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September 24, 2009

10 motivos para não participar da Marcha para Jesus



Na última quinta-feira, dia 03/09, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o projeto de lei que institui o Dia Nacional da Marcha para Jesus. Além da presença de Michel Temer, da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff e do senador e bispo da Igreja Universal, Marcelo Crivella, estavam presentes no evento os bispos Estevam e Sônia Hernandes, da Igreja Renascer em Cristo. O casal voltou ao Brasil no começo de agosto, depois de um período de dois anos e seis meses de prisão e liberdade condicional nos Estados Unidos. Eles foram condenados após tentar entrar no país com US$ 56 mil não declarados.

Antes de considerar o despropósito desta marcha, é preciso registrar a vergonha que temos ao ver o povo evangélico representado por um bispo da Igreja Universal do Reino de Deus e pelo casal Hernandes.

Entrando agora no mérito desta Marcha, alisto abaixo 10 motivos pelos quais nenhum cristão deveria participar desta marcha:

1. A igreja e a marcha são lideradas por um homem que se autodenomina apóstolo. Este é um erro cada vez mais freqüente em algumas denominações neo-pentecostais de nosso país. É sabido que o título “apóstolo” foi reservado àquele primeiro grupo de homens escolhidos por Cristo. Após a traição e suicídio de Judas, os apóstolos escolheram outro para ocupar o seu lugar (At 1.15-20), mas, como foi feita esta escolha? Que critérios foram usados? Ei-los: 1º) Ter sido discípulo de Jesus durante o seu ministério terreno; 2º) Ter sido testemunha ocular do Cristo ressurreto. Como pode alguém, hoje, ousar sustentar o título de apóstolo?

2. A igreja que organiza a marcha ensina Teologia da Prosperidade (crença de que o cristão deve ser próspero financeiramente), Confissão Positiva (crença no poder profético das palavras – assim como Deus falou e tudo foi criado, eu também falo e tudo acontece), Quebra de maldições (convicção de que podem existir maldições, mesmo na vida dos já salvos por Cristo) e Espíritos Territoriais (crença em espíritos malignos que governam sob determinadas áreas de uma cidade).

3. A filosofia da marcha está fundamentada em uma Teologia Triunfalista (tudo sempre vai dar certo, não existem problemas na vida do crente), tendo como base textos como Êxodo 14 (passagem de Israel no mar Vermelho) e Josué 6 (destruição de Jericó);

4. Uma das finalidades da marcha é promover curas e libertações;

5. A marcha não celebra culto, e sim show gospel;

6. Os líderes do movimento propagam que a marcha tem o poder de "mudar o destino de uma nação";

7. Na visão do grupo, com base em Josué 1.3 "Todo lugar que pisar a planta do vosso pé, vo-lo tenho dado", a marcha é uma reivindicação do lugar por onde passam na cidade;

8. Na visão do grupo, a marcha serve para tapar as "brechas deixadas pelos atos ímpios de nossa nação";

9. Na visão do grupo, a marcha destrói "fortalezas erguidas pelos inimigo em certas áreas em nossas cidades e regiões";

10. A marcha tem caráter isolacionista, próprio de gueto, e não o que Cristo nos ensinou, a saber, envolvimento amplo na sociedade (Mt 5.13-16), com irrepreensível testemunho cristão (1Pe 2.12).

Ademais, é importante observar que toda a organização da marcha está centrada nas mãos de uma igreja apenas, excluindo-se o alegado caráter de união entre os evangélicos.

Tanta força e entusiasmo deveriam ser canalizados para a pregação do Evangelho a esta nação cada vez mais sedenta. As pesquisas indicam que os evangélicos já somam 15% da população brasileira, no entanto, a imoralidade, a corrupção e a violência são cada vez maiores em nosso país. Os canais de TV, os programas de rádio, bem como as marchas, não têm gerado transformação de vida em nosso povo.

A marcha que Cristo ensinou à sua igreja foi outra, silenciosa e efetiva, tal qual o sal penetrando no alimento (Mt 5.13); pessoal e de relacionamento, como na igreja primitiva (At 8.4); cotidiana e sem cessar, como entre os primeiros convertidos (At 2.42-47).

Que Deus nos restaure esta visão.

September 17, 2009

As Confusões da "Cabana" - Dr. Paulo Romeiro*


Já faz tempo que o liberalismo teológico tem assediado e invadido uma boa parte do campo evangélico brasileiro. Os prejuízos para a pregação do evangelho têm sido enormes. A decadência doutrinária aumenta com rapidez e muitos crentes estão cada vez mais confusos.

Por várias décadas, o liberalismo teológico vem ganhando espaço nas denominações históricas e em seus seminários. Nos últimos anos, porém, alguns segmentos pentecostais foram atingidos por essa corrente de pensamento, algo inimaginável até então, pois, ser pentecostal significa crer no poder e na Palavra de Deus.

A exemplo dos liberais, alguns pentecostais se julgam espertos o suficiente para duvidar de Deus e da sua Palavra. Hostilizar o cristianismo, exaltar a dúvida e questionar a Bíblia Sagrada tornou-se para muitos um sinal de academicismo e inteligência.

É o que vemos hoje através das igrejas emergentes, que pregam uma ortodoxia generosa,¹ onde as verdades e temas vitais da fé cristã perdem sua importância. Tudo indica que há uma apostasia se instalando em muitas igrejas evangélicas, algo já predito na Palavra de Deus e que aponta para a volta de Cristo (2 Ts 2.3; 2 Tm 4.1; 2 Tm 4.1-4; 2 Pe 2.1).

É num solo assim, fértil para a semeadura e crescimento de distorções das doutrinas centrais da fé cristã que surge o livro A Cabana² promovendo o liberalismo teológico e fazendo sucesso entre os evangélicos e a sociedade em geral.

Este artigo apresenta uma breve análise, à luz da Bíblia, sobre esse best-seller a fim de responder algumas indagações de muitos cristãos.

I – Definições

Liberalismo teológico: Movimento da teologia protestante que surgiu no século XIX com o objetivo de modificar o cristianismo a fim de adaptá-lo à cultura e à ciência modernas.

O liberalismo rejeita o conceito tradicional das Escrituras Sagradas como revelação divina proposital e detentora de autoridade, preferindo o conceito de que a revelação é o registro das experiências religiosas evolutivas da humanidade. Apregoa também um Jesus mestre e modelo de ética, e não um redentor e Salvador divino.

Pluralismo religioso: A crença de que há muitos caminhos que levam a Deus, que há diversas expressões da verdade sobre ele, e que existem vários meios válidos para a salvação.

Relativismo: Negação de quaisquer padrões objetivos ou absolutos, especialmente em relação à ética. O relativismo propala que a verdade depende do indivíduo ou da cultura.

Teologia relacional (teísmo aberto): Conceito teológico segundo o qual alguns atributos tradicionalmente ligados a Deus devem ser rejeitados ou reinterpretados. Segundo seus proponentes, Deus não é onisciente e nem onipotente. A presciência divina é limitada pelo fato de Deus ter concedido livre-arbítrio aos seres humanos.

II – O livro A cabana

A história do livro

Durante uma viagem que deveria ser repleta de diversão e alegria, uma tragédia marca para sempre a vida da família de Mack Allens: sua filha mais nova, Missy, desaparece misteriosamente. Depois de exaustivas investigações, indícios de que ela teria sido assassinada são encontrados numa velha cabana.

Imerso numa dor profunda e paralisante, Mack entrega-se à Grande Tristeza, um estado de torpor, ausência e raiva que, mesmo após quatro anos de desaparecimento da menina, insiste em não diminuir.

