como instituição, está proibida de fazer isso, pelas razões acima.
Isto posto, ministros do Evangelho não devem misturar assuntos de Igreja com assuntos de cunho civil. Ministros presbiterianos, especialmente, devem tomar muito cuidado neste sentido, pois levam a imagem da igreja, automaticamente. Isso não quer dizer que os crentes devam ser omissos como cidadãos. Cada crente tem o dever e a responsabilidade de amar ao próximo como a si mesmo, denunciar as injustiças da sociedade e lutar por um mundo melhor. Todavia, deve fazê-lo como indivíduo, como crente. A Igreja, como instituição, está proibida de fazer isso, pelas razões acima.
7. A Igreja Presbiteriana do Brasil não aprova o homossexualismo
Sendo a IPB uma igreja que segue a Bíblia como única regra de fé e prática, automaticamente condenará a prática homossexual, por ser ela proibida nas Escrituras. Todavia, em 2007 a IPB se manifestou contrariamente ao tema, em documento público denominado "Manifesto Presbiteriano". Eis abaixo alguns trechos:
"... a Igreja Presbiteriana do Brasil repudia a caracterização da expressão do ensino bíblico sobre o homossexualidade como sendo homofobia, ao mesmo tempo em que repudia qualquer forma de violência contra o ser humano criado à imagem de Deus, o que inclui homossexuais e quaisquer outros cidadãos."
"... as Escrituras Sagradas, sobre as quais a Igreja Presbiteriana do Brasil firma suas crenças e práticas, ensinam que Deus criou a humanidade com uma diferenciação sexual (homem e mulher) e com propósitos heterossexuais específicos que envolvem o casamento, a unidade sexual e a procriação; e que Jesus Cristo ratificou esse entendimento ao dizer, “. . . desde o princípio da criação, Deus os fez homem e mulher” (Marcos 10.6); e que os apóstolos de Cristo entendiam que a prática homossexual era pecaminosa e contrária aos planos originais de Deus (Romanos 1.24-27; 1 Coríntios 6:9-11)."
"Ante ao exposto, por sua doutrina, regra de fé e prática, a Igreja Presbiteriana do Brasil MANIFESTA-SE contra a aprovação da chamada lei da homofobia, por entender que ensinar e pregar contra a prática do homossexualidade não é homofobia, por entender que uma lei dessa natureza maximiza direitos a um determinado grupo de cidadãos, ao mesmo tempo em que minimiza, atrofia e falece direitos e princípios já determinados principalmente pela Carta Magna e pela Declaração Universal de Direitos Humanos; e por entender que tal lei interfere diretamente na liberdade e na missão das igrejas de todas orientações de falarem, pregarem e ensinarem sobre a conduta e o comportamento ético de todos, inclusive dos homossexuais."
8. A igreja não crê que sua visibilidade deva se dar por marchas ou caminhadas
Em 2006 o Supremo Concílio da IPB pronunciou-se sobre a "Marcha para Jesus" de modo contrário ao movimento. Segue abaixo parte da resolução:
"... Considerando: 1. o que estabelece o art. 97, na alínea “m” e em seu parágrafo único; 2. que apesar de serem realizados eventos em locais diferentes por outras lideranças evangélicas, existe certa unidade entre eles quanto à natureza, ao propósito, às datas e à teologia; tanto no uso da marca e do nome “Marcha para Jesus”, quanto a inexistência de qualquer esforço para distinguir-se daquele realizado em São Paulo-Capital demonstram tal unidade. 3. que na “Marcha para Jesus” – SP houve participação de grupos gays, que se consideram evangélicos, com ampla divulgação na imprensa, sem qualquer pronunciamento por parte da liderança do evento. 4. que o caráter teológico do evento é contrário às Sagradas Escrituras e aos Símbolos de Fé da IPB, a saber: a) Teologia da Prosperidade; b) Confissão Positiva; c) Batalha Espiritual (inclusive Espíritos Territoriais); d) Teologia Triunfalista; e outros, O SC-IPB-2006 RESOLVE: 1.pronunciar-se contrário à participação de seus concílios e membros na “Marcha para Jesus” e movimentos ou eventos de natureza teológica similar; 2. determinar aos concílios e aos pastores que orientem suas igrejas para que não se envolvam em eventos e movimentos dessa natureza..." (SC-2006- Doc. 148)
Em agosto de 2012 aconteceu no Rio de Janeiro, promovida por concílios da IPB a "Caminhada Presbiteriana". Certamente que a teologia por detrás da "Caminhada Presbiteriana" nada tem a ver com a da "Marcha para Jesus", todavia, em nossa opinião, há um equívoco: O alegado objetivo da visibilidade da Igreja, por meio de uma marcha ou caminhada, não encontra respaldo bíblico.
