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November 30, 2015

7 motivos para você trabalhar na Igreja


Quando chega o final do ano é comum as igrejas tratarem das eleições e nomeações daqueles que vão trabalhar no ano seguinte. Se o seu nome for eleito ou nomeado para algum cargo, antes de recusar, leia o texto abaixo:

1. Por obediência a Deus. A Bíblia diz que nós somos servos de Deus, assim, devemos trabalhar para ele com alegria. A Palavra diz também que devemos ser generosos no trabalho, sabendo que, no Senhor, o nosso trabalho nunca é em vão (1Co 15.58).

2. Para descobrir quais são seus dons e talentos. A Bíblia mostra que Deus concede dons e talentos ao seu povo, para edificação e desenvolvimento de sua Igreja (Ef 4.7,8).

3. Para ser alvo e canal de bênção na vida das pessoas. Trabalhando para o Senhor, você se torna alvo de suas bênçãos. Deus te dá mais conhecimento, mais consagração, mais responsabilidade e torna você um canal de bênção na vida dos outros. Deus usa você como ferramenta para a edificação dos seus irmãos (Ef 4.12). 

4. Para obter novos conhecimentos. Trabalhando na Igreja você tem a oportunidade de aprender coisas novas, desenvolver-se pessoalmente e aperfeiçoar-se na vida cristã (Ef 4.13).

5. Para amadurecer na fé. Aqueles que se envolvem nos trabalhos da igreja experimentam amadurecimento na vida cristã. Muitos dos que são críticos, quando começam a trabalhar, percebem que alguns problemas não são tão fáceis de se resolver, pois pessoas são complexas e pecadoras (Ef 4.14).

6. Para colaborar com o desenvolvimento da Igreja. Trabalhando na igreja você coopera com o crescimento dela. O desenvolvimento de uma igreja não depende do pastor, mas de todo o corpo (Ef 4.15,16).

7. Para fazer parte da história das pessoas. Trabalhando na igreja você acaba fazendo parte da história de vida das pessoas. Seja pelo fato de você as ter ensinado algo que mudará suas vidas ou pelo fato de as ter ajudado. Eu me lembro ainda hoje, com muito carinho e gratidão, das professoras de Escola Dominical na minha infância. Elas foram usadas por Deus em minha vida (Fp 1.3-5). 

Por isso, não recuse convites para trabalhar na obra do Senhor. Quando você é eleito ou nomeado para uma função, os instrumentos são humanos, mas o chamado é do próprio Deus.

November 19, 2015

Uma Breve Lista de Cientistas Cristãos


Quando alguém disser que o Cristianismo representa o retrocesso da humanidade, que o mundo seria melhor sem ele, etc... apresente esta listinha de cientistas cristãos:

- Antony Hewish – Físico, Prêmio Nobel de Física de 1974
- Arno Allan Penzias – Físico, Prêmio Nobel de Física de 1978
- Arthur Holly Compton – Físico, Prêmio Nobel de Física de 1927
- Arthur L. Schawlow – Físico, Prêmio Nobel de Física de 1981
- Blaise Pascal – Matemático
- Carolus Linnaeus – Fundador da Biologia Sistemática Moderna
- Charles Babbage – Matemático e criador do computador
- Charles Bells – Anatomista - o primeiro homem a mapear extensivamente o cérebro e o sistema nervoso.
- Charles Townes – Físico, Prêmio Nobel de Física de 1964
- Francis Collins – Geneticista, Diretor do Projeto Genoma Humano
- Friedrich Dessauer - Físico, pai da engenharia biomédica
- Georges Cuvier - Fundador dos estudos da Paleontologia e Anatomia Comparativa
- Georges Lemaître - Engenheiro, Físico, Astrônomo, pai da teoria do “big-bang”
- Gottfried Wilhelm Leibniz - Matemático, engenheiro e filósofo
- Gregor Mendel – Pai da Genética
- Isaac Newton – Formulador da estrutura matemática para o cálculo dos movimentos de todos os corpos do Universo, formulador da Lei da Gravidade, criador do telescópio refletor, etc...
- Johannes Kepler – Astrônomo e matemático
- John Bartram - Botânico – classificou praticamente todas as plantas existentes dos EUA, em sua época.
- John Flamsteed – Astrônomo, criador do primeiro catálogo de estrelas moderno. 
- John Mitchell - "O pai da Sismologia" e o primeiro a considerar a existência de buracos negros.
- John William Strutt – Físico, Prêmio Nobel de Física de 1904
- Karl Ernst von Baer - Biólogo, pai da embriologia
- Karl Friedrich Gauss - Matemático e físico
- Leonhard Euler - Matemático e físico
- Louis Agassiz – Geólogo, Paleontólogo - considerado "O Pai da Ciência Glacial"
- Louis Pasteur – Químico e microbiologista
- Max Planck – Físico, Prêmio Nobel de Física de 1919
- Michael Faraday - Descobridor da indução eletromagnética e fundador da Teoria do Campo Eletromagnético.
- Nevill Mott – Físico, Prêmio Nobel de Física de 1977.
- Robert Boyle – Fundador da Química moderna. 
- Roger Bacon – Precursor do Método Científico. Foram seus estudos e experimentos que deram origem, logo após a sua morte, aos óculos e, posteriormente, ao microscópio e ao telescópio.
- Ruy Barbosa de Oliveira - Filólogo e cientista político
- Samuel Morse – Inventor do telégrafo
- Stephen Hales – Fisiologista e Químico. Foi o primeiro a fazer a medição quantitativa da pressão sanguínea. Foram seus experimentos que proporcionaram a criação dos instrumentos usados até hoje para medir a pressão arterial.
- Thomas Edison – Inventor da lâmpada, do gramofone, do cinetoscópio, da locomotiva.
- Werner Heisenberg – Físico, Prêmio Nobel de Física de 1932
- William Daniel Phillips – Físico, Prêmio Nobel de Física de 1997
- William Herschel – Astrônomo, descobridor do planeta Urano.