Um dia, porém, ele recebe um bilhete, assinado por Deus, convidando-o para um encontro na cabana abandonada. Cheio de dúvidas, mas procurando um meio de aplacar seu sofrimento, Mack atende ao chamado e volta ao cenário de seu pesadelo.

Chegando lá, sua vida dá uma nova reviravolta. Deus, Jesus e o Espírito Santo estão à sua espera para um “acerto de contas” e, com imensa benevolência, travam com Mack surpreendentes conversas sobre vida, morte, dor, perdão, fé, amor e redenção, fazendo-o compreender alguns dos episódios mais tristes de sua história (Informações extraídas da orelha do livro).

O livro é uma ficção cristã, um gênero que cresce muito na cultura cristã contemporânea e comunica sua mensagem de uma forma leve e fácil de se ler. O autor, William P. Young trata de temas vitais para a fé cristã tais como: Quem é Deus? Quem é Jesus? Quem é o Espírito Santo? O que é a Trindade? O que é salvação? Jesus é o único caminho para Deus?

III – Pontos principais do livro³

1. Hostilidade ao cristianismo

“As orações e os hinos dos domingos não serviam mais, se é que já haviam servido... A espiritualidade do Claustro não parecia mudar nada na vida das pessoas que ele conhecia... Mack estava farto de Deus e da religião...” (p. 59).

“Nada do que estudara na escola dominical da igreja estava ajudando. Sentia-se subitamente sem palavras e todas as suas perguntas pareciam tê-lo abandonado” (81).

Resposta bíblica: Jesus disse que as portas do inferno não prevaleceriam contra a sua Igreja (Mt 16.18).

2. Experiência acima da revelação

As soluções para os probemas da vida surgem de experiência extrabíblicas e não da Palavra de Deus. As alegadas revelações da “Trindade” são a base de todo o enredo do livro. Mesmo fazendo alusões às verdades bíblicas, elas não são a base autoritativa da mensagem.

3. A rejeição de Sola Scriptura

A Cabana rejeita a autoridade da Bíblia como o único instrumento para decidir as questões de fé e prática. Para ouvir Deus, Mack é convidado a ouvir Deus numa cabana através de experiências e não através da leitura e meditação da Bíblia Sagrada.

Resposta bíblica: Rm 15.4: “Pois tudo quanto, outrora, foi escrito para o nosso ensino foi escrito, a fim de que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança”.

2 Tm 3.16, 17: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a coreção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra”.

A igreja não precisa de uma nova revelação, mas de iluminação para entender o que foi revelado nas Escrituras.

4. Uma visão antibíblica da natureza e triunidade de Deus

Além de errar sobre a Bíblia, A Cabana apresenta uma visão distorcida sobre a Trindade. Deus aparece como três pessoas separadas, o que pode ser chamado de triteísmo.

O autor tenta negar isso ao escrever: “Não somos três deuses e não estamos falando de um deus com três atitudes, como um homem que é marido, pai e trabalhador. Sou um só Deus e sou três pessoas, e cada uma das três é total e inteiramente o um” (p. 91).

Young parece endossar uma pluralidade de Deus em três pessoas separadas: duas mulheres e um homem (p. 77). Deus o pai é apresentado como uma negra enorme, gorda (p. 73, 74, 75, 76, 79), governanta e cozinheira, chamada Elousia (p.76).

Jesus aparece como um homem do Oriente Médio, vestido de operário, com cinto de ferramentas e luvas, usando jeans cobertos de serragem e uma camisa xadrez com mangas enroladas acima dos cotovelos, mostrando os antebraços musculosos. Não era bonito (p. 75).

O Espírito Santo é apresentado como uma mulher asiática e pequena (p. 74), chamada Sarayu (p. 77, 101).

Resposta bíblica: Dentro da natureza do único Deus verdadeiro há três pessoas distintas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. São três pessoas distintas, mas, não separadas como o livro apresenta. Além disso, o Pai e o Espírito Santo não possuem um corpo físico. Veja Jó 10.4; João 4.24 e Lucas 24.39.

5. A punição do pecado

O livro apregoa que Deus não castiga os pecados: “Mas o Deus que me ensinaram derramou grandes doses de fúria, mandou o dilúvio e lançou pessoas num lago de fogo. — Mack podia sentir sua raiva profunda emergindo de novo, fazendo brotar as perguntas, e se chateou um pouco com sua falta de controle. Mas perguntou mesmo assim: — Honestamente, você não gosta de castigar aqueles que a desapontam? Diante disso, Papai interrompeu suas ocupações e virou-se para Mack. Ele pôde ver uma tristeza profunda nos olhos dela. — Não sou quem você pensa, Mackenzie. Não preciso castigar as pessoas pelos pecados. O pecado é o próprio castigo, pois devora as pessoas por dentro. Meu objetivo não é castigar. Minha alegria é curar. — Não entendo...”

Resposta bíblica:

A Cabana mostra um Deus apenas de amor e não de justiça. Apesar da Bíblia ensinar que Deus é amor, não falha em apresentá-lo como um Deus de justiça que pune o pecado:

“A alma que pecar, essa morrerá” (Ezequiel 18.4).

“Semelhantemente, os homens também, deixando o contato natural da mulher, se inflamaram mutuamente em sua sensualidade, cometendo torpeza, homens com homens, e recebendo, em si mesmos, a merecida punição do seu erro” (Rm 1.27).

“porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 6.23).

“E a vós outros, que sois atribulados, alívio juntamente conosco, quando do céu se manifestar o Senhor Jesus com os anjos do seu poder, em chama de fogo, tomando vingança contra os que não conhecem a Deus e contra os que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus” (2 Ts 1.7, 8). Cristo morreu pelos nossos pecados (1Co 15.3).

6. O milagre da encarnação

O livro apresenta uma visão errada da encarnação de Jesus Cristo: “Quando nós três penetramos na existência humana sob a forma do Filho de Deus, nos tornamos totalmente humanos. Também optamos por abraçar todas as limitações que isso implicava. Mesmo que tenhamos estado sempre presentes nesse universo criado, então nos tornamos carne e sangue” (p. 89).

Resposta bíblica:

De acordo com a Bíblia, somente o verbo encarnou (Jo 1.14). Veja ainda Gl 4.4; Cl 2.9 e 1Tm 2.5.

7. Jesus, o melhor ou único caminho para o Pai?

No livro, Jesus é apresentado como o melhor e não o único caminho para Deus: “Eu sou o melhor modo que qualquer humano pode ter de se relacionar com Papai ou com Sarayu” (p. 101).

Resposta bíblica:

A Bíblia é muito clara ao afirmar que Cristo é o único que pode salvar: Is 43.11; Jo 6.68; Jo 14.6; At 4.12 e 1 Tm 2.5.

8. Patripassionismo

O livro promove uma antiga heresia denominada patripassionismo, que é o sofrimento do Pai na cruz: “O olhar de Mack seguiu o dela, e pela primeira vez ele notou as cicatrizes nos punhos da negra, como as que agora presumia que Jesus também tinha nos dele. Ela permitiu que ele tocasse com ternura as cicatrizes, marcas de furos fundos” (p. 86). “Olhou para cima e notou novamente as cicatrizes nos pulsos dela” (p. 92). “Você não viu os ferimento em Papai também”? (p. 151).

Resposta bíblica

A Bíblia mostra que foi Jesus quem sofreu na cruz e recebeu as marcas dos cravos e não o Pai ou o Espírito Santo. Veja João 20.20, 25, 28.

9. Universalismo

A Cabana promove o universalismo, isto é, que todas as pessoas serão salvas, não importa a sua religião ou sistema de crença. “Os que me amam estão em todos os sistemas que existem. São budistas ou mórmons, batistas ou muçulmanos, democratas, republicanos e muitos que não votam nem fazem parte de qualquer instituição religiosa. Tenho seguidores que foram assassinos e muitos que eram hipócritas. Há banqueiros, jogadores, americanos e iraquianos, judeus e palestinos” (p. 168, 169).