Não temos paralelo bíblico de manifestação do povo de Deus, nos tempos bíblicos, por meio de marchas. Naquele tempo, a marcha da igreja se dava de forma silenciosa e efetiva, tal qual o sal penetrando no alimento (Mt 5.13); pessoal e de relacionamento, como na igreja primitiva (At 8.4); cotidiana e sem cessar, como entre os primeiros convertidos (At 2.42-47).
Marchas, caminhadas ou passeatas têm caráter isolacionista, próprio de gueto, e não o que Cristo nos ensinou, a saber, envolvimento amplo na sociedade, como sal e luz (Mt 5.13-16), com irrepreensível testemunho cristão: “…mantendo exemplar o vosso procedimento no meio dos gentios, para que, naquilo que falam contra vós outros como de malfeitores, observando-vos em vossas boas obras, glorifiquem a Deus no dia da visitação” (1 Pe 2.12).
Neste sentido, o Rev. Cláudio Marra, editor da Editora Cultura Cristã, publicou precioso texto no editorial do Jornal Brasil Presbiteriano de maio passado:
"Ocorre que as marchas, manifestações, caminhadas, etc., têm sido promovidas pelas minorias da sociedade, ou grupos isolados, de qualquer proporção e tamanho, como um meio de afirmação de sua identidade e reivindicação do livre exercício de seus direitos civis. Assim é que afro-descendentes, indígenas, homossexuais, mulheres, operários de uma mesma categoria profissional e outros grupos periodicamente ocupam os espaços públicos (espaços privados, às vezes!) para gritar suas palavras de ordem e apresentar as suas exigências. Aí vão os evangélicos para a rua com seus cânticos e bandeiras e, desse modo, anunciam para a sociedade que somos apenas mais um grupo barulhento no meio dessa babel pós-moderna de confusas facções. Não somos, porém, só mais um grupo. Somos minoritários, mas não somos apenas outra minoria no mosaico social. (...) O cristianismo fala à sociedade as palavras de Jesus: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei” (Mt 11.28). Venham pessoas de todos os grupos, categorias, minorias, maiorias. Venham como estão. Certamente não continuarão como estão. Nos que vêm a ele Jesus opera por seu Espírito algo que a sociedade não pode proporcionar: a remissão de seus pecados, a comunhão com o Pai, a inclusão na família de Jesus. Isso não tem marcha que dê jeito..."
Tanta força, dinheiro e entusiasmo despendidos nestas marchas/caminhadas deveriam ser canalizados para preparar nosso povo na pregação do Evangelho. Quantos crentes que, há anos, não sabem o que é evangelizar? A maioria não sabe como testemunhar sua fé ou discipular um amigo. Sair em grupos, pelas ruas, com faixas e bandeiras é relativamente fácil. O desafio é marcharmos individualmente na escola, no trabalho, na faculdade, pregando o Evangelho, confrontando pecados. É isso o que nosso Senhor Jesus espera de nós.
Concluo este texto pedindo a Deus que abençoe a Igreja Presbiteriana do Brasil, bem como a igreja evangélica brasileira. Os dias são maus e, mais do que nunca a mentira se parecerá com a verdade. É preciso estarmos em comunhão com o Pai, em vigilância contra o erro e com o coração repleto da Palavra de Deus. Que Ele nos ajude. Amém.
