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February 8, 2019

O Aborto Litúrgico - Hendrika Lopes Vasconcelos


Na Islândia, praticamente não existem crianças com Síndrome de Down. Não é porque conseguiram reverter os efeitos da mutação genética, mas simplesmente porque mataram os bebês que a possuíam.
Existem várias igrejas que conseguiram erradicar o barulho das crianças do culto. E geralmente, não é porque conseguiram "domar" ou educar os pequenos desde o berço, mas simplesmente porque preferiram eliminar as crianças do culto, isolando-as em salas especiais ou afugentando as mães da igreja.
Mas...
Lugar de bebê pequeno choroso é no culto, SIM.
Lugar de criança hiperativa é no culto, SIM.
Lugar de criança birrenta é no culto, SIM.
Lugar de criança tagarela é no culto, SIM.
Lugar de criança desobediente é no culto, SIM.
Sabe por que?
Porque elas precisam da Igreja. Elas precisam da comunhão. Elas precisam da palavra. Elas precisam da graça e do amor dos outros membros.
A única diferença entre o adulto que desaprova de criança no culto e a criança birrenta ao seu lado é que o adulto já aprendeu a esconder os pecados, enquanto a criança as escancara sem medo.
O culto não é um serviço pelo qual pagamos com nossos dízimos e esperamos receber o produto impecável com o direito de não sermos atrapalhados pelos outros. O culto não se resume apenas à pregação da Palavra. Caso fosse isso, você poderia bem "cultuar" em casa sozinho assistindo pela internet. Mas Deus usa a Igreja e as situações desconfortáveis para trabalhar no nosso coração também.
A adoração em comunhão nos ensina a adorar e cultuar como CORPO e não como indivíduos. Isso significa que adoramos a Deus como CORPO, cantando desafinados e afinados juntos. Isso significa que adoramos a Deus como CORPO, lendo a Palavra e ensinando os pequenos a amarem a ler também. Isso significa que oramos a Deus como CORPO, sabendo que o Espírito intervém nas orações tanto dos mais cultos e dos mais humildes.
Somos CORPO e as crianças fazem parte dessa aliança também. Você não tem mais direito de estar no culto do que elas. Se você ama a Cristo, você ama seu Corpo. E você tem o dever de incentivar as crianças a amarem estar lá.
Amemos as crianças, seus papais e suas mamães no culto. Não façamos aborto litúrgico.

December 17, 2018

18 razões para o Cristão não ser Vegano



O Veganismo é um conjunto de práticas focadas nos direitos dos animais que, por consequência, adota uma dieta baseada em vegetais, livre de todos os alimentos de origem animal, como: carne, laticínios, ovos e mel, bem como produtos como o couro e qualquer produto testado em animais.

O vegano não deve usar artigos de peles, couro, lã, seda, camurça ou outros materiais de origem animal (como adornos de pérolas, plumas, penas, ossos, pelos, marfim etc.), pois implicam a morte ou exploração dos animais que lhes deram origem. Sendo assim, um vegano se veste de tecidos de origem vegetal (algodão, linho, etc) ou sintéticos (poliéster, etc).

Veganos fazem uso da dieta vegetariana estrita, ou seja, excluem, da sua alimentação, carnes e embutidos (enchidos), banha, vísceras, músculos, gelatina, peles, cartilagens, lacticínios, ovos e ovas, insetos, mel e derivados, frutos do mar e quaisquer alimentos de origem animal. Consomem basicamente cereais, frutas, legumes, vegetais, hortaliças, algas, cogumelos e qualquer produto, inclusive industrializados, que não contenha ingredientes que dependam de uso animal em sua produção.

Circos com animais, rodeios, vaquejadas, touradas, zoológicos ou qualquer coisa que explore os animais de algum modo, também são boicotados pelos veganos pois estas práticas implicam escravidão, posse, deslocamento do animal de seu habitat natural, privação de seus costumes e comunidades, adestramento forçoso e sofrimento.

Veganos não caçam, não promovem nenhum tipo de pesca, e boicotam qualquer "desporto" que envolva animais.

Diante de tantas proibições, a pergunta a ser feita é: Pode o cristão se submeter a estas exigências? Deus exige isso de seus filhos? A resposta é não por, pelo menos, 18 motivos.

1. Deus autorizou seu povo a comer carne (Gn 9.3; At 11.5-9);

2. O povo de Deus, no Antigo Testamento, sempre comeu carne de boi, ovelha, cabra e outros animais (Jz 6.20; 1Sm 28.24,25; 1Re 4.23; Am 6.4);

3. O povo de Deus, no Novo Testamento, também comia carne bovina (Mt 22.4; Lc 15.30);

4. O povo de Deus comia carne de peixe (Nm 11.5; Ec 9.12; Ez 47.10; Mt 4.18; Lc 11.11);

5. Jesus alimentou a multidão com pão e carne de peixe (Mt 15.37; Mc 6.42);

6. Gafanhotos eram comidos (Lv 11.21,22; Mt 3.4; Mc 1.6);

7. Aves eram parte da alimentação (Êx 16.12,13; Nm 11.18-20,32,33; 1Re 4.23; 1Sm 26.20);

8. O povo de Deus bebia leite (Dt 32.14; Jó 20.17; Jó 21.24; Pv 27.27; Ct 4.11);

9. O povo de Deus bebia mel (1Sm 14.27; 2Sm 17.29; Ct 4.11; Sl 19.10; Pv 16.24; Mt 3.4; Mc 1.6);

10. As descrições bíblicas de uma terra prometida são de “terra que mana leite e mel” (Ex 3.8,17; 13.5; 33.3; Lv 20.24; Nm 13.27);

11. Deus usou e ordenou o uso de peles de animais (Gn 3.21; Ex 25.5; Nm 31.20; Hb 11.37);

12. Homens de Deus como Elias e João batista usavam couro (2Re 1.8; Mt 3.4; Mc 1.6);

13. A seda também é permitida por Deus nas Escrituras (Ez 16.10; Ez 16.13; Ap 18.12);

14. A descrição da nova Jerusalém é de portas feitas de pérola (Ap 21.21);

15. Tanto a caça quanto a pesca são atividades permitidas por Deus (Gn 25.28; 27.3,5; Pv 12.27; Ez 47.10; Mt 4.18; Mt 13.48; Lc 5.4-6);

16. Animais eram usados tanto nos sacrifícios, quanto na agricultura, quanto nas guerras (2Re 6.17, Lc 9.62);

17. Os anjos, em corpos humanos, se alimentaram de coalhada, leite e carne bovina (Gn 18.8);

18. Jesus se alimentava de carne de peixe (Lc 24.42,43), mel (Lc 24.43); pão (Mt 26.26); carne de cordeiro (Êx 12.3) e, muito provavelmente, como todo judeu, de queijo de cabra, ovos, azeitonas, trigo, cevada, lentilhas, tâmaras, melõe, pepinos, romãs, e uvas passas.