September 4, 2015

Lágrimas por Aylan


O mundo amanheceu mais triste com a terrível cena do corpo de Aylan Kurdi, um garoto de apenas 3 anos de idade, estirado em um praia da Turquia, afogado por conta de um naufrágio. Aylan e mais 11 refugiados sírios morreram em uma pequena embarcação tentando chegar à ilha de Cos na Grécia. Aliás, mais de 300 mil imigrantes já arriscaram suas vidas este ano tentando atravessar o Mediterrâneo  para chegar na Europa. Sem entrar no mérito do problema migratório, que é complexo, e falando do pequeno Aylan, esta situação angustiante nos traz algumas lições:

A primeira, é que o mundo evoluiu em termos científicos e tecnológicos, mas não em questões humanitárias. A maior parte dos líderes mundiais toma suas decisões pensando nos aspectos econômicos e não pelo prisma humanitário. A ciência evoluiu, mas o ser humano continua pecador, e por causa disso, egoísta e autocentrado.

A segunda lição é que ainda há um reflexo do amor de Deus nos sentimentos da humanidade. A Europa hoje está chorando a morte de Aylan. Isso mostra que o Materialismo e o Ateísmo ainda não conseguiram apagar a imagem de Deus gravada no coração do ser humano. Isso deve nos animar a continuar enviando missionários para o Velho Mundo, a fim de que eles olhem para suas origens cristãs e retornem aos caminhos do Senhor.

Quanto a Aylan, retirado desta vida com apenas 3 anos de idade, eu tenho boas esperanças de que o nosso Deus amoroso tenha compensado seu sofrimento com a salvação eterna. O Deus que elege é Deus bondoso e gracioso. Nos firmemos nisto.

Se preferir em áudio, clique para ouvir

August 11, 2015

Mudanças na Confissão?


Gordon Clark

Visto que ninguém alega que a Confissão de Westminster é inerrante, ela está teoricamente sujeita a melhoria. Mas assumindo que o objetivo da reformulação inclua a preservação de todo o pensamento inalterado, e que não se trata de uma dissimulação para rebaixar os padrões, alguém deve ainda fazer duas perguntas: a geração atual é capaz de melhorar o credo? E, se sim, valeria a pena a energia?
Uma resposta à segunda pergunta seria um subsídio do governo para que centenas de teólogos pudessem se encontrar por cinco anos numa catedral nacional. Ou agora somos tão hábeis que um comitê de três poderiam fazer o trabalho num verão?
Não seria uma tarefa fácil. Quem desempenharia o papel de George Gillespie? Ou do moderador Twisse? E de Samuel Rutherford? A capacidade teológica de tais homens era enorme; o dr. J. Gresham Machen afirmou que ela não poderia ser duplicada hoje.
Em adição ao conhecimento de teologia deles, o domínio do inglês é dificilmente igualado numa época em que Joãozinho não pode ler.  Exemplos de palavras e fraseologia, a precisão das quais os teólogos contemporâneos poderiam ser duramente impelidos a duplicar, são os verbos “imputar” e “transmitir” e a frase “qualquer bem espiritual que acompanhe a salvação”.
O que parece mais necessário é um estreitamento dos votos de ordenação que hoje permitem uma subscrição muito vaga ao “sistema de doutrina”, e não severamente a cada uma das doutrinas.
Finalmente, a única coisa que eu mudaria seria adicionar a palavra “inerrante”.

Fonte: The Presbyterian Journal, 21 de junho de 1978, p. 9. Via site Monergismo
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto, 10/04/2015.