“Não tenho desejo de torná-los cristãos, mas quero me juntar a eles em seu processo para se transformarem em filhos e filhas do Papai, em irmãos e irmãs, em meus amados” (p. 169).
Jesus afirma: “A maioria das estradas não leva a lugar nenhum. O que isso significa é que eu viajarei por qualquer estrada para encontrar vocês” (p. 169).

Resposta bíblica

Não há base bíblica para tais afirmações. A Palavra de Deus ensina que não existe salvação fora de Jesus Cristo. Apesar de o universalismo ser uma doutrina agradável, popular e que reflete a política da boa vizinhança, a Bíblia afirma que nem todos serão salvos: Veja Mt 7. 13, 14; 25.31-46; 2 Ts 3.2.

NOTAS

* Pastor presidente da ICT - Igreja Cristã da Trindade; Presidente da Agir - Agência de Informações Religiosas
¹ Brian McLaren. Uma ortodoxia generosa. Brasília. Editora Palavra. 2007. Este livro promove muitas das propostas denunciadas neste estudo.
² YOUNG, William P. A cabana. Rio de Janeiro. Editora Sextante. 2008.
³ Algumas idéias foram extraídas de um trabalho publicado por Norman Geisler: “Norm Geisler Takes “The Shack”to the Wood Shed. Acessado em 18 de dezembro de 2008. www.thechristianworldview.com

BIBLIOGRAFIA

EVANS, C. Stephen. Dicionário de apologética e filosofia da religião. São Paulo. Vida. 2004.
NICODEMUS, Augustus. O que estão fazendo com a Igreja. São Paulo. Mundo Cristão. 2008.
PIPER, John et alli. Teísmo aberto: uma teologia além dos limites bíblicos. São Paulo. Editora vida. 2006.
WILSON, Douglas (org.). Eu não sei mais em quem eu tenho crido: confrontando a teologia relacional. São Paulo. Editora Cultura Cristã. 2006.
YOUNG, William P. A cabana. Rio de Janeiro. Editora Sextante. 2008.

September 5, 2009

Uganda, Genebra e Brasil

Yoweri Kaguta Museveni é o atual presidente da Uganda, país africano vizinho do Quênia, Tanzânia e Ruanda. A Uganda tem uma história manchada com muito sangue. Desde 1967, quando declarou sua independência do Reino Unido, foi vítima de vários golpes políticos e milhares de ugandenses foram assassinados. Em 1986 Museveni chegou ao poder através de uma revolta conduzida pelo Exército de Resistência Nacional, mas foi eleito democraticamente em 1996, com 75% dos votos da população.

Com Museveni acabaram os abusos aos direitos humanos, a liberdade de imprensa foi iniciada e acordos com o Fundo Monetário Internacional e com o Banco Mundial foram firmados. Museveni fez a transição do totalitarismo para a democracia. Sob seu governo a economia cresceu sensivelmente, os níveis de pobreza caíram em 20% e o número de crianças nas escolas primárias duplicou. Além disso, o que chamou a atenção das Nações Unidas (e é a razão deste post) tem a ver com a AIDS. Desde que iniciou um original programa de prevenção à AIDS o número de infectados foi reduzido em dois terços. Rand Stoneburner, ex-epidemiologista da Organização Mundial de Saúde (OMS), elogiou o programa introduzido na Uganda recomendando-o como programa mais eficiente utilizado até agora no mundo (vide What Happened in Uganda?). O programa de prevenção tem como lema três letras: ABC - Abstinência (para os solteiros), Be faithful (seja fiel - para os casados) e Camisinha.

Note que, ao contrário do que é feito no Brasil, e na maioria dos países, a camisinha é a última opção contra o contágio. Em Uganda os motoristas de caminhão, por exemplo, são motivados a não terem relações extra-conjugais em suas viagens. Veja o cartaz de conscientização distribuído em todo o país:

O cartaz diz: "Um motorista responsável se importa com sua família; ele é fiel a sua esposa"

Outro alvo do programa é a juventude. A abstinência sexual é incentivada entre os jovens com resultados visíveis. Pesquisas realizadas em escolas apontam decréscimos importantes da prática sexual na adolescência. Em uma das escolas pesquisadas, o número de garotos de 13 a 16 anos que faziam sexo caiu de 61% em 1994 para 5% em 2001, enquanto o número de garotas que tinham a prática caiu de 24% para 2%.

Entre os adultos, uma modalidade de prostituição que tem ajudado a propagar o vírus está sendo combatida pela campanha. É comum a relação de homens mais velhos, acima dos 40 ou 50 anos, com garotas jovens de 15 a 25 anos. O homem casado aproveita-se de jovens pobres e, em troca de relações sexuais, a ajuda no seu sustento mensal. Outdoors foram produzidos para conscientizar a população contra esta prática:

Diz o outdoor: "Você deixaria este homem ficar com sua filha adolescente? Então, por que você está com a dele?"

Com resultados que têm sido admirados pelos orgãos de combate à AIDS no mundo todo, Museveni segue seu programa confiando não nos preservativos, mas na mudança de conduta da população. Na verdade, Museveni confia em algo maior que isto. Confia em Deus. Convertido por Jesus Cristo, juntamente com sua esposa Janeth, Museveni tem aplicado os princípios da Palavra de Deus no governo de sua nação. Muito parecido com o que fez João Calvino em Genebra, na Suíça, no século 16. Naquela época, esta cidade padecia com seus problemas sociais. Pobreza, baixos salários, analfabetismo, vícios e prostituição faziam de Genebra uma cidade carente de reformas estruturais. A influência de Calvino fez com que Genebra se tornasse uma cidade verdadeiramente reformada. A pobreza e a desigualdade social diminuíram, assim como a prostituição e os vícios sociais. Os pobres foram melhor tratados e a educação foi valorizada.

Infelizmente, no Brasil nossos governantes caminham longe destes ideais. Além de considerarem os preservativos o único meio de prevenção ao contágio da AIDS e ignorarem a questão da abstinência e fidelidade conjugal, eles ainda promovem a sexualidade precoce instalando máquinas de camisinhas nos colégios de nossos filhos (veja matéria). Não fosse pouco, o governo ainda distribui literatura imoral às nossas crianças (veja post) e os incita ao homossexualismo (veja post). Que situação diferente teríamos se o governo brasileiro ouvisse suas lideranças cristãs. Que país melhor eles construiriam se observassem os princípios da Palavra de Deus.

Feliz a nação cujo Deus é o Senhor (Sl 33.12). Felizes devem estar os ugandenses por terem um líder temente a Deus. Infelizes somos nós, nação brasileira, cada vez mais afastados, como nação, dos preceitos do Senhor. Cabe a nós orarmos por nossos governantes (1Tm 2.1,2) pedindo a Deus que lhes ilumine o pensamento e crie neles temor pela autoridade superior que um dia julgará a todos com justiça (At 17.31).