O que está na base do Veganismo é a ideia de que o sofrimento animal não é permitido sob hipótese alguma. A vida animal é sagrada. Em um mundo vegano ideal, os animais morreriam de velhice.

Conquanto cristãos tenham o dever de cuidar da criação de Deus (Gn 1.28), Deus colocou os animais abaixo dos seres humanos. O que o paganismo fez, no passado, foi inverter esta ordem “adorando e servindo a criatura em lugar do Criador” (Rm 1.25). O que a Ecologia (e agora o Veganismo) estão fazendo é ressuscitar o paganismo colocando a natureza como o próprio Deus e divinizando os animais. Assim, cristãos devem perceber que não se trata apenas de uma inocente dieta para cuidado da saúde, mas de uma filosofia que inverte os ensinos da Palavra de Deus e que produz a idolatria da criação.

“Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão.” (Gl 5.1) “Se morrestes com Cristo para os rudimentos do mundo, por que, como se vivêsseis no mundo, vos sujeitais a ordenanças: não manuseies isto, não proves aquilo, não toques aquiloutro, segundo os preceitos e doutrinas dos homens?” (Cl 2.20-22). Foge destes que “exigem abstinência de alimentos que Deus criou para serem recebidos, com ações de graças, pelos fiéis e por quantos conhecem plenamente a verdade; pois tudo que Deus criou é bom, e, recebido com ações de graças, nada é recusável, porque, pela palavra de Deus e pela oração, é santificado.” (1Tm 4.3-5) “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus.” (1Co 10.31)

Ilustrações de Jesus não quebram o 2º mandamento? - Uma resposta



No dia 11 de Dezembro (2018) o Pastor Pedro Pamplona, do site Dois Dedos de Teologia, publicou um artigo com o título "Ilustrações de Jesus não Quebram o Segundo Mandamento". No texto o Pr. Pedro citou um artigo do meu blog e o fez com muita deferência e respeito. Devo dizer que aprecio muito os pastores que conseguem debater com respeito e amor cristão. Pelo que percebi no fluxo do texto, o Pastor Pedro é um destes. Que Deus abençoe muito o ministério desse meu irmão.

Para fins de instrução, eu escrevi uma resposta aos pontos abordados naquele artigo, com o fim de levar os leitores a compreenderem o que é requerido no 2º mandamento. Posto abaixo a resposta que enviei ao Pr. Pedro e que ele, prontamente, publicou:

Caro irmão, Pr. Pedro Pamplona,

Em primeiro lugar, agradeço a deferência ao meu blog e o tratamento respeitoso ao pensamento contrário. Já que fui citado, sinto-me obrigado a fazer um contraponto na esperança de convencê-lo que a interpretação de Westminster quanto ao 2º mandamento, proibindo qualquer imagem de qualquer das 3 pessoas da Trindade, está fiel ao ensino bíblico.

Em um ponto do seu escrito você disse:

“Quando falamos em ministério infantil, por exemplo, não considero adequado o uso de ilustrações de Deus, o Pai. Muitas vezes ele é retratado como um velhinho de barba branca, quase como um papai noel. Esse tipo de ilustração constrói uma ideia errada sobre Deus na mente das crianças e pode dificultar o aprendizado bíblico posterior sobre Deus e sobre a Trindade. Se Deus se revelou como Espírito invisível, que o mantenhamos assim para sermos fiéis à sua revelação pedagógica de si mesmo.”

Eu concordo plenamente com você e o mesmo argumento se aplica a Cristo. Muitas vezes ele é retratado como um jovem de pele macia, olhos claros e cabelos sedosos, quase como uma mulher. Esse tipo de ilustração constrói uma ideia errada sobre Jesus na mente das crianças e pode dificultar o aprendizado bíblico posterior sobre Deus e sobre a Trindade. Se Deus se revelou como pessoa Teantrópica, que o mantenhamos assim para sermos fiéis à sua revelação pedagógica de si mesmo.

Na sequência, você afirmou:

Se o texto de Deuteronômio nos dizia para não fazermos qualquer imagem de Deus porque ele não se revelara de forma visível, agora esta revelação chegou até nós e não temos mais esse problema com a invisibilidade. Concluo que se a imagem era errada por falta de revelação visível, a presença dessa revelação possibilita algum tipo de ilustração.”

É equivocado dizer que Deus não se revelou de forma visível antes de Cristo. Moisés viu a manifestação de Deus pelas costas (Ex 33.23) e ele apareceu em forma visível, de modo teofânico, a Abraão (Gn 12, 18), a Jacó (Gn 32), a Josué (Js 5.14), a Isaías (Is 6) e a outros. João Calvino defende, inclusive, que todas as teofanias do AT são Cristofanias, pois, na economia da Trindade, a segunda pessoa é responsável pela manifestação visível de Deus. Assim, quando Cristo se encarna, a diferença é quanto à perenidade da manifestação. O que era passageiro, eventual e provisório, agora se torna encarnado e perene. Mesmo com todas as manifestações visíveis, teofânicas, de Deus no AT, nenhum desenho foi gerado. Pelo contrário, quando Moisés viu a Deus, de forma tão intensa que teve que usar véu porque seu rosto resplandecia (Ex 34.29), a primeira coisa que fez não foi um desenho, mas lavrar duas novas tábuas de pedra para que Deus escrevesse Palavras (Ex 34.1).

Você usa bastante os argumentos de John Frame, que é, de fato, uma mente brilhante, mas, infelizmente, um conhecido dissidente da subscrição confessional. Um das citações é esta:

“O docetismo diz que Jesus não veio realmente em carne. Esse é um erro muito sério, que devemos desencorajar em nossos filhos. Em vez disso, devemos incluir imagens de Jesus em nossos materiais de ensino, de modo a dar aos nossos alunos algum sentido da visibilidade profunda da vinda de Deus para o nosso meio.”

