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September 12, 2018

30 Razões por que mulheres não devem pregar em cultos públicos


1. Na criação, Deus estabeleceu o homem como cabeça e a mulher como auxiliadora (Gn 2.18). O ensino pressupõe autoridade;

2. Sendo o marido “o cabeça da mulher” (Ef 5.23) não pode a mulher, na igreja, ser cabeça do marido;

3. Os sacerdotes eram responsáveis em ensinar a Lei ao povo (Lv 10.11, Ml 2.7) e nunca houve sacerdotisas em Israel;

4. Mulheres foram profetisas na Bíblia, mas Pregação e Profecia são dons diferentes (Rm 12.6,7; 1Co 12.28,29 e Ef 4.11). Na Profecia Deus coloca as palavras na boca do profeta (Dt 18.18 e 1Co 14.30). Ele é tomado pela profecia (1Co 14.25). Até Saul profetizou (1Sm 10.10);

5. Mulheres profetizaram, mas o ensino autoritativo foi reservado aos homens (1Tm 1.12, 3.2, Tt 1.6);

6. Débora (Jz 4.6), Miriã (Êx 15.20,21) e Hulda (2Rs 22.14) profetizaram, mas não exerceram ensino autoritativo diante do povo;

7. Débora foi juíza em Israel por causa da omissão masculina. Todavia, ela não convocou o povo para a batalha, mas encorajou Baraque a fazê-lo (Jz 4.6,10);

8. Quando Baraque insistiu na presença de Débora, ela o repreendeu para que ele assumisse sua função de cabeça (Jz 4.9);

9. Na história de Débora, a palavra “julgava” (shaphat) não significa governar nem ensinar, mas decidir controvérsias;

10. Os filhos de Israel subiam a Débora para juízo. Ela não estava governando ou ensinando um grupo, mas julgando questões do povo debaixo de uma palmeira (Jz 4.5);

11. Débora não liderou a batalha. Baraque o fez. Por isso, ele é lembrado no futuro e Débora omitida (1Sm 12.11; Hb 11.32);

12. Crianças e mulheres como cabeças são juízo de Deus sobre o seu povo (Is 3.12);

13. Por mais que fosse seguido por mulheres que o serviam (Mt 27.55), Jesus só escolheu apóstolos homens;

14. Sendo Jesus isento de quaisquer preconceitos, poderia ter escolhido uma mulher para ser apóstola, mas não o fez porque a liderança do povo de Deus foi designada a homens;

15. Os apóstolos seguiram a mesma orientação submetendo a Deus a escolha de Matias no lugar de Judas (At 1.23);

16. Na escolha dos diáconos, só homens foram indicados para cuidarem das viúvas (At 6.3);

17. Priscila, juntamente com Áquila, ensinaram Apolo no particular, não no público: “tomaram-no consigo” (At 18.26);

18. Paulo ensinou aos coríntios o padrão bíblico: o marido é o cabeça do lar, os pastores são os cabeças de suas igrejas locais, Cristo é o cabeça da Igreja global e Deus Pai é o cabeça de Cristo (1Co 11.3)

19. O argumento que defende que a mulher pode pregar se estiver debaixo da autoridade do pastor é falacioso. Pastores não podem autorizar ninguém a desobedecer a Bíblia (Gl 1.8);

20. Quando Paulo escreve aos Gálatas dizendo que, em Cristo, “não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher” (Gl 3.28) ele está tratando de salvação, não de pregação ou de ofícios;

21. O propósito de Deus com a Bíblia foi o de alcançar todas as gerações do seu povo. A Bíblia continua atual e nela Deus não deixou orientações a pastoras, mas só a pastores (1Tm 3 e Tt 1);

22. As mulheres devem aprender em silêncio, com toda a submissão (1Tm 2.11);

23. O bispo ou presbítero, que deve ser, dentre outras coisas, “apto para ensinar” deve ser “esposo de uma só mulher”, logo, homem (1Tm 3.2);

24. Aqueles que devem se afadigar na palavra e no ensino são presbíteros, homens (1Tm 5.17);

25. As instruções quanto ao procedimento no trato com as ovelhas – ser brando para com todos, apto para instruir, paciente, disciplinando com mansidão os que se opõem – são dadas a homens (2Tm 2.24,25);

26. As mulheres idosas são chamadas por Deus para ensinar “as jovens recém-casadas a amarem ao marido e a seus filhos” (Tt 2.3,4);

27. O sacerdócio universal dos crentes não diz respeito ao ensino autoritativo da igreja, mas ao acesso de todos os crentes a Jesus Cristo (Hb 10.19-22);

28. Os anjos das cartas do Apocalipse eram pastores, homens. Os pronomes estão todos no masculino (Ap 2.1,8,12,18, 3.1,7,14);

29. Na Bíblia, a única mulher que explicitamente ensina com autoridade é Jezabel, uma ímpia (Ap 2.20);

30. Não há livro bíblico escrito por mulher e, nos três primeiros séculos da Igreja nós não encontramos nenhuma mulher sendo ordenada ou sendo responsável pelo ensino da igreja, exceto no Montanismo, heresia do século II.

August 29, 2018

Por que abandonei a Igreja "Sensível ao que Busca"




Comecei a pastorear em setembro de 1994 - bem no meio loucura do movimento “seeker-sensitive” (sensível ao que busca). As duas primeiras igrejas em que trabalhei estavam 100% comprometidas com o programa. Nós éramos contemporâneos, tínhamos foco, boa sinalização e todos os nossos valores centrais começavam com a letra "G"1 - éramos tão amigos dos interessados ​​quanto era humanamente possível.


Ambas as igrejas fecharam e o próprio movimento parece estar em declínio terminal.

Foi um momento da minha vida, mas estou muito feliz por ter acabado.

Havia muitas pessoas boas no movimento e algumas motivações muito admiráveis ​​por trás disso, mas quando eu reflito sobre a minha experiência, me parece que o modelo sempre esteve fadado ao fracasso por pelo menos 7 razões simples.


1. Porque você pesca o que estava querendo pescar

A lógica básica do movimento “sensível ao que busca” era que nós atrairíamos as pessoas tocando música contemporânea, cantando canções contemporâneas, falando o jargão contemporâneo e abordando questões contemporâneas. Então, em algum ponto não específico no futuro, faríamos a transição para coisas mais carnudas e substanciais.

Era uma operação básica de atrair para dentro para depois trocar a isca e, como você pode imaginar, nunca funcionou na prática.

Acontece que com aquilo que você ganha as pessoas é aquilo que você tem que manter as pessoas com. Se você se apresentar como uma igreja para pessoas que não gostam de igreja, então você não pode fazer coisas religiosas sem esperar um retorno significativo.

É por isso que a maioria das igrejas do movimento nunca conseguiram sair da rota de fusão teológica. Se você os der um cristianismo água com açúcar, então você precisa continuar a oferecer o mesmo cristianismo semana após semana após semana. A lógica da igreja buscadora prende você numa reconstituição espiritual de Waiting For Godot2.

Me ponha fora dessa.

Eu gosto muito das portas da frente, mas também gosto das cozinhas, corredores e salas de jantar. Eventualmente você tem que chegar à parte carnuda, mas nas igrejas do movimento que eu fazia parte, parece que nunca chegávamos.


2. Porque pequenos grupos não são a igreja

Claro que a teoria era que iríamos chegar na carne dentro dos pequenos grupos. Esse foi o nosso mantra. Dizíamos que a igreja no domingo era agora para visitantes e que os Pequenos Grupos seriam para nós. Foi o que dissemos, mas na verdade não tenho certeza de quantos de nós acreditamos nisso.


Devo confessar que tive poucas experiências positivas em um pequeno grupo. A maioria dos Pequenos Grupos dos quais fui forçado a fazer parte seguiu o mesmo script básico. Nós nos reunimos, de algum modo a contragosto, uma vez a cada duas semanas, exceto durante o verão ou se a reunião caísse dentro de um feriado oficial de 5 dias. O que significava que nos encontrávamos praticamente 14-16 vezes por ano.

