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December 27, 2016

Sobre comidas e bebidas...




Quando eu tinha 9 anos de idade, em 1981, o primeiro McDonald’s de São Paulo chegou na Avenida Paulista. Foi um evento! Naquela época não havia muitas opções de restaurantes. Na verdade, ir a um restaurante era algo apenas para quem tinha muito dinheiro. Não havia também a enormidade de shoppings centers que hoje temos no país, com suas grandes praças de alimentação. Em São Paulo, em 1981, só havia dois shoppings. Bebida também era algo de pouca opção: Refrigerantes, tubaína, Tang e algumas poucas marcas de sucos.

Trinta e poucos anos depois e o universo de comidas e bebidas ficou imenso. Você entra em uma praça de alimentação e tem todo tipo de opções, para todos os tipos de paladares e bolsos. Você vai a um hipermercado e encontra todo tipo de bebidas: de refrigerantes a bebidas lácteas, chás, bebidas energéticas, etc...

Os programas de televisão que envolvem gastronomia fazem muito sucesso e alguns alimentos triplicam de preço quando acompanhados do nome “gourmet”. Por exemplo, brigadeiro gourmet, pipoca gourmet e até tapioca gourmet...

A grande pergunta é: Por que o mercado de comida e bebida evoluiu tanto? A resposta não é difícil. Alguém já disse que quando uma sociedade se afasta dos prazeres do espírito, o que restam são os prazeres da carne... Desde a época do profeta Isaías (Is 22.13), passando pelo tempo do apóstolo Paulo (1Co 15.32) e chegando aos nossos dias, o lema prático da maioria das pessoas é “comamos e bebamos porque amanhã morreremos” ou, em outras palavras, aproveitemos os prazeres da mesa e da cama enquanto há tempo. Neste sentido, o pensamento existencialista de Kierkegaard, Sartre, Camus e outros continua vivo. Embora as pesquisas apontem um brasileiro que crê em Deus, na prática, a situação é bem outra. A maioria das pessoas usa a ideia de Deus apenas para satisfazer ao verdadeiro ídolo, o próprio ego, com todos os seus prazeres materiais.

Aos que se identificam como discípulos de Cristo vai o alerta: Não viva como aqueles que não temem a Deus. Não coloque a mesa e a cama antes do Reino de Deus. Busque os prazeres do espírito antes que os prazeres da carne.

Em dias comemorativos, de festas, infelizes são aqueles que estão correndo para preparar as comidas e as sobremesas especiais, mas não estão preocupados com o alimento espiritual. Nestas épocas os shoppings, os restaurantes e as casas ficam cheios, mas, as igrejas, vazias... Volta ao primeiro amor, povo de Deus, antes que seja tarde.


Que sigamos o nosso Mestre Jesus ao ponto de dizer com ele: “A minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou...” (Jo 4.34).

December 12, 2016

12 conselhos para festas de crianças cristãs



Como Deus nos deu a bênção de termos 3 filhos e, sendo pastor, a questão das festas de aniversário já ocupou boa parte de nosso tempo e pensamentos. Posto abaixo algumas conclusões que eu e minha esposa temos obtido no decorrer destes anos, em forma de 12 conselhos:

1. Sempre comemore o aniversário da sua criança. Não deixe passar em branco. Nem que seja um bolinho feito em casa na presença apenas dos pais e dos irmãos. Reúna-se em torno da mesa, ore ao Senhor, cante o parabéns e celebre o ano de vida. Tire fotos para registrar o momento.

2. Não ensine materialismo à sua criança. Se para você a coisa mais importante em um aniversário é um buffet luxuoso, roupas impecáveis, a melhor comida e bons presentes, sem querer você pode estar passando ao seu filho a ideia de que coisas são mais importantes que pessoas e do que Deus.

3. Ensine a humildade, não ostentação. As festas infantis de boa parte dos que não temem a Deus são festas de ostentação. Os pais acabam usando o luxo das festas para ostentarem sua condição financeira nas redes sociais. Lembre-se de que Deus nos chama para uma vida de humildade na Sua presença.