June 15, 2015

Cristo cumpriu os 10 Mandamentos

Por Mark Jones
Adão quebrou os Dez Mandamentos no Éden. Mas Cristo guardou os dez mandamentos no “deserto”, sob circunstâncias muito mais intensas do que aquelas às quais Adão foi submetido.
Guardou o primeiro mandamento. Ele trouxe glória a Deus o Pai enquanto esteve na terra (Jo 17.4). Temeu, creu, e confiou em seu Pai (Hb 2.13; 5.7; Lc 4.1-12). Cristo zelou pela glória de seu Pai (Jo 2.17) e foi constantemente grato ao seu Pai (Jo 11.41). Ele prestou completa obediência ao Pai em todas as coisas (Jo 10.17; 15.10).
Guardou o segundo mandamento. Ninguém jamais cultuou como Cristo (Lc 4.16). Ele leu, pregou, orou e cantou a Palavra de Deus com um coração puro (Sl 24.3-4). Ele condenou o falso culto (Jo 4.22; Mt 15.9). Além disso, aquele que era a imagem visível de Deus não precisou fazer imagens ilícitas de Deus.
Guardou o terceiro mandamento. Como portador da imagem de Deus (Cl 1.15), ele revelou o Pai de modo perfeito (Jo 14.9). Falou somente aquilo que havia recebido do Pai (Jo 12.49). Em outras palavras, ele jamais tomou o nome de Deus em vão, mas falou apenas a verdade sobre o Pai e trouxe glória ao Pai por viver em conformidade com quem ele é (o Filho de Deus).
Guardou o quarto mandamento. “Entrou num dia de sábado, segundo o seu costume, na sinagoga…” (Lc 4.16). Ele fez obras de piedade, misericórdia e necessidade no dia de descanso (e.g.: Mc 2.23-28). Além disso, o Senhor do Sábado assegurou nosso sabá eterno por meio de sua morte na cruz, permanecendo no sepulcro no sábado, e ressurgindo no domingo.
Guardou o quinto mandamento. Ele sempre fez aquilo que agradava a seu Pai celestial (Jo 8.29). Sobre a cruz, mesmo enquanto estava morrendo, preocupou-se em cuidar de sua mãe (Jo 19.27). Ele também guardou as leis terrenas (Mc 12.17; Mt 17.24-27).
Guardou o sexto mandamento. Jesus preservou a vida. Ele fez isso física e espiritualmente. Ele salvou pecadores de seus pecados (Jo 5.40). E também curou muitas pessoas (Mt 4.23). Foi manso, gentil, amável e pacífico enquanto esteve na terra (e.g.: Mt 11.29). Sua vida foi de misericórdia e compaixão (e.g.: Lc 18.35-43).
Guardou o sétimo mandamento. Cristo, o marido, entregou sua vida por sua noiva (Ef 5.22-33). Embora eu não tenha dúvidas de que ele achava algumas mulheres atrativas, ele jamais cruzou os limites adequados com respeito à interação entre homens e mulheres, e seus pensamentos sempre foram puros com respeito a pessoas do sexo oposto (cf. 1Tm 5.2).
Guardou o oitavo mandamento. Cristo doou livremente (Jo 2.1-11). Ele se opôs ao roubo (Jo 2.13-17). João 2 retrata, entre outras coisas, Cristo guardando o oitavo mandamento. Aquele que era rico se tornou pobre para que nós, em nossa pobreza, pudéssemos nos tornar ricos (2Co 8.9).
Guardou o nono mandamento. Ele sempre falou a verdade (Jo 8.45-47) porque falou somente as palavras que o Pai lhe havia dado (Jo 12.49). Ele defendeu a verdade porque ele é a Verdade (Jo 1.14, 17; 14.6). Ele não maquiou a verdade (Mt 23), não a falou fora de tempo ou a sonegou (Mt 26.64).
Guardou o décimo mandamento.  Aquele que é dono do céu e da terra é aquele que também disse: “As raposas têm covis, e as aves do céu, ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça” (Lc 9.58). Aquele que poderia facilmente saciar sua própria necessidade e desejo contentou-se com aquilo que vinha da mão do Pai (Lc 4.1-12). Ele não cobiçou aquilo que não era propriamente seu, mas com paciente resistência recebeu sua herança por meio da cruz.
Nos círculos reformados devemos, em nossa pregação, fazer um melhor trabalho em explicar como Cristo guardou perfeitamente a lei. Uma coisa é dizer e sempre repetir: “Jesus guardou a lei perfeitamente por nós [como um pacto de obras] para que pudéssemos ser salvos”; mas outra coisa é explicar precisamente como ele guardou a lei e o que estava envolvido nessa guarda da lei. Ouvir sobre a obediência ativa de Cristo e sobre a imputação gratuita de Deus a nós, por meio da fé, dessa obediência ativa, não deve nunca ser algo que se resuma a frases de efeito.
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Fonte: Monergismo

June 5, 2015

Desabafo de uma Mulher Moderna


Por Ana Kessler

São 7hs. O despertador canta de galo e eu não tenho forças nem para atirá-lo contra a parede. Estou TÃO acabada, não queria ter que trabalhar hoje. Quero ficar em casa, cozinhando, ouvindo música, cantarolando...

Se tivesse filhos, gastaria a manhã brincando com eles, se tivesse cachorro, passeando pelas redondezas. Aquário? Olhando os peixinhos nadarem. Espaço? Fazendo alongamento. Leite condensado? Brigadeiro. Tudo menos sair da cama, engatar uma primeira e colocar o cérebro pra funcionar. Gostaria de saber quem foi a mentecapta, a matriz das feministas que teve a infeliz idéia de reivindicar direitos à mulher e por quê ela fez isso conosco, que nascemos depois dela. Estava tudo tão bom no tempo das nossas avós, elas passavam o dia a bordar, a trocar receitas com as amigas, ensinando-se mutuamente segredos de molhos e temperos, de remédios caseiros, lendo bons livros das bibliotecas dos maridos, decorando a casa, podando árvores, plantando flores, colhendo legumes das hortas, educando crianças, freqüentando saraus, a vida era um grande curso de artesanato, medicina alternativa e culinária. Aí vem uma fulaninha qualquer que não gostava de sutiã tampouco de espartilho, e contamina várias outras rebeldes inconseqüentes com idéias mirabolantes sobre 'vamos conquistar o nosso espaço'. Que espaço, minha filha? Você já tinha a casa inteira, o bairro todo, o mundo aos seus pés. Detinha o domínio completo sobre os homens, eles dependiam de você para comer, vestir, e se exibir para os amigos, que raio de direitos requerer?

Agora eles estão aí, todos confusos, não sabem mais que papéis desempenhar na sociedade, fugindo de nós como o diabo da cruz. Essa brincadeira de vocês acabou é nos enchendo de deveres, isso sim. E nos lançando no calabouço da solteirice aguda. Antigamente, os casamentos duravam para sempre, tripla jornada era coisa do Bernard do vôlei - e olhe lá, porque naquela época não existia Bernard e, se duvidar, nem vôlei.

Por quê, me digam por quê um sexo que tinha tudo do bom e do melhor, que só precisava ser frágil, foi se meter a competir com o macharedo? Olha o tamanho do bíceps deles, e olha o tamanho do nosso. Tava na cara que isso não ia dar certo. Não agüento mais ser obrigada ao ritual diário de fazer escova, maquiar, passar hidratantes, escolher que roupa vestir, que sapatos, acessórios, que perfume combina com o meu humor, de ter que sair correndo, ficar engarrafada, correr risco de ser assaltada, de morrer atropelada, passar o dia ereta na frente do computador, com o telefone no ouvido, resolvendo problemas. Somos fiscalizadas e cobradas por nós mesmas a estar sempre em forma, sem estrias, depiladas, sorridentes, cheirosas, unhas feitas, sem falar no currículo impecável, recheado de mestrados, doutorados, e especializações.