Passávamos de 15 a 20 minutos conversando e comendo biscoitinhos. Então haveria "um estudo". O estudo era geralmente conduzido por alguém que se preparara enquanto comíamos biscoitinhos. A liderança dele ou dela geralmente envolvia ler a passagem selecionada e, em seguida, fazer uma versão da pergunta: “Então, o que vocês pensam sobre isso?” O que as pessoas pensavam sobre isso era muitas vezes profundamente perturbador. Felizmente, parte do conteúdo era inevitavelmente interrompido pela pessoa com necessidade de ser ouvida que insistia em transformar cada reunião do Pequeno Grupo em uma sessão de terapia pessoal. Eu normalmente ficava de lado durante essa parte da reunião e ficava fantasiando sobre jogar na NHL3.

Depois disso, orávamos, comíamos mais biscoitos e íamos para casa.

Geralmente não era uma experiência transformadora e certamente não era uma experiência legítima da igreja.

Pequeno Grupo não é igreja.

O Pequeno Grupo é pequeno e seleto - a maioria dos Pequenos Grupos dos quais fiz parte eram organizados baseando-se na geografia e na demografia - o que significa que tínhamos a mesma idade e todos vivíamos nos mesmos bairros da classe média.

Isso não é igreja.

A igreja é jovem e velha, rica e pobre, negra e branca, bem educada e classe trabalhadora sentada lado a lado sob a palavra pregada de Deus e respondendo com louvor, oração e arrependimento.

Isso é mágico. O pequeno grupo, pelo menos para mim, era uma tortura.

Agora, talvez meu grupo não tenha feito isso corretamente. Talvez não estivéssemos comprometidos o suficiente. Só estou dizendo que, se a teoria é que a igreja no domingo vai se tornar um show de variedades voltado para os não-crentes e que meu crescimento espiritual será atendido no Pequeno Grupo, então me ponha fora dessa. Eu vou morrer com esta configuração - e eu quase morri.

3. Porque não estava alimentando nosso povo

Quando eu era um pastor associado à uma Igreja Buscadora, uma das conversas mais comuns que tive foi com pessoas que estavam se perguntando por que não pudemos cantar certas canções de adoração com as quais elas haviam crescido e que haviam ministrado profundamente às suas almas. A resposta da Associação que fui encorajado a dar seguiu as seguintes linhas: “Porque essas músicas são para cristãos e nossos serviços são para pessoas sem igreja. Precisamos pensar menos sobre o que queremos e mais sobre o que eles querem. Você pode cantar essas músicas no seu Pequeno Grupo. ”

Eu frequentemente tive a mesma conversa básica a respeito da comunhão. Não celebrávamos a comunhão em nossos cultos dominicais, mas incentivávamos as pessoas a celebrarem a Ceia do Senhor em um pequeno grupo, embora eu não me lembre de alguém que tenha feito isso.

Há algo de muito arrogante na ideia de que a adoração é para “outras pessoas”; de que eu não preciso fazer isso, mas meu vizinho não salvo precisa.

Eu rapidamente descobri que eu preciso muito disso.

Eu preciso me sentar debaixo da proclamada palavra de Deus no culto público.

Preciso de ajuda para elevar meus pensamentos e louvores ao Senhor.

Preciso de ajuda para lembrar o evangelho.

Eu preciso de ajuda para manter um espírito de gratidão.

Eu preciso de um culto público regular.

Essa é uma das principais razões pelas quais saí do Movimento. Ele parecia supor que nós, pessoas fortes, já havíamos recebido nossa porção de graça e agora precisávamos passar fome para alimentar os outros. Gostei da teoria até descobrir que não era tão forte quanto pensava. Acontece que a distância entre eu e meu vizinho ímpio não era tão grande ou considerável quanto o modelo parecia supor.

4. Porque era muito estreitamente focado

Na primeira Igreja Buscadora que eu fiz parte, o pastor titular costumava nos lembrar regularmente que não estávamos tentando ser todas as coisas para todas as pessoas. Nós estávamos tentando ser uma igreja para as novas gerações4 e seus filhos.

Nós éramos uma igreja focada.

A teoria era que já que você não pode ser bom em tudo e já que há sempre um monte de boas igrejas na cidade, fazia sentido focar nossos esforços e alcançar estritamente uma fatia específica da torta da comunidade.

Nós escolhemos as novas gerações.

No entanto, comecei a me perguntar se alguma dessas “boas igrejas na cidade” poderia ou não ter como alvo algumas das pessoas que escolhemos deixar para trás. Haveria alguém que focasse idosos deficientes mentais? Alguém focaria em imigrantes? Alguém visaria mães solteiras ou doentes terminais? De um modo geral, essas pessoas não têm dinheiro e capacidade voluntária.

E ainda.

Essas são as pessoas que Jesus estava particularmente interessado. Essas são as pessoas que mais se beneficiariam de fazer parte de uma igreja saudável.

Quando saí do Movimento, acho que esse foi o aspecto particular daquela cultura que mais me empolguei em deixar para trás.

5. Porque estava matando nossa equipe

Nas igrejas que eu fazia parte, a “excelência” era um conceito muito importante. Nós falávamos muito sobre honrar o Senhor com “excelência”. Queríamos honrar o Senhor com excelentes anúncios, excelente iluminação, excelente som, excelentes assentos, excelente sinalização e excelente programa - principalmente na manhã de domingo.

Tenho certeza de que o desleixo é um pecado, mas também tenho certeza de que uma obsessão pela excelência leva à profissionalização do ministério e do serviço. Voluntários quase nunca são excelentes. Tenho certeza de que eles são excelentes em tudo o que fazem para ganhar a vida, mas quase nunca são excelentes no que fazem com as 5-7 horas de precioso tempo voluntário que oferecem à igreja. Muitos deles estão comprometidos. Muitos são humildes. Muitos são generosos. Muitos são fiéis. Mas, em geral, eles não são excelentes. Se por excelente você quiser dizer “grau profissional”. É difícil ser profissional em algo que não é sua profissão. E então o que aconteceu ao longo do tempo é que mais e mais tarefas na igreja passaram a ser atribuídas a profissionais reais.

Mas na maioria das igrejas, nunca há profissionais suficientes para dar conta. Portanto, esperava-se que a equipe fizesse mais e mais do ministério. Isso não foi bom para as pessoas e não foi bom para a equipe.

6. Porque não era bíblico

Quanto mais eu tentava entender a filosofia da Igreja Buscadora e quanto mais eu lia a minha Bíblia, mais conflitante eu comecei a me sentir como um pastor nesse movimento em particular. Muitas das coisas que fizemos e muitos dos valores que adotamos pareciam completamente em desacordo com o que eu estava lendo nas Escrituras.

Uma das principais suposições do movimento buscador é que as pessoas sem igreja precisam de um tipo diferente de ministério do que as pessoas da igreja. As pessoas da igreja precisam da Bíblia (entrar em pequenos grupos), mas as pessoas que não são da igreja precisam de sermões serenos sobre tópicos de preocupação imediata. Entre no show de variedades da manhã de domingo.

Mas isso não é o que a Bíblia diz.

A Bíblia diz:

Então a fé vem pelo ouvir e ouvir a palavra de Deus. (Romanos 10:17)

A Bíblia diz que as pessoas são convertidas ao ouvir a Bíblia lida e pregada com referência particular à obra salvadora de Jesus Cristo. Não por histórias engraçadas, dramas, vídeos ou conversas sobre dinheiro e casamento. Pessoas sem igreja se convertem ouvindo a Bíblia e como ela aponta e pertence a Cristo.

A Bíblia também parece indicar que é assim que as pessoas salvas crescem - Jesus orou por isso mesmo:

Santifica-os na verdade; a tua palavra é verdade. (João 17:17 ESV)

As Escrituras parecem dizer que os crentes e incrédulos precisam exatamente da mesma coisa. Eles precisam da Palavra de Deus que muda as vidas! Eles precisam ser ensinados sobre quem é Deus, quem somos e como Deus nos salvou através da pessoa e obra de Cristo. Quanto mais eles ouvem sobre isso, mais crescem sob isso.