4. Buffets oferecem uma estrutura que deixa os pais sem preocupações quanto à comida, entretenimento, etc, todavia, têm custos altos. Se você não tem dinheiro sobrando, saiba que há opções mais baratas. Nos shoppings centers há espaços de brinquedos, com pequenas salas de festas, que podem ser locados para aniversários. O valor é acessível e as crianças desfrutam dos brinquedos. É preciso, porém, atentar para a segurança, pois o local fica aberto para outras pessoas estranhas à festa.

5. Outras opções de festa possíveis são: 1. A escola da criança. Em algumas escolas é possível combinar com a professora e organizar a festa no final de uma aula para os amiguinhos da classe participarem. 2. O salão social da igreja. Algumas igrejas têm salões sociais que comportam bem a festa. Converse com a liderança da igreja sobre esta possibilidade. 3. O salão de festas do prédio. Se você mora em apartamento sabe que, na maioria dos prédios, há um salão de festas. O espaço não costuma ser grande, mas é possível organizar uma festa ali para pessoas mais próximas. 4. Sua própria casa. No passado, quando não havia buffets, essa era a principal opção. Reúna familiares e amigos em sua casa e faça ali uma agradável festa.

6. Tenha critérios com a decoração da festa de sua criança. Hoje vivemos em um mundo mau e, infelizmente, alguns desenhos infantis são sensuais e outros exaltam as obras das trevas por meio do terror. Analise bem os personagens que seu filho tem apreciado.

7. Não permita bebidas alcoólicas na festa da sua criança. A Bíblia não condena a bebida, mas a embriaguez. Todavia, não faz sentido bebida alcoólica em uma festa infantil. Afinal, que tipo de exemplo você quer deixar aos seus filhos?

8. A quem você deve agradecer pela vida do seu filho ou filha? A Deus, sem dúvida. Então, não realize a festa sem um momento de gratidão a Ele. Convide o seu pastor para, antes do partir do bolo, ler e explicar um trecho da Palavra de Deus e dirigir a todos em oração. Este será um momento de gratidão pela vida de sua criança. Isso tem sido esquecido em muitos aniversários de famílias cristãs. Se você é um dos esquecidos, conserte isso. Aliás, lembre-se de que esta é uma excelente oportunidade para pregar o Evangelho aos convidados não-crentes da festa.

9. Como o aniversário de sua criança deve ser uma expressão de gratidão a Deus por mais um ano de vida, troque a trilha sonora do aniversário por músicas mais saudáveis. Hoje em dia há músicas boas, cristãs, que são bem mais apropriadas que algumas trilhas que os buffets utilizam. Faça uma seleção e leve o pendrive ou cd à festa.

10. Em alguns buffets o momento de cantar o parabéns e partir o bolo é uma grande bagunça conduzida pelos funcionários do salão de festas. Se você pretende ter um momento de leitura da Palavra e oração, avise a liderança do buffet que este momento será do seu jeito e não do deles.

11. Cuidado com a exaltação humana. Na vida do cristão quem deve ser exaltado é Deus. Os buffets têm algumas práticas que transformam a homenagem em exaltação desnecessária e prejudicial ao ego da criança. Entradas triunfais, luzes, discursos... fique atento a isso.

12. Nesta sociedade materialista é um grande desafio convencer nossas crianças de que o maior presente é a salvação que temos em Cristo, a presença de pessoas queridas e não os brinquedos recebidos. Mas, semeie os valores corretos no coração da sua criança. Como nos é ensinado em Deuteronômio 6, os valores de Deus devem ser inculcados em nossos filhos durante todo o dia, naquilo que falamos e não falamos. Invista nisso.

Os conselhos acima podem ser facilmente adaptados às festas de aniversário de adultos. Aliás, dia desses, eu tive uma grata surpresa: Fui convidado à festa de aniversário de uma jovem senhora da igreja e, quando cheguei, perguntei ao marido: “Posso dar uma palavra e orar na hora de partir o bolo?” Ao que o marido me respondeu: “Pastor, eu já preparei uma pequena liturgia e uma palavra. O sr. se importa?” “É claro que não”, respondi. O que se seguiu foi um precioso momento de oração, cânticos de gratidão acompanhados por um violão, exposição da Palavra e oração. Eu, feliz, comentei com a minha esposa: “Festa de crente é outra coisa...”