Viramos super mulheres, continuamos a ganhar menos do que eles. Não era muito melhor ter ficado fazendo tricô na cadeira de balanço? Chega, eu quero alguém que pague as minhas contas, abra a porta para eu passar, puxe a cadeira para eu sentar, me mande flores com cartões cheios de poesia, faça serenatas na minha janela - ai, meu Deus, 7h30, tenho que levantar!, e tem mais, que chegue do trabalho, sente no sofá, coloque os pés pra cima e diga 'meu bem, me traz uma dose de whisky, por favor?' Descobri que nasci pra servir. Cês pensam que eu tô ironizando? Tô falando sério! Estou abdicando do meu posto de mulher moderna... Troco pelo de Amélia. Alguém se habilita? 

May 17, 2015

Sábado para Domingo: O Dia Mudado: A Obrigação não Mudada - Joseph A. Pipa


No segundo século, um herege chamado Marcião ensinou uma forma de gnosticismo cristão. Ele distinguia entre o Deus do Antigo Testamento e o Deus revelado em Jesus Cristo. Ele negava que Cristo fosse verdadeiro homem e também rejeitava o casamento. Visto que muitas de suas doutrinas eram contrárias ao Antigo Testamento e porções do Novo, ele desenvolveu seu próprio cânon (livros aceitos da Bíblia). A Bíblia de Marcião incluía só um Evangelho editado de Lucas e dez das Epístolas de Paulo. Nem é preciso dizer que, se o indivíduo edita a Bíblia, ele pode conseguir que ela diga o que ele quer.

Hoje, um grande número de cristãos está editando suas próprias Bíblias. Mesmo que teoricamente aceitem o Antigo Testamento como parte da Bíblia, basicamente ignoram seu ensino ético. Crêem na sua história, apontam para suas profecias que foram cumpridas em Cristo, mas insistem que suas doutrinas e regras devem estar repetidas no Novo Testamento para que sejam imperativas para a igreja de hoje. Para todos os efeitos, eliminam da Bíblia grande parte do Antigo Testamento.

Em resposta, os teólogos pactuais reformados afirmam a unidade da Bíblia: que tudo que o Novo Testamento não revoga permanece efetivo. Por exemplo, muito daquilo que os cristãos crêem e ensinam sobre o casamento e a família está revelado no Antigo Testamento. A doutrina nossa do pacto e do lugar de nossos filhos no pacto se baseia, em parte, nos procedimentos de Deus com seu povo nas Escrituras do Antigo Testamento. De modo semelhante, os alicerces da doutrina do sábado como instituição cristã foram construídos nas Escrituras do Antigos Testamento. Buscamos estabelecer, a partir de Gênesis 2.1-3 e Êxodo 20.8-11, que a observância do sábado é uma exigência moral permanente. Essa convicção é confirmada na gloriosa promessa de Isaías 58.13,14. Portanto, a não ser que o Novo Testamento revogue essa ordenança, ela permanece em vigor. Alguns sugerem que Jesus anulou a observância do sábado em Mateus 12.1-14; já vimos, entretanto, que Jesus restaurou o sábado e nos deu diretrizes de grande auxílio pelos quais devemos examinar nosso comportamento nesse dia.

O ensino de Paulo

Há outros que sugerem que o apóstolo Paulo repudiou a idéia da observância do sábado. Esses adversários do sábado neotestamentário baseiam seus argumentos em três textos. O primeiro é Romanos 14. 5,6:

“Um faz diferença entre dia e dia; outro julga iguais todos os dias. Cada um tenha opinião bem definida em sua propriamente. Quem distingue entre dia e dia para o Senhor o faz; e quem come para o Senhor come, porque dá graças a Deus, e quem não come para o Senhor não come e dá graças a Deus”.

O segundo é Gálatas 4.10, 11:

Guardais dias, e meses, e tempos, e anos. Receio de v6s tenha eu trabalhado em vão para convosco”. [NT]

O terceiro é Colossenses 2.16, 17:

Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados, porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir, porém o corpo é de Cristo”.

Os adversários da guarda do sábado mantêm que a igreja neotestamentária não é mais obrigada a observar um dia especial, e existem alguns que vão mais longe para dizer que observar o sábado no primeiro dia da semana é uma forma de judaizar. De acordo com eles, guardar o sábado rouba da pessoa a liberdade cristã; um indivíduo pode observar o dia que preferir, mas não pode exigir que outros o observem.

Essa visão se deve a um mal-entendido do que Paulo está dizendo nessas passagens. O texto-chave para o entendimento da visão de Paulo é Colossenses 2.16, 17. Essa passagem não só nos ajuda a compreender a abordagem de Paulo aos “dias”, como também ensina que não podemos observar o sábado judeu ( ou judaico) do sétimo dia. Em outras palavras, Paulo anula a observância do sétimo dia, mas não o princípio envolvido na lei do sábado.

Uma rápida verificação do contexto nos ajudará a entender corretamente a proibição de Paulo. No livro de Colossenses, Paulo está contra-atacando uma heresia híbrida que combinava a doutrina judaizante da salvação pelas obras, que incluía a observância da lei cerimonial com a filosofia ascética do agnosticismo, que ensinava que Cristo era uma emanação de Deus por intermédio de uma série de seres divinos menores, com a adoração dos anjos e a abstinência de certas comidas e prazeres materiais e físicos.

Em Colossenses 2, Paulo estabelece a autoridade suprema do Senhor Jesus Cristo como Salvador e Legislador. Ele ensina que nós não servimos Cristo pela obediência a leis, tradições e cerimônias de fabricação humana. Além disso, não chegamos a conhecer Deus por meio da filosofia do mundo, mas sim por meio da revelação de Deus nas Escrituras. À luz dessas coisas ele diz: “Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados”. Na primeira metade do versículo, ele trata da afirmação de que, por serem certos alimentos imundos, os verdadeiramente santos irão se abster de comê-los. Mais tarde Paulo faz referência às doutrinas ascéticas a que ele se opõe:

...ordenanças: não manuseies isto, não proves aquilo, não toques aquiloutro -segundo os preceitos e doutrinas dos homens ? Pois que todas estas coisas, com o uso, se destroem. Tais coisas, com efeito, têm aparência de sabedoria, como culto de si mesmo, e de falsa humildade, e de rigor ascético, todavia, não têm valor contra a sensualidade” ( CI 2.20-23 ).