Pareceu-me, ao ler a Bíblia, que um único culto na igreja onde a Palavra de Deus era pregada com referência particular à vida e ministério de Jesus Cristo, poderia satisfazer as necessidades de pessoas salvas e não-salvas.

Mas não era assim que fazíamos na Igreja Buscadora.

Isso por si só teria sido suficiente para me tirar do movimento.

Mas havia mais.

7. Porque não funcionou

Eu honestamente não me lembro de uma única história de sucesso verdadeira em todos os 5 anos que passei dentro do movimento da Igreja Buscadora. Não me lembro de encontrar alguém que tenha sido anteriormente desigrejado, que veio a um dos nossos cultos dominicais acessíveis e relevantes, se tornou um verdadeiro seguidor de Jesus Cristo, que se transformou em um pequeno Grupo e que se tornou um discípulo multiplicador e ministrador.

No entanto, lembro-me de ter encontrado muitas pessoas anteriormente religiosas que haviam deixado suas igrejas mais tradicionais porque tínhamos música melhor, expectativas mais baixas e cultos mais curtos.

Na minha experiência, o Movimento Sensível era menos uma porta da frente e mais uma porta dos fundos. Foi um pouso suave para o voo dos cristãos nominais em seu caminho para fora da igreja evangélica.

Muito do que sou hoje como pastor é uma reação a essa experiência e, ao mesmo tempo, um retorno às raízes da minha infância. Eu me tornei um cristão em uma igreja que se deleitava no Cristo das Escrituras. Nós lemos a Bíblia juntos. Nós adoramos juntos. Nós comemos juntos. Vivemos e crescemos juntos e com os dons que tivemos e as oportunidades que o Senhor nos proporcionou, estendemos a mão juntos, para nossa comunidade e através de nossos parceiros, até os confins da terra.

Não é sexy.

Não é contemporâneo.

Mas é igreja.

Eu sou muito grato por isso e continuo a acreditar profundamente nisso.

Aqui estou e pela graça de Deus não sairei daqui.

SDG

Pastor Paul Carter

Tradutor: Caio Jorge


1 – Ou Core Values. São princípios que direcionam um propósito ou uma missão de uma empresa. Os com a letra G costumam identificar igrejas com propósitos, tais como:  Grounded (Assentados [na bíblia]), Glory (glória), Gospel (evangelho), Growth (crescimento), Groups (grupos ou células), Gifts (dons), Generosity (generosidade), Genuineness (sinceridade).

2 – Waiting for Godot é uma peça de Samuel Beckett , na qual dois personagens, Vladimir (Didi) e Estragon (Gogo), aguardam a chegada de alguém chamado Godot que nunca chega.

3 – National Hockey League, ou Liga Nacional de Hockey, um dos esportes mais populares do Canadá.

4 – O original traz a expressão Baby Boomer, que retrata alguém nascido nos anos seguintes à Segunda Guerra Mundial, quando houve um aumento temporário expressivo na taxa de natalidade.