Eu digo que Frame está certo no diagnóstico, mas não no remédio. Tratar Jesus como um espírito, ou um ser invisível é docetismo mesmo. Mas a solução não é desenhá-lo como se fosse um mero humano (ebionismo), mas não dar aparência a ele. Hollywood (até os anos 80) e algumas editoras cristãs sérias conseguiram contar histórias de Jesus sem mostrá-lo. Ele está lá, de carne e osso, mas não aparece a sua imagem, ninguém sabe qual é o seu rosto, ou a sua altura, ou a sua cor de pele. Assista o filme o Manto Sagrado (1953) e Ben Hur (1959), como exemplos.

Em outro ponto do texto, você disse:

“Novamente discordo de Westminster (acho que você já percebeu que não tenho nenhum problema com isso). E não só discordo, mas creio que eles foram longe demais nessa posição. Não há qualquer base bíblica para afirmar isso em relação a Jesus. O que dizer dos discípulos que viram Jesus? Eles não poderiam ter lembranças imperfeitas sobre ele? E o que dizer das imagens misteriosas que a própria Bíblia nos oferece sobre o Cristo que voltará? Você lembra da imagem cristológica-escatológica de Apocalipse 19?”

Eu digo que não há problema em você discordar de Westminster, visto que você é pastor batista. Para um pastor presbiteriano, isso é um problema grave, pois houve subscrição confessional. Sobre o mérito, os discípulos não quebraram o segundo mandamento porque, diferentemente de nós, eles tiveram acesso físico à pessoa de Cristo. Suas memórias eram reais quanto a Jesus. No nosso caso, como Deus deixou a nós palavras e não imagens, todas as nossas imagens quanto a Jesus são falsas. Tanto é assim que o texto que você usou de Apocalipse 19 confirma isso. Não é uma descrição da aparência de Jesus, mas uma descrição simbólica, com olhos de chama de fogo. No começo do livro, João o descreve não de modo real, mas por símbolos:

“A sua cabeça e cabelos eram brancos como alva lã, como neve; os olhos, como chama de fogo; os pés, semelhantes ao bronze polido, como que refinado numa fornalha; a voz, como voz de muitas águas. Tinha na mão direita sete estrelas, e da boca saía-lhe uma afiada espada de dois gumes.” (Ap 1.14-16). 

Ora, se como você disse “Esse texto é um convite claro das Escrituras para criamos uma imagem de Jesus em nosso imaginário”, o Jesus que teremos em nossa mente é o de um homem com chamas de fogo nos olhos, voz de muitas águas e com uma espada afiada saindo da boca. Nada comparado aos rostos efeminados que os artistas atuais têm produzido sobre Jesus.

Concluo agradecendo o respeito, mas esperançoso de que o pastor reveja seu pensamento. Não há qualquer base na bíblia para representações de Jesus por imagens. Aqueles que conviveram 3 anos com ele nos deixaram palavras, não imagens. E a igreja cristã seguiu este rumo. Que Deus abençoe o irmão.

Leia também:
Podemos Usar Imagens de Jesus? - Vários autores
Imagens de Cristo - John Murray

September 12, 2018

30 Razões por que mulheres não devem pregar em cultos públicos


1. Na criação, Deus estabeleceu o homem como cabeça e a mulher como auxiliadora (Gn 2.18). O ensino pressupõe autoridade;

2. Sendo o marido “o cabeça da mulher” (Ef 5.23) não pode a mulher, na igreja, ser cabeça do marido;

3. Os sacerdotes eram responsáveis em ensinar a Lei ao povo (Lv 10.11, Ml 2.7) e nunca houve sacerdotisas em Israel;

4. Mulheres foram profetisas na Bíblia, mas Pregação e Profecia são dons diferentes (Rm 12.6,7; 1Co 12.28,29 e Ef 4.11). Na Profecia Deus coloca as palavras na boca do profeta (Dt 18.18 e 1Co 14.30). Ele é tomado pela profecia (1Co 14.25). Até Saul profetizou (1Sm 10.10);

5. Mulheres profetizaram, mas o ensino autoritativo foi reservado aos homens (1Tm 1.12, 3.2, Tt 1.6);

6. Débora (Jz 4.6), Miriã (Êx 15.20,21) e Hulda (2Rs 22.14) profetizaram, mas não exerceram ensino autoritativo diante do povo;

7. Débora foi juíza em Israel por causa da omissão masculina. Todavia, ela não convocou o povo para a batalha, mas encorajou Baraque a fazê-lo (Jz 4.6,10);

8. Quando Baraque insistiu na presença de Débora, ela o repreendeu para que ele assumisse sua função de cabeça (Jz 4.9);

9. Na história de Débora, a palavra “julgava” (shaphat) não significa governar nem ensinar, mas decidir controvérsias;

10. Os filhos de Israel subiam a Débora para juízo. Ela não estava governando ou ensinando um grupo, mas julgando questões do povo debaixo de uma palmeira (Jz 4.5);

11. Débora não liderou a batalha. Baraque o fez. Por isso, ele é lembrado no futuro e Débora omitida (1Sm 12.11; Hb 11.32);

12. Crianças e mulheres como cabeças são juízo de Deus sobre o seu povo (Is 3.12);

13. Por mais que fosse seguido por mulheres que o serviam (Mt 27.55), Jesus só escolheu apóstolos homens;

14. Sendo Jesus isento de quaisquer preconceitos, poderia ter escolhido uma mulher para ser apóstola, mas não o fez porque a liderança do povo de Deus foi designada a homens;

15. Os apóstolos seguiram a mesma orientação submetendo a Deus a escolha de Matias no lugar de Judas (At 1.23);

16. Na escolha dos diáconos, só homens foram indicados para cuidarem das viúvas (At 6.3);

17. Priscila, juntamente com Áquila, ensinaram Apolo no particular, não no público: “tomaram-no consigo” (At 18.26);

18. Paulo ensinou aos coríntios o padrão bíblico: o marido é o cabeça do lar, os pastores são os cabeças de suas igrejas locais, Cristo é o cabeça da Igreja global e Deus Pai é o cabeça de Cristo (1Co 11.3)

19. O argumento que defende que a mulher pode pregar se estiver debaixo da autoridade do pastor é falacioso. Pastores não podem autorizar ninguém a desobedecer a Bíblia (Gl 1.8);

20. Quando Paulo escreve aos Gálatas dizendo que, em Cristo, “não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher” (Gl 3.28) ele está tratando de salvação, não de pregação ou de ofícios;

21. O propósito de Deus com a Bíblia foi o de alcançar todas as gerações do seu povo. A Bíblia continua atual e nela Deus não deixou orientações a pastoras, mas só a pastores (1Tm 3 e Tt 1);