Leia também: 10 motivos para não ir na Marcha para Jesus
May 23, 2013
10 Mitos sobre a Educação Teológica da IPB
O dicionário Caldas Aulete define mito como uma “crença popular ou tradição que se desenvolve sobre alguém ou algo”. O mito se enquadra bem na definição de Joseph Goebbels: “Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”. De fato, algumas afirmações equivocadas têm sido ditas em nossos dias quanto à educação teológica na IPB. Estes mitos são repetidos tantas vezes que já começam a parecer verdade. Alistei abaixo os que considero mais equivocados:
1º Mito: A
formação teológica atual não prepara o ministro para um auditório mais
capacitado.
A atual grade de disciplinas aprovada pelo Supremo
Concílio prepara o aluno para qualquer tipo de auditório. O que pode ocorrer,
em casos isolados, é algum aluno pouco aplicado obter aprovação no curso e sair
menos preparado. Porém, na medida em que os seminários da IPB são exigentes nas
avaliações e na formação de seus estudantes, a grade atual se encarrega de
capacitar o seminarista aos desafios desta geração. Neste sentido, é muito
comum encontramos alunos do primeiro ano, que já fizeram alguma faculdade, estranhando
o peso do curso de Teologia e tendo certa dificuldade para passar nas
avaliações. Eu me recordo que na minha época de estudante, fazendo seminário e
trabalhando no setor de um banco em que todos tinham formação universitária, eu
acabei gerando olhares surpresos ao contar que mal dormia durante a semana
fazendo os trabalhos do Seminário. Muitos ali me diziam que, em sua época de
faculdade, nunca haviam passado um sábado estudando.
2º Mito:
Quanto mais alto o grau acadêmico do ministro, melhor pastor ele será.
Este também é um equívoco de nossos dias. Com a
multiplicação da oferta de pós-graduações em Teologia, muitos acham que para
serem bons pastores devem ter grau de mestrado e doutorado. Não é verdade. Às
vezes, ocorre justamente o contrário. Os altos graus acadêmicos fazem com que o
pastor, outrora humilde, passe a aceitar convites de pastorado apenas em
igrejas grandes.
Um mestrado ou doutorado podem ser bênção na vida
de um pastor se ele, primeiro, continuar dedicado no pastoreio das ovelhas;
segundo, não perder sua humildade e continuar disposto a pastorear aonde quer
que o Senhor lhe envie. Não precisamos dizer que muitos pastores, sem qualquer
pós-graduação, foram e ainda têm sido muito usados por Deus em todo o nosso
extenso país.
3º Mito: Os
seminários da IPB só formam teólogos.
Bem, a princípio, assim como um curso de Medicina
forma médicos, um curso de Teologia tem de formar teólogos. Todavia, sabemos
que a palavra “teólogo” às vezes é usada com sentido pejorativo. Intenciona-se
dizer que “ser teólogo” é diferente de “ser pastor”. Esta divisão é equivocada.
Todo teólogo deve ser pastor. E todo pastor deve ser teólogo. O reformador João
Calvino, comentando a epístola de Tito 1.1, diz isso de forma bem clara: “E
assim aprendemos que o homem que mais progride na piedade é também o melhor
discípulo de Cristo, e o único homem que deve ser tido na conta de genuíno
teólogo é aquele que pode edificar a consciência humana no temor de Deus”. A
grade de nossos seminários é composta por disciplinas que visam formar o
verdadeiro teólogo – aquele que progride na piedade e alimenta o rebanho de
Deus.
4º Mito:
Jovens ministros não têm responsabilidade.
Esta afirmação vai contra a Palavra de Deus. Na
Bíblia temos muitos jovens que se portaram com grande responsabilidade, não
obstante suas idades. José do Egito, Davi, Jonatas, Daniel e seus amigos, são
alguns. No Novo Testamento, Paulo disse ao jovem pastor Timóteo: “Ninguém
despreze a tua mocidade...” (1Tm 4.12). Responsabilidade independe de idade. E pessoas
com certa experiência de vida sabem disso.
5º Mito: Os
candidatos que têm saído de nossos seminários são muito jovens.
Isso já foi verdade. Não é mais. Por causa das
últimas resoluções do Supremo Concílio que exigem pelo menos 3 anos de
observação antes de o candidato ser enviado ao Seminário, hoje a maioria dos
candidatos é mais madura. Muitos entram no Seminário casados e boa parte
ingressa já possuindo diploma de curso superior.