Que Deus nos abençoe para aplicarmos a nossa fé em Cristo em todos os momentos de nossa vida, até nas festas. “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus” 1 Coríntios 10.31

Na dúvida, Eu ou o Reino?



08 de Agosto de 1536. Ao anoitecer, chega de viagem o jovem francês Jean Cauvin na cidade de Genebra, Suíça, acompanhado de dois irmãos mais novos, Antoine e Marie. O seu plano era passar ali uma noite e prosseguir viagem até a cidade de Estrasburgo. De temperamento introspectivo e tímido, Calvino desejava um lugar calmo para estudar, escrever livros, e oferecer um recomeço de vida aos seus dois irmãos mais novos.

Calvino é reconhecido por algumas pessoas e a notícia de seu pernoite chega a Guilherme Farel, pregador do Evangelho, homem que lutava para que a Reforma Protestante atingisse Genebra. Farel rapidamente vai encontrar-se com Calvino e, na conversa, Farel mostra a ele a necessidade de uma reforma em Genebra. Farel tenta convencer Calvino de que ele é o homem certo para aquela obra. Calvino não aceita. Ele se considera jovem demais, inexperiente, e tamanho trabalho estava fora de seus planos. Cansado de argumentar em vão, Farel, dedo em riste, solta uma imprecação dizendo que Deus poderia amaldiçoar o tempo livre e a paz para estudar que Calvino buscava se ele lhe virasse as costas, recusando seu apoio e ajuda em uma situação de tamanha necessidade como aquela. Calvino abala-se com as fortes palavras. Ele sente que é o próprio Deus chamando-o para o serviço. Percebe que o Reino de Deus deveria estar em primeiro lugar e não o seu descanso e tranquilidade.

Alguns anos mais tarde, ele escreve “o bem-estar desta Igreja, é verdade, era algo tão íntimo de meu coração, que por sua causa não hesitaria a oferecer minha própria vida; minha timidez, não obstante, sugeriu-me muitas razões para escusar-me uma vez mais de, voluntariamente, tomar sobre meus ombros um fardo tão pesado. Entretanto, finalmente uma solene e conscienciosa consideração para com meu dever prevaleceu e me fez consentir em voltar ao rebanho do qual fora separado.” (João Calvino, O Livro dos Salmos, Vol. 1, p. 42).

O patriarca Abraão deixou todo o conforto de sua cidade, rumo ao incerto, quando atendeu ao chamado de Deus para a obra. O mesmo fizeram os profetas e os apóstolos de Cristo. Entre o conforto de suas casas, famílias e planos pessoais, optaram pelo serviço ao Reino de Deus.

Os tempos mudam, mas Deus continua chamando seus filhos ao trabalho. A Sua Igreja necessita de pessoas para trabalharem nas sociedades internas, na Escola Dominical e na evangelização. Assim, quando você for nomeado ou eleito para algum serviço no Reino de Deus, não vire as costas diante da necessidade. Entenda que é Deus quem nos chama. As nomeações do Conselho ou os votos dos crentes são apenas os instrumentos que Deus usa para efetivar seu chamado individual.

É triste pensar que alguns crentes não atendem ao chamado de Deus alegando cansaço e falta de tempo, mas, se lhes fossem oferecidos mil reais mensais para fazer este serviço o cansaço sumiria e o tempo apareceria. Quem merece mais atenção de nossa parte: Deus ou o dinheiro?

Na dúvida, entre os seus planos e o chamado de Deus, fique com o chamado. Buscai primeiro o reino de Deus.

October 27, 2016

Liberais parasitas


Ontem, ao retornar do trabalho, minha esposa me chamou para mostrar uma das árvores do quintal  ̶  um pé de orvalha, fruta pouco conhecida. A árvore estava tomada por trepadeiras sugando suas forças e apodrecendo alguns galhos. Resolvi cuidar da árvore e passei ali mais de uma hora retirando as trepadeiras parasitas.

Enquanto retirava cuidadosamente as plantas daninhas da árvore me lembrava das aulas de Teologia Bíblica, quando aprendíamos sobre o reino parasita de Satanás. A ideia de que Satanás não tem um reino próprio, mas se estabelece no Reino de Deus como parasita, usufruindo da criação do Senhor.