Fontes:
http://penaafrica.folha.blog.uol.com.br/
http://www.portaldafamilia.org/artigos/artigo248.shtml
http://www.usaid.gov/our_work/global_health/aids/Countries/africa/uganda_report.pdf

August 28, 2009

Um chamado para a angústia - David Wilkerson

O evangelho diluído de Rob Bell

Rob Bell Se você aí no Brasil ainda não conhece Rob Bell, vai acabar conhecendo. Bell é o pastor de uma mega-igreja em Grand Rapids, Michigan, EUA, chamada Mars Hill Bible Church (Mars Hill é a tradução em inglês da palavra Areópago – lugar onde Paulo pregou aos gregos – Atos 17). Fundada em 1999, quando Bell tinha 28 anos de idade, a comunidade pastoreada por ele e por sua esposa Kristen conta hoje com mais de 10.000 membros. Seu estilo de ensino, moderno e cativante, é a marca registrada de seu ministério e é certamente responsável por seu extraordinário crescimento numérico. Três de seus livros já foram traduzidos para o português: Repintando a Igreja, Deus quer Salvar os Cristãos e Sex God (ainda não lançado, mas já no prelo de impressão da Editora Vida). Bell já possui uma legião de admiradores no Brasil, entre eles o liberal Ricardo Gondim e seu amigo Ed René Kivitz.
No vídeo a seguir, intitulado “As Boas Novas de Acordo com Rob Bell”, Bell nos oferece sua versão daquilo que ele entende como as boas novas de Deus ao mundo:

Para alguns, Bell é o Billy Graham da juventude americana. De fato, Bell tem o potencial de se tornar no Youtube e outras formas de mídia eletrônica aquilo que Graham foi nos estádios – pelo menos em termos de alcance, inegável entre os jovens, muitos dos quais jamais colocariam os pés em uma igreja tradicional. Não assistí toda sua série de vídeos intitulada Nooma (representação fonética em inglês da palavra grega pneuma – que quer dizer sopro ou espírito), mas os vídeos que vi me impressionaram tanto na produção, impecável e profissional, quanto no conteúdo. Bell não é somente um mauricinho que gosta de aparecer. Ele realmente ensina. Sua habilidade como mestre é evidente (o que de forma alguma testifica a favor de sua mensagem).
Sem dúvida nenhuma, Bell é um gênio no quesito “contextualização”, e o admiro por isso. A geração atual não suporta mais o estilo ultrapassado e o dialeto religioso dos “irmãos”. Bell se despiu de toda religiosidade: ele se veste, fala e ensina no mesmo nível de sua geração. Seus ensinamentos são práticos e acessíveis, sem “teologiquês” nem “evangeliquês”. Bell se livrou do estilo tradicional de “louvor + sermão” em seus cultos. Em uma linguagem não religiosa, ele comunica princípios à sua audiência a partir de elementos do dia a dia e da cultura, semelhante ao que Jesus fazia quando contava parábolas à sua audiência.
Mas apesar de tudo isso, certas coisas me causam um desconforto terrível quando leio ou assisto Rob Bell. A forma e o estilo como ele projeta suas idéias são deveras fascinantes. Entretanto, o problema está em alguns sutis elementos que fazem parte de sua mensagem e que passam despercebidos na lupa de muitos de seus leitores, fascinados por seu elegante estilo literário e seu clamor em favor dos menos favorecidos.

Evangelho sem Cruz

Rob Bell é um dos chamados “emergentes liberais”. Para tais, o compromisso doutrinário é uma atitude beligerante e certos dogmas são desnecessários à fé cristã. O que importa para o emergente liberal é uma vida de serviço ao próximo, para assim “tornarmos o mundo um lugar melhor”. Mas assim como canja de galinha não é mais canja se não tiver frango, feijoada não é mais feijoada se não tiver feijão e suco de uva não é suco de uva se não tiver uva, um evangelho desprovido de certos elementos essenciais já não é mais o Evangelho pregado por Cristo e seus apóstolos.
cruz Bell menciona a ressurreição de Cristo no vídeo, mas seguindo a tendência liberal pós-moderna, não menciona a cruz de Cristo. A exemplo de seu mentor Brian McLaren (que afirma que a cruz é uma propaganda enganosa do evangelho), Bell se esquiva do escândalo da cruz. Ele simplesmente omite o tema e quando o menciona, não aborda a crucificação como o evento no qual Deus expiou os pecados da raça humana pelo sacrifício de seu Filho. Em Jesus Quer Salvar os Cristãos, por exemplo, Bell menciona a crucificação, mas dilui seu caráter expiatório e ressalta a atitude pacífica de Jesus, que não resistiu a seus agressores e caminhou a milha extra com eles. Jesus deixa de ser o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo e redime com seu sangue, para tornar-se somente um exemplo de pacifismo e auto-negação.
Até mesmo quando fala da ressurreição, Bell é ambíguo. No vídeo acima, ele menciona a ressurreição não como um evento místico, ou seja, a ressurreição corporal para a vida eterna (compreensível, porque, a ênfase do evangelho de Bell se limita a “fazer deste mundo um lugar melhor” e não aborda questões como o julgamento dos ímpios e a herança dos santos no mundo porvir; uma ressurreição literal perde totalmente seu valor). Bell prega uma ressurreição alegórica que se dá pela perpetuação da “ideologia cristã” através do pacifismo e pelo serviço ao próximo. Em outras palavras, Jesus está vivo entre nós quando levamos adiante sua missão de tornar este mundo um lugar melhor.

O “Plágio” Judaico-Cristão

Bell é adepto do desconstrucionismo pós-moderno, que questiona muitas das doutrinas e dogmas defendidos pelo cristianismo ortodoxo. O desconstrucionismo pós-moderno nem sempre é uma refutação aberta aos pilares doutrinários do cristianismo. É muitas vezes um tapinha com luva de pelica, algo muito sutil, que bate no fundamentalismo bíblico na forma de questionamentos. No movimento emergente liberal, influenciado pela filosofia pós-moderna, ao invés de fornecer respostas, a moda da vez é lançar dúvidas sobre postulados estabelecidos. Tudo é subjetivo, nada é absoluto, além daquilo que eles entendem como “amor ao próximo”.
Um exemplo disso é a insistência de Bell em comparar as raízes judaico-cristãs da Igreja com lendas e costumes pagãos do Império Romano e da Antiguidade. Ele o faz no vídeo acima de forma extensiva, o fez em seu livro “Repintando a Igreja” e o faz sempre que tem a oportunidade. Esta insistência soa quase como uma sugestão de que toda a narrativa judaico-cristã foi nada mais do que um plágio das superstições de Antiguidade.
Bell reconta o evangelho no vídeo acima como se fosse uma mera lenda deste “grupo de judeus que alegam terem visto seu rabino ressurreto” (para usar suas próprias palavras). Esta ambiguidade e o sutil jogo de palavras no discurso acima me incomodam (eu diria que talvez minha veia fundamentalista está falando alto demais, se não conhecesse a visão distorcida que Rob Bell tem das Escrituras). Bell fala de forma apaixonada quando descreve a missão da Igreja (que supostamente é transformar o mundo em um lugar melhor), mas a imparcialidade apática de sua retórica quando toca em certos pontos, como o nascimento virginal de Cristo, a crença em Jesus como o Filho de Deus, sua ressurreição e ascenção aos céus (repetidamente comparando tais crenças com mitos e práticas pagãs), mais se assemelha com a de um jornalista que se limita a transmitir uma estória sem necessariamente expressar sua opinião ao dizer se a mesma é real ou somente uma lenda. É como se pudéssemos ouvir a Serpente, ao longo da narrativa Bell, perguntando de forma bem sutil: “Será que essa estória é mesmo verdadeira ou não passa de uma lenda?”
Um outro exemplo está na página 26 de seu livro Velvet Elvis – Repainting the Christian Faith (no Brasil publicado com o título “Repintando a Igreja”), onde Rob Bell compara o nascimento virginal de Cristo com a lenda de Mitra (como no vídeo acima). Bell diz que a palavra “virgem” usada por Mateus pode ser traduzida como “jovem moça” e que se Jesus tivesse um pai biológico chamado Larry, a fé cristã em nada seria afetada, pois supostamente o que importa é a maneira que vivemos. Bell não nega abertamente o nascimento virginal, mas além de lançar dúvidas sobre o fato, anula totalmente sua relevância.
Será que este pequeno fato não tem nenhuma relevância? Pensemos: se Jesus tivesse um pai terrenal, as Escrituras estariam mentindo quando afirmam que José não teve relações com Maria até um tempo depois que Jesus nasceu. Se Mateus 1:25 não mente, então a mãe de nosso Senhor teria sido uma adúltera e fornicadora. Inevitavelmente, tal questionamento fere uma das duas premissas: ou a Bíblia não é infalível ou a mãe de nosso Senhor não era uma mulher descente. Ainda que seja verdade que no hebraico a palavra “virgem” é sinônimo de “jovem moça”, o contexto de Mateus nos deixa bem claro o que o evangelista quis realmente dizer.
Se Jesus era filho de José, de Larry ou qualquer outro homem, então toda a retórica de Paulo acerca do segundo Adão e uma nova raça não passaria de uma sandice (1 Cor 15:45 em diante).

