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September 13, 2019

Sola Scriptura na Igreja Primitiva


Apologistas romanos frequentemente argumentam que o conceito de Sola Scriptura é uma invenção dos reformadores. Para provar que estão errados, segue abaixo uma série de citações de alguns pais da Igreja, a saber, Cirilo de Jerusalém (313-386), Basílio de Cesaréia (330-379), Agostinho (354-430) e Atanásio (296-373). 

"Com referência aos divinos e sagrados mistérios da fé, nem mesmo a mínima parte deles pode ser transmitida sem as Escrituras Sagradas. Não se deixem levar por palavras sedutoras e argumentos engenhosos. Mesmo com respeito a mim, que lhes digo estas coisas, não se apressem em acreditar, a menos que recebam das Escrituras Sagradas a prova das coisas que lhes anuncio. A salvação em que acreditamos não é provada por raciocínio engenhoso, mas das Escrituras Sagradas." (Cirilo de Jerusalém, Catechetical Lectum 4:17)

“Os ouvintes ensinados nas Escrituras devem testar o que é dito pelos mestres e aceitar o que se harmoniza com as Escrituras, porém rejeitar o que é estranho.” “E obviamente uma apostasia da fé e uma ofensa atribuída ao orgulho, quer rejeitar qualquer das coisas que estão escritas como introduzir coisas que não estão escritas.” (Basílio de Cesaréia, citado em: William Jurgens, The Faith of the Early Fathers (Collegeville, MN: Liturgical Press, 1979), 11:24.

"Que mais eu vos ensino além do que leio no apóstolo? Pois a Escritura Sagrada fixa a regra para a nossa doutrina, a menos que ousemos ser mais sábios do que devemos. ... Portanto, não devo ensinar-vos qualquer outra coisa, a não ser expor-vos as palavras do Mestre." (Agostinho, De bono viduitatis, 2)

"Não devo forçar a autoridade de Nicéia contra vós, nem vós a do Arianismo contra mim; não reconheço um, assim como vós não reconheceis o outro; cheguemos, pois, a um consenso que é comum a nós ambos — o testemunho das Sagradas Escrituras." (Agostinho, “To Maximin the Arian”)

"Não ouçamos: Isto eu digo, isto vós dizeis; mas, assim diz o Senhor. Certamente são os livros do Senhor, em cuja autoridade ambos concordamos e nos quais ambos cremos. Busquemos a igreja, lá discutiremos o nosso caso. (Agostinho, De unitate ecclesiae, 3)

"Deixemos que sejam removidas de nosso meio as coisas que citamos uns contra os outros, não com apoio nos livros canônicos divinos, mas de outras fontes quaisquer. Talvez alguém possa perguntar: Por que desejais remover essas coisas do vosso meio? Porque não queremos a santa igreja aprovada por documentos humanos, mas sim pelos oráculos divinos." (Agostinho, De unitate ecclesiae, 3)

"Seja o que for que possam apresentar, e de qualquer [fonte] que possam citar, procuremos, se somos suas ovelhas, ouvir a voz do nosso Pastor. Portanto, busquemos para a igreja as sagradas Escrituras canônicas." (Agostinho, De unitate ecclesiae, 3)

"Nem ouse alguém concordar com bispos católicos, se por acaso eles errarem em alguma coisa, resultando que sua opinião seja contra as Escrituras canônicas (Agostinho, De unitate ecclesiae, 3)

"Se alguém pregar, seja com referência a Cristo ou à sua igreja, ou a qualquer outro assunto que se refira à nossa fé e vida, não direi se nós, mas sim o que Paulo acrescenta: se um anjo vindo do céu pregar qualquer coisa além do que recebestes pela Escritura sobre a Lei e os Evangelhos, que seja anátema." (Agostinho, Contra Litteras Petiliani, Livro 3, cap. 6.)

"Deveis notar e reter particularmente em vossa memória que Deus quis lançar um firme fundamento nas Escrituras contra erros traiçoeiros, um fundamento contra o qual ninguém, que de algum modo fosse considerado cristão, ousasse falar. Porquanto, quando ele se ofereceu ao povo para que o tocasse, isso não o satisfez, exceto se ele também confirmasse o coração dos crentes com base
nas Escrituras, pois ele anteviu que o tempo chegaria em que não haveria coisa alguma a tocar, porém teria alguma coisa a ler." (Agostinho, In Epistolam Johannis tractus, 2.)

"Porém, uma vez que a Escritura Sagrada é, sobre todas as coisas, a mais suficiente para nós, e por isso recomendando-a àqueles que desejam conhecer mais dessas questões, para lerem a palavra divina, apresso-me agora a expor diante de vós aquilo que mais exige atenção, e por causa da qual principalmente escrevi essas coisas." (Atanásio, Ad Episcopos AEgyptia)

"Amado em Cristo, permite que esta seja nossa contribuição a ti, ainda que valendo-nos de um resumo rudimentar de pouca extensão, sobre a fé em Cristo e em seu divino aparecimento. Servindo-te de tal oportunidade, se compreenderes o texto das Escrituras, aplicando-lhes com eficácia sua mente, aprenderás por meio delas, mais completa e claramente, os exatos pormenores do que temos dito. Pois eles foram escritos por Deus, por meio de homens que falaram por ele." (Atanásio, De Incarnatione Verbi Dei, 56)

"Inutilmente então eles correram de um lado para outro com o pretexto de que requereram aos concílios com relação à fé; pois a Escritura divina é suficiente acima de todas as coisas; porém, se um concilio é insuficiente nesse ponto, há as posições dos pais, pois os bispos nicenos não negligenciaram essa questão, mas afirmaram as doutrinas tão exatamente que as pessoas, lendo suas palavras honestamente, não podem deixar de ser lembradas por eles da religião relacionada a Cristo e anunciada na Escritura divina." (Atanásio, De Synodis, 6)


September 4, 2019

Dízimo: Vamos Falar? - Gary North



Estudo baseado em “Tithing and the church” / Gary North, 1994. Traduzido por Raniere Menezes/Frases Protestantes



O temor do Senhor é o princípio do conhecimento; os loucos desprezam a sabedoria e a instrução. Provérbios 1:7.

Um assunto por vezes muito debatido, grandemente discutido, ora combatido, ora silenciado, e outras vezes transformado em tabu. Certamente bibliotecas de textos foram produzidas sobre o tema. E o que há de novo para que eu escreva este artigo? Nada! Assim como, guardando as devidas proporções, não há nada de novo em Deuteronômio. Este livro do Pentateuco foi dado para lembrar o povo de Israel da Lei de Deus; para RELEMBRAR.

Desde já, precisamos ter o seguinte discernimento: Não devemos deixar de buscar o que é certo por causa do mau uso do dinheiro e das atitudes dos maus obreiros. A Bíblia alerta contra os mercenários, diz: “Em sua cobiça, tais mestres os explorarão com histórias que inventaram. Há muito tempo a sua condenação paira sobre eles, e a sua destruição não tarda”. 2 Pedro 2:3. A destruição não tardará para os falsos mestres. O mau uso é um caso a parte, que deve ser combatido com energia pelos cristãos.

Infelizmente, o dízimo é um assunto que tem dividido os cristãos por todos os lugares em muitas épocas. Não é um assunto fácil, pois envolve dinheiro. Mas precisamos falar.