Me lembrei também dos parasitas que existem nas igrejas. Pastores que entraram no ministério sagrado por interesses baixos, visando dinheiro, status, fama, poder. A motivação para alguém ingressar no ministério sagrado deveria ser, sempre, evangelizar pessoas, ajudar os carentes, cuidar de gente, contribuir para o avanço do Reino de Deus, mas, infelizmente, alguns hoje estão querendo ser pastores pelos motivos errados.

Ao retirar as dezenas de raízes sugadoras, emaranhadas no tronco e enroladas nos galhos eu me lembrei de homens que ocupam postos importantes na Igreja, mas que trabalham contra os princípios da Igreja. Dia desses um colega me contou que um destes declarou a plenos pulmões em um evento: “Eu odeio os puritanos!” Enquanto meu colega contava o ocorrido eu pensava “Que ignorância”. Não sabe este pastor que nossa Igreja foi fundada por puritanos? Não percebe ele que os padrões confessionais de nossa Igreja, os Símbolos de Fé de Westminster, foram produzidos pelo que havia de melhor do puritanismo da época? Não atina ele para o fato de que “odiar os puritanos” é rejeitar a própria história?

Estes, afinal, são os parasitas eclesiásticos. Fazem o curso do Seminário financiados pela Igreja. São acolhidos e sustentados pela Igreja. Recebem a honra de serem identificados como pastores da Igreja, mas trabalham contra a Igreja. Pregam contra a doutrina da Igreja e criticam a história da Igreja. No momento da ordenação pastoral juram lealdade às doutrinas da Igreja, mas, passado pouco tempo, quebram o juramento solene.

Retiram da árvore os nutrientes, sugam tudo o que podem, mas não para o bem da árvore, e sim para o bem do estômago e do próprio ego. Sobre estes foi que Paulo nos alertou: “Rogo-vos, irmãos, que noteis bem aqueles que provocam divisões e escândalos, em desacordo com a doutrina que aprendestes; afastai-vos deles, porque esses tais não servem a Cristo, nosso Senhor, e sim a seu próprio ventre; e, com suaves palavras e lisonjas, enganam o coração dos incautos” (Rm 16.17,18).

Depois de muito trabalho e cuidado eu consegui extirpar da árvore a trepadeira parasitária. Valeu a pena ver novamente o tronco e os galhos da árvore e saber que agora ela poderá retomar o crescimento e gerar novos frutos. Minha esperança e oração é que a Igreja de Cristo se veja livre dos parasitas! Só assim, com unidade de pensamento e propósito (1Co 1.10) poderemos crescer e gerar frutos. Que Deus cuide desta árvore.

September 24, 2016

1‎0 motivos para crianças cultuarem junto com os pais


Na igreja em que pastoreio os professores da Escola Dominical realizam campanhas para os alunos terem frequência na ED, trazerem bíblias, visitantes, etc. Um dos elementos da campanha é a participação dos alunos no culto e a anotação do sermão. Desta forma, eu tenho a grata satisfação de, como pastor, olhar do púlpito e ver crianças e adolescentes prestando atenção máxima no sermão, fazendo anotações. Tem sido uma bênção preciosa ter as crianças e os adolescentes cultuando junto com os pais e recebendo o sermão com atenção. Pensando nisso, resolvi colocar no papel alguns dos motivos que são importantes para mantermos as crianças em todo o período do culto adorando ao Senhor junto com os seus pais.

1°. Crianças aprendendo o que é culto e como cultuar a Deus de forma reverente, não lúdica.

2°. Crianças sendo instruídas sobre o sentido de corpo, de adoração comunitária, adorando com os pais e os outros irmãos do Corpo de Cristo.

3°. Crianças descobrindo, pela simples observação dos adultos, algumas emoções importantes e pouco encontradas em outros ambientes como reverência, alegria, contrição, arrependimento, exortação, consolo...

4°. Pastores pregando mensagens com linguagem mais simples e aplicações direcionadas também para crianças e adolescentes.