As Influências de Rob Bell

Os Bell começaram a questionar seus próprios conceitos a respeito da Bíblia – “descobrindo a Bíblia como um produto humano”, nas palavras de Rob, ao invés de um produto divino. “A Bíblia ainda é o centro para nós”, diz Rob, “mas um tipo diferente de centro. Queremos abraçar o mistério ao invés de conquistá-lo.”
“Cresci pensando que entendia a Bíblia”, diz Kristen, “que sabia o que ela queria dizer. Agora, não tenho a menor idéia do que ela quer dizer.”
Fonte: Brian McLaren
Não quero promover a temporada de caça às bruxas, mas é importante que você, que lê as obras de Rob Bell, saiba que ele e sua esposa negam abertamente a inspiração e a inerrância das Escrituras. A emergência liberal é um processo de desaprendizado bíblico, no qual deixamos de entender a Bíblia como o veículo por meio do qual Deus expressa sua vontade absoluta de forma clara, para vê-la como um conjunto de rabiscos humanos do qual podemos até extrair algumas coisas, desde que não se trate de algo muito absoluto – seguindo a tendência pós-moderna niilista de abraçar o subjetivo, negar valores absolutos, de evitar ver as coisas “preto no branco”, de ter respostas prontas. Crendo-se muito sábios, os emergentes liberais se tornaram loucos, adeptos de um masoquismo intelectual que prefere dúvidas a certezas.
E como ninguém interpreta a Bíblia a partir do vácuo, mas inevitavelmente reflete em sua análise alguma influência, seja teológica ou cultural, devemos perguntar quais são as fontes de Rob Bell. A resposta não é tão difícil.
As ideias de Bell tendem à heresia conhecida como neo-ortodoxia bartiniana. Karl Barth ensinava o universalismo (algo que os emergentes liberais abraçam) e que as Escrituras apenas se tornam a Palavra de Deus por meio da obra do Espírito Santo em cada indivíduo, de forma subjetiva. Em outras palavras, a Bíblia não é divinamente inspirada, a não ser que Deus decida usá-la para falar com o indivíduo (assim como faz quando fala conosco por meio de um filme ou de uma notícia de jornal).
Em uma nota de rodapé, na página 184 de seu livro Velvet Elvis – Repainting the Christian Faith (Repintando a Igreja), Rob Bell cita como uma de suas referências o teólogo Marcus Borg e sua obra The Heart of Christianity (O Coração do Cristianismo). As citações a seguir foram retiradas da página 45 da obra de Borg citada por Bell:
Marcus BorgA Bíblia é o produto de duas comunidades históricas: Israel antigo e o movimento cristão primitivo. […]
Como tal, é um produto humano, não divino. […]
A Bíblia descreve a maneira como estas comunidades antigas responderam a Deus … a Bíblia nos relata a maneira como eles viam as coisas […] Não é o testemunho de Deus acerca de si mesmo (não é um produto divino), mas o testemunho destas pessoas diante de Deus.
Como produto humano, a Bíblia não é a “verdade absoluta” ou a “verdade revelada de Deus”, mas é relativa e condicionada à cultura … a Bíblia nos diz como nossos ancestrais espirituais viam as coisas – não como Deus as vê.
Pergunto àqueles que acompanham Rob Bell: a linguagem de Borg lhes soa familiar?
As impressões digitais de Borg estão por todos os lados nas obras de Rob Bell e de seu mentor Brian McLaren (autor de Ortodoxia Generosa e A Mensagem Secreta de Jesus), obras estas que Ricardo Gondim endossa e aparentemente têm como referência (o que não é nenhuma supresa). Suas idéias estão em gritante contraste com o que Paulo nos diz acerca das Escrituras;
Toda Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente preparado para toda boa obra. (2 Tim 3:16-17)

Conclusão

Rob Bell O tipo de “evangelho” apresentado no vídeo acima é uma versão adulterada do Evangelho apostólico que prega Cristo crucificado para a redenção da raça humana. É uma adaptação que dilui o chamado apostólico ao arrependimento em uma mera filosofia pacifista centrada na prática de boas obras e demonstração de amor ao próximo.
Ainda que elementos como pacifismo, auto-negação e amor sacrificial na forma de boas obras sejam elementos importantes do verdadeiro Evangelho, esta não é a essência do Evangelho genuíno. A essência do verdadeiro Evangelho é que o homem, intrinsicamente depravado, foi redimido por Cristo, por meio de seu sacrifício expiatório na cruz do Calvário. Com “sacrifício expiatório”, entende-se que Jesus tomou nosso lugar na morte e na condenação pelas quais que eu e você deveríamos ter passado. Entendendo isso, e somente a partir daí, é que, mediante o arrependimento de nossas obras mortas, morreremos para nossa velha natureza e seremos transformados de glória em glória à imagem do Filho de Deus, para que possamos caminhar em novidade de vida neste mundo. E apesar de a glória do Filho de Deus em nós nos impulsionar a servir nosso próximo, tal demonstração de amor não se limita a “fazer do mundo um lugar melhor” (como Bell afirma no vídeo). O mesmo amor com o qual aliviamos o sofrimento dos menos favorecidos deste mundo, deve tornar-nos arautos de um mundo porvir que será herdado por aqueles que ressuscitarem para a Vida Eterna, e também do julgamento dos ímpios.
A visão que Bell tem das Escrituras Sagradas (como uma obra que representa a visão de seus escritores e não a verdade absoluta de Deus) somada à forma ambígua na qual ele narra a vida de Jesus – insistentemente comparando o nascimento virginal de Cristo, sua posição como Filho de Deus e sua ressurreição corporal a mitos e práticas pagãs – me faz questionar a cristologia de Rob Bell. Afinal, se as Escrituras não se constituem na Palavra escrita inspirada por Deus, então coisas como “nascimento virginal”, “Filho de Deus” , “ressurreição” e “ascenção aos céus” na cabeça de Bell podem realmente ser somente uma força de expressão, uma figura de linguagem influenciada pela superstição, pela mitologia e pela idolatria aos césares da época. Talvez, na cabeça de Bell, a maneira como a Bíblia descreve Jesus seja somente “uma pintura da forma que os primeiros discípulos enxergavam as coisas.”
Digo “talvez”, caro leitor, porque penso que ninguém pode saber com certeza o que pensa Bell e outros emergentes liberais a respeito de algumas coisas. A característica principal do espírito que está por traz do liberalismo emergente é deixar certas coisas “no ar”, para que sejam interpretadas individualmente. Afinal, de acordo com a filosofia pós-moderna que influencia a mente destes líderes, “nunca há somente uma resposta possível” e a verdade é algo relativo.
Tudo isso nos leva e pensar que se Jesus fosse um homem comum, nunca houvesse ressuscitado ou sequer existido – e tudo não passasse de uma lenda plagiada de Roma Antiga – para Bell e seus seguidores não haveria problema algum, pois o que importa realmente são os ensinamentos que este Cristo “lendário” nos deixou e sua prática de “amor ao próximo” (!!!). O liberalismo emergente transformou o Evangelho em uma mera filosofia e reduziu o Filho de Deus a um filósofo, na melhor das hipóteses, ou a uma mera lenda, na pior delas.
A mensagem sublimar por trás do liberalismo emergente é somente uma, e não é difícil de ser decifrada. Abaixo, a compilação dos sutis elementos que cada vez mais caracterizam o diálogo emergente, a saber: o liberalismo teológico, o universalismo e a prática de boas obras como substituição à mensagem da cruz:
A Bíblia não transmite verdades absolutas. Então, não importa quais fatos da narrativa bíblica são realidades e quais são meras projeções das opiniões ou superstições de seus autores. O importante mesmo são alguns valores que podemos dela extrair, a saber: O Evangelho é a boa nova de que Deus quer tornar este mundo em um lugar melhor. O Evangelho é nada mais do que um conjunto de bons valores morais, éticos e sociais que devem ser perpetuados e compartilhados pela prática do pacifismo, da auto-negação e do amor ao próximo. Quando fazemos estas coisas, Cristo está vivo entre nós – esta é a ressurreição. A única diferença entre budistas, hindus, muçulmanos, cristãos e até mesmo incrédulos de boa índole é que os cristãos personificam estas boas novas na lenda do Filho de Deus. Mas o que importa realmente é o amor, porque Deus é amor.”
Este é o mesmo “evangelho” de obras contra o qual os reformadores tanto lutaram, com a diferença de que, em sua nova versão, não agradamos a Deus pela compra de indulgências, mas pela prática de boas obras. Tal mensagem é a amostra de uma forma de piedade que nega o poder de Deus (2 Tim 3:5). É morte na panela, é apostasia.
Quem vos fascinou para não obedecerdes à verdade, a vós, perante os olhos de quem Jesus Cristo foi evidenciado, crucificado, entre vós? (Gal. 3:1)