August 8, 2018

Refutando a Luterana Abortista com 11 Argumentos



No dia 06/08/18 a pastora Lusmarina Campos, representando o Instituto de Estudos da Religião (ISER) do Rio de Janeiro, defendeu a descriminalização do aborto no Brasil na Audiência pública do STF. Impregnada de teologia liberal, ela distorceu totalmente o ensino bíblico a fim de validar sua posição favorável ao aborto. Alisto abaixo 11 argumentos em refutação ao seu discurso.
1. Ela disse que “os principais argumentos levantados contra a descriminalização do aborto são religiosos”. De fato, para um cristão verdadeiro, o principal argumento contrário ao aborto é que a vida é sagrada, porque não pertence a nós, mas a Deus. Porém, é falacioso dizer que os melhores argumentos são religiosos, como se fosse uma discussão restrita a este campo. É conhecido e divulgado que juristas, biólogos, médicos e cientistas em geral se opõem ao aborto por questões humanitárias, de defesa da vida e dos direitos do nascituro.
2. Ela defendeu que a ideologia de gênero é sua chave de leitura com a qual ela interpreta a Bíblia. Eu diria que isso explica todo o seu discurso. Quando alguém usa óculos com lentes sujas, tudo o que se vê fica imundo. Quando se assume uma chave hermenêutica social para interpretar a Bíblia, constrói-se uma leitura enviesada da Palavra de Deus, uma caricatura monstruosa. A Igreja Reformada sempre teve a própria Bíblia como chave hermenêutica. É o princípio da “analogia da fé. Quem nos ensina este princípio é o próprio Senhor Jesus. Quando tentado por Satanás com textos bíblicos, sua arma de interpretação correta foi a própria Palavra de Deus.
3. A abortista defendeu que em Êxodo 21.22 o feto não é considerado um ser vivo, pois, na morte acidental descrita no versículo é requerida apenas uma indenização e não a vida do assassino. Este texto é bastante utilizado por abortistas e o argumento é facilmente refutado quando se vai ao texto hebraico. Ali, a melhor tradução para o hebraico yatsa não é aborto, mas saída. É o mesmo verbo utilizado em Gênesis 25 para descrever o nascimento de Esaú e Jacó: “Saiu o primeiro, ruivo, todo revestido de pêlo; por isso, lhe chamaram Esaú. Depois, nasceu [saiu] o irmão; segurava com a mão o calcanhar de Esaú; por isso, lhe chamaram Jacó.” (Gn 25.25,26). É por isso que as versões NKJV e a NIV traduzem o texto não como “aborte” mas “der à luz prematuramente”, ficando assim: “Se homens brigarem e ferirem uma mulher grávida, e ela der à luz prematuramente, não havendo, porém, nenhum dano sério, o ofensor pagará a indenização que o marido daquela mulher exigir, conforme a determinação dos juízes.” (NIV)
4. Ela defendeu que, em Números 5, há o relato de prática autorizada de aborto, por parte de um sacerdote israelita. Eu te convido a ir até Números 5.11 a 31 e ler com seus próprios olhos. Não há nada relacionado com aborto. O texto mostra o ritual que deveria ser feito para o caso de mulheres adúlteras contra as quais não se tivesse recolhido provas (v. 13). O rito consistia em se misturar o pó do tabernáculo em água santificada (v. 17) e, mediante as palavras de julgamento do sacerdote, fazer a mulher beber a água. Se a mulher bebesse a água amarga e fosse adúltera seu ventre se incharia e sua coxa descairia (v. 27). Tudo indica que ficaria estéril também porque, no versículo 28 é registrado “Se a mulher se não tiver contaminado, mas estiver limpa, então, será livre e conceberá.” Note, todavia, que em nenhuma parte do castigo é dito que haveria um aborto.
5. Disse a abortista: “O aborto não é considerado crime ou pecado na Bíblia.” Ora, aborto é o ato de cessar uma vida, logo, é assassinato. Isso é claríssimo no ensino bíblico. A defesa da abortista caminhou no rumo de fazer do aborto um ato sem importância para Deus. Isso contradiz, por exemplo, Oséias 9.14, quando a maldição de Deus sobre Efraim incluía o aborto dos filhos: “Ó Senhor, que darás a eles? Dá-lhes ventres que abortem e seios ressecados.” (NVI). Em contraposição, a bênção de Deus para o povo que adentrava Canaã previa ausência de abortos: “Na tua terra, não haverá mulher que aborte, nem estéril; completarei o número dos teus dias.” (Êx 23.26)
6. Disse a abortista: “Não há determinação bíblica acerca de quando a vida começa. O único texto que faz referência a um embrião é o Salmo 139.16.” De propósito, ela desconsiderou vários textos que apontam para vida intra uterina. Veja alguns:
“Os filhos lutavam no ventre dela; então, disse: Se é assim, por que vivo eu? E consultou ao Senhor.” Gênesis 25.22
“Respondeu-lhe o Senhor: Duas nações há no teu ventre, dois povos, nascidos de ti, se dividirão...” Gênesis 25.23
“... porquanto o menino será nazireu consagrado a Deus desde o ventre de sua mãe; e ele começará a livrar a Israel do poder dos filisteus” Juízes 13.5
“... porque o menino será nazireu consagrado a Deus, desde o ventre materno até ao dia de sua morte” Juízes 13.7
“Nunca subiu navalha à minha cabeça, porque sou nazireu de Deus, desde o ventre de minha mãe...” Juízes 16.17
“As tuas mãos me plasmaram e me aperfeiçoaram, porém, agora, queres devorar-me. Lembra-te de que me formaste como em barro; e queres, agora, reduzir-me a pó? Porventura, não me derramaste como leite e não me coalhaste como queijo? De pele e carne me vestiste e de ossos e tendões me entreteceste. Vida me concedeste na tua benevolência, e o teu cuidado a mim me guardou.” Jó 10.8-12
“Aquele que me formou no ventre materno não os fez também a eles? Ou não é o mesmo que nos formou na madre?” Jó 31.15
“A ti me entreguei desde o meu nascimento; desde o ventre de minha mãe, tu és meu Deus” Salmo 22.10
“Pois tu formaste o meu interior, tu me teceste no seio de minha mãe. Graças te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste; as tuas obras são admiráveis, e a minha alma o sabe muito bem; os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui formado, e entretecido como nas profundezas da terra. Os teus olhos me viram a substância ainda informe” Salmo 139.13-16.
“... porque eu sabia que procederias mui perfidamente e eras chamado de transgressor desde o ventre materno.” Isaías 48.8
“Ouvi-me, terras do mar, e vós, povos de longe, escutai! O Senhor me chamou desde o meu nascimento, desde o ventre de minha mãe fez menção do meu nome.” Isaías 49.1
“Mas agora diz o Senhor, que me formou desde o ventre para ser seu servo...” Isaías 49.5
Antes que eu te formasse no ventre materno, eu te conheci, e, antes que saísses da madre, te consagrei, e te constituí profeta às nações. Jeremias 1.5
“Pois ele será grande diante do Senhor, não beberá vinho nem bebida forte e será cheio do Espírito Santo, já do ventre materno.” Lucas 1.15
“Ouvindo esta a saudação de Maria, a criança lhe estremeceu no ventre; então, Isabel ficou possuída do Espírito Santo. E exclamou em alta voz: Bendita és tu entre as mulheres, e bendito o fruto do teu ventre! E de onde me provém que me venha visitar a mãe do meu Senhor? Pois, logo que me chegou aos ouvidos a voz da tua saudação, a criança estremeceu de alegria dentro de mim.” Lucas 1.41-44
7. A defensora do aborto disse que “o não matarás não tinha caráter nem aplicação universal. Podia se matar estrangeiros, mulheres adúlteras e inimigos de Israel.” Logo, a conclusão inevitável é que matar não é pecado. Desconsiderou a teóloga que Deus é o dono da vida. “O SENHOR é o que tira a vida e a dá; faz descer à sepultura e faz subir.” (1Sm 2.6). Ele tem todo o direito de dizer quem vai viver e quem vai morrer. Quando ele dava ordens para que o exército de Israel acabasse com uma cidade, era a sua ira santa que estava em ação. Não morriam inocentes. Geralmente, Deus exterminava povos iníquos por esse expediente. Porém, isso de forma alguma invalidava o “não matarás”. Aliás, muito antes da promulgação do mandamento, registrado em Êxodo 20, Deus já havia estabelecido que “Se alguém derramar o sangue do homem, pelo homem se derramará o seu; porque Deus fez o homem segundo a sua imagem.” (Gn 9.6). Muito tempo depois, Jesus mostrou que o “não matarás” não apenas estava em pleno vigor como resgatou o espírito da lei tornando o mandamento ainda mais amplo: “Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; e: Quem matar estará sujeito a julgamento. Eu, porém, vos digo que todo aquele que [sem motivo] se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento; e quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem lhe chamar: Tolo, estará sujeito ao inferno de fogo.” (Mt 5.21,22).
8. Lusmarina Campos disse que as mulheres “tinham sido parte integral do movimento de Jesus e de sua liderança, no entanto, ao se tornar religião do império romano, o Cristianismo fechou-se para as mulheres.” Mais uma afirmação desprovida de base bíblica e histórica. O Novo Testamento relata que muitas mulheres seguiam Jesus para o servirem (Mt 27.55), porém, não mostra estas mulheres participando da liderança da igreja, como afirma Lusmarina. Basta recordar que, mesmo com mulheres o acompanhando, Jesus escolheu 12 homens para serem apóstolos, colunas de sua igreja. Teria sido Jesus um machista ou ele estava apenas seguindo uma norma criacional (1Co 11.8,9) de o homem ser o cabeça?
9. Disse a abortista: “O único com poder de julgar é Deus e Deus é graça e amor incondicional. A ordenação sacerdotal não nos dá o poder de julgar.” Se os discípulos de Cristo não podem julgar, por que o apóstolo Paulo escreveu o que segue? “Ou não sabeis que os santos hão de julgar o mundo? Ora, se o mundo deverá ser julgado por vós, sois, acaso, indignos de julgar as coisas mínimas? Não sabeis que havemos de julgar os próprios anjos? Quanto mais as coisas desta vida!” (1Co 6.2,3) O próprio Senhor Jesus nos orientou a julgar e, na falta de arrependimento, excluir membros da igreja em Mateus 18.17: “E, se ele não os atender, dize-o à igreja; e, se recusar ouvir também a igreja, considera-o como gentio e publicano.” Aliás, na sequência do texto, quando Jesus fala que “onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles” é uma referência aos julgamentos vétero-testamentários, onde era necessária a presença de duas ou três testemunhas para a condenação de alguém (Dt 17.6, 19.15).
10. Para tranquilizar a consciência das mulheres que já praticaram um aborto, a teóloga afirmou que Jesus defendeu a mulher adúltera e não a condenou. Ignorou, porém, a teóloga, a continuação do versículo “vai e não peques mais” (Jo 8.11). Jesus não aprovou o pecado da mulher adúltera. Tanto não aprovou que a exortou. O que Jesus não fez foi permitir o seu apedrejamento, visto que o processo não estava sendo justo. Onde estava o homem que havia sido pego com ela? Por que não foi trazido? A intenção dos escribas e fariseus não era a de fazer justiça, mas a de provocar Jesus a um erro de julgamento “para terem de que o acusar” (Jo 8.6). Percebendo a armadilha, Jesus os desmascarou. A defensora do aborto, ao usar este texto, ignora totalmente o contexto e tenta fazer de Jesus um homem injusto, que tolera pecados.
11. Lusmarina Campos terminou seu discurso afirmando que “é o patriarcado eclesiástico que quer fazer as mulheres acreditarem que elas se tornam assassinas quando decidem abortar.” Não é a Bíblia e nem Deus. Deveria a teóloga retornar aos princípios básicos da teologia para aprender que a vida humana é sagrada. Não pertence a nós, pertence ao Criador. Deus fez homem e mulher de modo singular, diferente do restante da criação. Primeiro, soprando em suas narinas o fôlego da vida (Gn 2.7). Nenhum animal teve este privilégio. Segundo, colocando toda a criação debaixo do domínio do homem (Gn 2.26). Terceiro, criando homem e mulher à sua própria imagem e semelhança (Gn 1.26,27). Os animais foram criados “segundo a sua espécie”, todos de uma só vez. Já o ser humano foi uma criação única, à imagem e semelhança do Criador. No momento da criação do homem a Trindade se reuniu e deliberou: “Façamos o homem à nossa imagem.” Atentar contra a vida do meu semelhante é, em primeira instância, atentar contra Deus, pois o meu próximo carrega consigo a imagem e a semelhança do Criador. Por consequência, no aborto a vítima é uma criança portadora da imagem e semelhança de Deus. É um crime contra Deus.
Concluo lamentando que a Palavra de Deus tenha sido distorcida para defender um grave pecado perante o Senhor. Assim:

AFIRMAMOS que aborto é assassinato aos olhos de Deus. A vida é sagrada e começa na concepção.
REJEITAMOS o discurso falacioso e enganador de Lusmarina Campos. A ela cabe a repreensão de nosso Senhor Jesus: "Deixai-os; são cegos, guias de cegos. Ora, se um cego guiar outro cego, cairão ambos no barranco." (Mt 15.14)
EXORTAMOS as mulheres que já provocaram aborto ao arrependimento. Deus não rejeita quem vai a ele com coração quebrantado e arrependido (Sl 51.17).