5°. Pais treinando os filhos para o culto, durante a semana, por meio do culto doméstico diário.

6°. Pais ensinando seus filhos a permanecerem em silêncio em ambientes que o requerem, como o culto.

7°. Pais continuando o ensino do sermão em casa, verificando se os filhos entenderam a mensagem, resolvendo dúvidas, e aplicando o ensino mais diretamente na vida do filho.

8°. Adultos sendo menos egoístas, aprendendo a suportar algum eventual barulho infantil.

9°. Adultos “adotando” crianças no culto, isto é, trazendo para seu banco crianças cujos pais não são crentes, para que elas não fiquem sozinhas;

10°. Pastores com a consciência tranquila em cumprir exatamente o prescrito na Palavra: Família da Aliança em adoração conjunta.

Por estes motivos tenho incentivado meus colegas pastores a deixarem as crianças no culto, não apenas no domingo da Ceia, mas em todos os domingos. A recomendação do Pastor John Piper, neste sentido, é eloquente: "Você quer que eles aprendam o que é um culto autêntico. A adoração autêntica, verdadeira é a coisa mais valiosa na experiência humana. Pense nisso. O efeito acumulativo de 650 cultos com a mãe e o pai em uma autêntica comunhão com Deus e o seu povo com seus filhos de 4 à 17 anos de idade não tem preço. Isto é incalculável!"

August 26, 2016

3 Razões para o Cristão ser Absolutamente Contrário ao Aborto


Estima-se que mais de 50 milhões de abortos são realizados no mundo, por ano. Isso é mais de 8 vezes o número de judeus que morreram no holocausto nazista, que foi de 6 milhões. O genocídio nazista foi uma mancha na história da humanidade, sem dúvida. Mas o que dizer do assassinato de milhões de crianças indefesas? Mais: o que dizer de cristãos que se dizem discípulos de Jesus e fazem apologia do aborto? Para responder estas questões exponho abaixo 3 motivos pelos quais o cristão deve ser radicalmente contrário ao aborto:


1º A Sacralidade da Vida

A vida humana é sagrada. Não pertence a nós, pertence ao Criador. Deus fez homem e mulher de modo singular, diferente do restante da criação. Primeiro, soprando em suas narinas o fôlego da vida (Gn 2.7). Nenhum animal teve este privilégio. Segundo, colocando toda a criação debaixo do domínio do homem: Tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, etc (Gn 2.26). Terceiro, criando homem e mulher à sua própria imagem e semelhança (Gn 1.26,27). Os animais foram criados “segundo a sua espécie”, todos de uma só vez. Já o ser humano foi uma criação única, à imagem e semelhança do Criador. No momento da criação do homem a Trindade se reúne e delibera (no plural): Façamos o homem à nossa imagem. Veja os textos abaixo. Eu grifei as expressões que dignificam e sacralizam a vida humana.

“Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra. Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.” Gênesis 1.26,27

“Este é o livro da genealogia de Adão. No dia em que Deus criou o homem, à semelhança de Deus o fez; homem e mulher os criou, e os abençoou, e lhes chamou pelo nome de Adão, no dia em que foram criados.” Gênesis 5.1,2

“Se alguém derramar o sangue do homem, pelo homem se derramará o seu; porque Deus fez o homem segundo a sua imagem.” Gênesis 9.6

“... que é o homem, que dele te lembres E o filho do homem, que o visites? Fizeste-o, no entanto, por um pouco, menor do que Deus e de glória e de honra o coroaste.” Salmo 8.4,5

“... o homem não deve cobrir a cabeça, por ser ele imagem e glória de Deus” 1 Coríntios 11.7

“Com ela, bendizemos ao Senhor e Pai; também, com ela, amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus.” Tiago 3.9

Repare em Gênesis 9.6 o motivo pelo qual nós não podemos tirar a vida de alguém: “porque Deus fez o homem segundo a sua imagem”. Por isso, não podemos tirar a vida do próximo. Atentar contra a vida do meu semelhante é, em primeira instância, atentar contra Deus, pois o meu próximo carrega consigo a imagem e a semelhança do Criador.

Por consequência, quando um aborto é realizado, a vítima do assassinato é uma criança que traz em si a imagem e semelhança de Deus. Isso é sério.