Fonte deste post: http://paoevinho.wordpress.com/2009/07/30/o-evangelho-diludo-de-rob-bell/


August 19, 2009

Mídia Sem Máscara entrevista Ives Gandra Martins





Ives Gandra da Silva Martins, renomado jurista brasileiro com reconhecimento internacional, é professor emérito das universidades Mackenzie, Paulista e da ECEME – Escola de Comando do Estado Maior do Exército.

Presidente do Conselho da Academia Internacional de Direito e Economia, é membro das Academias de Letras Jurídicas, Brasileira e Paulista, Internacional de Cultura Portuguesa (Lisboa), Brasileira de Direito Tributário, Paulista de Letras, dentre outras.

Ao longo de sua notável trajetória, recebeu vários prêmios: Colar de Mérito Judiciário dos Tribunais de São Paulo e do Rio de Janeiro, Medalha Anchieta da Câmara Municipal de São Paulo, Medalha do Mérito Cultural Judiciário do Instituto Nacional da Magistratura e da Ordem do Mérito Militar do Exército Brasileiro, apenas para mencionar alguns. Já participou e organizou mais de 500 congressos e simpósios, nacionais e internacionais, sobre direito, economia e política.

O professor Ives Gandra é autor de mais de 40 livros individualmente, 150 em co-autoria e 800 estudos sobre assuntos diversos, como direito, filosofia, história, literatura e música, traduzidos em mais de dez línguas em 17 países.

August 12, 2009

Como Zaqueu?

Estava disposto a escrever algo sobre o cântico "Como Zaqueu", que tem sido muito cantado nas igrejas evangélicas ultimamente, e que tem erros teológicos em sua letra, quando me deparei com o artigo abaixo, escrito por um pastor da Assembléia de Deus. Vale a pena ler.

"Alguns internautas têm me instigado a analisar a composição “Faz um milagre em mim”. Eu vinha evitando fazer isso, a fim de não provocar a ira dos fãs do cantor que interpreta esse hit “evangélico”. Afinal, vivemos em uma época em que dar uma opinião à luz da Bíblia desperta a fúria daqueles que dizem ser servos de Deus, mas são, na verdade, fãs, fanáticos e cristãos nominais.

Resolvi, pois, atender os irmãos que desejam obter um esclarecimento quanto ao conteúdo da canção mais cantada pelo povo evangélico na atualidade, a qual começa assim: “Como Zaqueu, eu quero subir o mais alto que eu puder”.

Primeira pergunta para reflexão: Zaqueu, quando subiu na figueira, era um seguidor de Jesus, um verdadeiro adorador? Não. Ele era um chefe dos publicanos, desobediente a Deus e corrupto (Lc 19.1-10). Nesse caso, como um crente em Jesus Cristo, liberto do poder do pecado, pode ainda desejar ser como Zaqueu, antes de seu maravilhoso encontro com Jesus?

Segunda pergunta para reflexão: Por que Zaqueu subiu naquela árvore? Ele estava sedento por salvação? Queria, naquele momento, ter comunhão com Jesus? Não. A Palavra de Deus afirma: “E, tendo Jesus entrado em Jericó, ia passando. E eis que havia ali um varão chamado Zaqueu; e era este chefe dos publicanos, e era rico. E procurava ver quem era Jesus, e não podia, por causa da multidão, pois era de pequena estatura” (Lc 19.1-3). Ele não subiu na figueira porque estava desejoso de ter comunhão com Jesus, mas porque estava curioso para vê-lo.

Terceira pergunta para reflexão: O verdadeiro adorador deve agir como Zaqueu, ou como o salmista, que, ao demonstrar o seu desejo de estar na presença de Deus, afirmou: “Como o cervo brama pelas correntes das águas, assim suspira a minha alma por ti, ó Deus! A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo: quando entrarei e me apresentarei ante a face de Deus?” (Sl 42.1,2)? Será que o pecador e enganador Zaqueu tinha a mesma sede do salmista? Por que um verdadeiro adorador desejaria ser como Zaqueu?

Mas o hit “evangélico” continua: “Só pra te ver, olhar para ti e chamar sua atenção para mim”. Outra pergunta para reflexão: Será que precisamos subir o mais alto que pudermos para chamar a atenção do Senhor? Zaqueu, segundo a Bíblia, subiu na figueira por curiosidade. Mas Jesus, olhando para cima, lhe disse: “Zaqueu, desce depressa, porque hoje me convém pousar em tua casa” (Lc 19.5). Observe que não foi Zaqueu quem chamou a atenção de Jesus. Foi o Senhor quem olhou para cima e viu aquele pecador perdido e atentou para ele (cf. Mt 9.36).

A atitude de Zaqueu que nos serve de exemplo não foi o subir, e sim o descer, para atender o chamamento de Jesus: “E, apressando-se, desceu, e recebeu-o gostoso” (Lc 19.6). Por conseguinte, pergunto: O adorador, salvo, transformado, precisa subir para chamar a atenção de Jesus? Não. Na verdade, o Senhor está com o contrito e abatido de espírito (Is 57.15). Espiritualmente falando, Ele atenta para quem desce, e não para quem sobe (Sl 138.6; Lc 3.30).

Mais uma pergunta para reflexão: Se a atitude que realmente recebe destaque, na história de Zaqueu, foi a sua descida, por que a canção enfatiza a sua subida? O mais lógico não seria cantar “Como Zaqueu, eu quero descer”? Reflitamos. Afinal, como diz uma frase que circula na grande rede, o Senhor Jesus morreu para tirar os nossos pecados, e não a nossa inteligência.

A composição não é de todo condenável, pois o adorador que se preza deve mesmo cantar: “Eu preciso de ti, Senhor. Eu preciso de ti, ó Pai. Sou pequeno demais, me dá a tua paz”. Mas, a frase seguinte provoca outra pergunta para reflexão: “Largo tudo pra te seguir”. Estamos mesmo dispostos a largar tudo para seguirmos ao Senhor? E mais: É preciso mesmo largar tudo para segui-lo?