Há quem defenda e quem seja contra. Há vários pontos de vista, se o percentual de 10% é fixo, se pode ser livre, se pode ser menos, se é somente válido para o Antigo Testamento e por aí vai. Uma das perguntas mais importantes que temos que fazer ao tratarmos este assunto é se há CONTINUIDADE do Antigo Testamento, o A.T. que se relacione com algum tipo de obediência e dever no Novo Testamento, N.T. Devemos fazer uma busca sincera como cristãos que professam que:

Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça 2 Timóteo 3:16.

Pois tudo o que foi escrito no passado, foi escrito para nos ensinar, de forma que, por meio da perseverança e do bom ânimo procedentes das Escrituras, mantenhamos a nossa esperança. Romanos 15:4.

Não precisamos nos ater muito tempo no sistema doutrinário do dízimo, o qual muitos já conhecem, mas vejamos os fundamentos.

ORIGEM – ESCRITURAS SAGRADAS, ANTIGO TESTAMENTO

Abraão e Jacó praticaram o dízimo. Gn 14.20, 28.22:

E Melquisedeque, rei de Salém, trouxe pão e vinho; e era este sacerdote do Deus Altíssimo.
E abençoou-o, e disse: Bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, o Possuidor dos céus e da terra;
E bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus inimigos nas tuas mãos. E Abrão deu-lhe o dízimo de tudo.
Gênesis 14.18-20

E esta pedra que tenho posto por coluna será casa de Deus; e de tudo quanto me deres, certamente te darei o dízimo.
Gênesis 28.22

Dízimo refere-se a dar 10% das posses ou renda a Deus. Entenda-se dar a Deus, dar aos representantes de Deus (escolhido por Deus e aceito pelo povo de Deus). Exemplo de Abraão e Jacó e seus descendentes.

Após o exílio de Jacó em Padã-Arã, ele construiu um altar em Betel, e ele ofereceu o dízimo ao Senhor segundo seu voto em Gn 28. 20-22:

E chamou o nome daquele lugar Betel; o nome, porém daquela cidade antes era Luz.
E Jacó fez um voto, dizendo: Se Deus for comigo, e me guardar nesta viagem que faço, e me der pão para comer, e vestes para vestir;
E eu em paz tornar à casa de meu pai, o Senhor me será por Deus;
E esta pedra que tenho posto por coluna será casa de Deus; e de tudo quanto me deres, certamente te darei o dízimo.

Gênesis 28.19-22. (Cf. também Gn 35. 1-7). Quando os descendentes de Jacó semelhantemente retornaram de seu exílio, eles reconstruíram o altar em Jerusalém, mas eles foram grosseiramente negligentes em oferecer seus dízimos. Ver Neemias 13. 10-13:

Também entendi que os quinhões dos levitas não se lhes davam, de maneira que os levitas e os cantores, que faziam a obra, tinham fugido cada um para a sua terra.
Então contendi com os magistrados, e disse: Por que se desamparou a casa de Deus? Porém eu os ajuntei, e os restaurei no seu posto.
Então todo o Judá trouxe os dízimos do grão, do mosto e do azeite aos celeiros.
E por tesoureiros pus sobre os celeiros a Selemias, o sacerdote, e a Zadoque, o escrivão e a Pedaías, dentre os levitas; e com eles Hanã, filho de Zacur, o filho de Matanias; porque foram achados fiéis; e se lhes encarregou a eles a distribuição para seus irmãos.
Neemias 13:10-13

LIVRO DE MALAQUIAS

No profeta Malaquias capítulo 3.8, está escrito uma acusação do profeta contra seu povo. Malaquias acusa o povo de roubo por não dar o dízimo:

Roubará o homem a Deus? Todavia vós me roubais, e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas. 

A maior parte dos falsos mestres usa esta passagem para saquear o povo sem instrução ou que cobiçam lucros. E esses mestres são peritos em atingir o ponto fraco da ambição de muitos. Mas não vamos tratar sobre eles, vamos examinar o texto de Malaquias. E o contexto de Malaquias informa que o povo roubou também nas ofertas. Portanto, há em Malaquias uma diferença entre “contribuição voluntária” e “contribuição obrigatória”.

Continuemos em Malaquias, os dízimos eram trazidos à casa do tesouro, que era um tipo de setor administrativo-financeiro ligado ao templo e administrado pelos levitas. 1 Cr 9.26:

Porque havia naquele ofício quatro porteiros principais que eram levitas, e tinham o encargo das câmaras e dos tesouros da casa de Deus.

Havia dízimos e ofertas, basicamente estas coisas foram constituídas para a manutenção do templo, dos sacerdotes e levitas. Ao negligenciar seus dízimos e ofertas as pessoas no contexto de Malaquias geravam dificuldades financeiras para aqueles que se dedicavam ao trabalho espiritual. Este ponto é importante para a práxis econômico-financeira do ministério dos sacerdotes e levitas.

No verso 9, por causa do roubo da nação, o Malaquias profetizou uma maldição: Com maldição sois amaldiçoados, porque a mim me roubais, sim, toda esta nação. – Destaque para “toda” nação. A nação foi culpada por causa de alguns e dos maus sacerdotes: Se não ouvirdes e se não propuserdes, no vosso coração, dar honra ao meu nome, diz o Senhor dos Exércitos, enviarei a maldição contra vós, e amaldiçoarei as vossas bênçãos; e também já as tenho amaldiçoado, porque não aplicais a isso o coração. (Ml 2.2).

Malaquias 3:10,11 – Falta de chuvas nas lavouras e pragas

Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim nisto, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal até que não haja lugar suficiente para a recolherdes.

E por causa de vós repreenderei o devorador, e ele não destruirá os frutos da vossa terra; e a vossa vide no campo não será estéril, diz o Senhor dos Exércitos.

Nos versos 10 e 11 do capítulo 3 há uma descrição das consequências da maldição corporativa, condições climáticas e pragas. As pessoas desse contexto poderiam usar a desculpa e de não dar o dizimo por causa das dificuldades econômicas, mas não dar o dízimo foi a causa e não o efeito. Roubaram o que pertence a Deus, foi exatamente a desobediência que colocou o povo debaixo de maldição. Esta negligência (devocional) não podia ser justificada por causa da safra ruim (seca e pragas). Mas Deus revela que os desastres naturais são resultados da desobediência.

LIVRO DE AGEU

Ageu 1:6-11

Semeais muito, e recolheis pouco; comeis, porém não vos fartais; bebeis, porém não vos saciais; vestis-vos, porém ninguém se aquece; e o que recebe salário, recebe-o num saco furado.
Assim diz o Senhor dos Exércitos: Considerai os vossos caminhos.
Subi ao monte, e trazei madeira, e edificai a casa; e dela me agradarei, e serei glorificado, diz o Senhor.
Esperastes o muito, mas eis que veio a ser pouco; e esse pouco, quando o trouxestes para casa, eu dissipei com um sopro. Por que causa? disse o Senhor dos Exércitos. Por causa da minha casa, que está deserta, enquanto cada um de vós corre à sua própria casa.
Por isso retém os céus sobre vós o orvalho, e a terra detém os seus frutos.
E mandei vir a seca sobre a terra, e sobre os montes, e sobre o trigo, e sobre o mosto, e sobre o azeite, e sobre o que a terra produz; como também sobre os homens, e sobre o gado, e sobre todo o trabalho das mãos.