July 17, 2018

Sobre Obras de Necessidade e de Misericórdia



A Confissão de Fé de Westminster, no capítulo 21, Do Culto Religioso e do Domingo, parágrafo 8º, ensina o seguinte:

"Este sábado é santificado ao Senhor quando os homens, tendo devidamente preparado os seus corações e de antemão ordenado os seus negócios ordinários, não só guardam, durante todo o dia, um santo descanso das suas obras, palavras e pensamentos a respeito de seus empregos seculares e de suas recreações, mas também ocupam todo o tempo em exercícios públicos e particulares de culto e nos deveres de necessidade e de misericórdia. (grifo meu)

O que seriam os deveres ou obras de necessidade e de misericórdia? Algumas considerações:

1. Os teólogos de Westminster dividiram o “fazer o bem” em “obras de necessidade e de misericórdia”.

2. Por necessidade, os discípulos colheram espigas e as comeram em um sábado (Mt 12.1).

3. Por necessidade, os sacerdotes trabalharam no sábado, oficiando diante do Senhor (Mt 12.5).

4. Por misericórdia, Jesus disse que um animal deveria ser salvo se caísse em uma cova, mesmo no sábado (Mt 12.11)

5. Por misericórdia, Jesus curou a mão ressequida de um homem (Mt 12.13)

6. Por misericórdia, Jesus curou uma mulher doente há 18 anos em um sábado (Lc 13.12)

7. Por misericórdia, Jesus disse que um animal deveria ser solto da manjedoura para beber, mesmo no sábado (Lc 13.15)

8. Por misericórdia, Jesus curou um homem doente há 38 anos, em um sábado (Jo 5.9)

9. Por misericórdia, Jesus curou um cego de nascença em um sábado (Jo 9.14)

10. Thomas Ridgeley, puritano inglês, nascido 18 anos depois da Assembleia de Westminster, escreveu um comentário do Catecismo Maior com mais de 1.300 páginas. Sobre a expressão “obras de necessidade e misericórdia” ele esclarece o seguinte:

“Devemos considerar, ademais, quais as obras de misericórdia que deveriam ser feitas naquele dia, tais como, visitar e providenciar medicação para o doente, ajudar os pobres, providenciar comida e água para o gado e outras criaturas irracionais. Isso o nosso Salvador justificou por sua prática, e ilustrou afirmando a necessidade de resgatar uma ovelha que havia caído em um buraco (Mt 12.10-13). Quando, no entanto, defendemos a legitimidade da realização de obras de necessidade e de misericórdia no dia de descanso, alguns cuidados devem ser tomados: Primeiro, que a necessidade seja real, não fingida, do que Deus e a nossa consciência são os juízes; segundo, que se achamos que podemos ter um chamado necessário para omitir ou deixar de lado o nosso atendimento às ordenanças de Deus no dia do descanso, tomemos cuidado para que a necessidade não seja colocada em nós por algum pecado cometido que dê ocasião a sermos julgados pela mão de Deus; e que o motivo que tornou necessária a nossa ausência, seja por causa de submissão e não por questão de escolha pessoal ou prazer.” (Commentary on The Larger Catechism, vol. 2, p. 357)

Portanto, com base nos textos bíblicos e na explicação de Thomas Ridgeley, concluo que “fazer o bem” significa providenciar alimento, trabalhar na igreja, salvar vidas, cuidar de doentes, e atender, por conta da submissão às autoridades, convocações obrigatórias de superiores.

June 28, 2018

Eis a Identidade Presbiteriana - Rev. Ageu Magalhães



INTRODUÇÃO

A “identidade presbiteriana” é bastante citada no contexto presbiteriano, mas é quase um jargão não muito bem definido. Por conta desta indefinição foi que resolvi escrever algumas linhas sobre o assunto, algo sintético mesmo.

Alisto abaixo o que é distintivo em nosso sistema e, na sequência, a explicação de cada um dos pontos:

- Governo: Representativo
- Ofícios: Presbíteros (docentes e regentes) e Diáconos
- Regra de Fé e Prática: Bíblia
- Teologia: Reformada, Aliancista
- Subscrição: Confissão de Fé, Catecismos Maior e Breve de Westminster
- Culto: Princípio Regulador do Culto (só o que é prescrito na Bíblia é permitido)
- Dons espetaculares: Cessacionista 
- Ceia: Presença Espiritual de Cristo
- Batismo: Aspersionista e Pedobatista


1. GOVERNO REPRESENTATIVO

As 3 principais formas de governo de igreja são:

1. Episcopal - Um governa todos. A decisão final sobre os assuntos da igreja, tanto doutrinários como administrativos, vem do bispo, pastor, presidente ou missionário. É a forma que encontramos na Igreja Episcopal e na maioria das igrejas pentecostais e neopentecostais.

2. Congregacional – Todos governam todos. O processo de decisão passa pela assembleia, a reunião de todos os membros da igreja. É a forma encontrada na Igreja Congregacional e na maioria das igrejas batistas.

3. Representativa – Alguns governam todos. As decisões são tomadas por um conselho de Presbíteros eleitos pelos membros da igreja. É o sistema de governo das igrejas reformadas e presbiterianas.

A IPB segue o governo representativo. Presbíteros são eleitos com mandatos de 5 anos para tomar as decisões da Igreja. Há assuntos que eles não podem decidir como, por exemplo, as eleições de oficiais e decisões quanto ao patrimônio da igreja. Estes temas são decididos pela própria assembleia. A base bíblica deste sistema vem do governo dos anciãos no Antigo Testamento (Dt 22.15), passando pela sinagoga (Lc 7.3-5) e culminando no Novo Testamento (At 14.23). No Concílio de Jerusalém, o problema doutrinário não foi resolvido por um homem, nem pelo grupo de 5 mil crentes, mas por representantes das igrejas (At 15.2,4,6).

Assim, nas igrejas presbiterianas, não é "o pastor que manda". Pastores presbiterianos que agem assim estão indo contra a nossa forma de governo. O Conselho, formado por todos os Presbíteros, é que deve tomar as decisões da Igreja e, diante do Senhor, embaixo de oração, pastorear bem o rebanho de Deus.

Quer aprofundar-se um pouco no assunto. Leia:

- WITHEROW, Thomas. A Igreja Apostólica: Que Significa Isto? Recife: Editora Os
Puritanos.
  

- BANNERMAN, James. A Igreja de Cristo: Um Tratado sobre a Natureza, Poderes, Ordenanças, Disciplina e Governo da Igreja Cristã. Recife: Editora Os Puritanos.


2. OFÍCIOS: PRESBÍTEROS (DOCENTES E REGENTES) E DIÁCONOS

Jesus Cristo é o Rei da Igreja e a governa por meio de oficiais. Nas Igrejas Presbiterianas os oficiais são os Presbíteros e os Diáconos.

Há denominações no mundo que defendem a existência de 3 ofícios permanentes: Pastores (ou Bispos), Presbíteros e Diáconos. Porém, quando estudamos os textos no detalhe percebemos que o Novo Testamento usa os termos Bispo, Presbítero e Pastor com o mesmo significado. Veja, por exemplo, Atos 20 quando Paulo chama os mesmos homens de Presbíteros e Bispos, dando a eles encargos de Pastor.