Nessa passagem, ele repudia todo ensino ascético sobre alimentos. A Escritura ensina claramente que um cristão pode comer e beber com moderação qualquer coisa que Deus tenha dado (81 104.15, Mc 7.19; 1Tm 4.3-6).

No versículo 16 (em Cl 2), Paulo trata do assunto dos dias: “Ninguém vos julgue por causa de dia de festa, ou lua nova, ou sábados”. Está Paulo anulando a observância do sábado como tal, ou a observância do sábado do sétimo dia junto com os outros dias cerimoniais? Encontramos a resposta a essa pergunta ao examinarmos os três termos que Paulo usa: “dia de festa ou lua nova ou sábado (ou dias de sábado)”. Esses três termos são usados frequentemente no Antigo Testamento para descrever os vários dias cerimoniais que o povo de Deus era obrigado a observar.

Por exemplo, 2 Crônicas 31.2,3, descrevendo as reformas de Ezequias, diz:

Estabeleceu Ezequias... a contribuição que fazia o rei da sua própria fazenda... destinada para os holocaustos, para os da manhã e os da tarde e para os holocaustos dos sábados, das Festas da Lua Nova e das festas fixas, como está escrito na lei do Senhor”.

E com respeito às reformas de Neemias, ouvimos:

Também sobre nós pusemos preceitos, impondo-nos cada ano a terça parte dum siclo para o serviço da casa de nosso Deus: para os pães da proposição, e para a contínua oferta de manjares, e para o contínuo holocausto dos sábados e das Festas da Lua Nova, e para as festas fixas, e para as coisas sagradas...” (Ne 10.32,22).

A tradução grega desses trechos (na chamada Septuaginta) usa exatamente os três termos que Paulo usa em Colossenses 2.16.

Levítico 23 faz um comentário detalhado desses termos. Nesse capítulo, Moisés coloca o calendário litúrgico todo da igreja do Antigo Testamento. Os versos 1-3 tratam do sábado semanal:

Fala aos filhos de Israel e dize-Ihes: As festas fixas do Senhor; que proclamareis, serão santas convocações; são estas as minhas festas. Seis dias trabalhareis, mas o sétimo será o sábado do descanso solene, santa convocação; nenhuma obra fareis; é sábado do Senhor em todas as vossas moradas”.

À luz disso, vemos que Paulo usa o termo “dias de sábado” para incluir o sábado do sétimo dia.

Nos versículos 4 a 44 do capítulo 23, Moisés explica as grandes festas da igreja do Antigo Testamento: a Páscoa, ao qual está ligada a Festa dos Pães Asmos, a Festa do Pentecostes e a Festa dos Tabemáculos. Paulo chama estas pelo termo “festas”.

Além disso, em Levítico 23.24, 25, Moisés legisla observâncias especiais a serem realizadas no dia primeiro do mês:

“Fala aos filhos de Israel, dizendo: No mês sétimo, ao primeiro do mês, tereis descanso solene, memorial, com sonidos de trombetas, santa convocação. Nenhuma obra servil fareis, mas trareis oferta queimada ao Senhor”.

Paulo tem em mente essa observância quando usa a frase “luas novas”. Assim, com essas três frases, Paulo está descrevendo os dias cerimoniais e sábados do Antigo Testamento, e diz que o cristão não fica sob nenhuma obrigação de observar esses dias.

Essa instrução era necessária no tempo da transição da Antiga Aliança à Nova. Muitos cristãos judeus continuavam a observar as festas e dias especiais da Antiga Aliança. Embora não estivessem sob nenhuma obrigação de fazer assim, já que Cristo cumpriu o que essas festas comemoravam, adoravam-no por meio delas. Durante esse tempo de transição, estavam livres para agir assim. Não foi isso mesmo que Paulo estava fazendo quando foi preso em Jerusalém (At 21.26)? Antes, havia dito que queria estar de volta a Jerusalém a tempo para a Festa de Pentecostes (At 20.16). Embora Pentecostes não fosse uma celebração cristã, durante o período de transição da adoração da Antiga Aliança à adoração da Nova Aliança, os apóstolos e outros cristãos judeus observavam-no para celebrar a obra salvífica de Cristo. Da mesma forma, hoje alguns judeus convertidos com frequência celebram ainda a Páscoa em família para refletir sobre Cristo como o verdadeiro cordeiro Pascoal.

Uma sombra do que virá

Alguns, entretanto, sob o mesmo zelo mal-orientado que motivou os judaizantes a exigirem que os gentios fossem circuncidados, estavam procurando impor esses dias aos cristãos gentios. Em resposta, Paulo repudia qualquer observância obrigatória dos dias religiosos ou festas judaicas, afirmando que a Igreja não poderá exigir a observância de nenhum dia cerimonial do Antigo Testamento, porque foram “sombra das coisas que haverão de vir, porém o corpo é de Cristo” (C12.17). Paulo nos faz lembrar que os rituais do Antigo Testamento prenunciavam a pessoa e obra do Senhor Jesus Cristo. [1] A pessoa e obra de Cristo estão atrás de todas as observâncias cerimoniais do Antigo Testamento: as festas, os sábados da lua nova e o sábado do sétimo dia como o original divino.

Desde a eternidade, Deus, tendo nos escolhido em Cristo, planejou a encarnação e sua grande obra da redenção. Desde o começo da História, quando Deus começou a revelar sua verdade, Deus o Filho, na perspectiva da encarnação, salientou-se acima de todas as coisas. A luz da revelação brilhou sobre ele e projetou uma sombra sobre todos os eventos da revelação do Antigo Testamento. Na providência de Deus, o adorador do Antigo Testamento não pôde ver Cristo claramente; essa visão estava reservada para nós que vivemos na plenitude do tempo (Hb 1.1,2; 11.39,40). Mas por meio dos rituais e cerimônias eles viram, sim, sua sombra poderosa e majestosa.