Ageu 2:16-19

Antes que sucedessem estas coisas, vinha alguém a um montão de grão, de vinte medidas, e havia somente dez; quando vinha ao lagar para tirar cinquenta, havia somente vinte.
Feri-vos com queimadura, e com ferrugem, e com saraiva, em toda a obra das vossas mãos, e não houve entre vós quem voltasse para mim, diz o Senhor.
Considerai, pois, vos rogo, desde este dia em diante; desde o vigésimo quarto dia do mês nono, desde o dia em que se fundou o templo do Senhor, considerai essas coisas.
Porventura há ainda semente no celeiro? Além disso a videira, a figueira, a romeira, a oliveira, não têm dado os seus frutos; mas desde este dia vos abençoarei.

A nação já havia estado sob maldição durante o ministério de Ageu. Ageu 1:3-6:

A razão porque estavam focados em construir suas próprias casas, enquanto o templo de Deus restava incompleto.
Veio, pois, a palavra do Senhor, por intermédio do profeta Ageu, dizendo:
Porventura é para vós tempo de habitardes nas vossas casas forradas, enquanto esta casa fica deserta?
Ora, pois, assim diz o Senhor dos Exércitos: Considerai os vossos caminhos.
Semeais muito, e recolheis pouco; comeis, porém não vos fartais; bebeis, porém não vos saciais; vestis-vos, porém ninguém se aquece; e o que recebe salário, recebe-o num saco furado.

DESOBEDIÊNCIA OBSTINADA DOS ANTIGOS -- “desde os dias dos vossos pais”

Em Malaquias 3.7 Deus acusa o povo de não guardar suas ordenanças, “desde os dias dos vossos pais”:

Desde os dias de vossos pais vos desviastes dos meus estatutos, e não os guardastes; tornai-vos para mim, e eu me tornarei para vós, diz o Senhor dos Exércitos; mas vós dizeis: Em que havemos de tornar?

Tanto em Ageu como em Malaquias Deus exige que se coloque a sua honra ante ao conforto pessoal. Cf Ag 1.7-8. Em Malaquias para reparar o dano da relação Deus-Israel o povo devia trazer novamente todos os dízimos a casa do Senhor. Cf. Ml 3.10. Aqui não é algo opcional ou voluntário, seu comando não deve ser desobedecido ou ignorado com base na preferência ou qualquer justificativa. Todos os dízimos, toda nação. (v.9). Toda nação foi acusada de roubo. E o dever teria de ser restaurado.

Porque os dízimos dos filhos de Israel, que oferecerem ao Senhor em oferta alçada, tenho dado por herança aos levitas. -- Números 18:24ª

Nos versos 10 e 11 de Malaquias 3 há uma promessa condicional, o povo obedece e Deus abençoa a terra dando chuva e controlando as pragas das safras. E no mesmo contexto há a exigência da santidade, a necessidade da santidade é exigida no Antigo Testamento. Neste contexto de Malaquias 2.13; 3.3-4, o povo de Israel foi favorecido como sempre fora ao longo do Antigo Testamento:

E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra. - Gênesis 12:3

E a sua posteridade será conhecida entre os gentios, e os seus descendentes no meio dos povos; todos quantos os virem os conhecerão, como descendência bendita do Senhor. -- Isaías 61:9

E há de suceder, ó casa de Judá, e casa de Israel, que, assim como fostes uma maldição entre os gentios, assim vos salvarei, e sereis uma bênção; não temais, esforcem-se as vossas mãos. -- Zacarias 8:13

Baseado em Malaquias, Deus exigiu uma restauração do culto e da piedade, uma reforma do ministério, uma reforma de devoção (que envolvia o dízimo). O compromisso devia ser renovado e significava retornar as ordenanças de Deus.

Desde os dias de vossos pais vos desviastes dos meus estatutos, e não os guardastes; tornai-vos para mim, e eu me tornarei para vós, diz o Senhor dos Exércitos; mas vós dizeis: Em que havemos de tornar? -- Malaquias 3:7.

O contexto de Malaquias era apoiar o ministério sacerdotal e levítico com dízimos. Se há uma relação do A.T. com o N.T. esse apoio ministerial é continuado. Não pode ser negado que há uma relação de CONTINUIDADE em relação às promessas e bênçãos do A.T. com o N.T., mas com relação ao dízimo, será que era exclusivo a uma época e um sistema ministerial? Houve descontinuidade total do dízimo? Sem dúvida há CONTINUIDADE em muitos aspectos do A.T. no N.T.

LEIS DO A.T. NO N.T.

Mas, assim como é santo aquele que os chamou, sejam santos vocês também em tudo o que fizerem, pois está escrito: "Sejam santos, porque eu sou santo".
1 Pedro 1:15,16.

O apóstolo Pedro está citando uma lei do A.T.:

Diga o seguinte a toda comunidade de Israel: Sejam santos porque eu, o Senhor, o Deus de vocês, sou santo. Levítico 19:2.

Pedro usa outra lei do A.T. para tratar sobre o sacerdócio:
Vocês, porém, são geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo exclusivo de Deus, para anunciar as grandezas daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz. 1 Pedro 2.9.

Agora, se me obedecerem fielmente e guardarem a minha aliança, vocês serão o meu tesouro pessoal dentre todas as nações. Embora toda a terra seja minha, vocês serão para mim um reino de sacerdotes e uma nação santa’. Essas são as palavras que você dirá aos israelitas". Êxodo 19:5,6.

Pois vocês são povo consagrado ao Senhor, ao seu Deus. Dentre todos os povos da face da terra, o Senhor os escolheu para serem o seu tesouro pessoal. Deuteronômio 14:2.

E hoje o Senhor declarou que vocês são o seu povo, o seu tesouro pessoal, conforme ele prometeu, e que vocês terão que guardar todos os seus mandamentos. Ele declarou que lhes dará uma posição de glória, fama e honra muito acima de todas as nações que ele fez, e que vocês serão um povo santo para o Senhor, para o seu Deus, conforme ele prometeu. Deuteronômio 26:18,19.

Pactualmente o que é aplicado a Israel é aplicado a Igreja. Fato indiscutível é que Pedro cita a Lei. A questão é se a Igreja é o novo Israel de Deus ou não. Se há CONTINUIDADE e como ela se aplica. Uma objeção comum é que a prática do dízimo era algo ligado exclusivamente a Israel que no N.T., por termos uma revelação maior daquilo que era apenas “sombra”, tem-se a orientação do Espírito Santo para “dar tudo que possuímos” e não apenas uma décima parte das posses, pois tudo pertence a Deus. – A partir dessa objeção se tem duas opções a seguir: Negar a TRANSIÇÃO da Revelação Progressiva do A.T. para o N.T. ou submeter a aceitação de uma CONTINUIDADE do A.T. com o N.T. (tendo como parâmetro o dízimo ou oferta livre).

O problema é que esta “oferta livre”, que tem como base a “totalidade das posses” (pois tudo pertence a Deus), na PRÁTICA torna-se um conflito para o ofertante e entra em contradição com o A.T. Quer dizer que no A.T. 90% das posses do povo não era de Deus? 90% pertencia ao povo e 10% a Deus? Evidente que o entendimento do dízimo no A.T. era amplo e bem aplicado. Com base nisto, é apropriado perguntar, por que os crentes do N.T. estão isentos dos 10% mas não dão 100%? Quem afirma que é 100% aumentou com que base? Uma resposta retórica, “porque tudo é de Deus”, esta é a base. Porém não dá tudo, e muitas vezes abaixo de 10%. Uma parte dizimal poderia ser pelo menos o parâmetro mínimo.