6º Mito: A
grade de nossos seminários está desatualizada porque foi feita em contexto
rural e hoje o Brasil é um país urbano.
Há dois erros nesta afirmação. O primeiro é que a
grade de nossos seminários está desatualizada. Não é verdade. A grade de
disciplinas vem sendo atualizada a cada Supremo Concílio. A grade atual apresenta 87% de
disciplinas obrigatórias a todos os seminários e 13% de disciplinas eletivas,
que contemplam as diferenças regionais de nosso país. O segundo erro está na
afirmação de que o Brasil é um país urbano, pois passa a impressão de que ele é
totalmente urbano. Não é. Segundo dados do IBGE, pelo menos 30 milhões de
pessoas ainda vivem em ambiente rural em nosso país. E a grade atual, com
disciplinas obrigatórias e eletivas, contempla as duas realidades.
7º Mito: O
sonho de todo seminarista é ter curso reconhecido pelo MEC e Mestrado.
A generalização é precipitada. Pode ser que alguns
seminaristas sonhem com isso, mas está longe de ser a maioria. Minha
experiência no Seminário JMC é ver alguns estudantes sonhando com missões
transculturais, com plantação de igrejas e com pastorado em regiões difíceis.
Tenho testemunhado o mesmo sentimento em muitos alunos dos outros seminários da
IPB, na convivência que tenho com eles em viagens missionárias.
8º Mito: Os
cursos da IPB seriam melhores com o reconhecimento do MEC.
Desde 1999 este assunto tem sido debatido na IPB. No
SC-IPB-2002 foi formada comissão para estudar o assunto e dar passos para o
credenciamento dos Seminários junto ao MEC (Doc. XXVII). Na mesma reunião foi
aprovado parecer desfavorável sobre o tema, nos seguintes termos:
“SC-IPB-2002 Doc. XXVIII – Quanto ao Doc. 44 - Da JET sobre
reconhecimento dos Cursos de Bacharel em Teologia pelo MEC e criação do Curso
de Ministério Pastoral. O Supremo Concílio da IPB: 1. Considerando o relatório
da Comissão de Educação Teológica I sobre o reconhecimento dos Cursos de
Bacharel em Teologia pelo MEC; 2. Considerando que a IPB entende que pastores
são formados em seus seminários e que a experiência de formação de pastores em
cursos universitários na Europa e Estados Unidos causou a secularização e mesmo
a liberalização da teologia; 3. Considerando a existência de muitos seminários
em todo o território nacional, mantidos pela IPB, o que facilita o acesso de
todos quantos neles desejarem estudar. 4. Considerando que o fato do candidato
fazer uma Faculdade Superior de Teologia, em muitos casos lhe privaria do
acompanhamento do presbitério através de um tutor nomeado; RESOLVE: 1.
Considerar a primeira proposta prejudicada; 2. Não aprovar a criação do curso
de Ministério Pastoral, determinando que os que quiserem ser pastores da IPB
façam o curso regular em um dos seus seminários, conforme Art. 118 da CI/IPB.”
Em 2006, o Supremo Concílio recebeu relatório da
comissão especial que estudou o assunto e resolveu remeter o assunto à JET para
continuar a análise (Doc. CXXVII). Em 2010, o Supremo Concílio recebeu o
relatório da comissão e aprovou o parecer contrário da comissão quanto ao
credenciamento:
“SC/IPB-2010 - DOC.LXXXIV - Quanto ao documento 285 - Oriundo do(a):
Educação Teológica - Ementa: Relatório sobre Credenciamento de Seminários da
IPB junto ao MEC. Considerando: 1- a relevância da matéria, a qual toca
diretamente a gestão dos Seminários da IPB, refletindo-se sobre o conteúdo da
grade curricular e contratação de professores; 2 - a fluidez das normas
baixadas a este respeito pelo MEC, fato que representa insegurança para a confessionalidade
dos Seminários; 3 - a desnecessidade do credenciamento junto ao MEC para o
exercício do pastorado junto às igrejas da IPB; O SC/IPB - 2010 RESOLVE: 1.
Conhecer o documento; 2. Aprová-lo em seus termos .”