22. As mulheres devem aprender em silêncio, com toda a submissão (1Tm 2.11);

23. O bispo ou presbítero, que deve ser, dentre outras coisas, “apto para ensinar” deve ser “esposo de uma só mulher”, logo, homem (1Tm 3.2);

24. Aqueles que devem se afadigar na palavra e no ensino são presbíteros, homens (1Tm 5.17);

25. As instruções quanto ao procedimento no trato com as ovelhas – ser brando para com todos, apto para instruir, paciente, disciplinando com mansidão os que se opõem – são dadas a homens (2Tm 2.24,25);

26. As mulheres idosas são chamadas por Deus para ensinar “as jovens recém-casadas a amarem ao marido e a seus filhos” (Tt 2.3,4);

27. O sacerdócio universal dos crentes não diz respeito ao ensino autoritativo da igreja, mas ao acesso de todos os crentes a Jesus Cristo (Hb 10.19-22);

28. Os anjos das cartas do Apocalipse eram pastores, homens. Os pronomes estão todos no masculino (Ap 2.1,8,12,18, 3.1,7,14);

29. Na Bíblia, a única mulher que explicitamente ensina com autoridade é Jezabel, uma ímpia (Ap 2.20);

30. Não há livro bíblico escrito por mulher e, nos três primeiros séculos da Igreja nós não encontramos nenhuma mulher sendo ordenada ou sendo responsável pelo ensino da igreja, exceto no Montanismo, heresia do século II.

August 29, 2018

Por que abandonei a Igreja "Sensível ao que Busca"




Comecei a pastorear em setembro de 1994 - bem no meio loucura do movimento “seeker-sensitive” (sensível ao que busca). As duas primeiras igrejas em que trabalhei estavam 100% comprometidas com o programa. Nós éramos contemporâneos, tínhamos foco, boa sinalização e todos os nossos valores centrais começavam com a letra "G"1 - éramos tão amigos dos interessados ​​quanto era humanamente possível.


Ambas as igrejas fecharam e o próprio movimento parece estar em declínio terminal.

Foi um momento da minha vida, mas estou muito feliz por ter acabado.

Havia muitas pessoas boas no movimento e algumas motivações muito admiráveis ​​por trás disso, mas quando eu reflito sobre a minha experiência, me parece que o modelo sempre esteve fadado ao fracasso por pelo menos 7 razões simples.


1. Porque você pesca o que estava querendo pescar

A lógica básica do movimento “sensível ao que busca” era que nós atrairíamos as pessoas tocando música contemporânea, cantando canções contemporâneas, falando o jargão contemporâneo e abordando questões contemporâneas. Então, em algum ponto não específico no futuro, faríamos a transição para coisas mais carnudas e substanciais.

Era uma operação básica de atrair para dentro para depois trocar a isca e, como você pode imaginar, nunca funcionou na prática.

Acontece que com aquilo que você ganha as pessoas é aquilo que você tem que manter as pessoas com. Se você se apresentar como uma igreja para pessoas que não gostam de igreja, então você não pode fazer coisas religiosas sem esperar um retorno significativo.

É por isso que a maioria das igrejas do movimento nunca conseguiram sair da rota de fusão teológica. Se você os der um cristianismo água com açúcar, então você precisa continuar a oferecer o mesmo cristianismo semana após semana após semana. A lógica da igreja buscadora prende você numa reconstituição espiritual de Waiting For Godot2.

Me ponha fora dessa.

Eu gosto muito das portas da frente, mas também gosto das cozinhas, corredores e salas de jantar. Eventualmente você tem que chegar à parte carnuda, mas nas igrejas do movimento que eu fazia parte, parece que nunca chegávamos.


2. Porque pequenos grupos não são a igreja

Claro que a teoria era que iríamos chegar na carne dentro dos pequenos grupos. Esse foi o nosso mantra. Dizíamos que a igreja no domingo era agora para visitantes e que os Pequenos Grupos seriam para nós. Foi o que dissemos, mas na verdade não tenho certeza de quantos de nós acreditamos nisso.


Devo confessar que tive poucas experiências positivas em um pequeno grupo. A maioria dos Pequenos Grupos dos quais fui forçado a fazer parte seguiu o mesmo script básico. Nós nos reunimos, de algum modo a contragosto, uma vez a cada duas semanas, exceto durante o verão ou se a reunião caísse dentro de um feriado oficial de 5 dias. O que significava que nos encontrávamos praticamente 14-16 vezes por ano.

Passávamos de 15 a 20 minutos conversando e comendo biscoitinhos. Então haveria "um estudo". O estudo era geralmente conduzido por alguém que se preparara enquanto comíamos biscoitinhos. A liderança dele ou dela geralmente envolvia ler a passagem selecionada e, em seguida, fazer uma versão da pergunta: “Então, o que vocês pensam sobre isso?” O que as pessoas pensavam sobre isso era muitas vezes profundamente perturbador. Felizmente, parte do conteúdo era inevitavelmente interrompido pela pessoa com necessidade de ser ouvida que insistia em transformar cada reunião do Pequeno Grupo em uma sessão de terapia pessoal. Eu normalmente ficava de lado durante essa parte da reunião e ficava fantasiando sobre jogar na NHL3.

Depois disso, orávamos, comíamos mais biscoitos e íamos para casa.

Geralmente não era uma experiência transformadora e certamente não era uma experiência legítima da igreja.

Pequeno Grupo não é igreja.

O Pequeno Grupo é pequeno e seleto - a maioria dos Pequenos Grupos dos quais fiz parte eram organizados baseando-se na geografia e na demografia - o que significa que tínhamos a mesma idade e todos vivíamos nos mesmos bairros da classe média.

Isso não é igreja.

A igreja é jovem e velha, rica e pobre, negra e branca, bem educada e classe trabalhadora sentada lado a lado sob a palavra pregada de Deus e respondendo com louvor, oração e arrependimento.

Isso é mágico. O pequeno grupo, pelo menos para mim, era uma tortura.

Agora, talvez meu grupo não tenha feito isso corretamente. Talvez não estivéssemos comprometidos o suficiente. Só estou dizendo que, se a teoria é que a igreja no domingo vai se tornar um show de variedades voltado para os não-crentes e que meu crescimento espiritual será atendido no Pequeno Grupo, então me ponha fora dessa. Eu vou morrer com esta configuração - e eu quase morri.