Certa vez, concordei com um pastor que ensinava desse modo, pelo “parâmetro mínimo”, mas na prática a doação não aumentou. E o ministério torna-se insuportavelmente desgastante pela falta constante de captação de recurso para manutenção do ministério.

Por outro lado, no N.T., não há revogação do dízimo estabelecido por Deus no A.T. – Uma objeção contemporânea comum é que não há afirmação explícita do dízimo no N.T., mas também não há revogação. É fato, Deus estabeleceu o dizimo e não ha revogação. Será que deixou de ser um princípio divino? Exemplo de princípio, a Igreja como herança e propriedade de Deus é semelhante a Israel do A.T.

A vocês, o Senhor tomou e os tirou da fornalha de fundir ferro, do Egito, para serem o povo de sua herança, como hoje se pode ver. Deuteronômio 4:20.

Vocês são povo consagrado ao Senhor, ao seu Deus. Dentre todos os povos da face da terra, o Senhor os escolheu para serem o seu tesouro pessoal. Deuteronômio 14:2.

E este povo eleito dedicava a Deus os primeiros frutos e o dízimo, como uma devoção pactual, uma dedicação a Deus por toda colheita, renda e até a vida. As primícias, os primogênitos do rebanho, e não o resto. Não o que sobra, mas a primeira parte ao Senhor. Este é o princípio. E em todas as épocas os eleitos são sua possessão. É importante que o cristão reconheça que não se deve recusar a dar o dízimo com a justificativa que reter o dízimo é dar tudo ao Senhor. Reter o dízimo não é dar tudo ao Senhor.

Quem defende o dízimo, por princípio defende também a mordomia cristã, a qual ensina que devemos dar tudo a Deus. Devemos dar nossa vida, família, tempo, trabalho e renda. Como dizer que dá tudo e nega o dízimo? O dízimo é como uma oferta dos primeiros frutos de todas as coisas. Este é o princípio, estabelecido e não revogado.

JESUS, não aboliu, suprimiu ou menosprezou o dízimo.
Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês dão o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, mas têm negligenciado os preceitos mais importantes da lei: a justiça, a misericórdia e a fidelidade. Vocês devem praticar estas coisas, sem omitir aquelas.

Mateus 23.23.

Paulo disse que abriu mão do "DIREITO" de receber o apoio financeiro ministerial, observe que falou em “DIREITO”. Apesar de que em outro momento aceitou um apoio financeiro. -- Como vocês sabem, filipenses, nos seus primeiros dias no evangelho, quando parti da Macedônia, nenhuma igreja partilhou comigo no que se refere a dar e receber, exceto vocês; pois, estando eu em Tessalônica, vocês me mandaram ajuda, não apenas uma vez, mas duas, quando tive necessidade. Filipenses 4:15,16.

Paulo não diz aos cristãos para reterem o apoio financeiro dos ministros, pelo contrário ensina que o trabalho ministerial é digno de salário integral. Quem serve como soldado a sua própria custa? Como era o sustento ministerial no A.T.? Como é no N.T.? Uma coisa é certa, não se pode negar apoio financeiro aos ministros legítimos do Evangelho, negar este apoio é reter seu salário, legítimo. Enganar neste apoio é como roubar a Deus. É um direito. Leia atentamente:

... Mas nós não usamos deste direito; antes suportamos tudo, para não pormos impedimento algum ao evangelho de Cristo.
Não sabeis vós que os que administram o que é sagrado comem do que é do templo? E que os que de contínuo estão junto ao altar, participam do altar?
Assim ordenou também o Senhor aos que anunciam o evangelho, que vivam do evangelho.
1 Coríntios 9:12-14.

Para quem ainda pensa que o dízimo do A.T. é somente uma lei obsoleta da Antiga Aliança e que foi abolida pela Nova Aliança, observe que Paulo afirma o DIREITO do ministro legítimo em receber apoio financeiro. Que vivam do Evangelho. Como os antigos sacerdotes eram sustentados?

Em 1Timoteo 5.17,18, Paulo escreve: Os presbíteros que lideram bem a igreja são dignos de dupla honra, especialmente aqueles cujo trabalho é a pregação e o ensino, pois a Escritura diz: "Não amordace o boi enquanto está debulhando o cereal", e "o trabalhador merece o seu salário". A “dupla honra” está contexto direto com “o trabalhador merece seu salário”. Ou seja, dupla honra pode significar “receber em dobro”. O contexto é sobre dinheiro, não honra. Vimos antes que é um DIREITO. Cabe uma pergunta neste ponto, é um dinheiro devido ou uma oferta voluntária? Pagar um ministro digno não é um ato de generosidade ou nobreza por parte dos cristãos, é uma obrigação. Para os dias de hoje parece uma palavra politicamente incorreta, mas é o que ensina as Escrituras. Não tenha receio da palavra “obrigação”, temos muitas exigidas por Deus em sua Palavra.

Há um mito que no N.T. há um silêncio total e absoluto sobre o dízimo. Primeiro, se levarmos em consideração a TRANSIÇÃO do A.T. para o N.T., não encontramos no N.T. uma abolição, mas pelo contrário encontramos indícios para reafirmar o dízimo.

Ser contra o dízimo por causa dos falsos mestres e mercenários é um erro. Por algo ser falso não justifica eliminar o verdadeiro. O discurso do dinheiro virou tabu para os verdadeiros mestres, por causa dos maus obreiros? E muitos bons ministros sentem medo ou vergonha de falar em dízimo.

Não devemos brigar ou causar divisão porque os cristãos estão divididos em relação ao tema, mas numa coisa todos devemos concordar: DAR. E todos devemos tomar cuidado contra os perigos da cobiça, avareza e ganância. O dever de sustentar financeiramente um ministério genuinamente cristão faz parte, importante, do Reino de Deus.

John Piper vai além e diz que uma porcentagem fixa (como 10%) está fora de questão para muitos, ele cita as classes médias e altas americanas como injustas quando estipulam apenas 10%, num mundo onde 10 mil pessoas morrem de fome por dia e muito mais que morrem na incredulidade. A questão não é o percentual, mas quanto se pode gastar individualmente e de modo compromissado. Que isto fique bem claro, a questão não é o percentual mas o comprometimento baseado no princípio. Se alguém é contra o ensino do dízimo mas tem comprometimento em DAR, na prática é um dizimista inconsciente.

James M. Boice diz que no N.T. as obrigações são maiores, as obrigações das leis são intensificadas em vez de diminuídas. Em circunstâncias razoáveis qualquer cristão deve dar mais que 10%. Para surpresa de muitos, no A.T. se exigia vários dízimos e somando dava uns 23%. Dar 10% é bastante leve em comparação ao A.T., por isso para muitos teólogos deve ser considerado apenas um ponto de partida.

Ele ordenou ao povo de Jerusalém que desse aos sacerdotes e aos levitas a porção que lhes era devida a fim de que pudessem dedicar-se à Lei do Senhor. 2 Crônicas 31:4.
Atenção à prudência cristã, não temos nenhuma de apoiar um herege, pelo contrário devemos fazer oposição ao seu ensino. -- Se alguém chega a vocês e não trouxer esse ensino, não o recebam em casa nem o saúdem. Pois quem o saúda torna-se participante das suas obras malignas. 2 João 1:10,11. – Não devemos sustentar ministérios heréticos.