2º A Antiguidade da Vida

Este assunto sempre suscita a pergunta: Quando começa a vida? A ciência não tem uma resposta consensual. Há aqueles que admitem começar na fecundação; há os que apontam para o período entre o 7º e o 10º dia, quando ocorre a fixação do óvulo fecundado no útero; há os que defendem começar na 3ª semana de gestação, quando o embrião pode se dividir dando origem a outros indivíduos e, por fim, há os que marcam o início da vida somente após a 8ª semana de gravidez, com o início da atividade cerebral.

O curioso é que quando a ciência encontra uma bactéria na lua a considera como vida, sem hesitar. Curioso também é que a ciência não tem valores absolutos. O que é verdade hoje pode não ser amanhã. Portanto, é necessário cautela.

Neste assunto, o referencial mais seguro é a Palavra de Deus. Nela nós temos evidências de que a vida começa na fecundação. Veja os textos abaixo que mostram vida já no ventre das mães:

Os filhos lutavam no ventre dela; então, disse: Se é assim, por que vivo eu? E consultou ao Senhor.” Gênesis 25.22

“Respondeu-lhe o Senhor: Duas nações há no teu ventre, dois povos, nascidos de ti, se dividirão...” Gênesis 25.23

“... porquanto o menino será nazireu consagrado a Deus desde o ventre de sua mãe; e ele começará a livrar a Israel do poder dos filisteus” Juízes 13.5

“... porque o menino será nazireu consagrado a Deus, desde o ventre materno até ao dia de sua morte” Juízes 13.7

“Nunca subiu navalha à minha cabeça, porque sou nazireu de Deus, desde o ventre de minha mãe...” Juízes 16.17

“As tuas mãos me plasmaram e me aperfeiçoaram, porém, agora, queres devorar-me. Lembra-te de que me formaste como em barro; e queres, agora, reduzir-me a pó? Porventura, não me derramaste como leite e não me coalhaste como queijo? De pele e carne me vestiste e de ossos e tendões me entreteceste. Vida me concedeste na tua benevolência, e o teu cuidado a mim me guardou.” Jó 10.8-12
“Aquele que me formou no ventre materno não os fez também a eles? Ou não é o mesmo que nos formou na madre?” Jó 31.15

“A ti me entreguei desde o meu nascimento; desde o ventre de minha mãe, tu és meu Deus” Salmo 22.10

“Eu nasci na iniqüidade, e em pecado me concebeu minha mãe” Salmo 51.5

 “Herança do Senhor são os filhos; o fruto do ventre seu galardão” Salmo 127.3.

“Pois tu formaste o meu interior, tu me teceste no seio de minha mãe. Graças te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste; as tuas obras são admiráveis, e a minha alma o sabe muito bem; os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui formado, e entretecido como nas profundezas da terra. Os teus olhos me viram a substância ainda informe” Salmo 139.13-16.

“Assim diz o Senhor, que te criou, e te formou desde o ventre, e que te ajuda: Não temas, ó Jacó, servo meu, ó amado, a quem escolhi.” Isaías 44.2

“Assim diz o Senhor, que te redime, o mesmo que te formou desde o ventre materno: Eu sou o Senhor, que faço todas as coisas, que sozinho estendi os céus e sozinho espraiei a terra...” Isaías 44.24

“Ouvi-me, ó casa de Jacó e todo o restante da casa de Israel; vós, a quem desde o nascimento carrego e levo nos braços desde o ventre materno.” Isaías 46.3

“... porque eu sabia que procederias mui perfidamente e eras chamado de transgressor desde o ventre materno.” Isaías 48.8

“Ouvi-me, terras do mar, e vós, povos de longe, escutai! O Senhor me chamou desde o meu nascimento, desde o ventre de minha mãe fez menção do meu nome.” Isaías 49.1

“Mas agora diz o Senhor, que me formou desde o ventre para ser seu servo...” Isaías 49.5

Antes que eu te formasse no ventre materno, eu te conheci, e, antes que saísses da madre, te consagrei, e te constituí profeta às nações. Jeremias 1.5