Portanto,
o entendimento do Supremo Concílio é o de que o credenciamento ao MEC
representa insegurança à confessionalidade do nosso ensino teológico. De fato, é temerário submeter a formação de
nossos pastores a um órgão do governo federal. Por mais que em nosso país haja
separação entre Igreja e Estado, a prática intervencionista do último é
constante. Não podemos submeter o ensino teológico de nossa denominação a este
risco. Para sermos pastores, não necessitamos do reconhecimento do MEC, mas do
reconhecimento de Deus. Este basta.
9º Mito: Um
curso híbrido é o melhor para a formação teológica atual.
A proposta de um curso híbrido seria parecida com o
que é praticado em seminários norte-americanos, isto é, o candidato ao
ministério obrigatoriamente cursaria primeiro um bacharelado em teologia
reconhecido pelo MEC, e depois faria uma complementação pastoral de dois anos
em um seminário da IPB. A proposta é apenas parecida, pois lá fora estes dois
anos são intensivos, cursados em dois períodos, manhã e tarde, por exemplo.
Apesar do mérito da proposta em o candidato fazer
um curso de 6 anos, vejo que teríamos mais a perder do que a ganhar com esta
forma. Alisto meus pontos:
1) Na primeira etapa do curso, a de teologia
reconhecida pelo MEC, as disciplinas de cultura geral teriam a orientação
própria dos cursos seculares, a saber, exclusão do elemento transcendente. Para
entender melhor isso, veja um trecho do parecer do Conselho Nacional de
Educação, do MEC, de 06/05/2009, sobre a questão:
“Por essa razão, o estudo das teologias, da área de Ciências Humanas
conforme classificação CAPES/CNPq, não pode prescindir de conhecimentos das
ciências humanas e sociais, da filosofia, da história, da antropologia, da
sociologia, da psicologia e da biologia entre outras. Essas ciências permitem
estudar o universo teológico respeitando o princípio da “exclusão da
transcendência”, condição da abordagem científica, ou seja, não se trata de
afirmar ou negar a veracidade das afirmações teológicas, mas, sim, estudar o
modo como elas surgem, como se manifestam e como atuam nas diferentes dimensões
da vida, das experiências e do conhecimento humano. O estudo da teologia deve,
ainda, buscar diálogo com outras áreas científicas, possibilitando estudos interdisciplinares.”
(Grifos nossos)
Atualmente, mesmo as disciplinas de cultura geral
do nosso currículo são ministradas embaixo de uma cosmovisão cristã, isto é, o
conteúdo é examinado sob o prisma da Teologia Reformada. Veja, por exemplo, as
ementas de Psicologia e Sociologia do currículo atual:
Psicologia Geral (CG07):
Investiga os aspectos psicológicos da personalidade humana. Inclui os
fundamentos da Psicologia e das principais escolas de Psicologia à luz da
Teologia Reformada. Envolve análise crítica, engajamento e reflexão teológica.
Sociologia Geral (CG10):
Introduz os alunos aos conceitos básicos da Sociologia. Estuda o fato social,
grupos sociais, método sociológico, elementos estruturais, atividades e funções
dos grupos, fatores da vida e do progresso social, sob a ótica
bíblico-reformada.
Se a proposta do modelo híbrido fosse aprovada, nós
perderíamos este prisma cristão sobre várias disciplinas.
2) Em um curso hibrido, com 4 anos de faculdade
normal, perderíamos o ambiente de piedade e comunhão entre futuros pastores,
próprio dos nossos seminários. Qualquer faculdade vinculada ao MEC tem de ter
vestibular aberto a quaisquer interessados. Teríamos, portanto, estudantes não
interessados no ministério sagrado e, possivelmente, até não crentes fazendo o
curso. Lembro-me que quando cursei a pós-graduação em Ciências da Religião, na
Universidade Presbiteriana Mackenzie, tinha como colega de classe uma jovem
espírita.
3) Em um curso híbrido perderíamos também o
“currículo informal”, isto é, o aprendizado a partir do exemplo e da
convivência com professores, em sua maioria, pastores. Em um curso híbrido,
reconhecido pelo MEC, o corpo docente não necessariamente seria de pastores.