Em Atos 15, quando uma séria questão doutrinária teve de ser resolvida, não foram Apóstolos, Bispos e Presbíteros que deliberaram, mas Apóstolos e Presbíteros.

Os Diáconos são os homens levantados por Deus para servir. A arrecadação de ofertas para fins piedosos, o cuidado dos pobres, doentes e inválidos e a manutenção e fiscalização dos trabalhos na Casa de Deus são atribuições deles.

O Presbítero, tanto o Docente cuja ênfase está no ensino, quanto o Regente cuja ênfase está no governo, são essenciais para a Igreja. Note que até os Apóstolos, possuidores de dons extraordinários e alvos da inspiração divina, não tomaram decisão alguma no Concílio de Jerusalém sem a participação dos Presbíteros.

Hoje, muito do presbiterianismo nacional ainda está em pé por causa dos Presbíteros Regentes, pois são menos vulneráveis aos ventos de doutrina que assolam a Igreja.

Quer aprofundar-se um pouco no assunto. Leia:

- O ofício de presbítero - Geerhardus Vos - https://goo.gl/HW8qHr
- Dois ofícios e duas ordens de presbíteros - George W Knight, III - https://goo.gl/CEhNQg
- Os membros da Assembleia de Westminster e seus escritos (inglês): https://goo.gl/uuAALN
- O Princípio Regulador do Culto – Brian Schwertley - http://www.monergismo.com/…/principio-regulador-culto_brian…
- Por que sou um cessacionista? - Thomas Schreiner -https://goo.gl/1kWqmY
- Você, provavelmente, também é um cessacionista! - Phillip Johnson -https://goo.gl/evHKQB
- O que o cessacionismo não é - Nathan Busenitz - https://goo.gl/gtDB7P
- WITHEROW, Thomas. A Igreja Apostólica: Que Significa Isto? Recife: Editora Os
Puritanos.
  

- BANNERMAN, James. A Igreja de Cristo: Um Tratado sobre a Natureza, Poderes, Ordenanças, Disciplina e Governo da Igreja Cristã. Recife: Editora Os Puritanos.


3. REGRA DE FÉ E PRÁTICA: BÍBLIA

Quando falamos em “regra de fé” queremos dizer que tudo o que devemos crer, em matéria de fé, tem que seguir a regra, isto é, o padrão das Escrituras. O mesmo vale para “regra de prática”. Significa que a nossa prática de vida deve estar de acordo com a Palavra de Deus.

Isso parece óbvio, mas não é. No Romanismo, a tradição está acima das Escrituras. Não importa o que a Bíblia diz, importa o que a Igreja Romana estabeleceu como verdade.

No Pentecostalismo, a experiência está acima das Escrituras. Não importa o que a Bíblia diz, aconteceu comigo, dirá um pentecostal, e isso é o que vale.

Foi pensando nestas distorções que a Assembleia de Westminster declarou: "À Escritura nada se acrescentará em tempo algum, nem por novas revelações do Espírito, nem por tradições dos homens" (Cap. 1.6)

Assim, o crente orienta sua vida pela Palavra. Não por tradição oral e nem por sonhos ou supostas revelações.

Quer aprofundar-se um pouco no assunto. Leia:

- BEEKE, Joel; ARMSTRONG, John et allis. Sola Scriptura: numa época sem fundamentos, o resgate do alicerce bíblico. São Paulo: Editora Cultura Cristã.
- BOICE, James Montgomery. O Alicerce da Autoridade Bíblica. São Paulo: Sociedade Religiosa Edições Vida Nova.
- COSTA, Hermisten M.P. A Inspiração e Inerrância das Escrituras. São Paulo: Editora Cultura Cristã.
- HARRIS, Laird. Inspiração e Canonicidade da Bíblia. São Paulo: Editora Cultura Cristã.
- MACARTHUR, John Jr. Como Obter o Máximo da Palavra de Deus. São Paulo: Editora Cultura Cristã.
- MACGREGOR, Jerry. Conhecendo a Vontade de Deus para as Decisões da Vida. São Paulo: Editora Cultura Cristã.
- SCHWERTLEY, Brian. O Modernismo e a Inerrância Bíblica. Recife: Editora Os Puritanos

- STOTT, John. Crer É Também Pensar. São Paulo: Editora ABU.

4. TEOLOGIA REFORMADA, ALIANCISTA

A Igreja Presbiteriana teve sua origem na época da Reforma Protestante. John Knox, aluno de João Calvino, foi o homem que liderou a reforma na Escócia para que a igreja se tornasse protestante, recebendo o nome de Presbiteriana. Isso aconteceu em 1560.

A teologia escocesa foi profundamente influenciada pelos escritos de João Calvino e, mais tarde, tornou-se a grande influência teológica da Assembleia de Westminster. A Teologia da Aliança nasceu neste período e foi a constatação de que Deus relaciona-se com o seu povo por meio de Alianças. Reino, Pacto e Mediador (RPM) são, como escreveu Van Groningen, os 3 fios do cordão dourado que percorrem toda a Bíblia, de Gênesis a Apocalipse.

A Teologia da Aliança explica a ligação entre as promessas do Messias no Antigo Testamento e o seu cumprimento no Novo. O mesmo se dá com os ritos, sacrifícios e sacramentos do Antigo Testamento. Todos eles apontam para o Novo Testamento, cumprindo-se em Cristo.

A Igreja Presbiteriana também é herdeira dos cânones de Dort (1618/19) onde ficaram definidos os 5 pontos do Calvinismo: 1. Depravação Total, 2. Eleição Incondicional, 3. Expiação Limitada, 4. Graça Irresistível e 5. Perseverança dos Santos.

Devemos nos lembrar, entretanto, que os 5 pontos de Dort se referem apenas à doutrina da salvação. A Teologia Reformada é bem mais que isso. É uma completa cosmovisão em que a Soberania de Deus é abrangente sobre todas as áreas da criação, desde política, economia, literatura, artes, etc.

Quer aprofundar-se um pouco no assunto. Leia:

- O que é Teologia Reformada – R.C. Sproul - https://goo.gl/4M7dT4
- Teologia Reformada é Teologia do Pacto – Richard Pratt - https://goo.gl/QEz9f1
- O Sínodo de Dort – Juliano Heyse - https://goo.gl/X9excW
- ROBERTSON, Palmer. Cristo dos Pactos. São Paulo: Editora Cultura Cristã.
- ROBERTSON, Palmer. Alianças. São Paulo: Editora Cultura Cristã.
- GRONINGEN, Gerard Van. Criação e Consumação. São Paulo: Editora Cultura Cristã. 


5. SUBSCRIÇÃO DA CONFISSÃO DE FÉ, CATECISMOS MAIOR E BREVE DE WESTMINSTER

A Igreja Presbiteriana adota a Confissão de Fé e os Catecismos de Westminster como sistema expositivo de doutrina e prática. Isso equivale a dizer que a nossa forma de doutrina está claramente definida nestes documentos.

Algumas pessoas dizem: A Bíblia é a minha única confissão! Sim, mas, em que você crê? Em qual forma de governo? Em qual forma de batismo? Em que linha escatológica? Note que todos temos uma “confissão de fé” isto é, uma forma de crer nas doutrinas bíblicas. A diferença das igrejas históricas, como diria Carl Trueman, é que a nossa confissão é pública e disponível a quem quiser ler. Não está escondida no coração.

A Assembleia que formulou estes documentos iniciou seus trabalhos no dia 1° de julho de 1643 e continuou em atividade durante cinco anos e meio. Nesse período, houve 1163 reuniões do plenário e centenas de reuniões de comissões e subcomissões. Cerca de 150 teólogos, em sua maioria puritanos, trabalharam para nos legar documentos profundamente bíblicos que têm abençoado gerações de crentes.