“Por que não me matou Deus no ventre materno? Por que minha mãe não foi minha sepultura? Ou não permaneceu grávida perpetuamente?” Jeremias 20.17

No ventre, pegou do calcanhar de seu irmão; no vigor da sua idade, lutou com Deus” Oséias 12.3

“Pois ele será grande diante do Senhor, não beberá vinho nem bebida forte e será cheio do Espírito Santo, já do ventre materno.” Lucas 1.15

“Ouvindo esta a saudação de Maria, a criança lhe estremeceu no ventre; então, Isabel ficou possuída do Espírito Santo. E exclamou em alta voz: Bendita és tu entre as mulheres, e bendito o fruto do teu ventre! E de onde me provém que me venha visitar a mãe do meu Senhor? Pois, logo que me chegou aos ouvidos a voz da tua saudação, a criança estremeceu de alegria dentro de mim.” Lucas 1.41-44

Repare que os textos não deixam dúvida de que a vida começa no ventre materno. Portanto, pílulas do dia seguinte ou qualquer outro método abortivo atentam contra uma vida que já está presente, conhecida e criada por Deus.


3º A Prioridade da Vida

Não matarás” Êxodo 20.13

Se homens brigarem e ferirem uma mulher grávida, e ela der à luz prematuramen­te, não havendo, porém, nenhum dano sério, o ofensor pagará a indenização que o marido daquela mulher exigir, conforme a determinação dos juízes. Êxodo 21.22 (NIV)

Quem matar alguém será morto. Mas quem matar um animal o restituirá: igual por igual” Levítico 24.17,18

Dentro deste tema encontramos a atual legislação brasileira autorizando o aborto em 3 situações específicas:

1. Risco de morte da mãe.

Creio que esta seja a única possibilidade de um cristão verdadeiro concordar com o aborto. Todavia, os casos desta natureza são raríssimos hoje em dia, por conta do avanço da medicina.

A medicina atual já tem condições de retirar, de forma prematura, o feto que oferece risco à vida da mãe e dar a ele boas condições de sobrevivência. Em 2009, em Pernambuco, uma menina de 9 anos de idade ficou grávida e, imediatamente, as autoridades médicas da região indicaram e promoveram o aborto dos gêmeos de 4 meses de vida que estavam no ventre da menina. A alegação era de que a menina gestante corria risco de morrer por ter apenas 9 anos de idade. Se eles tivessem pesquisado um pouco antes de assassinar os gêmeos indefesos teriam descoberto a história da peruana Lina Medina que deu à luz ao seu primeiro filho aos 5 anos de idade e isso em 1939. Há registros de muitas outras meninas de 8, 9 e 10 anos, em situações semelhantes, que não abortaram e não morreram.

2. Gestação proveniente de estupro.

O movimento feminista insiste que a mulher é dona do seu próprio corpo e que tem total direito sobre ele. Isso lhe dá total direito ao aborto, principalmente, no caso de um estupro. A cristã verdadeira saberá que, primeiro, o corpo não pertence a nós. O corpo e a vida são propriedades de Deus. Eis a razão porque o suicídio é um pecado (e crime em alguns países).

Mesmo na situação crítica de um estupro, a mãe não tem o direito de assassinar a criança inocente que não tem culpa alguma do ato violento sofrido pela mãe. Em casos assim, o melhor caminho é dar prosseguimento à gravidez, cuidando desta mãe e, se no nascimento da criança ela não tiver condições de cuidar deste filho, submetê-lo a alguém que queira cuidar.
           
Sei que as feministas que leem este texto devem estar revoltadas dizendo: Mas e a vida da mulher que foi estuprada? Ela não tem direitos? Como ela vai viver com esta dor? Ora, a resposta é que uma dor emocional é menor que um assassinato. Ambos são difíceis, mas assassinar uma criança inocente nunca será o caminho.

Cuidemos do trauma emocional da mãe, vítima de um estupro, mas não cometamos um mal ainda maior que é assassinar uma criança que não tem nada a ver com este mundo violento.