Infelizmente muitos pastores não acreditam no aviso de Malaquias. Poucos tentam pregar corretamente, e muitos pregam para tirar proveito mercenário. São os dias de hoje. Mesmo as igrejas que pregam o dízimo não tem coragem de disciplinar um membro que se recusa a entregar o dízimo. Esta é uma cultura aceita e concretizada, hoje. Parece haver dois tipos de igrejas, as que não aplicam a lei de Deus, e as que pregam sobre a lei mas não a aplicam eclesiasticamente, pois parece inútil, uma luta inglória. É algo impopular e espanta membros. E o ministro está arriscado a ser dispensado. Portanto, um assunto perigoso e delicado.

Há muitas distorções sobre o dizimo, parece um assunto maldito. Se tem quem defenda o ensino, vai parecer mercenário ou ignorante. Há quem pague com uma mão aberta e a outra no bolso, e ainda pensa, “se todo mundo da igreja der o dízimo, a arrecadação vai subir, e o pastor vai ter aumento” ou algo do tipo, o interesse sobre o assunto é sempre econômico, cruelmente econômico. Quando o interesse deveria ser devocional, missional ou ministerial. A verdade é que muitos pastores têm medo de pregar a advertência em Malaquias. Este livro está ou não em vigor? Se não está qual o motivo? Os pastores devem voltar a pregar sobre o dízimo, pois têm responsabilidades diante de Deus e dos homens. Este é o alerta derivado de Malaquias. E certamente há muitas igrejas que praticam corretamente o dízimo.

Onde Jesus, que nos precedeu, entrou em nosso lugar, tornando-se sumo sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque. Hebreus 6.20

Pode-se até dizer que Levi, que recebe os dízimos, entregou-os por meio de Abraão. Hebreus 7:9.

Quero dizer isto: A lei, que veio quatrocentos e trinta anos depois, não anula a aliança previamente estabelecida por Deus, de modo que venha a invalidar a promessa. Pois, se a herança depende da lei, já não depende de promessa. Deus, porém, concedeu-a gratuitamente a Abraão mediante promessa. Gálatas 3:17,18.

Paulo deixa claro que a aliança de Deus com Abraão foi cumprida e culminada em Cristo.
Assim também as promessas foram feitas a Abraão e ao seu descendente. A Escritura não diz: "E aos seus descendentes", como se falando de muitos, mas: "Ao seu descendente", dando a entender que se trata de um só, isto é, Cristo. Gálatas 3:16.

A Nova Aliança tem origem nesta promessa da Antiga Aliança. A herança abraâmica é a base da lei mosaica. O que Deus prometeu a Abraão é crucial para estabelecer a autoridade da igreja. Esta é uma doutrina familiar aos comentadores protestantes, desde Lutero até o presente, mas as suas implicações para a eclesiologia nem sempre foram claramente reconhecidas. É importante resgatar a importância do dízimo em suas implicações eclesiológicas e de modo equilibrado.

Qual a ligação do ministério de Abraão com Melquisedeque? Ele estava sob autoridade eclesiástica? Se sim, qual a marca de subordinação? O DÍZIMO. Abraão deu o dízimo a Melquisedeque, rei-sacerdote de Salém, um homem sem genealogia.

Sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida, mas sendo feito semelhante ao Filho de Deus, permanece sacerdote para sempre. Hebreus 7:3

E Jesus Cristo, filho de Judá, em vez de Levi, traçou sua função sacerdotal em Melquisedeque, não em Levi nem em Arão. Seu sacerdócio é mais elevado do que o deles. Hebreus iguala o sacerdócio de Jesus com o sacerdócio de Melquisedeque. Isto é importante? Em que sentido é importante? O sacerdócio de Melquisedeque é superior ao levítico?

As relações entre A.T. e N.T. são muitas, senão vejamos. A refeição da comunhão da Nova Aliança esta relacionada a Antiga Aliança.

E Melquisedeque, rei de Salém, trouxe pão e vinho; e era este sacerdote do Deus Altíssimo. Gênesis 14:18.

A Ceia do Senhor está ligada a páscoa, obviamente, porém os elementos, o pão e o vinho de Melquisedeque são anteriores a páscoa. Em nossos dias, é comum ouvir de antidizimistas que não estão mais debaixo da lei mosaica, então não tem obrigação de dar o dízimo (e ponto final?). Mas o N.T. não baseia o dízimo na lei mosaica, mas em Hebreus 7 é estabelecida sua autoridade. O antinomianismo não deve ser prevalecente na igreja hoje. 

Hebreus 7 estabelece a autoridade do Sumo Sacerdote Jesus Cristo, que está relacionada ao sacerdócio de Melquisedeque. Abraão deu o dízimo a Melquisedeque, um representante judicial ou ministerial, de certo fora um ato de submissão e devoção a Deus.

A igreja perdeu sua ligação com Abraão? A igreja é herdeira das promessas abraâmicas?

Tanto quanto a Bíblia revela, o dízimo começou com Abraão entregando a Melquisedeque. O dízimo está relacionado nas duas alianças ou apena uma? O dízimo é para Deus, representado por sua Igreja, uma agência legítima. Quem aplica os sacramentos de Deus? A igreja. A família não é a instituição central da sociedade cristã; a Igreja é. A família não vai se estender para eternidade (Mt 22:30.); A igreja, sim (Ap 21: 1-2). Teologicamente, havia igreja no A.T.? Sim. O entendimento da revelação progressiva e da doutrina pactual faz com que enxerguemos a graça, a salvação, a igreja, no A.T.

A igreja hoje em sua maioria parece caminhar para uma instituição estritamente voluntária, contratual e não instituição da aliança. Apenas mais uma instituição voluntária entre muitas. Isso também é refletido na mesa da comunhão, que está se transformando em um ritual ocasional que se apega apenas a uma recordação. Na prática a igreja é hoje mais um clube social sem fins lucrativos, ela não é reconhecida como uma autoridade representativa. Elas agem como não históricas, como liberais.

A igreja moderna não acredita que a igreja manifesta um padrão moral e judicial para o mundo, assim como Israel manifestou seu padrão sob a Aliança mosaica. Na prática hoje achamos que não há nenhuma relação judicial divina no tribunal civil, nas urnas de eleições politicas. As frases transformaram-se em meras formalidades, a exemplo dos juramentos judiciais e políticos. Ou como nas frases devocionais nas cédulas de dinheiro, como, “Deus seja louvado”. Invocar o nome de Deus tornou-se uma mera convenção.