Na atualidade, os oficiais da Igreja Presbiteriana do Brasil prometem, em sua ordenação, ser leais às doutrinas da Igreja conforme expressas na Confissão de Fé e nos Catecismos de Westminster.

Quando um pastor presbiteriano crê ou ensina doutrina contrária ao que está nestes documentos, comete perjúrio, falso juramento.

Quer aprofundar-se um pouco no assunto. Leia:

- Confessionalidade: Lato ou Estrito Sensu? – Augustus Nicodemus: https://goo.gl/FbfXf7
- Por que cristãos precisam de confissões - Carl Trueman: https://goo.gl/SkrWg2

- BEEKE, Joel R. e FERGUSON, Sinclair B. Harmonia das Confissões Reformadas. São Paulo: Cultura Cristã.
- BOICE, James et al. Reforma Hoje: Uma Convocação feita pelos Evangélicos Confessionais. São Paulo: Editora Cultura Cristã.
- DIXHOORN, Chad Van. Guia de Estudos da Confissão de Fé de Westminster. São Paulo: Editora Cultura Cristã.
- HORN, Leonard T. Van. Estudos no Breve Catecismo de Westminster. São Paulo: Editora Os Puritanos.
- ROBERTS, W. H. O Sistema Presbiteriano. São Paulo: Editora Cultura Cristã.
- TRUEMAN, Carl. O Imperativo Confessional. Brasília: Monergismo.
- SIMÕES, Ulisses Horta. A Subscrição Confessional. Rio de Janeiro: Efrata.
- WATSON, Thomas. A Fé Cristã: Estudos Baseados no Breve Catecismo de Westminster. São Paulo: Editora Cultura Cristã.

6. O PRINCÍPIO REGULADOR DO CULTO

Em matéria de culto há dois caminhos a serem seguidos: Ou o Princípio Normativo (Católicos e Luteranos) que ensina que o que não for proibido na Bíblia é permitido no culto ou o Princípio Regulador do Culto (Reformados e Presbiterianos) que ensina que apenas o que for ensinado na Bíblia é permitido no culto.

Os ensinos são opostos entre si. No primeiro, para algo não entrar no culto é preciso uma proibição explícita. Assim, posso cultuar dando cambalhotas, acendendo velas e fazendo coreografias? A resposta católica/luterana é: Há alguma proibição quanto a isso na Bíblia? Não? Então, pode.

Já no Princípio Regulador do Culto, para algo não entrar no culto basta não ser ordenado na Bíblia. Assim, posso cultuar dando cambalhotas, acendendo velas e fazendo coreografias? A resposta reformada é: Há alguma ordem de Deus para que isso seja feito no culto? Não? Então, não pode.

A Bíblia é a nossa única regra de fé e de prática também nas questões de adoração. Apenas tendo base bíblica é que algo pode ser permitido no culto.

Qual é o embasamento bíblico do Princípio Regulador do Culto? Por exemplo, Levítico 10, onde Nadabe e Abiú são reprovados por Deus porque trouxeram fogo estranho perante Ele, “o que lhes não ordenara”. Veja que Deus não disse: “o que lhes proibira”. Ou Deuteronômio 12.32: “Tudo o que eu te ordeno observarás; nada lhe acrescentarás, nem diminuirás” e outros textos.

A Igreja Presbiteriana adota oficialmente o Princípio Regulador do Culto. Ele está descrito no texto da Confissão de Fé de Westminster: “... o modo aceitável de adorar o verdadeiro Deus é instituído por ele mesmo, e é tão limitado pela sua própria vontade revelada, que ele não pode ser adorado segundo as imaginações e invenções dos homens, ou sugestões de Satanás, nem sob qualquer representação visível, ou de qualquer outro modo não prescrito nas Santas Escrituras.” (CFW 21,1)

Quer aprofundar-se um pouco no assunto. Leia:

- Nove Linhas de Argumentos em Favor do PRC – T. David Gordon - http://www.monergismo.com/text…/liturgia/nove_argumentos.htm
- HORTON, Michael. Um Caminho Melhor. São Paulo: Editora Cultura Cristã.
- ANGLADA, Paulo. O Princípio Regulador do Culto. São Paulo: PES.
- JOHNSON, Terry L. Adoração Reformada. Recife: Os Puritanos.

7. DONS ESPETACULARES: CESSACIONISTA

A Igreja Presbiteriana do Brasil é, por definição, Cessacionista. A Confissão de Fé de Westminster afirma: “... para melhor preservação e propagação da verdade, para o mais seguro estabelecimento e conforto da Igreja contra a corrupção da carne e malícia de Satanás e do mundo, foi igualmente servido fazê-la escrever toda. Isso torna a Escritura Sagrada indispensável, tendo cessado aqueles antigos modos de Deus revelar a sua vontade ao seu povo.” (CFW 1.1)

Quais eram estes antigos modos de revelação que cessaram? Sonhos, visões, profecias, teofanias, línguas... Alguns destes foram dons espetaculares que funcionavam como credenciais, isto é, poderes que validavam a pregação da Palavra, para que o povo acreditasse que a mensagem vinha de Deus. Eis alguns exemplos:

Paulo e Barnabé demoraram-se em Icônio “falando ousadamente no Senhor, o qual confirmava a palavra da sua graça, concedendo que, por mão deles, se fizessem sinais e prodígios.” (At 14.3). Paulo relata que os gentios se converteram “por palavra e por obras, por força de sinais e prodígios, pelo poder do Espírito Santo” (Rm 15.18) e que “... as credenciais do apostolado foram apresentadas no meio de vós, com toda a persistência, por sinais, prodígios e poderes miraculosos.” (2Co 12.12) Na mesma linha, o escritor de Hebreus registra: “... como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação? A qual, tendo sido anunciada inicialmente pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram; dando Deus testemunho juntamente com eles, por sinais, prodígios e vários milagres e por distribuições do Espírito Santo, segundo a sua vontade.” (Hb 2.3,4)

Com o fechamento do cânon, isto é, com a Bíblia toda escrita, não há mais necessidade de que Deus fale da forma como falava antes. Hoje a Bíblia é a palavra de Deus. O Espírito Santo fala na Palavra. Ela é a “espada do Espírito” (Ef 6.17).

Quanto ao dom de cura, que fazia com que até a sombra (At 5.15) e os lenços (At 19.12) dos apóstolos curassem, ele cessou no período apostólico. Possivelmente, até antes da morte de todos os apóstolos, visto que há relatos de doenças não curadas no Novo Testamento (Fp 2.26,27; 1Tm 5.23; 2Tm 4.20). Deus cura hoje? Com certeza. O dom cessou, mas o poder de Deus continua.

Sobre o dom de línguas, ele nasceu da necessidade de pregação do Evangelho. A questão é: Como aqueles homens simples, alguns pescadores iletrados, pregariam o Evangelho em outros países sem saber o idioma daqueles lugares? Dom de línguas. Em Atos 2, quando o dom é inaugurado, Lucas diz que estavam ali pessoas de “todas as nações debaixo do céu” (v. 5) e que estas pessoas ouviram a mensagem em sua “própria língua materna” (v. 8). Foi uma mensagem compreensível, no idioma dos ouvintes. Em Corinto, nada mudou. Uma cidade banhada por mares dos dois lados, rota do comércio marítimo da época e hospedeira de milhares de estrangeiros. Natural que nesta cidade (a única para a qual Paulo escreveu sobre esse assunto) o dom de línguas fosse utilizado na pregação do Evangelho.

Em suma, o cessacionismo da Igreja Presbiteriana não é a descrença no Espírito Santo e nem no poder de Deus. Cremos que Deus ainda cura, ainda liberta, ainda faz milagres. Todavia, não na dependência de dons apostólicos, pois o ofício apostólico acabou, e nem com base na agenda ou determinação humanas. Deus é soberano e opera onde, quando e como quer.