Aliás, pensando nesta argumentação feminista de que o que importa é o sentimento emocional desesperador da mulher, eu gostaria de propor um teste:

Imagine que você tem na sua frente uma mesa com 2 botões e, do outro lado da mesa, uma mulher e uma criança. Você, obrigatoriamente, tem que apertar um dos botões. Se você apertar o botão azul a mulher é estuprada. Se você apertar o botão vermelho a criança leva um tiro na cabeça. Qual botão você apertaria?

É óbvio que o mal menor é o estupro. Não podemos assassinar crianças, nem em situações críticas assim. Nosso Deus é Deus vingador. Ele vingará as crianças assassinadas, não importam os motivos.

3. Gravidez de feto anencefálico.

Ultimamente a justiça tem autorizado a interrupção da gestação de feto anencefálico. A argumentação é a de que uma criança com este diagnóstico será natimorta, isto é, nascerá morta. A experiência tem mostrado o engano deste argumento. O caso mais conhecido é o da Marcela. Ela nasceu anencéfala, mas sentia, ouvia e tinha consciência. Viveu durante 1 ano e 8 meses contrariando o que vinha sendo dito sobre os anencéfalos. Teríamos outros casos assim se lhes fossem dados o direito à vida.

O que está por trás desta autorização judicial é o pensamento evolucionista (feto não é vida), materialista (esta criança atrasará a sociedade) e eugenista (precisamos melhorar a raça). O nazismo começou assim. Hoje em dia não é incomum vermos médicos orientando suas pacientes ao aborto ao constatarem que o filho em gestação terá alguma deficiência física ou mental. Fico imaginando o que um médico desta linha diria a um pai sifilítico e uma mãe tuberculosa que tiveram quatro filhos: o primeiro, cego de nascença; o segundo, morto logo após o parto; o terceiro, surdo-mudo; o quarto, tuberculoso, e que, agora, a mãe está grávida do quinto filho. O que um médico abortista recomendaria? O aborto, por óbvio. Se este médico tivesse existido no passado, teria matado Beethoven.

 A palavra de Deus nos ensina que toda a vida é sagrada e bem de Deus, mesmo a dos deficientes. “Quem fez a boca do homem? Ou quem faz o mudo, ou o surdo, ou o que vê, ou o cego? Não sou eu, o Senhor?” (Êx 4.11)

Não são poucos os casos de sobreviventes de aborto que hoje mostram o seu valor à sociedade. Talvez o caso mais conhecido seja da jovem Gianna Jessen (link abaixo), todavia, dia desses, por ocasião das paraolimpíadas, apareceu na mídia a história de Eliza McIntosh, uma atleta de 21 anos que só está hoje entre nós por graça divina e zelo dos pais. Na sua gestação, os médicos recomendaram o aborto aos pais porque, com “dysgenesis espinhal”, a  garota, na melhor das hipóteses, viveria em estado vegetativo e que seria necessário um tubo de respiração durante toda a vida. Agora ela é uma atleta.

Histórias assim confirmam o que a Bíblia nos orienta: Não matarás. A vida é sagrada e não pertence a nós. O feto, por menor que seja, já é portador da imagem e semelhança de Deus e tem de ser preservado. Que Deus nos dê coragem para defendermos estas vítimas inocentes.


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January 28, 2016

A Igreja Universal do Reino de Deus e os 10 Mandamentos


A ironia é perceber que a “igreja” que fez dos 10 Mandamentos sua atual fonte de lucro na TV e agora no cinema, quebra o 1º mandamento ao colocar o dinheiro como seu deus, quebra o 2º ao promover cultos falsos, quebra o 3º ao usar o nome de Deus em vão em campanhas de prosperidade, quebra o 4º ao exibir programas imorais em sua emissora de TV aos domingos, quebra o 5º ao sonegar impostos, quebra o 6º ao aprovar o assassinato de crianças (aborto), quebra o 7º ao exibir sensualidade em sua emissora de TV, quebra o 8º ao se aproveitar de pessoas menos instruídas surrupiando seu dinheiro, quebra o 9º ao falsificar o evangelho de Cristo transformando-o em materialismo e quebra o 10º mandamento criando uma cultura de cobiça por bens materiais em seus fiéis.

Quão mais proveitoso seria se tanto esforço de marketing fosse para conduzir o povo ao estudo sério da Palavra de Deus...

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