3. Porque não estava alimentando nosso povo

Quando eu era um pastor associado à uma Igreja Buscadora, uma das conversas mais comuns que tive foi com pessoas que estavam se perguntando por que não pudemos cantar certas canções de adoração com as quais elas haviam crescido e que haviam ministrado profundamente às suas almas. A resposta da Associação que fui encorajado a dar seguiu as seguintes linhas: “Porque essas músicas são para cristãos e nossos serviços são para pessoas sem igreja. Precisamos pensar menos sobre o que queremos e mais sobre o que eles querem. Você pode cantar essas músicas no seu Pequeno Grupo. ”

Eu frequentemente tive a mesma conversa básica a respeito da comunhão. Não celebrávamos a comunhão em nossos cultos dominicais, mas incentivávamos as pessoas a celebrarem a Ceia do Senhor em um pequeno grupo, embora eu não me lembre de alguém que tenha feito isso.

Há algo de muito arrogante na ideia de que a adoração é para “outras pessoas”; de que eu não preciso fazer isso, mas meu vizinho não salvo precisa.

Eu rapidamente descobri que eu preciso muito disso.

Eu preciso me sentar debaixo da proclamada palavra de Deus no culto público.

Preciso de ajuda para elevar meus pensamentos e louvores ao Senhor.

Preciso de ajuda para lembrar o evangelho.

Eu preciso de ajuda para manter um espírito de gratidão.

Eu preciso de um culto público regular.

Essa é uma das principais razões pelas quais saí do Movimento. Ele parecia supor que nós, pessoas fortes, já havíamos recebido nossa porção de graça e agora precisávamos passar fome para alimentar os outros. Gostei da teoria até descobrir que não era tão forte quanto pensava. Acontece que a distância entre eu e meu vizinho ímpio não era tão grande ou considerável quanto o modelo parecia supor.

4. Porque era muito estreitamente focado

Na primeira Igreja Buscadora que eu fiz parte, o pastor titular costumava nos lembrar regularmente que não estávamos tentando ser todas as coisas para todas as pessoas. Nós estávamos tentando ser uma igreja para as novas gerações4 e seus filhos.

Nós éramos uma igreja focada.

A teoria era que já que você não pode ser bom em tudo e já que há sempre um monte de boas igrejas na cidade, fazia sentido focar nossos esforços e alcançar estritamente uma fatia específica da torta da comunidade.

Nós escolhemos as novas gerações.

No entanto, comecei a me perguntar se alguma dessas “boas igrejas na cidade” poderia ou não ter como alvo algumas das pessoas que escolhemos deixar para trás. Haveria alguém que focasse idosos deficientes mentais? Alguém focaria em imigrantes? Alguém visaria mães solteiras ou doentes terminais? De um modo geral, essas pessoas não têm dinheiro e capacidade voluntária.

E ainda.

Essas são as pessoas que Jesus estava particularmente interessado. Essas são as pessoas que mais se beneficiariam de fazer parte de uma igreja saudável.

Quando saí do Movimento, acho que esse foi o aspecto particular daquela cultura que mais me empolguei em deixar para trás.

5. Porque estava matando nossa equipe

Nas igrejas que eu fazia parte, a “excelência” era um conceito muito importante. Nós falávamos muito sobre honrar o Senhor com “excelência”. Queríamos honrar o Senhor com excelentes anúncios, excelente iluminação, excelente som, excelentes assentos, excelente sinalização e excelente programa - principalmente na manhã de domingo.

Tenho certeza de que o desleixo é um pecado, mas também tenho certeza de que uma obsessão pela excelência leva à profissionalização do ministério e do serviço. Voluntários quase nunca são excelentes. Tenho certeza de que eles são excelentes em tudo o que fazem para ganhar a vida, mas quase nunca são excelentes no que fazem com as 5-7 horas de precioso tempo voluntário que oferecem à igreja. Muitos deles estão comprometidos. Muitos são humildes. Muitos são generosos. Muitos são fiéis. Mas, em geral, eles não são excelentes. Se por excelente você quiser dizer “grau profissional”. É difícil ser profissional em algo que não é sua profissão. E então o que aconteceu ao longo do tempo é que mais e mais tarefas na igreja passaram a ser atribuídas a profissionais reais.

Mas na maioria das igrejas, nunca há profissionais suficientes para dar conta. Portanto, esperava-se que a equipe fizesse mais e mais do ministério. Isso não foi bom para as pessoas e não foi bom para a equipe.

6. Porque não era bíblico

Quanto mais eu tentava entender a filosofia da Igreja Buscadora e quanto mais eu lia a minha Bíblia, mais conflitante eu comecei a me sentir como um pastor nesse movimento em particular. Muitas das coisas que fizemos e muitos dos valores que adotamos pareciam completamente em desacordo com o que eu estava lendo nas Escrituras.

Uma das principais suposições do movimento buscador é que as pessoas sem igreja precisam de um tipo diferente de ministério do que as pessoas da igreja. As pessoas da igreja precisam da Bíblia (entrar em pequenos grupos), mas as pessoas que não são da igreja precisam de sermões serenos sobre tópicos de preocupação imediata. Entre no show de variedades da manhã de domingo.

Mas isso não é o que a Bíblia diz.

A Bíblia diz:

Então a fé vem pelo ouvir e ouvir a palavra de Deus. (Romanos 10:17)

A Bíblia diz que as pessoas são convertidas ao ouvir a Bíblia lida e pregada com referência particular à obra salvadora de Jesus Cristo. Não por histórias engraçadas, dramas, vídeos ou conversas sobre dinheiro e casamento. Pessoas sem igreja se convertem ouvindo a Bíblia e como ela aponta e pertence a Cristo.

A Bíblia também parece indicar que é assim que as pessoas salvas crescem - Jesus orou por isso mesmo:

Santifica-os na verdade; a tua palavra é verdade. (João 17:17 ESV)

As Escrituras parecem dizer que os crentes e incrédulos precisam exatamente da mesma coisa. Eles precisam da Palavra de Deus que muda as vidas! Eles precisam ser ensinados sobre quem é Deus, quem somos e como Deus nos salvou através da pessoa e obra de Cristo. Quanto mais eles ouvem sobre isso, mais crescem sob isso.

Pareceu-me, ao ler a Bíblia, que um único culto na igreja onde a Palavra de Deus era pregada com referência particular à vida e ministério de Jesus Cristo, poderia satisfazer as necessidades de pessoas salvas e não-salvas.

Mas não era assim que fazíamos na Igreja Buscadora.

Isso por si só teria sido suficiente para me tirar do movimento.

Mas havia mais.