May 9, 2019

Minhas Impressões sobre o Filme Vingadores - Ultimato


Seguem abaixo as minhas impressões sobre o filme Vingadores Ultimato:
1. Quanto à trama: Muito bem construída. Sendo o último filme da saga, os personagens voltam no tempo revisitando alguns filmes da série.
2. Aceno ao movimento homossexual: Uma cena sutil para agradar o movimento homossexual, quando, no começo do filme um desconhecido relata a um grupo de apoio que está saindo com outro homem, tentando reconstruir a vida.
3. Aceno ao movimento feminista: Quase no final do filme há uma cena composta só pelas heroínas, tendo a Capitã Marvel como líder. Uma cena forçada, pois na batalha os heróis e as heroínas estavam lutando de forma misturada. De repente, aparecem só as mulheres para defender a manopla. Evidente aceno ao movimento feminista.
4. Redenção na ciência: A salvação do filme, isto é, o reviver de metade das criaturas da terra, não está em Deus, mas na ciência. São os cálculos científicos que possibilitam o retorno ao passado para consertar a situação. Como têm alertado Nancy Pearcey, Os Guiness, Brian J. Walsh e Richard Middleton, na pós-modernidade a ciência substituiu a religião. É o cientista, e não o sacerdote, quem prescreve o conhecimento para a salvação.
5. Valorização da família: Parece-me que os momentos mais emocionantes do filme são ligados à família. Desde a cena inicial, com o arqueiro passando da felicidade ao desespero ao perceber o fim de sua bela família, até aos emocionantes reencontros do homem formiga com sua filha, de Thor com sua mãe, de Tony Stark com seu pai e do Capitão América voltando no tempo para, finalmente, viver com seu grande amor.
6. Outros momentos de verdade: Mesmo sendo um filme sem nenhum compromisso com Deus, vemos diversos momentos de verdade nas entrelinhas da trama:
- Na luta do bem contra o mal, com o bem vencendo no final;
- Na mudança de um caminho mal para o caminho correto - as filhas de Thanos;
- No reconhecimento do egoísmo e na opção pelo altruísmo - o sacrifício de Tony Stark;
- Na consciência do erro e na humildade de se pedir perdão – Capitão América e Tony Stark;
- Na necessidade de um redentor, de alguém que dê a vida para salvar a humanidade – Viúva negra, Arqueiro e Tony Stark;
- No consolo da família na morte de quem morreu por uma causa justa.
Como toda obra secular, não há neste filme qualquer compromisso com a Palavra de Deus. Todavia, é impossível ao ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus, libertar-se de conceitos que estão entranhados em sua alma, como o amor à família, a busca da justiça, a primazia do bem contra o mal e o sacrifício altruísta. Como igreja, devemos nós mostrar que a fonte de todos estes valores não é outra senão o próprio Deus, especialmente, o Deus encarnado, Jesus Cristo.

April 19, 2019

Há um pastor a bordo?



“Senhores passageiros, com licença. Há algum pastor presente que pudesse prestar um atendimento voluntário? Por favor, identifique-se a uma das aeromoças munido de sua carteira de ministro”, disse o comissário de voo pelo sistema de som do avião. Houve um silêncio entre os passageiros e alguns esticaram o pescoço olhando para as outras poltronas, curiosos com o que estava acontecendo.

Rapidamente um senhor, magro, alto, pele negra, com semblante sereno e expressão de simpatia levantou-se e disse a uma aeromoça que estava a poucos metros de sua poltrona: “Eu sou pastor. Posso ajudar?” A aeromoça, com um sorriso agradeceu: “Obrigada. Me acompanhe, por favor”. O pastor foi conduzido às poltronas da frente do avião onde uma senhora estava passando mal. A mulher tinha cabelos negros, aparentava ter uns 60 anos, vestida de maneira bem humilde. Os olhares dos vizinhos de poltrona vigiavam a mulher com muita apreensão. Ela, de olhos fechados, repetia: “Eu não quero morrer, eu não quero morrer”. O pastor aproximou-se, sentou-se na poltrona ao lado que um passageiro gentilmente cedera, segurou o pulso da mulher e disse: “Fique calma. O que você está sentindo?” ao que ela, abrindo os olhos, respondeu: “Medo, muito medo. Eu não quero morrer.” “A sra. se alimentou espiritualmente hoje de manhã? Leu a Bíblia, fez oração?” “Não”, respondeu ela, “eu não tenho feito isso há meses...” Neste momento um dos comissários se aproximou com uma pequena caixa, com algumas bíblias, hinários, saltérios e disse: “Pastor, se precisar de algum remédio, são estes que temos a bordo”. O pastor soltou o pulso da mulher e voltou-se para a caixa olhando para dentro dela. Pegou uma pequena Bíblia, de capa marrom, bastante surrada, e com vários versículos sublinhados com canetas de cores diferentes. Pela aparência, aquela Bíblia havia sido muito usada pelas tripulações do avião. O pastor abriu no Salmo 139 e começou a lê-lo vagorosamente: “SENHOR, tu me sondas e me conheces. Sabes quando me assento e quando me levanto, de longe penetras os meus pensamentos...” Na medida em que os versículos iam sendo lidos, na voz firme, mas afetuosa do pastor, a respiração ofegante da mulher ia ficando cada mais tranquila. Quando o pastor chegou ao versículo 16, “Os teus olhos me viram a substância ainda informe”, tirou os olhos da Bíblia e, olhando diretamente para a mulher recitou o restante com mais pausa ainda “e no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles havia ainda...”. A mulher fechou os olhos, ajeitou-se na poltrona, balançou a cabeça como quem fala sim e disse: “Obrigada, Senhor, obrigada. Eu já me sinto melhor”. Olhou para o pastor e, com um sorriso, agradeceu: “Obrigada, pastor. Eu havia me esquecido disso. Obrigada.” O pastor deu dois tapinhas na mão dela e, de modo simpático, respondeu: “Não se esqueça da Palavra de Deus. Você vai ficar bem”. Levantou-se sob os olhares de admiração e gratidão dos que assistiram a cena e, recebendo mais agradecimentos dos comissários, pegou o rumo de sua poltrona. A mulher, restaurada espiritualmente, agora com semblante tranquilo e confiante, fechou os olhos e virou a cabeça para o lado, procurando dormir. Na poltrona ao lado, um garoto de uns 10 anos de idade, que a tudo presenciara com admiração, pensou, como quem sonha: “Um dia eu quero ser Pastor...” 

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Infelizmente, a história acima não aconteceu. Eu a escrevi agora, em um voo, depois que observei a mulher ao meu lado passando mal e toda a ação da equipe do avião, a chegada de um médico e a melhora da mulher. Eu agradeci a Deus pela bênção da medicina e pela providência de termos um médico a bordo. Todavia, fiquei pensando na quantidade de pessoas que não estão bem por razões mais profundas, espirituais, na falta de percepção de que precisam de Deus e de como seria uma sociedade que valorizasse mais o espiritual do que o material. Se a Igreja de Cristo conseguir anunciar ao mundo que a raiz dos nossos problemas (incluindo algumas doenças) é espiritual, haverá esperança para apresentarmos o verdadeiro remédio: Jesus Cristo!



Ps. Antes que alguém pergunte, depois que o médico saiu eu puxei conversa, me apresentei como pastor e orei pela mulher...