Quer aprofundar-se um pouco no assunto. Leia:
- O que dizer sobre profecias e línguas hoje? - Richard B. Gaffin, Jr. -https://goo.gl/enBVAJ
- BRUNER. Frederick Dale. Teologia do Espírito Santo. São Paulo: Editora Cultura Cristã.
- GAFFIN, Richard B. Perspectivas sobre o Pentecostes. Recife: Os Puritanos.
- KNIGHT III, George W. A Profecia no Novo Testamento. Recife: Os Puritanos.
- MACARTHUR, John Jr. O Caos Carismático. São José dos Campos: Editora Fiel.
- ROBERTSON, Palmer. A Palavra Final. São Paulo: Editora Cultura Cristã.


8. CEIA: PRESENÇA ESPIRITUAL DE CRISTO

A questão da presença de Cristo na ceia foi alvo de muita discussão na história da Igreja. Os romanistas criaram a visão de que o pão e o vinho têm a sua substância transformada em corpo e sangue de Cristo a partir das palavras de consagração do sacerdote. Isso se chamou Transubstanciação.

Os luteranos criaram a posição que afirmava a presença física do corpo e do sangue de Cristo juntos com o pão e o vinho. Isso se chamou Consubstanciação. O reformador Zwínglio criou a posição que afirmava a ausência de Cristo na ceia. Para ele a ceia era apenas um memorial ou lembrança da morte de Cristo.

A partir de João Calvino, formou-se a visão da presença real e espiritual de Cristo na ceia, que é a posição seguida pela Igreja Presbiteriana e pelas demais igrejas reformadas. De fato, Cristo está presente na ceia e é por isso que ela é um meio de graça, isto é, um canal através do qual Deus abençoa os participantes. O pão e o vinho continuam sendo pão e vinho, todavia, como Cristo disse “isto é o meu corpo” e “isto é o meu sangue” (Mt 26.26-29) há a presença espiritual, mística e sobrenatural do Redentor no sacramento.

A ceia deve ser ministrada por um ministro da Palavra. Isso deve ser assim por dois motivos: Primeiro, porque na Bíblia não temos sacramentos sendo administrados por não oficiais e, segundo, porque os sacramentos não são divorciados da Palavra, assim, cabe ao ministro da Palavra a sua administração.

Participam da ceia os membros da igreja que já foram batizados e que tem condições de fazer uma autoavaliação de sua fé (1Co 11.28). Crianças não devem participar.

Quer aprofundar-se um pouco no assunto. Leia:
- A Santa Ceia do Senhor – João Calvino: https://goo.gl/4U4hso
- Da Santa Ceia – Gordon Clark: https://goo.gl/LJrWvn
- A Ceia do Senhor – Bíblia de Genebra: https://goo.gl/FPDVUh
- A Presença de Cristo na Ceia – Ronald Hanko: https://goo.gl/yS6iYX
- Um Resumo... da Ceia do Senhor – John Knox: https://goo.gl/5xXPT3
CALVINO, João. As Institutas, Livro 4. São Paulo. Editora Cultura Cristã.
- WATSON, Thomas. A Ceia do Senhor. Recife: Os Puritanos.

9. BATISMO: ASPERSIONISTA E PEDOBATISTA

O elemento exterior utilizado no batismo é a água e não importa a quantidade usada, pois trata-se de um símbolo apenas. Por isso, a Igreja Presbiteriana aceita o batismo praticado em outras igrejas, mas insiste que o batismo por aspersão é bíblico. Textos como o do batismo de Paulo (At 9), do carcereiro de Filipos (At 16) e dos 3.000 convertidos (At 2.37-41) mostram a evidência maior para batismo por aspersão, pois não havia rios ou tanques de água nestes locais para imergir estas pessoas.

Na Igreja Presbiteriana nós batizamos os filhos dos crentes. No Antigo Testamento as crianças eram incluídas no Pacto da Graça por meio da circuncisão (Gn 17.9-14). No oitavo dia de vida, sem ter a mínima ideia do que estava acontecendo, o bebê era circuncidado, sendo introduzido assim, por seus pais, no povo de Deus. Mais tarde, aos 13 anos, ele ia ao templo para confirmar o ato de seus pais, tornando-se um “filho do mandamento” (Bar Mitzvá).

Pedro confirma que a promessa é para nós e nossos filhos: ‘‘Pois para vós outros é a promessa, para vossos filhos, e para todos os que ainda estão longe’’ (At 2.39) e Paulo ensina que os filhos dos crentes, mesmo quando apenas um dos pais é crente, são santos perante o Senhor: ‘‘o marido incrédulo é santificado no convívio da esposa, e a esposa incrédula é santificada no convívio do marido crente. Doutra sorte, vossos filhos seriam impuros; porém, agora são santos’’ (1Co 7.14)

No Novo Testamento temos o batismo de casas inteiras e não há registro de exceção, isto é, não é dito que todos da casa foram batizados, exceto as crianças. Mesmo porque, como já vimos, as crianças sempre fizeram parte do povo de Deus mediante a circuncisão. Assim, Lídia e todos da sua casa foram batizados (At 16.15), o carcereiro de Filipos e todos os seus familiares (At 16.33) e todos da casa de Estéfanas (1Co 1.16).

Além da evidência bíblica, a história da Igreja testemunha o batismo infantil. Justino Mártir (130), Irineu (180), Orígenes (230) e Agostinho (354) escreveram sobre o assunto. Cipriano de Cartago (200) escreveu uma carta testemunhando que o batismo das crianças poderia ser feito a qualquer momento, mesmo antes do oitavo dia de vida.

Batizar nossos filhos é uma bênção dada pelo Senhor. O povo da aliança sempre inseriu seus filhos no pacto com o Senhor. Nas igrejas reformadas as crianças não são apenas apresentadas na frente da Igreja. São batizadas. São inseridas formalmente no povo da Aliança. Os pais são instados a fazerem isso cedo. Oficiais que não concordam com a aplicação deste sacramento, não deveriam estar no oficialato. A teologia do pacto é central na teologia reformada.

Quer aprofundar-se um pouco no assunto. Leia:
- Porque Batizamos por Aspersão - J. B. Green - https://goo.gl/ecJjT3
- Defendendo o batismo infantil em 60 segundos - Bryan Holstrom -https://goo.gl/j488G1
- A pergunta batista mais comum – Brian Crossett – https://goo.gl/ejcSxJ
- Batismo de Crianças – Augustus Nicodemus - https://goo.gl/UqRFiQ
- Batismo: a circuncisão cristã – Paulo Anglada - https://goo.gl/91hUR1
- Por que batizamos crianças – John Murray - https://goo.gl/jvcqrx

CALVINO, João. As Institutas, Livro 4. São Paulo. Editora Cultura Cristã.
- SARTELLE, John, EVANS, John, ANGLADA, Paulo, PIPA, Joseph Pipa. Batismo Infantil. Recife: Os Puritano.


CONCLUSÃO

Em 1970, ao ser reeleito presidente do Supremo Concílio, o Rev. Boanerges Ribeiro fez um importante discurso em que, dentre outras afirmações, disse: "Ninguém nos obriga a ser presbiterianos. Mas, se queremos sê-lo, sejamo-lo honradamente."

Estava certo, aquele querido pastor. Nós respeitamos todas as igrejas genuinamente cristãs, mas defendemos aquilo que cremos porque temos convicção de nossa fé. Todos são bem-vindos a se tornarem membros de nossas igrejas, mas, para isso, têm que aceitar as nossas doutrinas bíblicas. De outra forma, não cooperarão com a unidade de pensamento da Igreja.

A Igreja Presbiteriana do Brasil, por ter se afastado, aos poucos, do estudo da Confissão de Fé e dos seus catecismos vive hoje uma crise de identidade. Temos igrejas bem diferentes, espalhadas pelo país. Quem sabe você, leitor, ao aprender o que foi escrito neste texto, seja um instrumento de transformação, juntamente com muitos outros irmãos, a trazer de volta a nossa amada Igreja Presbiteriana do Brasil às suas antigas doutrinas. Que Deus te abençoe.

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