7. Porque não funcionou

Eu honestamente não me lembro de uma única história de sucesso verdadeira em todos os 5 anos que passei dentro do movimento da Igreja Buscadora. Não me lembro de encontrar alguém que tenha sido anteriormente desigrejado, que veio a um dos nossos cultos dominicais acessíveis e relevantes, se tornou um verdadeiro seguidor de Jesus Cristo, que se transformou em um pequeno Grupo e que se tornou um discípulo multiplicador e ministrador.

No entanto, lembro-me de ter encontrado muitas pessoas anteriormente religiosas que haviam deixado suas igrejas mais tradicionais porque tínhamos música melhor, expectativas mais baixas e cultos mais curtos.

Na minha experiência, o Movimento Sensível era menos uma porta da frente e mais uma porta dos fundos. Foi um pouso suave para o voo dos cristãos nominais em seu caminho para fora da igreja evangélica.

Muito do que sou hoje como pastor é uma reação a essa experiência e, ao mesmo tempo, um retorno às raízes da minha infância. Eu me tornei um cristão em uma igreja que se deleitava no Cristo das Escrituras. Nós lemos a Bíblia juntos. Nós adoramos juntos. Nós comemos juntos. Vivemos e crescemos juntos e com os dons que tivemos e as oportunidades que o Senhor nos proporcionou, estendemos a mão juntos, para nossa comunidade e através de nossos parceiros, até os confins da terra.

Não é sexy.

Não é contemporâneo.

Mas é igreja.

Eu sou muito grato por isso e continuo a acreditar profundamente nisso.

Aqui estou e pela graça de Deus não sairei daqui.

SDG

Pastor Paul Carter

Tradutor: Caio Jorge


1 – Ou Core Values. São princípios que direcionam um propósito ou uma missão de uma empresa. Os com a letra G costumam identificar igrejas com propósitos, tais como:  Grounded (Assentados [na bíblia]), Glory (glória), Gospel (evangelho), Growth (crescimento), Groups (grupos ou células), Gifts (dons), Generosity (generosidade), Genuineness (sinceridade).

2 – Waiting for Godot é uma peça de Samuel Beckett , na qual dois personagens, Vladimir (Didi) e Estragon (Gogo), aguardam a chegada de alguém chamado Godot que nunca chega.

3 – National Hockey League, ou Liga Nacional de Hockey, um dos esportes mais populares do Canadá.

4 – O original traz a expressão Baby Boomer, que retrata alguém nascido nos anos seguintes à Segunda Guerra Mundial, quando houve um aumento temporário expressivo na taxa de natalidade.