O que o Senhor Jesus nos ensina, em sua Palavra? Em Mateus 16.24, Ele disse: “Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me”. Renunciar não é, necessariamente, abandonar, largar, mas pôr em segundo plano. A própria família pode ser um obstáculo para um adorador. Deve ele, nesse caso, largá-la, abandoná-la? Claro que não! Renúncia equivale a priorizar uma coisa em detrimento de outra.

Não precisamos largar a família, o emprego, etc. para seguir o Senhor! Mas precisamos considerar essas coisas secundárias ante a relevância de priorizar a comunhão com Jesus (Mt 10.27). Nesta última passagem vemos que o adorador deve amar prioritariamente o Senhor Jesus, mas sem abandonar tudo para segui-lo! Não confundamos renúncia com abandono. O que devemos largar para seguir a Jesus é a vida de pecado, e não tudo.

A canção continua: “Entra na minha casa. Entra na minha vida”. O compositor se refere a Zaqueu, mas não foi este quem convidou o Senhor para entrar em sua casa. Na verdade, foi Jesus quem lhe disse: “Zaqueu, desce depressa, porque hoje me convém pousar em tua casa” (Lc 19.5). Nota-se, pois, que esta parte da canção não é essencialmente cristocêntrica, e sim antropocêntrica. Mais uma pergunta para reflexão: O hit em apreço prioriza a obra que Jesus faz na vida do pecador, ou dá mais atenção ao que o homem, o ser humano, faz para conseguir o que deseja? A canção enfatiza a Ajuda do Alto, ou a autoajuda?

Outra pergunta: Um verdadeiro adorador, um servo de Deus, alguém que louva a Jesus de verdade, que canta louvores ao seu nome, não é ainda uma habitação do Senhor? Por que pedir a Ele que entre em nossa casa e em nossa vida, se já somos moradas de Deus (Jo 14.23; 1 Co 6.19,20)?

A parte mais contestada da composição em apreço sinceramente não me incomoda muito: “Mexe com minha estrutura. Sara todas as feridas”. Que estrutura seria essa? No Salmo 103.14 está escrito: “... ele conhece a nossa estrutura; lembra-se de que somos pó”. Deus, é claro, conhece-nos profundamente. Ele conhece a totalidade do ser humano: espírito, alma e corpo (1 Ts 5.23; Hb 4.12). Creio que o compositor tomou como base o que aconteceu com Zaqueu. O seu encontro com o Senhor mudou a sua vida por completo, “mexeu com a sua estrutura” (Lc 19.7-10). Deus faz isso na vida do pecador, no momento da conversão, e continua a transformar os salvos, a cada dia (2 Co 3.18).

Quanto a sarar feridas, o Senhor Jesus de fato nos cura interiormente. Mas não pense que estou aqui defendendo a falsa cura interior, associada a regressão psicológica, maldição hereditária, etc. Não! O Senhor Jesus, mediante a Palavra de Deus e a ação do Espírito Santo, cura os quebrantados do coração, dando-lhes uma nova vida (Lc 4.18; 2 Co 5.17).

Diz ainda a canção: “Me ensina a ter santidade. Quero amar somente a ti. Porque o Senhor é o meu bem maior”. Sendo honesto e retendo o que é bom na composição (1 Ts 5.21), Deus, a cada dia, nos ensina a ser santos, em sua Palavra (Hb 12.14; 1 Pe 1.15-25). Além disso, Ele é, sem dúvidas, o que temos de mais precioso mesmo e, por isso, devemos amá-lo acima de todas as coisas (2 Co 4.7; Lc 10.27).

Quanto à última frase “Faz um milagre em mim”, o compositor comete o mesmo erro de português constante da campanha de publicidade da Embratel: “Faz um 21”. Na verdade, no caso da canção o correto seria: “Faze um milagre em mim”. E, no caso da Embratel: “Faça um 21”. (...)

Diante do exposto, que os pecadores, à semelhança de Zaqueu, desçam, humilhem-se, a fim de receberem a gloriosa salvação em Cristo (Lc 18.9-14). E quanto a nós, os salvos, os verdadeiros adoradores, em vez de subirmos o mais alto que pudermos, que também desçamos a cada dia, humilhando-nos debaixo da potente mão de Deus (1 Pe 5.6), a fim de que Ele nos ouça e nos abençoe (2 Cr 7.14,15)."

Ciro Sanches Zibordi
Pastor da Assembléia de Deus - Niterói
http://cirozibordi.blogspot.com

August 11, 2009

O Inverno Demográfico - Documentário exibido na televisão de Portugal.





Tudo isto porque a população tem se afastado dos ensinamentos de Deus. Grande parte das famílias cristãs também já se conformaram a este padrão. É preciso nos lembrarmos das Escrituras: "Herança do Senhor são os filhos; o fruto do ventre, seu galardão. Como flechas na mão do guerreiro, assim os filhos da mocidade. Feliz o homem que enche deles a sua aljava..." (Sl 127.3-5)

August 7, 2009

Pregação em praça pública - Paul Washer



Algumas perguntas pertinentes:

A não-crentes:

Fez sentido para você a mensagem? Percebe como coisas materiais como dinheiro e fama não podem suprir necessidades espirituais? O pregador, no passado, tinha tudo isso, mas ainda havia um vazio no coração. O vazio foi preenchido por Jesus Cristo.

A crentes:

Você já parou para pensar que o Evangelho é o poder de Deus (Rm 1.16) e que este poder se manifesta no conteúdo e não no meio de comunicação? Deixe-me ser mais claro. Você pode usar meios avançadíssimos de comunicação para passar uma mensagem, mas, se esta mensagem for um evangelho barato, falsificado, e não o Evangelho genuíno, fiel à Palavra de Deus, efeito algum trará ao coração do ouvinte. Poderá até convencê-lo intelectualmente, ou emocioná-lo, mas não produzirá fé verdadeira, necessária para salvação. No vídeo, o pregador, em pleno século 21, subiu em um banquinho, no meio da praça (nem microfone usou) e transmitiu a poderosa mensagem do Evangelho àqueles que ouviram.

A pastores e estudantes de Teologia:

Você tem coragem de fazer o que o pregador do vídeo fez? Seus estudos teológicos estão lhe capacitando para quê? Para ficar trancafiado em um gabinete pastoral, rodeado de livros ou para se relacionar com pessoas e lhes anunciar a salvação?

Aí você me diz: Meu paradigma ministerial é diferente. Não é afeito a evangelismo pessoal ou a falar para não-crentes em praça pública. E eu lhe respondo: Quem é seu paradigma? Jesus? Pedro? Paulo? Por que estes falavam às multidões, onde quer que elas estivessem. Talvez esteja na hora de você mudar de paradigmas e orar como Paulo: "... para que me seja dada, no abrir da minha boca, a palavra, para, com intrepidez, fazer conhecido o mistério do evangelho, pelo qual sou embaixador em cadeias, para que, em Cristo, eu seja ousado para falar, como me cumpre fazê-lo. (Ef 6.19,20).

July 25, 2009

Estamos em viagem


Prezado leitor, estamos em uma viagem missionária no Rio Grande do Sul, um dos estados menos evangelizados do país. Ore por nós e acompanhe notícias do trabalho no seguinte link:

http://www.projetodespertandovocacoes.blogspot.com/

July 8, 2009

Na era do entretenimento até funeral vira show


Na era do entretenimento até um momento sério e grave como o de um funeral vira show.