Hoje em nossos seminários o convívio com pastores é um currículo a parte. O relato
de suas experiências no campo, de como lidam com problemas ministeriais e do
dia-a-dia da igreja é algo que não pode ser perdido, pois é precioso ao aluno.
10º Mito:
Presbitérios podem enviar seus candidatos a seminários que não são da IPB
Não. Pelas nossas leis,
presbitérios não podem enviar candidatos a seminários de fora da IPB. Pouca
gente observa o que prescreve o artigo 118 da nossa Constituição. É um artigo
difícil de ser interpretado, mas acompanhe o raciocínio:
O artigo diz: "Ninguém
poderá apresentar-se para licenciatura sem que tenha completado o estudo das
matérias dos cursos regulares de qualquer dos seminários da Igreja
Presbiteriana do Brasil." Observe: Ninguém pode se apresentar sem ter
completado as matérias dos cursos regulares de qualquer dos seminários da IPB.
Este artigo fecha as portas para alguém fazer outro seminário, que não um dos 8
seminários da IPB.
Mas, e o parágrafo 1º? Ele não
permite que um presbitério encaminhe aluno para seminário não presbiteriano?
Não permite. Observe bem o que ele diz: "§ 1º. Em casos excepcionais,
poderá ser aceito para licenciatura candidato que tenha feito curso em outro
seminário idôneo ou que tenha feito um curso teológico de conformidade com o
programa que lhe tenha sido traçado pelo Presbitério."
O artigo não fala que, em
casos excepcionais poderá ser enviado para outro seminário. Mas fala do
candidato que está se apresentando para licenciatura e já fez um curso em outro
seminário. Veja novamente: "candidato que tenha feito curso em outro seminário".
Ele já está no final do processo, com curso pronto. Os legisladores
vislumbraram a situação de alguém que veio de outra denominação com um curso
concluído e agora quer ser ordenado na IPB. Neste caso, de acordo com as
últimas resoluções do Supremo Concílio, o presbitério deve juntar toda a
documentação do seminário deste candidato e enviá-la à Junta de Educação
Teológica da IPB para que ela averigue a idoneidade do Seminário. Mas, o envio
do candidato, no início do processo, deve ser a um seminário da IPB.
Note que o caput do Artigo 118
fala da regra: ninguém pode se apresentar sem curso de seminário da IPB. Ele
abrange o envio do candidato. Já o parágrafo 1º não trata do envio, mas da
excepcionalidade de se receber alguém com curso pronto, vindo de outra
denominação. E isso não pode anular a regra estabelecida no caput. Na última
reunião do Supremo Concílio, em 2010, foi reafirmada a resolução da CE-2008,
justamente com a interpretação dada acima:
“CE-SC/IPB-2008
RESOLVE: 1. Tomar conhecimento; 2. Responder que são seminários idôneos aqueles
cujos conteúdos programáticos oferecidos estejam de acordo com a
confessionalidade da Igreja Presbiteriana do Brasil; 3. Responder que a
competência para aferir a idoneidade dos seminários é da JET, segundo decisões SC-94-024
- Doc. CCXXVIII; CE-SC/IPB-2000-Doc.CV; 4. Reafirmar a resolução SC-70-097-
Recomendar a todos os presbitérios da IPB que encaminhem os seus candidatos ao
Sagrado Ministério aos seminários da Igreja Presbiteriana do Brasil".
(SC/IPB-2010 - DOC.CXLIII)
Louvado
seja Deus, pois mesmo com as falhas próprias de sistemas conduzidos por homens,
a educação teológica de nossa Igreja vai muito bem e tende a ficar ainda melhor.
A JET tem feito um trabalho primoroso na superintendência dos seminários e
institutos bíblicos de nossa denominação e está trabalhando agora na
padronização dos conteúdos programáticos dos Seminários, para aprovação do
próximo SC. Isto fortalecerá e consolidará a formação teológica de nossa Igreja.
Que o
Senhor da Seara continue enviando trabalhadores (Mt 9.38) e que nós, conselhos,
presbitérios e seminários, sejamos zelosos na preparação deles.