February 8, 2019

O Aborto Litúrgico - Hendrika Lopes Vasconcelos


Na Islândia, praticamente não existem crianças com Síndrome de Down. Não é porque conseguiram reverter os efeitos da mutação genética, mas simplesmente porque mataram os bebês que a possuíam.
Existem várias igrejas que conseguiram erradicar o barulho das crianças do culto. E geralmente, não é porque conseguiram "domar" ou educar os pequenos desde o berço, mas simplesmente porque preferiram eliminar as crianças do culto, isolando-as em salas especiais ou afugentando as mães da igreja.
Mas...
Lugar de bebê pequeno choroso é no culto, SIM.
Lugar de criança hiperativa é no culto, SIM.
Lugar de criança birrenta é no culto, SIM.
Lugar de criança tagarela é no culto, SIM.
Lugar de criança desobediente é no culto, SIM.
Sabe por que?
Porque elas precisam da Igreja. Elas precisam da comunhão. Elas precisam da palavra. Elas precisam da graça e do amor dos outros membros.
A única diferença entre o adulto que desaprova de criança no culto e a criança birrenta ao seu lado é que o adulto já aprendeu a esconder os pecados, enquanto a criança as escancara sem medo.
O culto não é um serviço pelo qual pagamos com nossos dízimos e esperamos receber o produto impecável com o direito de não sermos atrapalhados pelos outros. O culto não se resume apenas à pregação da Palavra. Caso fosse isso, você poderia bem "cultuar" em casa sozinho assistindo pela internet. Mas Deus usa a Igreja e as situações desconfortáveis para trabalhar no nosso coração também.
A adoração em comunhão nos ensina a adorar e cultuar como CORPO e não como indivíduos. Isso significa que adoramos a Deus como CORPO, cantando desafinados e afinados juntos. Isso significa que adoramos a Deus como CORPO, lendo a Palavra e ensinando os pequenos a amarem a ler também. Isso significa que oramos a Deus como CORPO, sabendo que o Espírito intervém nas orações tanto dos mais cultos e dos mais humildes.
Somos CORPO e as crianças fazem parte dessa aliança também. Você não tem mais direito de estar no culto do que elas. Se você ama a Cristo, você ama seu Corpo. E você tem o dever de incentivar as crianças a amarem estar lá.
Amemos as crianças, seus papais e suas mamães no culto. Não façamos aborto litúrgico.

December 17, 2018

18 razões para o Cristão não ser Vegano



O Veganismo é um conjunto de práticas focadas nos direitos dos animais que, por consequência, adota uma dieta baseada em vegetais, livre de todos os alimentos de origem animal, como: carne, laticínios, ovos e mel, bem como produtos como o couro e qualquer produto testado em animais.

O vegano não deve usar artigos de peles, couro, lã, seda, camurça ou outros materiais de origem animal (como adornos de pérolas, plumas, penas, ossos, pelos, marfim etc.), pois implicam a morte ou exploração dos animais que lhes deram origem. Sendo assim, um vegano se veste de tecidos de origem vegetal (algodão, linho, etc) ou sintéticos (poliéster, etc).

Veganos fazem uso da dieta vegetariana estrita, ou seja, excluem, da sua alimentação, carnes e embutidos (enchidos), banha, vísceras, músculos, gelatina, peles, cartilagens, lacticínios, ovos e ovas, insetos, mel e derivados, frutos do mar e quaisquer alimentos de origem animal. Consomem basicamente cereais, frutas, legumes, vegetais, hortaliças, algas, cogumelos e qualquer produto, inclusive industrializados, que não contenha ingredientes que dependam de uso animal em sua produção.

Circos com animais, rodeios, vaquejadas, touradas, zoológicos ou qualquer coisa que explore os animais de algum modo, também são boicotados pelos veganos pois estas práticas implicam escravidão, posse, deslocamento do animal de seu habitat natural, privação de seus costumes e comunidades, adestramento forçoso e sofrimento.

Veganos não caçam, não promovem nenhum tipo de pesca, e boicotam qualquer "desporto" que envolva animais.

Diante de tantas proibições, a pergunta a ser feita é: Pode o cristão se submeter a estas exigências? Deus exige isso de seus filhos? A resposta é não por, pelo menos, 18 motivos.

1. Deus autorizou seu povo a comer carne (Gn 9.3; At 11.5-9);

2. O povo de Deus, no Antigo Testamento, sempre comeu carne de boi, ovelha, cabra e outros animais (Jz 6.20; 1Sm 28.24,25; 1Re 4.23; Am 6.4);

3. O povo de Deus, no Novo Testamento, também comia carne bovina (Mt 22.4; Lc 15.30);

4. O povo de Deus comia carne de peixe (Nm 11.5; Ec 9.12; Ez 47.10; Mt 4.18; Lc 11.11);

5. Jesus alimentou a multidão com pão e carne de peixe (Mt 15.37; Mc 6.42);

6. Gafanhotos eram comidos (Lv 11.21,22; Mt 3.4; Mc 1.6);

7. Aves eram parte da alimentação (Êx 16.12,13; Nm 11.18-20,32,33; 1Re 4.23; 1Sm 26.20);

8. O povo de Deus bebia leite (Dt 32.14; Jó 20.17; Jó 21.24; Pv 27.27; Ct 4.11);

9. O povo de Deus bebia mel (1Sm 14.27; 2Sm 17.29; Ct 4.11; Sl 19.10; Pv 16.24; Mt 3.4; Mc 1.6);

10. As descrições bíblicas de uma terra prometida são de “terra que mana leite e mel” (Ex 3.8,17; 13.5; 33.3; Lv 20.24; Nm 13.27);

11. Deus usou e ordenou o uso de peles de animais (Gn 3.21; Ex 25.5; Nm 31.20; Hb 11.37);

12. Homens de Deus como Elias e João batista usavam couro (2Re 1.8; Mt 3.4; Mc 1.6);

13. A seda também é permitida por Deus nas Escrituras (Ez 16.10; Ez 16.13; Ap 18.12);

14. A descrição da nova Jerusalém é de portas feitas de pérola (Ap 21.21);

15. Tanto a caça quanto a pesca são atividades permitidas por Deus (Gn 25.28; 27.3,5; Pv 12.27; Ez 47.10; Mt 4.18; Mt 13.48; Lc 5.4-6);

16. Animais eram usados tanto nos sacrifícios, quanto na agricultura, quanto nas guerras (2Re 6.17, Lc 9.62);

17. Os anjos, em corpos humanos, se alimentaram de coalhada, leite e carne bovina (Gn 18.8);

18. Jesus se alimentava de carne de peixe (Lc 24.42,43), mel (Lc 24.43); pão (Mt 26.26); carne de cordeiro (Êx 12.3) e, muito provavelmente, como todo judeu, de queijo de cabra, ovos, azeitonas, trigo, cevada, lentilhas, tâmaras, melõe, pepinos, romãs, e uvas passas.

O que está na base do Veganismo é a ideia de que o sofrimento animal não é permitido sob hipótese alguma. A vida animal é sagrada. Em um mundo vegano ideal, os animais morreriam de velhice.

Conquanto cristãos tenham o dever de cuidar da criação de Deus (Gn 1.28), Deus colocou os animais abaixo dos seres humanos. O que o paganismo fez, no passado, foi inverter esta ordem “adorando e servindo a criatura em lugar do Criador” (Rm 1.25). O que a Ecologia (e agora o Veganismo) estão fazendo é ressuscitar o paganismo colocando a natureza como o próprio Deus e divinizando os animais. Assim, cristãos devem perceber que não se trata apenas de uma inocente dieta para cuidado da saúde, mas de uma filosofia que inverte os ensinos da Palavra de Deus e que produz a idolatria da criação.

“Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão.” (Gl 5.1) “Se morrestes com Cristo para os rudimentos do mundo, por que, como se vivêsseis no mundo, vos sujeitais a ordenanças: não manuseies isto, não proves aquilo, não toques aquiloutro, segundo os preceitos e doutrinas dos homens?” (Cl 2.20-22). Foge destes que “exigem abstinência de alimentos que Deus criou para serem recebidos, com ações de graças, pelos fiéis e por quantos conhecem plenamente a verdade; pois tudo que Deus criou é bom, e, recebido com ações de graças, nada é recusável, porque, pela palavra de Deus e pela oração, é santificado.” (1Tm 4.3-5) “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus.” (1Co 10.31)

Ilustrações de Jesus não quebram o 2º mandamento? - Uma resposta



No dia 11 de Dezembro (2018) o Pastor Pedro Pamplona, do site Dois Dedos de Teologia, publicou um artigo com o título "Ilustrações de Jesus não Quebram o Segundo Mandamento". No texto o Pr. Pedro citou um artigo do meu blog e o fez com muita deferência e respeito. Devo dizer que aprecio muito os pastores que conseguem debater com respeito e amor cristão. Pelo que percebi no fluxo do texto, o Pastor Pedro é um destes. Que Deus abençoe muito o ministério desse meu irmão.