No último dia 07/07 aconteceu o funeral do cantor Michael Jackson. Com lágrimas, mas muita música e a presença de artistas famosos como Mariah Carey, Queen Latifah, Stevie Wonder, Lionel Richie, entre outros, o evento foi transmitido, ao vivo, durante cerca de três horas, por 19 cadeias de televisão americanas. O funeral foi assistido por 30,9 milhões de americanos, pela televisão, segundo dados divulgados pela empresa "Nielsen Media Research", que mede níveis de audiência, isso sem contar as milhares de pessoas que assistiram pela internet, no mundo inteiro.

Não é de se estranhar que a sociedade tenha chegado a este ponto. J.I. Packer, no seu livro "Religião Vida Mansa" (Editora Cultura Cristã) fala sobre o que está acontecendo com nossa sociedade:

"Qual o símbolo que você acharia apropriado para representar a cultura ocidental moderna? Um hambúrguer? Um aparelho de som? Um carro? Um avião? Uma TV? Um computador? Minha escolha é a banheira quente. Por quê? Por que uma banheira quente é tão divertida! (...) Assim como a imagem do cão olhando para o tubo de som nas etiquetas daqueles discos antigos transmite a idéia do fascinado deleite com aquilo que está sendo ouvido, assim também o emblema da banheira quente expressa perfeitamente a paixão obsessiva do mundo moderno em encontrar formas agradáveis de se relaxar. Nossos antepassados descansavam para estar prontos para trabalhar; nós trabalhamos para estar livres para descansar. Dedicamos uma inventividade sem fim em encontrar novos meios para nos divertir e ficar contentes. Férias, feriados, viagens, esportes, diversão pública, artes de lazer, tudo que a banheira quente representa, de um modo ou de outro, são as coisas que o nossa era materialista presume que definam a vida. Isto tem conseqüências perturbadoras para a cristandade ocidental. O hedonismo (a síndrome da busca do prazer) distorce a santidade, e o hedonismo hoje exerce uma influência férrea sobre nossas prioridades." (p. 49)

O que temos visto hoje é típico da época em que vivemos, a pós-modernidade. O conceito de certo e errado deixaram de ter importância. O hedonismo, o materialismo e o humanismo fazem com que as escolhas passem pelo critério, não do que é moralmente correto, mas do que é sensorialmente aprazível, confortante. Em termos bem práticos, não importa como eu conduzo meu namoro ou casamento. Não importa se, de acordo com a Bíblia, eu estou em flagrante pecado. O que importa é o meu prazer obtido, meu bem-estar. Não importa se, para conseguir bens eu tenha que usar de expedientes ilícitos e desonestos, o que importa é o bem-estar e o conforto financeiro meu e de minha família.

John MacArthur Jr, no livro "Com Vergonha do Evangelho: quando a Igreja se torna como o Mundo" (Editora Fiel) fala sobre esta transição cultural:

"Enquanto Charles Spurgeon batalhava na Controvérsia do Declínio, uma tendência mundial começava a emergir, a qual estabeleceria o curso dos afazeres humanos em todo o século XX. Era o surgimento do entretenimento como o centro da vida familiar e cultural. Essa mesma tendência viu o declínio do que Neil Postman chamou de a "Era da Exposição", cuja característica era uma ponderada troca de idéias, de forma escrita e verbal (pregação, debates, preleções). Isso contribuiu para o surgimento da "Era do Show Business" - na qual a diversão e o entretenimento se tornaram os aspectos mais importantes e que mais consumiriam o tempo e a conversa das pessoas. Dramatização, filmes e, finalmente, a televisão colocaram o "show business" no centro de nossas vidas - em última análise, bem no centro de nossa sala de estar. No "show business", a verdade é irrelevante; o que realmente importa é se estamos sendo ou não entretidos. Atribui-se pouco valor ao conteúdo; o estilo é tudo. Nas palavras de Marshall McLuhan, o veículo é a mensagem. Infelizmente, hoje essa forma de pensar norteia tanto a igreja quanto o mundo." (p. 73).

De fato, a igreja tem sido influenciada por este modo de vida. Pragmatismo e hedonismo tem andado de mãos dadas em nossas igrejas. O pragmatismo, isto é, a idéia de que o valor de algo é determinado, não pelo que é certo, mas por seus resultados, tem feito com que líderes criem as programações mais diversas e inovadoras, não com o propósito de ensinar a verdade, mas de encher auditórios. Do outro lado, o hedonismo é observado nas pessoas que vão à igreja não para aprender o que Deus requer delas, mas para se divertirem ou para ver o que podem ganhar materialmente em sua relação com Deus. Novamente cito Packer:

"O último passo, é claro, seria tirar os assentos dos auditórios das igrejas e instalar banheiras quentes em seu lugar; então nunca haveria problemas de freqüência. Enquanto isso, muitas igrejas, muitos evangelistas e muitos religiosos eletrônicos já estão oferecendo ocasiões que são planejadas para nos levar a sentir que só perdem para uma banheira quente - isto é, são reuniões felizes e descuidadas, momentos verdadeiramente divertidos para todos. A felicidade tem sido definida como um bichinho de estimação bem quentinho. Este tipo de religião projeta a felicidade na forma de calorosas boas vindas a todos os que se sintonizam ou aparecem ali; um coral quente, com um balanço chegado; na oração e na pregação, um uso cálido de palavras que acariciam nossas costas; e um encerramento caloroso e encorajador (próprio de uma banheira quente)." (p. 51).

E MacArthur:

"Até mesmo a música e a dramatização são cuidadosamente escolhidas para que os incrédulos sintam-se bem. Nada, praticamente, é dispensado como impróprio para o culto: rock nostálgico, os ritmos disco, heavy metal, rap, dança, comédia, palhaços, mímica e magia teatral; tudo se tornou parte do repertório evangélico. Aliás, uma das poucas coisas que é considerada como inadequada é a pregação clara e poderosa..." (p. 46).

Enquanto muitos se orgulham de estarem na "vanguarda" do evangelismo, usando métodos "criativos" de evangelização e conseguindo resultados surpreendentes, enchendo seus auditórios com pessoas "animadas", a Bíblia não dá sustentação a este tipo de estratégia. Pelo contrário, a Palavra de Deus condena o uso de artifícios na evangelização, pois estes, no máximo, conduzirão pessoas a conversões falsas.

Paulo, escrevendo aos coríntios, diz o seguinte: "Eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não o fiz com ostentação de linguagem ou de sabedoria. Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado. E foi em fraqueza, temor e grande tremor que eu estive entre vós. A minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder, para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria humana, e, sim, no poder de Deus (1Co 2.1-5).

Paulo também escreve aos Tessalonicenses o que segue: "Pois a nossa exortação não procede de engano, nem de impureza, nem se baseia em dolo; pelo contrário, visto que fomos aprovados por Deus, a ponto de nos confiar ele o evangelho, assim falamos, não para que agrademos a homens, e sim a Deus, que prova o nosso coração. A verdade é que nunca usamos de linguagem de bajulação, como sabeis, nem de intuitos gananciosos. Deus disto é testemunha. Também jamais andamos buscando glória de homens, nem de vós, nem de outros." (1Ts 2.3-6).

Em uma era em que até velório virá show com transmissão mundial, que Deus nos guarde. Que não nos tomemos a forma deste século (Rm 12.2) indo à igreja atrás de convívio social, antes que comunhão com Deus, buscando entretenimento, ao invés de contrição, ou fazendo esforços para agradar as pessoas, ao invés de sermos fiéis a Deus.

Como disse D.L. Moody, "o lugar do navio é dentro do mar, mas Deus ajude o navio se o mar entrar dentro dele".

July 3, 2009

Um cristão que fez diferença



Nicholas George Winton nasceu em 19 de maio de 1909. Sua família tinha origens judaicas, mas seus pais se converteram ao Cristianismo e ele foi batizado na Igreja Anglicana.

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