Assim, todas as partes da adoração cerimonial faziam referência àquele que era a substância. A luz da glória brilhava de tal maneira sobre o Cristo pré-encarnado que sua sombra caiu sobre os i séculos por intermédio dos sacrifícios, do tabernáculo, do templo, do sacerdócio, das escolas dos profetas, dos reis de Israel, das festas, das luas novas dos dias de sábado. Tomemos, por exemplo, o tabernáculo e o templo. João nos diz que a Palavra se tornou carne e tabernaculou entre nós (Jo 1.14). Cristo afirmou que ele era o templo verdadeiro (Jo 2.19), que cumpria tudo que o templo prometia. Ele é o verdadeiro Deus que habita em meio do seu povo.

Depois de seu advento, o templo foi se apagando até perder toda sua significância e não ser mais necessário (10 4.21-24), porque com todas as suas festas e sacrifícios era apenas uma sombra.

De forma semelhante, cada um dos dias cerimoniais apontava para o Senhor Jesus Cristo e seu relacionamento com seu povo. A Festa dos Tabernáculos lhes lembrava que Deus era o Deus da salvação que livrara seu povo, e que eles eram nada mais que peregrinos e viajores nesta terra que estavam indo adiante para uma cidade celestial, indo da sombra para a realidade. No último dia da festa (chamado o oitavo dia como tipo ou prenúncio da ressurreição), enquanto o sacerdote derramava água, Jesus apontou para si: “No último dia, o grande dia da festa, levantou-se Jesus, e exclamou:

Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva” (1o 7.37, 38).

A Páscoa o retratava como o Cordeiro de Deus que veio para tirar o pecado do mundo (Jo 1.29). Junto a essa figura temos a da Festa dos Pães Asmos, um retrato de sua ressurreição (lCo 15.23). Exatamente na manhã em que o sacerdote se punha de pé no templo e movia os primeiros pães de cevada (Lv 23.15-17), Cristo surgia dos mortos, como os primeiros frutos, primícias dos que dormiram.

Pentecostes, a grande festa da colheita, era a sombra do derramamento do Espírito Santo e o ajuntamento das nações para o Senhor Jesus Cristo. Em Pentecostes os judeus observavam a inauguração do pacto no Monte Sinai pelo qual foram feitos reino teocrático de Deus. Portanto, o Pentecostes é cumprido na inauguração da igreja do Novo Testamento com o derramamento do Espírito Santo e o começo da colheita mundial do evangelho.

Israel observava a lua nova com sacrifícios e ritual especial. O primeiro dia do mês era visto como o sábado semanal. O retorno da lua nova provavelmente lembrava ao povo a certeza eterna das promessas pactuais de Deus (Gn 8.21,22; Jr 31.35,36; 33.25,26). E porque Cristo cumpriu todas as promessas do pacto, ele substituirá a luz do sol e da lua (Ap 21.23).

O sinal de maior significância, contudo, foi o sábado do sétimo dia. Quando Adão caiu em pecado, Deus deu a promessa do Salvador. Até que ele viesse, os santos do Antigo Testamento permaneceriam sob a servidão, aguardando o dia de sua herança (Gl 3.23- 26). No sábado do fim da semana, aguardavam a vinda do Messias, o verdadeiro doador do descanso. Portanto, o dia que observavam, o sábado, era sombra da vinda do Salvador. Quando ele veio, ele realmente fez parte de sua obra expiatória no sábado do sétimo dia, ao ficar no túmulo, sofrendo morte e sepultamento em lugar de seu povo. Quando ressurgiu no primeiro dia, entrou no seu descanso.

Embora Paulo não mencione o sábado do sétimo ano e o jubileu, eles também foram cumpridos em Cristo. Como notamos no Capítulo 4, os sábados anuais não só ensinavam o povo a confiar em Deus para sua subsistência, como também os ensinavam a ansiar pelo dia quando a dívida do pecado será remida e os prisioneiros do pecado libertados. Em Lucas 4.18, 19, Jesus, citando Isaías 61.1, 2, aplica a linguagem do jubileu a si mesmo.

Um dia em sete - o modelo que continua

Portanto, o santo do Novo Testamento não é mais obrigado a observar os dias cerimoniais do Antigo Testamento, nem o sétimo dia do Antigo Testamento. Mas repare que nessa argumentação, Paulo nunca abre mão do dever moral de se observar um dia em sete. Como vimos, na criação Deus estabeleceu a obrigação moral de se guardar santo um dia em sete, e repetiu essa obrigação nos Dez Mandamentos, junto com todos os outros grandes princípios da religião revelada. O dia em si, no entanto, não foi parte da exigência moral da lei, e sim uma lei positiva para regulamentar o cumprimento da responsabilidade moral. Portanto, o dia da semana podia ser mudado. O Novo Testamento revoga a observância do sétimo dia, mas nunca a obrigação de guardar um dia em sete como sábado do Senhor. [2]

Está claro que a igreja primitiva continuou a observar um dia em sete. Por que não adotaram outro modelo como cada terceiro dia, ou cada décimo dia? John Owen responde a essa pergunta:

“E embora fique absolutamente certo que outro dia poderia ter sido fixado sob o Novo Testamento, e não um em cada revolução hebdomadária (de sete dias), por seus trabalhos próprios não terem sido bem terminados em seis dias, contudo esse tempo sendo antes fixado e determinado pela lei da criação. nenhuma inovação ou alteração seria permitida no assunto”. [3]

Nem existe qualquer prova de que algum intervalo tenha transcorrido entre a prática do adorar no sétimo dia e o adorar no primeiro dia da semana. A igreja neotestamentária, mantendo a norma de um dia em sete, imediatamente começou a adorar no primeiro dia da semana. E mais, a prática do próprio Paulo confirma que ele não está removendo a observância de um dia em sete, mas sim os dias cerimoniais judaicos. Em Atos 20.7, ele adora com a igreja de Trôade no primeiro dia da semana. Em 1 Coríntios 16.1,2 ele dá a entender que mandava todas as igrejas recolherem sua oferta para os pobres no primeiro dia da semana.