Para fins de instrução, eu escrevi uma resposta aos pontos abordados naquele artigo, com o fim de levar os leitores a compreenderem o que é requerido no 2º mandamento. Posto abaixo a resposta que enviei ao Pr. Pedro e que ele, prontamente, publicou:

Caro irmão, Pr. Pedro Pamplona,

Em primeiro lugar, agradeço a deferência ao meu blog e o tratamento respeitoso ao pensamento contrário. Já que fui citado, sinto-me obrigado a fazer um contraponto na esperança de convencê-lo que a interpretação de Westminster quanto ao 2º mandamento, proibindo qualquer imagem de qualquer das 3 pessoas da Trindade, está fiel ao ensino bíblico.

Em um ponto do seu escrito você disse:

“Quando falamos em ministério infantil, por exemplo, não considero adequado o uso de ilustrações de Deus, o Pai. Muitas vezes ele é retratado como um velhinho de barba branca, quase como um papai noel. Esse tipo de ilustração constrói uma ideia errada sobre Deus na mente das crianças e pode dificultar o aprendizado bíblico posterior sobre Deus e sobre a Trindade. Se Deus se revelou como Espírito invisível, que o mantenhamos assim para sermos fiéis à sua revelação pedagógica de si mesmo.”

Eu concordo plenamente com você e o mesmo argumento se aplica a Cristo. Muitas vezes ele é retratado como um jovem de pele macia, olhos claros e cabelos sedosos, quase como uma mulher. Esse tipo de ilustração constrói uma ideia errada sobre Jesus na mente das crianças e pode dificultar o aprendizado bíblico posterior sobre Deus e sobre a Trindade. Se Deus se revelou como pessoa Teantrópica, que o mantenhamos assim para sermos fiéis à sua revelação pedagógica de si mesmo.

Na sequência, você afirmou:

Se o texto de Deuteronômio nos dizia para não fazermos qualquer imagem de Deus porque ele não se revelara de forma visível, agora esta revelação chegou até nós e não temos mais esse problema com a invisibilidade. Concluo que se a imagem era errada por falta de revelação visível, a presença dessa revelação possibilita algum tipo de ilustração.”

É equivocado dizer que Deus não se revelou de forma visível antes de Cristo. Moisés viu a manifestação de Deus pelas costas (Ex 33.23) e ele apareceu em forma visível, de modo teofânico, a Abraão (Gn 12, 18), a Jacó (Gn 32), a Josué (Js 5.14), a Isaías (Is 6) e a outros. João Calvino defende, inclusive, que todas as teofanias do AT são Cristofanias, pois, na economia da Trindade, a segunda pessoa é responsável pela manifestação visível de Deus. Assim, quando Cristo se encarna, a diferença é quanto à perenidade da manifestação. O que era passageiro, eventual e provisório, agora se torna encarnado e perene. Mesmo com todas as manifestações visíveis, teofânicas, de Deus no AT, nenhum desenho foi gerado. Pelo contrário, quando Moisés viu a Deus, de forma tão intensa que teve que usar véu porque seu rosto resplandecia (Ex 34.29), a primeira coisa que fez não foi um desenho, mas lavrar duas novas tábuas de pedra para que Deus escrevesse Palavras (Ex 34.1).

Você usa bastante os argumentos de John Frame, que é, de fato, uma mente brilhante, mas, infelizmente, um conhecido dissidente da subscrição confessional. Um das citações é esta:

“O docetismo diz que Jesus não veio realmente em carne. Esse é um erro muito sério, que devemos desencorajar em nossos filhos. Em vez disso, devemos incluir imagens de Jesus em nossos materiais de ensino, de modo a dar aos nossos alunos algum sentido da visibilidade profunda da vinda de Deus para o nosso meio.”

Eu digo que Frame está certo no diagnóstico, mas não no remédio. Tratar Jesus como um espírito, ou um ser invisível é docetismo mesmo. Mas a solução não é desenhá-lo como se fosse um mero humano (ebionismo), mas não dar aparência a ele. Hollywood (até os anos 80) e algumas editoras cristãs sérias conseguiram contar histórias de Jesus sem mostrá-lo. Ele está lá, de carne e osso, mas não aparece a sua imagem, ninguém sabe qual é o seu rosto, ou a sua altura, ou a sua cor de pele. Assista o filme o Manto Sagrado (1953) e Ben Hur (1959), como exemplos.

Em outro ponto do texto, você disse:

“Novamente discordo de Westminster (acho que você já percebeu que não tenho nenhum problema com isso). E não só discordo, mas creio que eles foram longe demais nessa posição. Não há qualquer base bíblica para afirmar isso em relação a Jesus. O que dizer dos discípulos que viram Jesus? Eles não poderiam ter lembranças imperfeitas sobre ele? E o que dizer das imagens misteriosas que a própria Bíblia nos oferece sobre o Cristo que voltará? Você lembra da imagem cristológica-escatológica de Apocalipse 19?”

Eu digo que não há problema em você discordar de Westminster, visto que você é pastor batista. Para um pastor presbiteriano, isso é um problema grave, pois houve subscrição confessional. Sobre o mérito, os discípulos não quebraram o segundo mandamento porque, diferentemente de nós, eles tiveram acesso físico à pessoa de Cristo. Suas memórias eram reais quanto a Jesus. No nosso caso, como Deus deixou a nós palavras e não imagens, todas as nossas imagens quanto a Jesus são falsas. Tanto é assim que o texto que você usou de Apocalipse 19 confirma isso. Não é uma descrição da aparência de Jesus, mas uma descrição simbólica, com olhos de chama de fogo. No começo do livro, João o descreve não de modo real, mas por símbolos:

“A sua cabeça e cabelos eram brancos como alva lã, como neve; os olhos, como chama de fogo; os pés, semelhantes ao bronze polido, como que refinado numa fornalha; a voz, como voz de muitas águas. Tinha na mão direita sete estrelas, e da boca saía-lhe uma afiada espada de dois gumes.” (Ap 1.14-16). 

Ora, se como você disse “Esse texto é um convite claro das Escrituras para criamos uma imagem de Jesus em nosso imaginário”, o Jesus que teremos em nossa mente é o de um homem com chamas de fogo nos olhos, voz de muitas águas e com uma espada afiada saindo da boca. Nada comparado aos rostos efeminados que os artistas atuais têm produzido sobre Jesus.

Concluo agradecendo o respeito, mas esperançoso de que o pastor reveja seu pensamento. Não há qualquer base na bíblia para representações de Jesus por imagens. Aqueles que conviveram 3 anos com ele nos deixaram palavras, não imagens. E a igreja cristã seguiu este rumo. Que Deus abençoe o irmão.

Leia também:
Podemos Usar Imagens de Jesus? - Vários autores
Imagens de Cristo - John Murray

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