May 22, 2013
A simplicidade do evangelho e a sofisticação da Igreja
O evangelho de Jesus Cristo é simples. Simples na forma e simples no conteúdo. A vida e o ministério de Jesus acontecem num cenário simples. Ele anunciou as boas novas do reino de Deus, demonstrou a presença do reino através de palavras, exemplos e ações. Convidou pessoas para estarem e aprenderem com ele. Sofreu as incompreensões do sistema religioso e político do seu tempo. Morreu e ressuscitou. Após a ressurreição, encontrou-se com seus discípulos e comunicou-lhes que recebera toda autoridade no céu e na terra, e que, como Rei e Senhor, enviou seus discípulos para anunciarem as boas novas, levando homens e mulheres a guardarem tudo o que ele ensinou, integrando-os numa comunidade trinitária por meio do batismo, e prometeu estar com eles todos os dias, até o fim.
Alguns dias depois, no meio da festa de Pentecostes, 120 discípulos estavam reunidos em Jerusalém, e a promessa de Jesus se cumpriu. Todos foram cheios do Espírito Santo, começaram a viver a nova realidade anunciada por Jesus, saíram alegremente, por todo canto, pregando a boa notícia de que Deus visitou seu povo e trouxe salvação, justiça e liberdade.
A história seguiu e os cristãos foram se multiplicando, organizando igrejas, criando instituições, formas e ritos. Porém, as instituições cresceram e suas estruturas se tornaram mais complexas e sofisticadas. Transformaram-se num fim em si mesma. A simplicidade do evangelho foi substituída pela complexidade institucional.
C. S. Lewis, na carta 17 do livro “Cartas de um Diabo a seu Aprendiz”, aborda o tema da glutonaria e afirma que uma das grandes realizações do maligno no último século foi retirar da consciência dos homens qualquer preocupação sobre o assunto, e isso aconteceu quando ele transformou a “gula do excesso na gula da delicadeza”. Para C. S. Lewis, o problema da gula, muitas vezes, não está no excesso de comida, mas na sofisticação, na exigência de detalhes em relação ao vinho, ao ponto do filé ou ao cozimento da massa. Fica impossível atender a um paladar tão sofisticado. A simplicidade do ato de comer dá lugar à sofisticação gastronômica. Pessoas assim, segundo o autor inglês, demitem cozinheiras, destratam garçons, abandonam restaurantes, cultivam relacionamentos falsos e terminam a vida numa solidão amarga.
Como igreja, corremos o mesmo risco. A simplicidade e pureza do evangelho já não provocam prazer na maioria dos cristãos ocidentais. A sofisticação da igreja, sim. É o vaso tornando-se mais valioso que o tesouro contido nele. Se a música não estiver no volume perfeito, o ar condicionado no ponto exato, a pregação no tempo apropriado, com conteúdo que agrade a todos os paladares e com o bom uso dos aparatos tecnológicos, talvez eu não me agrade desta igreja.
Justificamos a sofisticação com expressões como “busca por excelência”, “relevância”, “qualidade”. Parece justo. O problema é que a excelência ou a relevância do evangelho está exatamente na sua simplicidade. É cada vez mais fácil encontrar cristãos que acharam a “igreja certa” do que os que simplesmente encontraram o evangelho. A sofisticação da igreja mantém o cristão num estado de espiritualidade falsa e superficial. A maior deficiência do cristianismo não está na forma, mas no conteúdo.
A verdadeira experiência espiritual requer um coração aquecido e não sentidos aguçados. Precisamos elevar nossos afetos por Cristo, seu reino, sua Palavra e seu povo, e não os níveis de sofisticação e exigências institucionais. O vaso deve ser de barro, sempre. O tesouro que ele guarda, o evangelho simples de Jesus Cristo, é que tem grande valor. A sofisticação produz queixas, impaciência, falta de caridade e egoísmo. A simplicidade sempre nos conduz a compaixão, sinceridade, devoção e auto-doação.
• Ricardo Barbosa de Sousa é pastor da Igreja Presbiteriana do Planalto e coordenador do Centro Cristão de Estudos, em Brasília. É autor de “Janelas para a Vida” e “O Caminho do Coração”.
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