Um entendimento correto de Colossenses 2.16, 17 também nos possibilita interpretar Romanos 14.4-6. Nesse capítulo, Paulo está discutindo leis cerimoniais judaicas. Como em Colossos, algumas pessoas em Roma estavam propondo a observação de certas leis judaicas que diziam respeito a comida e dias santos. Paulo diz que, embora as pessoas sejam livres para seguir as leis judaicas de alimentos e dias santos, elas não poderão exigir que outros sigam tais leis. Paulo, portanto, remove toda e qualquer obrigação de se guardar os dias santos judeus.

Paulo discute a relação do cristão para com a lei cerimonial judaica também em Gálatas 4.10. A lista, “dias, e meses, e tempos, e anos” se refere às várias observâncias cerimoniais do povo da Antiga Aliança, parte daquele velho sistema ao qual os gálatas foram tentados a se tornar escravos.

Portanto, Paulo nunca anulou a obrigação moral de separar um dia em sete para adorar a Deus. O que ele fez foi revogar a prática dos sábados e dias cerimoniais do Antigo Testamento. Vamos resumir o que dissemos até aqui nas palavras de R.L. Dabney:

“Os fatos com os quais todos estamos de acordo, que explicam o sentido dessas passagens do Apóstolo, são os seguintes: Depois de estabelecida a nova dispensação, os cristãos convertidos dentre os judeus geralmente combinavam a prática do judaísmo com as formas do cristianismo. Observavam o dia do Senhor; o batismo e a ceia do Senhor; mas continuavam também a guardar o sétimo dia, a páscoa e a circuncisão. A princípio era proposto por eles impor esse sistema duplo sobre todos os cristãos gentios, mas o projeto foi repreendido pela reunião dos apóstolos e presbíteros em Jerusalém, registrado em Atos 15. No entanto, grande parte dos cristãos judeus... continuava a observar as formas de ambas as dispensações, e os espíritos inquietos dentre as igrejas mistas de convertidos judeus e gentios estabelecidas por Paulo continuavam a tentar impor I isso também sobre os gentios; alguns deles juntavam a essa I teoria ebionita a heresia mais grave de uma justificação por observâncias ritualistas. Assim, nessa época, era esse o quadro. Nas igrejas mistas da Ásia Menor e do Ocidente, alguns irmãos iam à sinagoga no sábado e à reunião da igreja no domingo, guardando os dois dias religiosamente,. enquanto alguns guardavam só o domingo. Alguns se sentiam obrigados a guardar todas as festas e jejuns judaicos, enquanto outros não Ihes davam atenção. E aqueles que não tinham luzes cristãs que Ihes ajudassem a compreender que as observâncias judaicas não eram nada essenciais, sentiam sua consciência oprimida ou ofendida pela diversidade. Foi para resolver esse problema que o Apóstolo escreveu essas passagens. Até aqui estamos de acordo”. [4]
No entanto, prosseguindo, afirmamos que com a mesquinha lista de “dias”, “meses”, “tempos“, “anos”, “dias santos”, “luas novas”, “sábados”, o apóstolo quer dizer as festas judaicas, e apenas essas. A festa dos cristãos, o domingo, não está em questão aqui, porque sobre a observância deste não havia disputa nem diversidade alguma nas igrejas cristãs. Judeus cristãos e gentios cristãos consentiam universalmente na santificação do domingo. Quando assevera que a consideração ao dia, ou a não-consideração a ele, não é essencial, assim como comer ou não comer, a interpretação natural e legítima é que ele quer dizer aqueles dias que estão em questão e não outros. Quando Paulo afirma que 'julga iguais todos os dias' (Rm 14.5), devemos entender que fazia referência a cada um daqueles dias que eram objeto de diversidade -não ao domingo dos cristãos, sobre o qual não havia qualquer discussão. 

Duas lições

Tendo estabelecido, pois, o princípio apresentado por Paulo, podemos extrair duas lições muito importantes. Primeiro, Paulo afirma claramente que a igreja do Novo Testamento não deverá observar o sábado do sétimo dia. Grupos como os Batistas do Sétimo Dia e Adventistas do Sétimo Dia reivindicam que, visto o Quarto Mandamento estar em vigor permanentemente, a igreja deve continuar a observar o sábado do sétimo dia.

Esses grupos mantêm que a igreja primitiva adorava no sétimo dia e só mais tarde, sob Constantino e o papado subsequente o dia de adoração foi mudado para o primeiro dia da semana.

“ ... as pessoas guardam o primeiro dia da semana porque a igreja apóstata dos tempos primitivos emprestou dos r pagãos o costume e passou-o para o protestantismo. Os ! pagãos adoravam o sol nesse dia...”

“O domingo sempre foi o dia do culto pagão. Sempre foi dedicado ao deus do sol Da prática pagã da adoração do sol temos a palavra “domingo“. [NT] Falando das abominações sendo praticadas no tempo de Ezequiel, o profeta disse: 'Levou-me para o átrio de dentro da Casa do Senhor; e eis que estavam à entrada do templo do Senhor; entre o pórtico e o altar; cerca de vinte e cinco homens, de costas para o templo do Senhor e com o rosto para o oriente 1. adoravam o sol, virados para o oriente' (Ez 8.16)”. [5]

Muitos adventistas interpretam o selo sobre os 144 mil de Apocalipse 7 como sendo a adoração do sétimo dia, e vêem Daniel 7.25 como sendo uma profecia de que o apóstata mudaria o dia do sétimo ao primeiro dia da semana.