August 8, 2018

Refutando a Luterana Abortista com 11 Argumentos



No dia 06/08/18 a pastora Lusmarina Campos, representando o Instituto de Estudos da Religião (ISER) do Rio de Janeiro, defendeu a descriminalização do aborto no Brasil na Audiência pública do STF. Impregnada de teologia liberal, ela distorceu totalmente o ensino bíblico a fim de validar sua posição favorável ao aborto. Alisto abaixo 11 argumentos em refutação ao seu discurso.
1. Ela disse que “os principais argumentos levantados contra a descriminalização do aborto são religiosos”. De fato, para um cristão verdadeiro, o principal argumento contrário ao aborto é que a vida é sagrada, porque não pertence a nós, mas a Deus. Porém, é falacioso dizer que os melhores argumentos são religiosos, como se fosse uma discussão restrita a este campo. É conhecido e divulgado que juristas, biólogos, médicos e cientistas em geral se opõem ao aborto por questões humanitárias, de defesa da vida e dos direitos do nascituro.
2. Ela defendeu que a ideologia de gênero é sua chave de leitura com a qual ela interpreta a Bíblia. Eu diria que isso explica todo o seu discurso. Quando alguém usa óculos com lentes sujas, tudo o que se vê fica imundo. Quando se assume uma chave hermenêutica social para interpretar a Bíblia, constrói-se uma leitura enviesada da Palavra de Deus, uma caricatura monstruosa. A Igreja Reformada sempre teve a própria Bíblia como chave hermenêutica. É o princípio da “analogia da fé. Quem nos ensina este princípio é o próprio Senhor Jesus. Quando tentado por Satanás com textos bíblicos, sua arma de interpretação correta foi a própria Palavra de Deus.
3. A abortista defendeu que em Êxodo 21.22 o feto não é considerado um ser vivo, pois, na morte acidental descrita no versículo é requerida apenas uma indenização e não a vida do assassino. Este texto é bastante utilizado por abortistas e o argumento é facilmente refutado quando se vai ao texto hebraico. Ali, a melhor tradução para o hebraico yatsa não é aborto, mas saída. É o mesmo verbo utilizado em Gênesis 25 para descrever o nascimento de Esaú e Jacó: “Saiu o primeiro, ruivo, todo revestido de pêlo; por isso, lhe chamaram Esaú. Depois, nasceu [saiu] o irmão; segurava com a mão o calcanhar de Esaú; por isso, lhe chamaram Jacó.” (Gn 25.25,26). É por isso que as versões NKJV e a NIV traduzem o texto não como “aborte” mas “der à luz prematuramente”, ficando assim: “Se homens brigarem e ferirem uma mulher grávida, e ela der à luz prematuramente, não havendo, porém, nenhum dano sério, o ofensor pagará a indenização que o marido daquela mulher exigir, conforme a determinação dos juízes.” (NIV)
4. Ela defendeu que, em Números 5, há o relato de prática autorizada de aborto, por parte de um sacerdote israelita. Eu te convido a ir até Números 5.11 a 31 e ler com seus próprios olhos. Não há nada relacionado com aborto. O texto mostra o ritual que deveria ser feito para o caso de mulheres adúlteras contra as quais não se tivesse recolhido provas (v. 13). O rito consistia em se misturar o pó do tabernáculo em água santificada (v. 17) e, mediante as palavras de julgamento do sacerdote, fazer a mulher beber a água. Se a mulher bebesse a água amarga e fosse adúltera seu ventre se incharia e sua coxa descairia (v. 27). Tudo indica que ficaria estéril também porque, no versículo 28 é registrado “Se a mulher se não tiver contaminado, mas estiver limpa, então, será livre e conceberá.” Note, todavia, que em nenhuma parte do castigo é dito que haveria um aborto.
5. Disse a abortista: “O aborto não é considerado crime ou pecado na Bíblia.” Ora, aborto é o ato de cessar uma vida, logo, é assassinato. Isso é claríssimo no ensino bíblico. A defesa da abortista caminhou no rumo de fazer do aborto um ato sem importância para Deus. Isso contradiz, por exemplo, Oséias 9.14, quando a maldição de Deus sobre Efraim incluía o aborto dos filhos: “Ó Senhor, que darás a eles? Dá-lhes ventres que abortem e seios ressecados.” (NVI). Em contraposição, a bênção de Deus para o povo que adentrava Canaã previa ausência de abortos: “Na tua terra, não haverá mulher que aborte, nem estéril; completarei o número dos teus dias.” (Êx 23.26)
6. Disse a abortista: “Não há determinação bíblica acerca de quando a vida começa. O único texto que faz referência a um embrião é o Salmo 139.16.” De propósito, ela desconsiderou vários textos que apontam para vida intra uterina. Veja alguns:
“Os filhos lutavam no ventre dela; então, disse: Se é assim, por que vivo eu? E consultou ao Senhor.” Gênesis 25.22
“Respondeu-lhe o Senhor: Duas nações há no teu ventre, dois povos, nascidos de ti, se dividirão...” Gênesis 25.23
“... porquanto o menino será nazireu consagrado a Deus desde o ventre de sua mãe; e ele começará a livrar a Israel do poder dos filisteus” Juízes 13.5
“... porque o menino será nazireu consagrado a Deus, desde o ventre materno até ao dia de sua morte” Juízes 13.7
“Nunca subiu navalha à minha cabeça, porque sou nazireu de Deus, desde o ventre de minha mãe...” Juízes 16.17
“As tuas mãos me plasmaram e me aperfeiçoaram, porém, agora, queres devorar-me. Lembra-te de que me formaste como em barro; e queres, agora, reduzir-me a pó? Porventura, não me derramaste como leite e não me coalhaste como queijo? De pele e carne me vestiste e de ossos e tendões me entreteceste. Vida me concedeste na tua benevolência, e o teu cuidado a mim me guardou.” Jó 10.8-12
“Aquele que me formou no ventre materno não os fez também a eles? Ou não é o mesmo que nos formou na madre?” Jó 31.15
“A ti me entreguei desde o meu nascimento; desde o ventre de minha mãe, tu és meu Deus” Salmo 22.10
“Pois tu formaste o meu interior, tu me teceste no seio de minha mãe. Graças te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste; as tuas obras são admiráveis, e a minha alma o sabe muito bem; os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui formado, e entretecido como nas profundezas da terra. Os teus olhos me viram a substância ainda informe” Salmo 139.13-16.
“... porque eu sabia que procederias mui perfidamente e eras chamado de transgressor desde o ventre materno.” Isaías 48.8
“Ouvi-me, terras do mar, e vós, povos de longe, escutai! O Senhor me chamou desde o meu nascimento, desde o ventre de minha mãe fez menção do meu nome.” Isaías 49.1
“Mas agora diz o Senhor, que me formou desde o ventre para ser seu servo...” Isaías 49.5
Antes que eu te formasse no ventre materno, eu te conheci, e, antes que saísses da madre, te consagrei, e te constituí profeta às nações. Jeremias 1.5
“Pois ele será grande diante do Senhor, não beberá vinho nem bebida forte e será cheio do Espírito Santo, já do ventre materno.” Lucas 1.15
“Ouvindo esta a saudação de Maria, a criança lhe estremeceu no ventre; então, Isabel ficou possuída do Espírito Santo. E exclamou em alta voz: Bendita és tu entre as mulheres, e bendito o fruto do teu ventre! E de onde me provém que me venha visitar a mãe do meu Senhor? Pois, logo que me chegou aos ouvidos a voz da tua saudação, a criança estremeceu de alegria dentro de mim.” Lucas 1.41-44
7. A defensora do aborto disse que “o não matarás não tinha caráter nem aplicação universal. Podia se matar estrangeiros, mulheres adúlteras e inimigos de Israel.” Logo, a conclusão inevitável é que matar não é pecado. Desconsiderou a teóloga que Deus é o dono da vida. “O SENHOR é o que tira a vida e a dá; faz descer à sepultura e faz subir.” (1Sm 2.6). Ele tem todo o direito de dizer quem vai viver e quem vai morrer. Quando ele dava ordens para que o exército de Israel acabasse com uma cidade, era a sua ira santa que estava em ação. Não morriam inocentes. Geralmente, Deus exterminava povos iníquos por esse expediente. Porém, isso de forma alguma invalidava o “não matarás”. Aliás, muito antes da promulgação do mandamento, registrado em Êxodo 20, Deus já havia estabelecido que “Se alguém derramar o sangue do homem, pelo homem se derramará o seu; porque Deus fez o homem segundo a sua imagem.” (Gn 9.6). Muito tempo depois, Jesus mostrou que o “não matarás” não apenas estava em pleno vigor como resgatou o espírito da lei tornando o mandamento ainda mais amplo: “Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; e: Quem matar estará sujeito a julgamento. Eu, porém, vos digo que todo aquele que [sem motivo] se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento; e quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem lhe chamar: Tolo, estará sujeito ao inferno de fogo.” (Mt 5.21,22).
8. Lusmarina Campos disse que as mulheres “tinham sido parte integral do movimento de Jesus e de sua liderança, no entanto, ao se tornar religião do império romano, o Cristianismo fechou-se para as mulheres.” Mais uma afirmação desprovida de base bíblica e histórica. O Novo Testamento relata que muitas mulheres seguiam Jesus para o servirem (Mt 27.55), porém, não mostra estas mulheres participando da liderança da igreja, como afirma Lusmarina. Basta recordar que, mesmo com mulheres o acompanhando, Jesus escolheu 12 homens para serem apóstolos, colunas de sua igreja. Teria sido Jesus um machista ou ele estava apenas seguindo uma norma criacional (1Co 11.8,9) de o homem ser o cabeça?
9. Disse a abortista: “O único com poder de julgar é Deus e Deus é graça e amor incondicional. A ordenação sacerdotal não nos dá o poder de julgar.” Se os discípulos de Cristo não podem julgar, por que o apóstolo Paulo escreveu o que segue? “Ou não sabeis que os santos hão de julgar o mundo? Ora, se o mundo deverá ser julgado por vós, sois, acaso, indignos de julgar as coisas mínimas? Não sabeis que havemos de julgar os próprios anjos? Quanto mais as coisas desta vida!” (1Co 6.2,3) O próprio Senhor Jesus nos orientou a julgar e, na falta de arrependimento, excluir membros da igreja em Mateus 18.17: “E, se ele não os atender, dize-o à igreja; e, se recusar ouvir também a igreja, considera-o como gentio e publicano.” Aliás, na sequência do texto, quando Jesus fala que “onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles” é uma referência aos julgamentos vétero-testamentários, onde era necessária a presença de duas ou três testemunhas para a condenação de alguém (Dt 17.6, 19.15).
10. Para tranquilizar a consciência das mulheres que já praticaram um aborto, a teóloga afirmou que Jesus defendeu a mulher adúltera e não a condenou. Ignorou, porém, a teóloga, a continuação do versículo “vai e não peques mais” (Jo 8.11). Jesus não aprovou o pecado da mulher adúltera. Tanto não aprovou que a exortou. O que Jesus não fez foi permitir o seu apedrejamento, visto que o processo não estava sendo justo. Onde estava o homem que havia sido pego com ela? Por que não foi trazido? A intenção dos escribas e fariseus não era a de fazer justiça, mas a de provocar Jesus a um erro de julgamento “para terem de que o acusar” (Jo 8.6). Percebendo a armadilha, Jesus os desmascarou. A defensora do aborto, ao usar este texto, ignora totalmente o contexto e tenta fazer de Jesus um homem injusto, que tolera pecados.
11. Lusmarina Campos terminou seu discurso afirmando que “é o patriarcado eclesiástico que quer fazer as mulheres acreditarem que elas se tornam assassinas quando decidem abortar.” Não é a Bíblia e nem Deus. Deveria a teóloga retornar aos princípios básicos da teologia para aprender que a vida humana é sagrada. Não pertence a nós, pertence ao Criador. Deus fez homem e mulher de modo singular, diferente do restante da criação. Primeiro, soprando em suas narinas o fôlego da vida (Gn 2.7). Nenhum animal teve este privilégio. Segundo, colocando toda a criação debaixo do domínio do homem (Gn 2.26). Terceiro, criando homem e mulher à sua própria imagem e semelhança (Gn 1.26,27). Os animais foram criados “segundo a sua espécie”, todos de uma só vez. Já o ser humano foi uma criação única, à imagem e semelhança do Criador. No momento da criação do homem a Trindade se reuniu e deliberou: “Façamos o homem à nossa imagem.” Atentar contra a vida do meu semelhante é, em primeira instância, atentar contra Deus, pois o meu próximo carrega consigo a imagem e a semelhança do Criador. Por consequência, no aborto a vítima é uma criança portadora da imagem e semelhança de Deus. É um crime contra Deus.
Concluo lamentando que a Palavra de Deus tenha sido distorcida para defender um grave pecado perante o Senhor. Assim:

AFIRMAMOS que aborto é assassinato aos olhos de Deus. A vida é sagrada e começa na concepção.
REJEITAMOS o discurso falacioso e enganador de Lusmarina Campos. A ela cabe a repreensão de nosso Senhor Jesus: "Deixai-os; são cegos, guias de cegos. Ora, se um cego guiar outro cego, cairão ambos no barranco." (Mt 15.14)
EXORTAMOS as mulheres que já provocaram aborto ao arrependimento. Deus não rejeita quem vai a ele com coração quebrantado e arrependido (Sl 51.17).

July 17, 2018

Sobre Obras de Necessidade e de Misericórdia



A Confissão de Fé de Westminster, no capítulo 21, Do Culto Religioso e do Domingo, parágrafo 8º, ensina o seguinte:

"Este sábado é santificado ao Senhor quando os homens, tendo devidamente preparado os seus corações e de antemão ordenado os seus negócios ordinários, não só guardam, durante todo o dia, um santo descanso das suas obras, palavras e pensamentos a respeito de seus empregos seculares e de suas recreações, mas também ocupam todo o tempo em exercícios públicos e particulares de culto e nos deveres de necessidade e de misericórdia. (grifo meu)

O que seriam os deveres ou obras de necessidade e de misericórdia? Algumas considerações:

1. Os teólogos de Westminster dividiram o “fazer o bem” em “obras de necessidade e de misericórdia”.

2. Por necessidade, os discípulos colheram espigas e as comeram em um sábado (Mt 12.1).

3. Por necessidade, os sacerdotes trabalharam no sábado, oficiando diante do Senhor (Mt 12.5).

4. Por misericórdia, Jesus disse que um animal deveria ser salvo se caísse em uma cova, mesmo no sábado (Mt 12.11)

5. Por misericórdia, Jesus curou a mão ressequida de um homem (Mt 12.13)

6. Por misericórdia, Jesus curou uma mulher doente há 18 anos em um sábado (Lc 13.12)

7. Por misericórdia, Jesus disse que um animal deveria ser solto da manjedoura para beber, mesmo no sábado (Lc 13.15)

8. Por misericórdia, Jesus curou um homem doente há 38 anos, em um sábado (Jo 5.9)

9. Por misericórdia, Jesus curou um cego de nascença em um sábado (Jo 9.14)

10. Thomas Ridgeley, puritano inglês, nascido 18 anos depois da Assembleia de Westminster, escreveu um comentário do Catecismo Maior com mais de 1.300 páginas. Sobre a expressão “obras de necessidade e misericórdia” ele esclarece o seguinte:

“Devemos considerar, ademais, quais as obras de misericórdia que deveriam ser feitas naquele dia, tais como, visitar e providenciar medicação para o doente, ajudar os pobres, providenciar comida e água para o gado e outras criaturas irracionais. Isso o nosso Salvador justificou por sua prática, e ilustrou afirmando a necessidade de resgatar uma ovelha que havia caído em um buraco (Mt 12.10-13). Quando, no entanto, defendemos a legitimidade da realização de obras de necessidade e de misericórdia no dia de descanso, alguns cuidados devem ser tomados: Primeiro, que a necessidade seja real, não fingida, do que Deus e a nossa consciência são os juízes; segundo, que se achamos que podemos ter um chamado necessário para omitir ou deixar de lado o nosso atendimento às ordenanças de Deus no dia do descanso, tomemos cuidado para que a necessidade não seja colocada em nós por algum pecado cometido que dê ocasião a sermos julgados pela mão de Deus; e que o motivo que tornou necessária a nossa ausência, seja por causa de submissão e não por questão de escolha pessoal ou prazer.” (Commentary on The Larger Catechism, vol. 2, p. 357)

Portanto, com base nos textos bíblicos e na explicação de Thomas Ridgeley, concluo que “fazer o bem” significa providenciar alimento, trabalhar na igreja, salvar vidas, cuidar de doentes, e atender, por conta da submissão às autoridades, convocações obrigatórias de superiores.

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