Mesmo se houvesse evidência de que a igreja primitiva (incluindo os gentios) adorava no sétimo dia (e não há evidência disso), não se pode escapar das referências à adoração do primeiro dia (Atos 20.7; 1Co 16.1,2; e Ap 1.10). Nem podemos escapar da proibição de se guardar o sábado do sétimo dia, de Colossenses 2.16, 17. Para os adventistas, infelizmente, a proibição e prática apostólica não pesam. Um escritor adventista diz: “Seja enfatizado que, mesmo se fosse encontrado apoio apostólico para o domingo, ainda o cristão bíblico não o poderia aceitar. Nem mesmo um apóstolo poderia mudar a lei de Deus”. [6] Uma abordagem tão soberba ao Novo Testamento se deve principalmente a seu compromisso com as profecias de Ellen G. White. Na visão deles, essas profecias têm autoridade divina e têm precedência sobre a prática apostólica. No entanto, o ensino claro da Bíblia é que o sétimo dia foi revogado.

A segunda lição é muito importante para toda essa discussão sobre o dia em que a Igreja deve adorar. Se Paulo revoga o sétimo dia mas não o princípio moral de um dia em sete, como determinamos qual o dia? Temos duas opções: ou a Bíblia nos revela qual o dia apropriado, ou a igreja pode escolher o dia. Muitos, em toda a história da igreja, incluindo Calvino, ensinaram que, como a igreja deve ter um dia para a adoração, ela pode escolher o dia. A Igreja apropriadamente escolheu o primeiro dia por causa da ressurreição. Contudo, fica aí entendido que a igreja está livre para mudar o dia se assim desejar. Lutero ensinou em seu Catecismo Maior:

“Mas visto que a grande maioria está sobrecarregada com negócios, precisa haver algum dia da semana para atenção a esses assuntos, Como o costume inócuo do dia do Senhor conseguiu um consentimento unânime, somente confusão poderia resultar de uma inovação desnecessária”. [7]

Calvino expressa estar de acordo:

“Embora o sábado tenha sido revogado, ainda nos assiste ocasião: (1)para nos reunirmos em dias determinados para o ouvir da Palavra, o quebrar do pão místico e as orações públicas...”; (2) para dar descanso do trabalho a servos e operários... Porém, estamos usando-o como um recurso, um medicamento necessário para se manter ordem na igreja... Também devemos observar juntos a ordem prescrita pela igreja para o ouvir da Palavra, a administração dos sacramentos e as orações públicas”. [8]

Quanto ao dia, Calvino acreditava que a Igreja apostólica escolheu sabiamente o primeiro dia, porque foi o dia da ressurreição de Cristo, Mas diz: “Nem me prendo ao número “sete” de modo a obrigar a igreja sujeitar-se a ele, E não condenarei igrejas que têm outros dias solenes para suas reuniões, contanto que não haja nenhuma superstição”. [9]

Mas de acordo com Paulo em Romanos 14 e Gálatas 4, nenhum homem ou igreja tem a prerrogativa de estabelecer um dia para outros, Portanto, se somos proibidos de adorar no sétimo dia e não podemos legislar um dia, a única alternativa é que Deus já legislou um novo dia. Citando Dabney novamente:

“Se fomos bem-sucedidos em provar que o sábado é uma instituição perpétua, a evidência parecerá perfeita, A lei perpétua do decálogo mandou que todos os homens, em todos os tempos, guardassem um dia de sábado, e “até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da lei, até que tudo se cumpra” (Mt 5,18), O Apóstolo, em Colossenses 2,16, 17, diz-nos claramente que o sétimo dia não é mais nosso sábado, Que dia é, então? Deve ter sido substituído por algum dia, e qual deles é mais provável de ser o substituto verdadeiro senão o dia do Senhor ? A lei não é revogada; não pode ser. Mas Paulo mostrou que ela está mudada, Para qual dia mudou o sábado, senão para o primeiro: nenhum outro dia da semana tem sombra de direito. Precisa ser este, ou nenhum; mas não pode ser nenhum; portanto tem de ser este”. [10]

Como, então, Deus revelou à Igreja a mudança de dia? Buscaremos a resposta a esta pergunta no próximo capítulo.

NOTAS:

[NT] — Gl 4.10-11; "Vocês estão observando dias especiais, meses, tempos definidos e anos! Temo que os meus esforços por vocês tenham sido em vão" (NIV).
[1] — Joseph A. Pipa, Jr., Root and Branch (Filadélfia: Great Comission Publications, 1989), cap. 7-10,
[2] — Ver H.C.G. Moule, Colossians and Philemon Studies (Londres: Pickering & Inglis Ltd) p. 175.
[3] — Owen, p. 362 (com minha ênfase).
[4] — Dabney, Lectures, pp. 385, 386 (ênfase minha)
[NT] — Em inglês, Sun - day, dia do sol. Em contraste, no português: Domingo: (do latim, dies dominicu), dia do Senhor, Novo Dicionário Aurélio).
[5] — Richard Lewis, The Protestant Dilemma (Mountain View, Cal., 1961) pp. 85, 141, citado em Jewett, 113.
[6] — Lewis, p. 103, citado em Jewett, 113.
[7] — Martin Luther, The Larger Catechism (Filadélfia: Fortress Press, 1959), 20.
[8] — John Calvin, lnstitutes of Christian Religion (Filadélfia: The Westminster Press, 1967) II, viii, 32, 33, 34, [As lnstitutas: João Calvino]
[9] — Calvin, II, VIl, 34,
[10] — Dabney, Lectures, 390, 391.

Fonte: O presente artigo é o capítulo 7 do livro O Dia do Senhor, de Joseph Pipa, publicado no Brasil pela Editora Puritanos.

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